O fato Histórico no século XIX



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O Fato Histórico no século XIX
O século XIX foi decisivo para história, pois foi neste século que a consciência histórica se afasta das bandeiras do idealismo, colocando em seu lugar a bandeira da Ciência.

De acordo com José Carlos Reis, “o século XIX possui um apriori: a metafísica é uma impossibilidade”. 1

Uma característica que será expressiva para a disciplina histórica e, que a partir dela tentaremos identificar a concepção de Fato Histórico nas várias correntes de pensamento, será a rejeição radical das filosofias da história iluminista e hegeliana: rejeição do sistema, da história universal, da Razão que governa o mundo, do progresso (REIS, 1996).

Vale ressaltar que essas correntes que serão apresentadas a seguir, não estão numa ordem de sucessão, pois como sabemos, coexistiram num mesmo contexto geográfico-temporal (Europa do século XIX), remontaram pensadores de séculos anteriores, refutando ou assimilando suas premissas. E, podemos afirmar que essas correntes deixaram heranças para o século XX, senão até os dias atuais.

Para compreendermos melhor o século XIX, partiremos da seguinte definição: O século XIX foi o cenário para o desenvolvimento do pensamento historicista, no sentido amplo do termo, que pode englobar cientificidade, relatividade, compreensão e, ideologias. 2

De acordo com Martins, o Historicismo deve ser entendido como uma reação à crise de orientação que passava a sociedade européia no inicio do século XIX, pelos abalos trazidos pela Revolução Francesa e pelo novo papel social da burguesia, a partir de seu poder econômico crescente.

Os princípios racionais do agir humano, que foram fundamento intelectual para as reformas políticas de base, não poderiam continuar legitimando o novo quadro social, já que a velha tradição havia caído. Aparece, portanto, a necessidade de se elaborar uma nova forma de consciência histórica, que tivesse uma posição crítica tal qual a crítica iluminista da tradição.

Esse processo coincide com a institucionalização da pesquisa histórica e, com o aprimoramento das ciências físico-naturais, é uma reorientação do pensamento histórico no sentido de buscar legitimidade da história, como uma ciência autônoma. O conhecimento histórico aspirará uma “objetividade” nas questões metodológico-científicas (epistemológica) ao invés de ontológica, como até então havia.

Diferentemente de Hegel, as novas correntes de pensamento se esforçarão para não igualar, o presente eterno à capacidade do presente atual de reter o passado e antecipar o futuro. 3

As questões universais no século XIX serão não mais no objeto, pois este agora era encarado como singular, no seu tempo especificamente, mas sim no conhecimento. O universal será a singularidade, a individualidade, a totalidade singular relativa a um lugar e a uma data.

Segundo Reis, as formas de tratar essa totalidade singular variarão entre as escolas, ou correntes.

Para entendermos melhor as correntes a serem trabalhadas, devemos ter em mente o que representa a história para Hegel, que foi contemporâneo, ao menos no início do século XIX e, que possui uma definição de história identificada com a Razão, com o espírito absoluto que se manifesta concretamente em diferentes momentos ou épocas.

Para não perdermos de vista o nosso objeto de pesquisa neste capítulo, o conceito de fato histórico no século XIX, podemos propor a seguinte definição: Fato Histórico em Hegel é a realização da seqüência no tempo, da busca de si mesmo do Espírito Absoluto.

Colocar Hegel e os iluministas de um lado, e as correntes ditas historicistas de outro, no sentido estrito de oposição, seria um reducionismo simplista.

Tanto é que, alguns pensadores consideram historicistas, as filosofias hegelianas. Francisco José Calazans Falcon, ao analisar a história do historicismo, vai identificar no que ele conceituou como o segundo momento do historicismo, no começo do século XIX, o hegelianismo partilhando o mesmo momento com, a historiografia romântica e a “escola histórica alemã”, apesar de se distinguirem na maneira como definirão a história. 4

Mas o historicismo do século XIX também teve características filosóficas, porém não confessadas pelos pensadores. O próprio Hegel já denunciava os indícios destas filosofias da história implícitas, a partir do caráter incontornavelmente subjetivista da história científica. Os pontos de vistas gerais não nasciam do próprio material histórico, mas sim do pesquisador que explicava o material, a partir de sua interpretação.

