O existencialismo



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O EXISTENCIALISMO

Linhas Gerais

1. O existencialismo ou filosofia da existência é uma vasta corrente filosófica contemporânea que se afirma na Europa logo depois da Primeira Guerra Mundial, se impõe no período entre as duas guerras e se desenvolve ainda mais e se expande até tornar-se moda sobretudo nas duas décadas posteriores à Segunda Guerra Mundial.

2. O existencialismo expressa e leva à conscientização a situação histórica de uma Europa dilacerada física e moralmente por duas guerras, de uma humanidade européia que, entre as duas guerras, experimentam em muitas de suas populações a perda da liberdade.

3. A época do existencialismo é época de crise: a crise daquele otimismo romântico que, durante todo século XIX e a primeira década do século XX, garantia o sentido da história em nome da Razão, do Absoluto, da Idéia ou da Humanidade, fundamentava valores, estáveis e assegurava um progresso certo e incontível.

4. O idealismo, o positivismo e o marxismo são todas filosofias otimistas, que presumem ter captado o princípio da realidade e o sentido progressivo absoluto da história.

5. O existencialismo, porém, considera o homem como ser finito, lançado no mundo e continuamente dilacerado por situações problemáticas ou absurdas.

6. E é precisamente pelo homem, o homem em sua singularidade, que o existencialismo se interessa.

7. O homem do existencialismo não é o objeto que exemplifica uma teoria, um membro de uma classe, não é simples momento do processo de uma Razão oniabrangente ou uma dedução do Sistema.

8. Existe quatro pontos básicos do pensamento existencialista:

8.1 A existência é indubitável e a realidade não se identifica com nem se reduz a racionalidade;

8.2 A centralidade da existência como modo de ser daquele ente finito que é o homem;

8.3 A transcendência do ser (o mundo ou Deus) com o qual a existência se relaciona;

8.4 A possibilidade como modo de ser constitutivo da existência e, pois, como categoria insubstituível na análise da própria existência.

9. Mas de que modo se qualifica o conceito de existência no interior do existencialismo?

9.1 A primeira coisa que se deve destacar é que a existência é constitutiva do sujeito que filosofa e o único sujeito que filosofa é o homem: por isso, ela é exclusivamente típica do homem, já que o homem é o único sujeito a filosofar.

9.1.1 Ademais, a existência é modo de ser finito e é possibilidade, isto é, um poder-ser.

9.1.2 A existência, precisamente, não é essência, coisa dada por natureza, realidade predeterminada e não modificável. As coisas e os animais são o que são e permanecem o que são. Mas o homem será o que ele decidiu ser.

9.1.3 O seu modo de ser, a existência, é um poder-ser, um sair de si em direção à decisão e à automodelagem.

10. Assim, a existência é um poder ser e, portanto, é incerteza, problematicidade, risco, decisão, impulso adiante.

Mas impulso em direção a que? É precisamente aí, que começam a se dividir as correntes do existencialismo, conforme as respostas,que são: Deus (Gabriel Marcel), o mundo (Martin Heidegger), o próprio homem (Jaspers), a liberdade (Albert Camus), o nada (Sartre).

11. Precisados esses traços conceituais, ainda que brevemente, é preciso fixar mais alguns pontos.

a) Na perspectiva da história das idéias, o existencialismo se apresenta como uma das manifestações da grande crise do hegelianismo, manifestações que se expressaram no pessimismo de Schopenhauer, no humanismo de Feuerbach e na filosofia de Nietzsche, por outro lado, encontram sua correspondência na obra literária de Dostojewskij e de Kafka, obra permeada de tão profunda problematicidade humana.

b) Na raízes do existencialismo encontra-se o pensamento de Kierkegaard.

c) Se Kierkegaard é a raiz remota do existencialismo, Fenomenologia é a sua próxima. Com efeito, o existencialismo se articula em contínuo exercício de análise da existência e das relações da existência humana com o mundo das coisas e o mundo do homens.

d) A análise da existência não foi objeto somente de obras filosóficas, como é o caso da analítica existencial realizada com método fenomenológico por Heidegger em Ser e Tempo, mas também de vasta obra literária (teatro,romances) que, sobretudo com Sartre e Simone de Beauvoir, sublinhou os traços menos nobres, mais tristes e dolorosos das vicissitudes humanas e com Gabriel Marcel, destacou os traços mais positivos da experiência da pessoa, que se constitui na possibilidade à transcendência e na comunhão com os outros.

e) Os representantes mais prestigiosos do existencialismo são Martin Heidegger e Karl Jaspers na Alemanha; Jean-Paul Sartre, Gabriel Marcel, Maurice Merleau-Ponty e Albert Camus na França e Nicola Abbagnano na Itália.



