O fantasma azul



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Encontro31.07.2016
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                                   O FANTASMA AZUL

  Luiz Antônio Ribeiro Porto

O Colégio Arquidiocesano na época  em que estudei, tinha um grupo de alunos semi-internos e um grupo de alunos internos, cujos pais moravam geralmente no Interior e buscavam uma educação mais aprimorada para seus filhos.

Era de praxe por ocasião das visitas dos pais aos domingos, trazerem guloseimas e doces para os mesmos, coisas que o colégio embora servisse refeições excelentes, não oferecia o supérfluo: chocolate, bombons, salaminhos e outras coisas mais.

Nos refeitórios haviam armários onde os alunos podiam guardar seus pertences de forma absolutamente segura, pois a mentalidade dos alunos era  moldada dentro do respeito total e não me lembro dentro dos 10 anos que lá estudei, ter havido qualquer reclamação de algo ter sumido.

Deixávamos canetas Sheaffers, Parker, réguas de cálculo, enfim qualquer bem por mais precioso que fosse, sobre as carteiras ou dentro delas e jamais houve qualquer caso de roubo.

O mesmo acontecia com os bolos e doces que eram deixados no refeitório.

Porem um dia começou a ser notado que faltavam pequenos pedaços de goiabada ou marmelada de uma lata. Nada que fosse assim absurdo, mas parecia um trabalho de formiguinha, uma fatiazinha de goiabada, outra de marmelada, uns 2 biscoitinhos de um saco, umas balinhas que parece que diminuíram de quantidade.....

Começou correr um boato, que havia um fantasma azul que esvoaçava  sub-repticiamente pelos corredores vazios do Colégio na calada da noite.

Uma noite uns 3 ou 4 alunos se reuniram e depois de ter sido dado o toque de silencio, saíram silenciosamente das camas e pé ante pé foram até o refeitório e mesmo morrendo de medo do tal fantasma, se colocaram escondidos atrás das mesas.

As tantas um vulto de azul, com asas esvoaçantes penetrou no local e abrindo um armário, tirou um pedaço de goiabada de uma lata.

Os alunos ao mesmo tempo acenderam umas lanternas que haviam trazidos e pegaram o fantasma em flagrante !

Era tão somente um dos irmãos Maristas, recém formados, quase um garoto, ainda em fase de experiência que não resistia à vontade de comer algo doce e não tinha ninguém que lhe trouxesse tais iguarias, por isso ousara fazer isso.

Ele descia envolto num roupão azul que voava enquanto andava o que levou para a história do tal fantasma azul.

Coitadinho ficou morto de vergonha, só faltou chorar dizendo que iria embora naquele mesmo dia do Colégio, pedindo mil perdões aos alunos.

Os mesmos porem o acalmaram e disseram que ele não tomasse atitude nenhuma, que isso ficaria entre eles, que não seria justo o colégio perder um futuro professor por causa de uma atitude tão pueril.

E realmente isso ficou somente entre esses 4 alunos que se comprometeram jamais revelar isso  aos demais irmãos professores e mais que isso o “fantasma azul” passou a receber sempre uma colaboraçãozinha dos alunos, com uns pedacinhos de doces ou outras guloseimas para matar sua vontade.

Afinal esse moço foi criado dentro da mais estrita pobreza e como todo jovem tem vontade de comer umas bobagens, mas nunca teve ninguém que lhe oferecesse. Portanto é bastante compreensível sua ansiedade e essa gula tem explicação racional.



O “Fantasma Azul” continuou na sua profissão e tornou-se um dos mais brilhantes mestres de São Paulo.

O nome dele ? Não,  isso eu jamais vou revelar !


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