Neste sentido, Iggers propõe a existência de algo em comum, por exemplo, entre Hegel e Ranke: “a história é espírito, ou seja, um domínio da realidade, que é em essência não-natureza, mas depende da liberdade”. Segundo Iggers, ambos concebem história como “espírito objetivo” (IGGERS, apud REIS, 1996, pág. 09).

Reis afirma que, no século XIX houve um esforço para o rompimento com as filosofias da história, todavia seus resultados foram apenas parciais.

Feito esses esclarecimentos, partiremos para a análise das correntes de pensamento do século XIX, buscando identificar suas concepções de Fato Histórico.
A “Escola Histórica Alemã”.
Não há consenso na historiografia sobre o perfil específico desta corrente, que teve sua maior expressão entre os alemães do século XIX. Todavia podemos indicar alguns dados para compreendermos algo sobre sua trajetória.

A história profissionalizada, característica fundamental da corrente analisada, já era desenvolvida um pouco antes do século XIX, em Goettingen, entretanto, é na Universidade de Berlim que ela vai tomar forças.

De acordo com Falcon, em seu início, a “Escola Histórica” produzia um tipo de história, fazendo associação entre pesquisa e ensino orientada para associar ciência e Bildund, definida por ele como, a formação cultural de cada cidadão, fiel servidor do Estado.

W. von Humboldt e L. von Ranke serão os pensadores mais expressivos dessa corrente, que também é identificada com o termo historismo. Arno Wehling o definirá como “o relativismo anti-racionalista e a crença numa realidade histórica orgânica e inconsciente” 5, aqui a justificativa da rejeição dos princípios do agir humano e das filosofias das “Luzes”.

Ela é imediatamente posterior a Revolução Francesa e, está relacionada com a literatura, jurisdição, erudição e nacionalismo.

Reis considera Ranke como o antídoto de Hegel, esse o maior representante da filosofia da história e, o primeiro o maior representante da história científica.

Ranke valorizava a erudição, um traço ainda do século XVIII, seus trabalhos eram baseados principalmente em documentos diplomáticos, pois o mesmo acreditava que as iniciativas internas do Estado, estavam determinadas pelas relações diplomáticas (REIS, 1996).

Leopold von Ranke foi o nome que mais se destacou nesta escola, possivelmente pelo fato de ser muito rigoroso no trabalho com as fontes, pela preocupação com a objetividade, tentando sempre afastar o caráter subjetivo das interpretações que os historiadores davam aos fatos. Para ele qualquer interpretação fora dos documentos constituiria nada mais que a subjetividade do historiador, portanto, a negação da ciência.

A expressão “apenas mostrar como realmente aconteceu” foi emblemática para este pensador, caracterizada por alguns historiadores como “objetivismo radical” ou identificada com a super-cientificização da história no século XIX, sobretudo com a influência dos sucessos da física e da biologia. 6

Segundo Reis, Ranke era um conservador, se interessava pela “originalidade de um povo”, pela psicologia individual dos grandes homens políticos, era nacionalista, se interessava por questões de Estado e defendia as posições da nobreza alemã.

Ranke acreditava haver forças espirituais inexoráveis na história, que corretamente interpretadas e administradas, conduzem à sua realização. O papel do historiador seria o de descobrir tais forças, para então apreender o passado como ele realmente foi. O historiador se concentraria nos eventos, que são expressões das individualidades, particulares ou coletivas (nações, épocas) e, que a ligação entre essas duas formas de individualidades estaria no Estado, que não era estático, pois esse para Ranke, possuía “tendências” que lhe davam sentido.

As manifestações individuais seriam apreendidas através do método hermeutico, a partir de suas manifestações no mundo dos sentidos (REIS, 1996).

Diferentemente de Hegel e dos iluministas, a “Escola Histórica”, de certa forma, calcada na concepção romântica, acreditava que a natureza não poderia ser desvendada em linguagem matemática, universal, a natureza agora, um ser vivente, seria acessível a quem se dispunha a nela integrar-se, vivenciando seus mistérios (FALCON, 2002).

Portanto, percebemos resquícios de filosofia (hegelianismo tímido segundo Iggers) nessa corrente de pensamento, mas escondida nas posições de “objetividade” do método histórico de crítica das fontes.

A partir dessa explanação, propomos a seguinte definição de Fato Histórico, para a “Escola Histórica Alemã”: é (ou são) a realização da “humanidade” de cada povo. Existem objetivamente, brutos, falam por si, por isso são as expressões do caminho construído por cada povo/nação a partir das tendências visíveis no Estado. Ele é “singular coletivo”.

Essa escola não se restringiu somente a Ranke, influenciou pensadores em toda a Europa, sobretudo na Franca, como Gabriel Monod, Ernest Lavisse, Ch. von Seignobos e Ch. von Langlois, que iremos trabalhar mais a frente.

Também se expandirá e às vezes será confundida com o positivismo, por sua ênfase no método histórico, “objetivo”, “cientifico”, capaz de conduzir a uma “história verdadeira”.

Por não aceitar a crítica social como papel do historiador, combateu o socialismo, e alguns teóricos do marxismo. 7


O POSITIVISMO
Contemporânea à corrente historista alemã, o positivismo tem origens também no pensamento filosófico e científico do século XVIII.

O primeiro nome que nos vem à mente, quando referido o termo, é Auguste Comte, possivelmente pelo o sucesso que teve seus cursos de física social, e pela teoria por ele criada, sobre a “Lei dos Três Estados”.

O positivismo comteano tem um ponto em comum com a corrente historista alemã, que é a rejeição de explicações baseadas na metafísica.

Todavia, como foi percebido por vários teóricos, isso ocorria apenas no plano das idéias, pois na prática, o pensamento de Comte estava impregnado de filosofias da história.8

É importante salientar que, foi contemporâneo ao pensamento comteano e, que acabou por se juntar a ele, o pensamento do evolucionismo social de Spencer, cuja explicação do desenvolvimento social, era calcada no modelo de explicação de leis biológicas, na “luta pela existência”, transformação do homogêneo em heterogêneo. De acordo com Daniel de Sousa, a corrente positivista torna-se mais popular e irá exercer forte influência sobre os estudos históricos no século XIX.

Os positivistas e os evolucionistas viam no desenvolvimento histórico um móbil universal, positivo, “que se explicava, pela aplicação do princípio da causalidade e das leis científicas”.

Influenciados pelo mecanicismo do século XVIII, ainda que anos mais tarde Auguste Comte chamará a “nova ciência” que pregavam, de sociologia ao invés de física social, os positivistas enfatizavam os aspectos empíricos, sobretudo no levantamento de dados das fontes, para se atingirem as verdadeiras leis gerais, que naturalmente estavam no mundo.

Aqui podemos propor uma concepção de Fato Histórico, de modo que este seria nada mais que a realização de leis que regiam a humanidade, a realização do progresso, direcionado ao terceiro e ultimo estágio da história, o Estado Positivo.

“O ideal de cientificidade, a luta contra as “ficções românticas” e as especulações dos filósofos” mais especificamente Hegel, acabou por aproximar a corrente positivista comteana, com alguns intelectuais franceses, que estudaram na Alemanha e, que se tornaram adeptos ao pensamento metódico rankeano. 9

Essa aproximação foi mais visível, a partir da segunda metade do século XIX e, esses “positivistas franceses” praticarão os mesmos princípios defendidos por Ranke, como a ênfase no método, a erudição, traduzidos para o “espírito francês”.

Serão esses “positivistas mais rankeanos que Ranke”, sobretudo na ênfase dada ao método erudito (isso não era reconhecido por eles). Em Seignobos e Langlois, por exemplo, havia uma preocupação com a “verificação dos fatos”, quais suas circunstancias, e qual o momento? Esse era o limite para muitos críticos, da história “positivista francesa”, (leiam-se metódicos franceses). 10

Não iremos elucidar mais questões sobre esses “positivistas”, pois serão analisados juntamente com as obras dos fundadores do movimento dos Annales, no próximo capítulo.


HISTORICISMO COMPREENSIVO
Nascida não só da rejeição da filosofia tradicional da história, sobretudo hegeliana, mas também da insatisfação para com o modelo rankeano, dito positivista, essa corrente historicista tomou peculiaridades um tanto distintas das correntes que lhes foram contemporâneas.

Foi considerada historicista por também travar uma luta com o sistema filosófico hegeliano e, pela preocupação com a singularidade do conhecimento histórico, tendo que, rejeitavam os modelos de explicações oriundos ou, por ora calcados nas ciências naturais. 11

W. Dilthey será o intelectual mais expressivo dessa corrente, que influenciou grande parte da Europa (Alemanha, a Inglaterra, Itália, Espanha), todavia pelos impasses da época entre alemães e franceses, esse pensador só se tornará mais conhecido na França, a partir do início do século XX.

Dilthey acreditava que o único caminho possível para a filosofia da história, seria a partir da crítica Kantiana.

O resgate de Kant feito por Dilthey, se faz por ter o primeiro, bem antes dos historicistas denunciado a inadequação do modelo da física newtoniana, para o estudo da história.

Aqui Dilthey se diferencia de Comte, que buscava aproximar as ciências humanas com as ciências naturais, via modelo das últimas. 12

A “objetividade” que buscavam os “posivistas” rankeanos, para Dilthey era uma impossibilidade, segundo ele, não havia uma separação entre sujeito e objeto, já que o primeiro teria que reviver ou colocar-se no lugar do segundo para compreendê-lo.

Essa é a base para o método defendido por essa corrente, o da “experiência integral”, da “compreensão”.

O pensamento de Vico aparece na argumentação de Dilthey para justificar tal método. “O homem não criou a natureza, mas criou o mundo social”, “só se pode conhecer o que se criou”. Neste sentido, há em Dilthey uma diferenciação entre ciências naturais e ciências do espírito, pois o objeto das primeiras não produz seu próprio sentido (esse para Vico vinha da providência divina), não possui intenções e nem realiza ações, não é sujeito. Para as ciências do espírito, não há uma distinção entre objeto e sujeito, pois o último teria de reviver o que o primeiro viveu, que também foi sujeito em seu tempo. O homem, um povo, uma nação, tem intenções, o indivíduo é uma totalidade que evolui internamente, realizando suas tendências imanentes, é imprevisível.

No pensamento historicista compreensivo, a individualidade histórica é uma continuidade feita de descontinuidade: a vida é uma “estrutura”(continuidade) “criadora” (descontinuidade). A realidade é aceita como uma infinita diversidade. É um pensamento que não há presença de um princípio comum entre os indivíduos, como a idéia de “absoluto extenso”, mas sim de “absoluto intenso” finito, histórico. 13

A ciência histórica seria consciência histórica: o meio pelo qual as sociedades se descobrem, se compreende em uma totalidade singular. De acordo com Collingwood, um indivíduo em seu presente, retoma o seu “outro” no passado, procurando consciência de si, conhecendo sua estrutura permanente, e as evoluções vividas (COLLINGWOOD apud REIS, 1996).

Propomos a existência uma noção de Fato Histórico no historicismo compreensivo da seguinte maneira: Existe na realidade, finita e diversa, é fruto de uma época, portanto, reflete a estrutura do momento, mas também as inovações, pois ele é construído historicamente, o indivíduo, age, tem intenções, em ultima instância seria a expressão de tendências internas, do absoluto intenso e histórico.

O historicismo compreensivo se manteve ate o início do século XX, não como uma escola, mas como uma mentalidade, onde havia diferenças entre os adeptos a ela.

Recebera críticas pela maneira como encarava a história. Nietzsche em 1847 afirmará que, o historicismo impossibilita a produção do novo, pois o excesso de consciência e de conhecimento histórico, relativizava e enfraquecia a história.

É importante salientar que, alguns pressupostos do historicismo compreensivo permaneceram em outras correntes posteriores, como por exemplo, a aproximação entre sujeito e objeto, a singularidade na história e a própria idéia de compreensão.
O MARXISMO
Da mesma forma que as outras escolas surgiram, o marxismo também pretendeu recusar as filosofias da história e fundar uma história científica.

O objetivo de Marx, segundo Pierre Vilar, seria a criação de uma ciência da história, coerente, pelo esquema teórico sólido e comum, total por não deixar de fora nenhum aspecto do terreno de análise útil e, dinâmica, pois, havia uma necessidade de esclarecer os princípios das mudanças, já que não existia nenhuma realidade eterna (VILAR apud REIS, 1996).

O marxismo é considerado, portanto, uma forma de historicismo, já que aspirava afastar-se das filosofias da história, que trazia a proposta de haver algo não material que regia a história.

Marx ao contrário de Hegel, afirmava que o material histórico não são expressões do Espírito, mas sim das relações econômico-sociais construídas pelas ações dos homens e não pelas idéias. 14

Hegel acreditava que as ações humanas revelavam além da intenção do sujeito, algo que ele ignorava - “a vontade do Espírito”. O aspecto inconsciente em Hegel é o Espírito, já em Marx o inconsciente era a estrutura econômico-social, que limitava e circunscrevia a ação do sujeito individual ou coletivo.
Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem tal como a desejam: não a fazem segundo circunstâncias escolhidas por eles próprios, mas segundo as que directamente foram encontradas, oferecidas e transmitidas pelo passado” (MARX apud SOUSA, 1981, p. 33).
Marx definia a realidade histórica como uma “estrutura em processo” em transformação ou movimento, cuja base é a produtividade e suas contradições internas. 15

Desta forma, Adam Schaff afirma que, “o historicismo marxista apreende todos os objetos, todos os fenômenos e todas as suas representações no espírito como processos... no sentido de uma continuação”. 16

Em uma tese suplementar, o marxismo afirma que em processos de mudanças históricas, ocorrem também processos de desenvolvimento, compreendidos como a passagem de formas inferiores a formas superiores (SCHAFF, 1974).

Schaff afirma que a teoria marxista implica admitir que o presente esteja como resultado das mutações do passado e, que o presente será ponto de partida para as mutações do futuro (SCHAFF apud WEHLING, 2001).

Para Marx “a história significava três coisas inseparáveis entre si” e que formava um todo racional e coerente:
“A transformação dos acontecimentos de acordo com objetivos e leis primordialmente econômicas; o desenvolvimento correspondente do pensamento através de um processo dialético; a ação correspondente na forma de luta de classes, que reconcilia e une a teoria e a pratica da revolução” 17.
O sentido da história para Marx, é a emancipação dos homens pela ação do sujeito coletivo (proletariado). Essa emancipação seria “feita pelos homens” através da “intervenção, livre e condicionada na e pela estrutura econômico-social, os homens transformam o mundo e a si mesmos. Sua ação se dá num contexto de luta, de crise, onde a intervenção é sempre um golpe numa luta contra uma classe ou contra a natureza”. 18

Não é nosso objetivo aqui, discorrer sobre os vários aspectos que merecem nossa atenção na teoria marxista. Enunciamos alguns conceitos e algumas características, para tentarmos tirar uma noção de Fato Histórico na corrente marxista. Sendo assim propomos a seguinte definição: é uma expressão do processo evolução histórica ou desenvolvimento das formas inferiores para superiores, sua condição está na produtividade, nas contradições internas desse processo. O móbil da história é o homem, portanto, o Fato Histórico é fruto da ação do mesmo, todavia, condicionado pela estrutura econômico-social. Se não é sinônimo de Revolução, é no mínimo revolucionário.

Referências:
BURKE, Peter. A Escola dos Annales, 1929-1989: a revolução francesa da historiografia/ Peter Burke; tradução Nilo Odália. São Paulo: Editora Universidade Estadual Paulista, 1991.

CARDOSO, Ciro Flamarion. Ensaios Racionalistas. Rio de Janeiro: Campus, 1988.

CARR, E. H. Que é história? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

DOSSE, François. A História em migalhas: dos “Annales” à “Nova História”/ François Dosse; tradução Dulce da Silva Ramos. São Paulo: Ensaio; Campinas, SP: Editora da Universidade de Campinas, 1992.

FALCON, Francisco José Calazans. Historicismo: antigas e novas questões.. In: História Revista, Goiânia, 7 (1/2). Ed. UFG, jan/dez. 2002, pp. 23-54.

GLÉNISSON, Jean. Iniciação aos Estudos Históricos. Rio de Janeiro-São Paulo: Ed. Difel, 1977.

GURIÊVITCH, Aaron. A Síntese Histórica e a Escola dos Anais/ Aaron Guriêvitch; tradução Paulo Bezerra. São Paulo: Perspectiva, 2003.

LE GOFF, Jacques. A História Nova/ Jacques Le Goff; tradução Eduardo Brandão. São Paulo: Martins Fontes, 1990.

MARTIN, Hervé e BOURDé, guy. As Escolas históricas/ Hervé Martin e Guy Bourdé; tradução Ana Rabaça. Portugal: Publicações Europa-América,1990.

Martins, Estevão de Rezende. Historicismo: Tese, Legado, Fragilidade. In: História Revista, Goiânia, 7 (1/2). Ed. UFG, jan/dez. 2002, pp. 1-22.

REIS, José Carlos. Nouvelle Histoire e tempo histórico.São Paulo: Ed. ática, 1994.

______________. A História entre a filosofia e a ciência. São Paulo: Ed. ática, 1996.

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SCHAFF, Adam. História e Verdade/ Adam Schaff; tradução Maria Paula Duarte. Lisboa: Editorial Estampa, 1974.

SOUSA, Daniel de. Teoria da História e Conhecimento Histórico. Lisboa: Ed. Livros Horizonte, 1981.

WEHLING, Arno. A invenção da história - estudos sobre o historicismo. 2. ed. Rio de Janeiro: UGF-UFF, 2001.




1 REIS, José Carlos. A História entre a filosofia e a ciência. São Paulo: Ed. ática, 1996. p.05.

2 Cf. Martins Estevão de Rezende. Historicismo: Tese, Legado, Fragilidade. In: História Revista, Goiânia, 7 (1/2). Ed. UFG, jan/dez. 2002, pp. 1-22.

3 REIS, 1996.

4 FALCON, Francisco José Calazans. Historicismo: antigas e novas questões.. In: História Revista, Goiânia, 7 (1/2). Ed. UFG, jan/dez. 2002, pp. 23-54.

5 Cf. WEHLING, Arno. A invenção da história - estudos sobre o historicismo. 2. ed. Rio de Janeiro: UGF-UFF, 2001.

6 Cf. REIS, 1996; WEHLING, 2001.

7 Cf. FALCON, 2002; REIS, 1996

8 Cf. SOUSA, Daniel de. Teoria da História e Conhecimento Histórico. Lisboa: Ed. Livros Horizonte, 1981.

9 FALCON, 2002

10 Cf. GLÉNISSON, Jean. Iniciação aos Estudos históricos. Rio de Janeiro-São Paulo: Ed. Difel, 1977.

11 REIS, 1996.

12 Idem.

13 Idem.

14 Aqui aparece a noção de materialismo histórico, cujo significado vem da concepção de que a natureza e a história não são modeladas ou regidas por princípios exteriores as mesmas. Os princípios só são verdadeiros na medida em que concordam com a natureza e com a história. Cf. CARDOSO, Ciro Flamarion. Ensaios Racionalistas. Rio de Janeiro: Campus, 1988.

15 Essas contradições se davam pelo fato de que em um determinado momento, as relações sociais de produção tornar-se-iam inadequadas frente as transformações das forças produtivas.

16 SCHAFF, Adam. História e Verdade. Lisboa: Editorial Estampa, 1974, p. 183.

17 CARR, E. H. Que é história? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.

18 REIS, 1996.




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