Martin Heidegger: da fenomenologia ao existencialismo
1. O expoente principal da filosofia da existência é Martin Heidegger. Nascido em Messkirch em 1889, ele estudou teologia e filosofia, pois inicialmente quis ser padre e chegou e estudar em um seminário.

2. Aluno de H. Rickert, laureou-se em filosofia em 1914 com uma tese sobre A doutrina do juízo no psicologismo.

3. Em 1916, como tese e habilitação ao ensino universitário, publicou A doutrina das categorias e do significado em Duns Escoto. Mais tarde descobriu se que a obra de Escoto considerada por Heidegger, isto é, a Gramática especulativa, não era de Duns Escoto.

4. Em 1919 Heidegger passa a ser assistente de Husserl e comenta semanalmente a obra "Investigações Lógicas" de Husserl. Assumiu, em 1923, uma das cátedras de filosofia da Universidade de Marburg, e projetou-se entre os especialistas através de interpretações pessoais de pensadores pré-socráticos como: Heráclito de Éfeso e Parmênides de Eléia. Publicou "Ser E Tempo" (1927), seu mais conhecido trabalho, inacabado. Através dele Heidegger projetou-se como o mais famoso representante da filosofia existencialista, qualificação esta que mais tarde repudiou.

5. Substituí Husserl na Universidade de Friburgo em 1929, sendo nomeado 4 anos mais tarde reitor desta universidade, ano este de ascensão de Hitler ao cargo de Chanceler da Alemanha. Em seu discurso de posse, deu boas vindas ao regime nazista, expressando suas esperanças numa "completa revolução da existência germânica". Nesta época afasta-se de Husserl, que era judeu.

6. Em 1927 saí o trabalho fundamental de Heidegger, Ser e Tempo. A obra deveria ser seguida de uma segunda parte, que, no entanto, não apareceu mais, já que os resultados alcançados na primeira parte impediam o seu desenvolvimento.

7. Ser e Tempo é dedicado a Husserl: Heidegger afirma que trabalha com o método fenomenológico, ainda que a sua filosofia seja bem diferente da de Husserl.

8. Em 1933, Heidegger, que aderira ao nazismo, torna-se reitor da Universidade Friburgo, pronunciando o discurso A auto-afirmação da universidade alemã. Mas pouco depois se demitiu do cargo de reitor.

9. É licenciado temporariamente por supostas simpatias pelo o regime nazista. Antes do término da Segunda Guerra Mundial vive em isolamento em sua casa nas montanhas da Floresta Negra. Após 1952, ao aposentar-se como professor da Universidade de Friburgo, mantinha contato com poucos amigos e alunos. Falece em 1976 em Friburgo.





1. Junto a que ente deve ser captado o sentido do ser?


1.1 O homem, portanto, é o ente que se propõe a perguntar sobe o sentido do ser.
1.1.1 E esse ente, que nós mesmos já somos sempre e que tem, entre outras possibilidades de ser, a de buscar, nós o indicamos com o termo SER-AÍ (Dasein).
1.1.2 Considerado no seu modo de ser, o homem é precisamente Da-sein, ou seja ser aí.
1.1.3 E o ser-aí indica o fato de que o homem está sempre em uma situação, lançado nela e em relação ativa com ela.
2. O modo de ser do Ser-aí é a existência.
2.1 Para Heidegger, a realidade é que o ser-aí não é simples presença que, acessoriamente, tenha o requisito de poder alguma coisa, mas, ao contrário, é primeiramente um ser-possível.
2.1.1 O ser-aí é sempre aquilo que pode ser (...). O essencial ser-possível do ser-aí envolve as modalidades já caracterizadas pelo cuidador do mundo, pelo cuidador dos Outros.
2.1.2 A essência da existência, portanto, é dada pela possibilidade. O ser do homem é sempre a possibilidade a atuar e, consequentemente, o homem pode escolher, isto é, pode conquistar-se ou perder-se
3. O ser-no-mundo


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