O exemplo da Uniforja



Baixar 9.9 Kb.
Encontro29.07.2016
Tamanho9.9 Kb.
Senhoras Deputadas,

Senhores Deputados,



O exemplo da Uniforja


Gostaria de dividir com as deputadas e os deputados algumas sensações vividas nas muitas vezes em que volto à Uniforja, uma metalúrgica da cidade de Diadema, no ABC. Todas as sensações são de contentamento, de alegria, de orgulho em ter como amigos e companheiros metalúrgicos como os que hoje dirigem essa empresa.


Mas a maior dessas alegrias ocorreu há poucas semanas: foi concedido, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um financiamento de R$ 20 milhões, do BNDES, dinheiro a ser utilizado na aquisição do parque industrial da Conforja, metalúrgica que a cooperativa administra desde 1997.
O presidente da República esteve na Uniforja, há poucas semanas, e fez um emocionado discurso, enaltecendo a capacidade de mobilização e dedicação dos trabalhadores, afirmando (abre aspas): “Na verdade, os grandes homenageados são vocês que, do chão da fábrica, ouvem o meu discurso. Vocês deveriam estar aqui, no palco, e nós todos aí embaixo, batendo palmas para vocês”. (fecha aspas).
Registro aqui um pouco da história da Uniforja: em meados de 1997 a empresa teve a sua falência decretada. Muitos trabalhadores preferiram entrar na Justiça, a fim de receber o que lhes era devido. Na verdade, a maioria preferiu esse caminho: em apenas um dia, 120 trabalhadores deixaram a companhia. Foi criada uma cooperativa, com total apoio do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Na solenidade na qual foi assinada a concessão do financiamento, o então presidente do Sindicato, e hoje presidente da CUT, Luiz Marinho, disse que havia afirmado ao hoje presidente da Uniforja, o companheiro José Domingos dos Santos, que se os trabalhadores ficassem do lado de fora da empresa, à espera de uma decisão da Justiça ou de uma saída que caísse do céu, todos teriam virado caveirinhas.
A criação de uma cooperativa, administrada pelos trabalhadores, era uma saída que àquela época parecia um sonho inatingível. Mas o mesmo presidente da República já disse, e repete sempre que é necessário: que ninguém ouse duvidar da classe trabalhadora.
Os metalúrgicos da Uniforja não permitiram que a Justiça lacrasse a empresa, em conseqüência do pedido de falência.
Os metalúrgicos atravessaram uma época de grandes tormentas: a fábrica continuava funcionando, mas nada entrava em caixa. Nem um real, nada. Tudo levava a crer que o sonho nunca seria mesmo atingido. Mas reafirmamos como é importante não se duvidar da força de mobilização da classe trabalhadora: em 2003 o faturamento total da Uniforja chegará à casa dos 80 milhões de reais, bem mais que os 10 milhões de 1999.
São 232 cooperados, além de 213 contratados pela CLT. Segundo informações da direção da empresa, publicadas pela revista Istoé Dinheiro, edição de 28 de maio deste ano, a retirada de cada cooperado está 15% acima da média salarial da região.
Os dados são animadores: nos últimos anos, 13 cooperativas nasceram na região do ABC. E há hoje, no Brasil, cerca de 7 mil e 500 cooperativas, com aproximadamente 5 milhões e 300 mil cooperados, além de 171 mil trabalhadores contratados. Os dados são da Organização de Cooperativas do Brasil. Essas cooperativas chegam a representar 6% do PIB brasileiro, com cerca de 1 bilhão de dólares anuais em exportações. E há um fato novo no setor das cooperativas: até bem pouco tempo, a grande porcentagem de cooperativas estava no setor agrícola e de serviços. Mas começa a chegar, para aí permancer, no mundo da produção.
Gostaria de, aproveitando a oportunidade, saudar o companheiro Luiz Marinho, que com competência e dedicação apoiou todo o esforço dos trabalhadores da Uniforja, e que agora assume a presidência da Central Única dos Trabalhadores, a CUT, a qual também tive a honra de presidir em dois mandatos, que muito me enriqueceram. Nacionalmente conhecido por sua atuação à frente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em seu terceiro mandato, Marinho tem como uma de suas principais características a capacidade de negociar e a defesa de um sindicalismo cidadão, na certeza de que os trabalhadores não podem apenas se preocupar com o salário, mas com o país que deixarão para seus filhos. Essas características são imprescindíveis em um dirigente sindical.
Marinho é metalúrgico desde 1978, quando se tornou funcionário da seção de pintura da Volkswagen. Foi candidato a vice-governador do Estado de São Paulo, na chapa com o atual presidente do PT, José Genoíno, e em janeiro assumiu, atendendo a convite do presidente Lula, a presidência do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea).
Registro nesta Casa os meus mais sinceros parabéns aos companheiros da Uniforja, de Diadema, pela luta, pela perseverança, pelas conquistas, e ao companheiro Luiz Marinho, nessa nova fase de sua vida, que, tenho certeza, também terá êxito absoluto, para o crescimento do sindicalismo cidadão, para o fortalecimento da querida Central Única dos Trabalhadores e para o engrandecimento do nosso Brasil tão amado!

Brasília, 24 de junho de 2003.



DEPUTADO VICENTINHO


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal