O festival massafeira livre e a relaçÃo do mercado fonográfico com os artistas cearenses na década de 1970



Baixar 64.66 Kb.
Encontro31.07.2016
Tamanho64.66 Kb.


O FESTIVAL MASSAFEIRA LIVRE E A RELAÇÃO DO MERCADO FONOGRÁFICO COM OS ARTISTAS CEARENSES NA DÉCADA DE 1970.
Stenio Ronald Mattos Rodrigues1
Resumo: Este trabalho objetiva discutir a movimentação artística ocorrida em Fortaleza no final da década de 1970, que culminou na organização e realização do Festival e da gravação e lançamento do LP (Long Play) Massafeira. Assim, buscamos problematizar a relação existente entre festivais de música e mercado fonográfico – importante canal difusor e promovedor desses trabalhos artísticos - durante o decênio de 70. Nesse sentido, faz-se necessário refletir sobre a atuação desse mercado no Brasil para compreender as transformações de ordem cultural e econômica, que acabou por refletir não só nas práticas artísticas, mas também nas questões comerciais. Buscamos, portanto, apresentar esses artistas no contexto do início de suas carreiras profissionais, os seus percursos, os seus modos de relacionamento e os resultados dessa empreitada. 
Palavras-chave: Festivais de música, mercado fonográfico, indústria cultural.
A música no Brasil atravessou significativa transformação com os novos métodos comerciais adotados pelas grandes gravadoras instaladas no país. Os anos 60 marcou a aliança rendosa estabelecida entre os interesses da indústria do disco e a televisão, por meio dos festivais de música. (NAPOLITANO, 2001: 312) O valor da tv nesse esquema, por exemplo, se configura pelo poder de alcance que ela tem sobre o público e o seu potencial aquisitivo para o consumo de LP’s. No entanto, os festivais, mesmo que não televisionados, tinham o seu valor porque eram capazes de atrair um público interessado em novas tendências musicais que, igualmente, representavam uma fatia da população consumidora de discos. Isso, certamente, obedece a lógica industrial da produção de bens de consumo para as massas, amparados na valorização da variedade capaz de satisfazer a todos os interesses e gostos (MORIN, 1997 : 35).

Devemos entender, inicialmente, que o mercado fonográfico é parte da composição da Indústria Cultural. Para Adorno, a Indústria Cultural é um sistema formado quase sem lacunas, regido pelos meios atuais de técnicas aliado à concentração econômica e administrativa, de modo que tal sistema se torna capaz de estabelecer uma relação entre as massas, adaptando-a, dessa forma, a condição de objeto. (ADORNO, 1971: 287-288)

É nesse aspecto que nos ocuparemos em investigar a movimentação musical ocorrida no Ceará no final da década de 1970 que culminou na realização do festival Massafeira Livre, ocorrido no Teatro José de Alencar em março de 1979 e a consequente gravação do LP Massafeira, como registro desse momento artístico. Observaremos, portanto, que tanto o evento musical como a gravação do LP em questão obedeceu a uma lógica mercadológica bastante em voga na época, que consistia em projetar, seja por meio do festival, seja pelo meio fonográfico, a atuação artística daqueles que buscavam destaque dentro do mercado de discos e de seus consumidores, de modo que esses artistas participantes buscavam um espaço entre os artistas cearenses que naquele momento já se destacaram nacionalmente através da formula dos festivais e da atuação nas grandes gravadoras nacionais.2

Tendo como pano de fundo um país sob um regime ditatorial, mas profundamente marcado pela inovação musical, pela força da cultura pop e pela lógica da indústria cultural sobre as criações artísticas através da arte musical convertida em produto para o consumo das massas, entendemos que a relação entre festivais, indústria fonográfica e atuação artística estão intimamente ligadas, oferecendo a este último os elementos necessários para a realização dos seus projetos por meio da lógica de funcionamento dos primeiros.

A partir das informações acima, percebemos na trajetória de muitos artistas cearenses constantes referências aos festivais de música, tão em voga no Brasil entre os anos 60 e 70 (CASTRO, 2008). Tal informação é, para nós, o ponto inicial para a compreensão de um momento histórico específico onde esses eventos eram signos de expressão e popularidade, uma vez que podemos entendê-los como espécie de “vitrine” para a exposição da arte musical daqueles que neles participavam.

No tocante aos aspectos teóricos da pesquisa, que trabalha com a história cultural, já é importante explicitar que buscamos adotar, juntamente com a interpretação de revistas, livros e discos, a metodologia da história oral por nos possibilitar, por meio de entrevistas gravadas, o recolhimento de depoimentos que servirão como fontes para a investigação aqui proposta, pois são, dentro da realidade da pesquisa histórica, de profunda importância pelo seu poder de revelação e de ferramenta para a investigação dos acontecimentos (ALBERTI, 2010: 155-156). A História Cultural se torna valiosa no nosso processo investigativo por nos poder proporcionar um horizonte mais diversificado em razão de seus campos culturais de atuação e que possibilitam uma maior conscientização e problematização de situações referentes às nossa realidade, nossas relações sociais e expressões culturais (BURKE, 2005: 69-70).

De forma geral, as nossas fontes precisam ser interpretadas de forma inteligente, crítica. Isto significa que nenhuma de nossas fontes pode ser observada de modo ingênuo, pois é preciso comparar todas as informações, verificar a veracidade dos documentos, a intenções e os “lugares” de sua produção. O conteúdo de nenhuma fonte é, portanto, direto, o que significa que os documentos, sejam eles orais, fotografias ou escritos, por exemplo, devem ser observados com muito critério.

Quanto aos festivais, devemos observar inicialmente que, assim como em São Paulo e no Rio de Janeiro, locais de intensa efervescência cultural e polo midiático nacional, em razão, principalmente da localização das principais emissoras de televisão do país, o Ceará vivenciou a sua era dos festivais no início dos anos 60, tendo como seus principais aliados os veículos de comunicação que surgiram durante os anos 50, como é o caso da televisão que durante esse período já desempenhava papel importante na difusão da efervescência musical cearense e que veio contribuir com o rádio nessa tarefa (CARVALHO, 2010: 126). A situação do surgimento desses festivais, os quais, inicialmente, foram de caráter competitivo, somou-se a necessidade de popularização das canções neles veiculados, de modo que tais espaços eram frequentemente usados pelas grandes gravadoras como “campo de pesquisa” de novas tendências sonoras/mercadológicas (SCOVILLE, 2008: 16). E os seus protagonistas foram, na sua maioria, jovens ligados ao ambiente acadêmico e a grupos culturais que promoveram o teatro e a música, principalmente (AIRES, 1994: 67-68).

Portanto, os festivais foram produtos que, aliados ao mercado fonográfico, tinham um grande poder de alcance e influência sobre a população brasileira. Seu objetivo consistia na promoção artística para que esse passasse a se tornar popular e, com isso, se tornasse alvo do público interessado em discos. Dessa forma, a cadeia construída pela indústria cultural consistia na união entre a televisão, o mercado fonográfico e, pondo no centro, os festivais, que atraiam a atenção do público televisivo e, ao mesmo tempo, servia de campo de pesquisa de novas tendências desse mercado, sempre atento aos novos artistas participantes e suas atuações. Consequentemente, vemos que havia certa persuasão cultural por parte da mídia quanto à popularização de artistas e tendências musicais, uma vez que a indústria fonográfica investia numa vasta variedade de estilos, sempre atento ao tipo de público alvo.

Em todos os ramos da indústria cultural são atribuídas à arte características que adicionam uma qualidade que promove um produto adaptado ao consumo. A indústria cultural assimila uma manifestação popular e atribui características que garantam o seu consumo e mantenham consolidada a dominação. Portanto, a indústria cultural parece sondar as camadas sociais e delas retirar as tendências e manifestações culturais (SCOVILLE, 2008: 14-15).
Essa sonda era feita através dos festivais, na busca de novos potenciais artísticos capazes de renovar o mercado fonográfico brasileiro. A música vinha atravessando, naquele período, uma intensa reformulação desde o final dos anos 60 e os festivais expressaram bem essas transformações que eram diretamente transmitidas para o público, fosse ele presente nos festivais ou como telespectadores desses eventos, gerando interesse neles acerca dos artistas apresentados. Tal interesse convergia para uma busca do público pelo artista no mercado de discos, de modo que nesse esquema, as gravadoras estavam sempre atentas aos ambientes de festivais.

Diante do explicitado até o momento, parece possível dizer que os festivais tinham o poder de promover seus participantes e que eram o ponto inicial para o estabelecimento de uma jornada artística profissionalizada. Eram os festivais o espaço revelador de novos talentos que, diante da fama instantânea, passavam a contar com maiores possibilidades dentro do espaço artístico e midiático, através, inclusive, do convite para gravarem discos, uma vez que era a curiosidade do público sobre determinados artistas que fazia com que as gravadoras apostassem nas contratações e produções de discos de determinados participantes de festivais (CASTRO, 2008: 17).

Contextualizando esse período, podemos observar o surgimento de uma nova safra de cantores e compositores por via dos festivais que vinham acontecendo em Fortaleza, como também de alguns espetáculos organizados por alguns desses artistas e que acabou por resultar no Festival Massafeira Livre, acontecido em março de 1979 e que foi capaz de expor à cidade uma onda artística diversificada. Esse momento representou a união de duas gerações musicais que atuaram em conjunto na ocasião da Massafeira.3
Massafeira: o processo de produção do disco e os bastidores do evento.

Em 1978, Ednardo, que estava viajando pelo país com a turnê do LP Cauim, veio à Fortaleza para apresentar o show no Teatro José de Alencar e chegando aqui, se deparou com muitos artistas que ansiavam por um espaço onde pudessem se apresentar, mesmo com seus diferentes trabalhos. Estes artistas desejavam, portanto, mais espaço para além dos festivais que já vinham acontecendo como, por exemplo, o festival da Credimus Aldeota (SOUZA, 2010: 145), e dos pequenos shows organizados por alguns grupos que posteriormente vieram a participar da Massafeira. E o Festival Massafeira Livre iria reunir uma diversidade de estilos artísticos e não somente cantores. Com efeito, a turnê de divulgação do LP Cauim, ocorrida em 1978, foi um evento que pode ser considerado, de certa maneira, como o embrião do ideal da Massafeira Livre. (SOUZA, 2010: 17)

Assim, foi entre os dias 15 e 18 de março de 1979 que ocorreu no Teatro José de Alencar o evento que reuniu os artistas dos mais diversos campos: música, literatura, cinema, artes plásticas, artesanatos, poesia e etc. Alguns grupos de teatro se apresentaram, fazendo intervenções artísticas que estabeleciam diálogo entre teatro e poesia e que aconteciam a qualquer momento durante o evento. Por outro lado, havia a exibição de filmes em Super 8, como foi o caso do filme Cauim, feito por Ednardo e que apresentava ao público o universo do maracatu cearense, além de outros filmes produzidos por Rosemberg Cariry, Jefferson Albuquerque, entre outros. O evento também contou com a participação de artesãos da região do Cariri, de escritores lançando livros, de grupos de dança, enfim, no festival em questão, as artes, de forma geral, estabeleceram contato, possibilitando aos artistas uma verdadeira troca de experiência com os diversos campos artísticos presentes no evento.4 A Massafeira Livre teve o poder de lotar o teatro naquele momento e registrar esse acontecimento como um marco para o surgimento de um novo pessoal que, assim como o Pessoal do Ceará, buscavam uma ampla projeção pública (CASTRO, 2008: 258).

Apesar da diversidade artística presente no evento, a música foi o grande motor do festival, pois a maioria dos artistas estavam ligados a esse tipo de arte, a começar pelo cantor Ednardo, o organizador da Massafeira Livre.

Esse espírito de construção e de realização em participar de algo da dimensão do Festival Massafeira Livre é claramente descrito por Amelinha, participante do festival. Para ela, a Massafeira Livre representou um grande acontecimento dentro do Ceará, ao passo de tantos outros acontecimentos musicais que estavam acontecendo em vários lugares do Brasil. Segundo Amelinha:

Foi muito forte, muito alegre, muito, uma sensação de que as coisas, muito utópico também, porque a gente tinha uma visão e uma vontade de que as coisas fossem diferentes e que a gente podia fazer, integrar todas as artes, né, independente de uma grande articulação de mídia que não viesse de lá pra cá, que ela absorvesse o que a gente tava fazendo e que eles faziam porque tinha muita confiança e admiração por todos eles, então o Ednardo articulou essa coisa da Massafeira que foi muito bacana e nós fomos juntos lá fazer, eu tava nessa época no maior namoro com o Zé (Ramalho), recém casados e eu tava grávida do João e foi uma coisa assim, eu tava num momento, estado de graça e achando tudo maravilhoso, tudo lindo e aquela ousadia e aquela esperança da juventude que é o que joga o mundo pra frente [...] eu acho que foi uma grande realização, foi um momento muito bonito dentro, não só dentro do Ceará, mas como hoje nós temos um mundo globalizado e uma possibilidade de jogar isso pro mundo todo e saber historicamente desses momentos, desses pontos importantes, isso possa ser mostrado, isso se constrói, a gente tava fazendo sem saber, a gente tava construindo a história da música popular brasileira do ponto de vista do momento dentro do Ceará, uma coisa que ela se equivale ao que estão fazendo em outros lugares do Brasil (Amelinha. Fortaleza, 14/08/2013).

Amelinha salienta a importância da integração das artes presentes no festival, atribuindo a isso a força do evento. Isso tudo, para a nossa entrevistada, foi uma parte do que vinha acontecendo no país musicalmente, aonde em diversos locais, como vimos anteriormente, estavam vivenciando experiências semelhantes à dos cearenses.

É perceptível que o final da década de 70 trouxe uma espécie de agitação musical por parte daqueles que vinham desenvolvendo seus trabalhos musicais através, principalmente, dos festivais no Ceará. Porém, observamos, da mesma forma, que essa produção não se dava de forma localizada, uma vez que havia grupos distintos dentro da cidade de Fortaleza, além dos artistas naturais do interior do estado que posteriormente estabeleceram contato com os artistas da capital, possibilitando um diálogo artístico que contribuiu para a germinação da Massafeira Livre enquanto festival diversificado. (CARIRY, 2010: 117-118)

A Massafeira Livre foi uma verdadeira maratona cultural em que sua proposta era unir as gerações musicais surgidas no Ceará entre os anos 60 e 70. O que se observava naquela fase era o surgimento de uma nova geração artística na cidade em união com artistas já atuantes, presentes no Pessoal do Ceará, num campo social que aos poucos se renovava politicamente através da abertura lenta, gradual e segura, ocorrida durante o governo do General Geisel. (SOUZA, 2010: 36). Em Fortaleza, muitos músicos estavam se pondo em evidência, chamando a atenção de um público que parecia perceber essa novidade. O público que frequentava os festivais teria, agora, o Festival Massafeira Livre para comparecer e conferir o ambiente diversificado e agitado que foi construído como consequência do esforço de muitos artistas que se aplicaram em organizar a Massafeira. Nesse momento houve a união entre o Pessoal do Ceará e os jovens artistas surgidos no decorrer dos anos 70 e essa junção compôs o elenco da Massafeira Livre.

Com o encerramento do festival, começou-se novamente uma movimentação, marcada por novas reuniões e discussões, mas agora tais debates giravam em torno de um novo projeto: a gravação de um disco que registrasse algumas das tantas músicas difundidas no evento. O disco foi gravado nos estúdios da CBS (Columbia Broadcasting System) logo após o evento ocorrido em Fortaleza e lançado na ocasião de uma segunda Massafeira Livre, ocorrida entre os dias 16 e 19 de outubro de 1980, como veremos adiante.

Assim como muitos festivais que houve no país, a Massafeira Livre produziu seu LP com o intuito de divulgar por meio fonográfico alguns artistas participantes. O disco da Massafeira foi gravado em estúdio e não na ocasião do evento (a exceção da faixa em que Patativa do Assaré declama o poema Senhor Doutor) (VÁRIOS. LP Massafeira. Rio de Janeiro: Epic CBS, 1980. LP duplo. Disco 1, lado B, faixa 6). Tal acontecimento se deu porque a gravação sonora é uma forte ferramenta de difusão dos trabalhos dos artistas atuantes no campo da música, de modo que o disco-fruto da Massafeira seguiu essa lógica para divulgar a produção musical que vinha acontecendo no Ceará em fins de 1970.

Foi assim que, no dia seguinte ao evento, iniciaram-se as reuniões em torno da discussão sobre a gravação do LP. Segundo Ednardo, o então diretor artístico da CBS, Jairo Pires, o chamou para ter uma conversa e informar que a companhia autorizou a gravação e lançamento do disco do evento. O processo de organização acerca do projeto passou a ser encabeçado por Ednardo que assumiu a direção artística, de produção e de estúdio do disco e por Augusto Pontes, escolhido pela maioria dos artistas, por ser julgado por estes como uma figura capaz de liderar o processo e dialogar com a gravadora acerca dos assuntos referentes ao disco. Augusto Pontes foi importante nesse momento por ter a competência de juntar egos, opiniões e interesses diferentes. Ainda segundo Ednardo, dentro desse esquema, o objetivo do projeto era manter a gravação do LP o mais próximo possível do que foi o evento. Para a coordenação musical forma indicados Rodger Rogério, Petrucio Maia e Stelio Valle. A seleção das músicas se deu através de uma pré-gravação caseira realizada na casa de Rodger (SOUZA, 2010: 27).

Sobre a gravação do LP no Rio de Janeiro, Ângela Linhares, participante do festival e do disco, nos fala que:



A gente, quando foi pro Rio, foi continuando com aquele projeto de gravar uma coisa coletiva, [...] o pessoal dizia, usava uma palavra que hoje em dia nem se usa mais: será que a gente vai estourar? O disco vai estourar? Quer dizer. A gente vai ficar conhecido? Claro que tem esses bastidores: fulano tá conversando com fulano, acho que vai produzir fulano. Isso rola, faz parte, mas a gente não queria era que isso fosse trocado por todo aquele processo que a gente achava que tinha um ganho de boniteza, né, de riqueza enquanto experiência coletiva, a gente não queria trocar uma coisa por outra, queria que tudo fizesse parte: gravar e acontecer até (Ângela Linhares. Fortaleza, 02/05/2013).
Podemos entender, na fala de Ângela, que havia certas disputas no ambiente de relação desses artistas, mas havia, segundo a mesma, a valorização do esforço coletivo estabelecido entre esses indivíduos e que ela salienta como ponto de atração, ou seja: o ambiente da Massafeira foi um ambiente de conflitos, mas que tinha, como fim comum, a produção do evento para serviço dos artistas que ansiavam uma projeção pública dentro de um festival de grande porte para os padrões de eventos produzidos no Ceará de então. Nesse aspecto, Wagner Castro nos fala que as intenções diversas dos artistas participantes acerca do ideal de festival resultavam em desentendimentos, visto que esse evento tomou proporções imensas e que a presença de várias cabeças pensantes dificilmente convergia para uma harmonia do projeto.

Na verdade, várias eram as intenções do “Massafeira”, além do que não tem como se controlar um evento com as dimensões e proporções que tomou – as tensões, intrigas, vaidades, orgulhos; muitos eram os interesses envolvidos: dos jovens artistas que ansiavam por projeções e dos já consagrados, Ednardo e Fagner, com projetos divergentes que vislumbravam uma outra fatia do mercado fonográfico e obviamente maior projeção e respaldo perante a gravadora (CASTRO, 2008: 71).
Dessa forma, observamos que muito embora houvesse um sentimento de coletividade entre os artistas visando a construção de um espaço útil para suas projeções, percebemos que essas tensões surgem a partir de visões individuais dos integrantes, uma vez que a dedicação em construir coletivamente tal espaço surge da necessidade individual dos jovens que ansiavam ser apresentados como artistas à cidade de Fortaleza naquele momento. Assim, o coletivo e o individual se apresentam sintomaticamente através da colaboração e, num ponto oposto, da manifestação de interesses pessoais.

Quanto à gravação do disco, a essência do projeto era desenvolver um trabalho coletivo que fosse continuidade do ocorrido no festival em Fortaleza. Porém, ao se depararem com o universo do mercado fonográfico e da dinâmica de funcionamento das gravadoras – no caso a CBS – alguns artistas passaram a tentar articular meios para produzirem seus trabalhos individuais num futuro próximo. Por ser um disco coletivo, era necessário ter em mente que dali poderia sair artistas que se firmariam como artistas populares. O que não seria possível, segundo a nossa entrevistada, é todo mundo ter que apresentar sempre trinta pessoas (Ângela Linhares. Fortaleza, 02/05/2013). Isso, para nós, é muito claro. Cremos que a função do LP Massafeira, mais do que um registro, era uma tentativa para os artistas cearenses que vieram surgindo nos últimos anos da década de 70 conseguirem maior visibilidade dentro do cenário musical do país, de modo que esse LP seria apenas a porta de entrada para esses indivíduos, possibilitando posteriores articulações profissionais com as gravadoras.

O fato é que com a gravação do LP surgiu uma série de dificuldades para o seu lançamento e comercialização. Pois, segundo Ednardo, a gravadora barrou o lançamento do disco, por julgá-lo desinteressante para a comercialização, alegando que ele não despertaria interesse do grande público. Por isso o disco sofreu a desvalorização da própria gravadora que sequer se aplicou em fazer um acompanhamento logístico do produto, além de que foi pré-estabelecido um preço para o LP contido num adesivo já vindo da fábrica – 2 LP’s pelo preço de 1, Cr$ 600,00 (seiscentos cruzeiros). Ednardo atenta para o fato curioso e inédito desse preço impresso na capa, atribuindo a isso o desmerecimento da obra por parte da própria gravadora que intentava em promover de imediato uma “queima de estoque” dos dez mil exemplares lançados, sem poder dar chance de um lançamento e de uma divulgação por parte da crítica especializada. O valor do LP, ainda segundo Ednardo, estava bem abaixo do praticado nas lojas de discos e isso contribuiu para o desinteresse dos lojistas da área (SOUZA, 2010: 28-29).

O tempo que separa a gravação e o lançamento marcou, segundo Ednardo, o seu empenho no sentido de viabilizar um lançamento digno para o LP. Esse período foi bastante exaustivo para o organizador da Massafeira, uma vez que agora não era mais o grupo em ação, mas somente ele que insistia e buscava da gravadora uma explicação plausível para a recusa em lançar o LP.



Em 1980, depois de mais de um ano de exaustivas reuniões para desengavetar o disco Massafeira, que era considerado assunto encerrado e não seria sequer prensado, por não haver mais verba para o lançamento, encontrei a única saída do momento, junto ao departamento de divulgação da CBS. Solicitei que o mesmo fosse prensado com grande parte da verba de divulgação do meu disco Imã, que estava sendo lançado em 1980, mesmo sabendo que o lançamento do disco Imã seria prejudicado em termos de apoio logístico da gravadora (SOUZA, 2010: 29).
A gravação do LP Massafeira se deu no primeiro semestre de 1979 e essa situação se estendeu até o ano seguinte, ocasião do lançamento do LP Imã – sétimo da carreira do artista e segundo pelo selo Epic. A luta travada por Ednardo contra a gravadora objetivando ver o LP Massafeira no mercado acabou por comprometer o lançamento do disco individual do artista. Porém, para Ednardo era indispensável ver um trabalho no qual ele acompanhou desde sua gênese ser concluído. Assim, pelo desempenho de Ednardo nessa causa, o disco finalmente foi prensado e lançado comercialmente.

E para o lançamento foi feito um evento, novamente em Fortaleza. Era a segunda Massafeira Livre, ocorrida no Teatro José de Alencar entre os dias 16 e 19 de outubro de 1980. Na ocasião, a Revista Música, periódico especializado em notícias sobre as atividades musicais e de circulação nacional, publicou uma matéria sobre o evento:



Em julho de 79, mais de cem pessoas, entre músicos, instrumentistas, cantores e compositores cearenses foram levados ao Rio de Janeiro para a gravação do álbum duplo MASSAFEIRA LIVRE. Uma verdadeira algazarra ocorria nos estúdios da CBS. Um fato inédito estava sendo prensado naquela gravadora: a feira livre de manifestações artísticas, liderada pela música que ocorreu na cidade de Fortaleza-CE, nos dias 15, 16, 17 e 18 de março/79. A feira livre em massa. A MASSAFEIRA LIVRE. Quinze meses se passaram e “por motivo de força maior” o álbum ficou retido nas gavetas da CBS. As razões não foram esclarecidas, crescia as expectativas em torno deste lançamento, os artistas presentes no disco reivindicavam o acordo feito com a gravadora. Ednardo, como produtor do álbum, como artista e como cabeça pensante que iniciou o projeto MASSAFEIRA, veio ao Rio; realizaram-se as “conversações” e o disco MASSAFEIRA LIVRE foi finalmente anistiado. De volta a Fortaleza, e aproveitando o lançamento do seu elepê IMÃ, Ednardo impulsiona a II MASSAFEIRA, outra grande festa comunitária artística, que aconteceu de 16 a 19 de outubro, onde o álbum-duplo é finalmente lançado (Revista Música. São Paulo, novembro de 1980).
Vemos que a segunda Massafeira Livre ocorre também para viabilizar da melhor maneira possível o lançamento do LP, uma vez que o período em que o disco foi “engavetado” e as ações da gravadora que findaram por desvalorizar o disco em muito o prejudicou. Ednardo aproveita o evento para lançar seu LP Imã, o qual teve seu recurso de divulgação aplicado na viabilização de fabricação e lançamento do LP Massafeira. O disco foi lançado pelo selo Epic, pertencente à CBS. Interessante observar como a reportagem reconhece o disco e suas propriedades como um trabalho inédito em termos de trabalho fonográfico.

Sobre os empecilhos para o lançamento, Ednardo disponibilizou em seu site a mesma matéria acima citada e faz uma observação no trecho em que fala da dificuldade do lançamento do disco, referindo se ao motivo de força maior que impediu que o LP fosse lançado no tempo previsto.



Os discos da Massafeira foram “engavetados” por mais de um ano, por direcionamento equivocado do preposto executivo do selo Epic, Raimundo Fagner, que “decidiu” que os mesmos seriam contrários a direção do selo. Anteriormente autorizados pela Direção Geral da CBS – Jairo Pires, os discos de Ednardo e Massafeira, com a CBS, e não com o selo Epic, foram remanejados entre a gravadora original e o selo, de forma estranha e ficaram reféns temporários, sem maiores esclarecimentos. A Aura Edições é a editora da maior parte das obras musicais gravadas nestes discos (Nota da Aura Edições –disponível em: http://www.ednardo.art.br/novo/materi49.php. Acesso em: 13/07/13).
Ednardo, através dessa nota, responsabiliza o cantor Raimundo Fagner, também cearense e participante do Festival Massafeira Livre, como também do LP Massafeira, pela retenção do referido LP. Como podemos ver, Ednardo afirma que conseguiu a autorização da gravadora para a gravação e lançamento do disco através do selo CBS, no entanto, houve uma mudança no percurso do disco com a saída de Jairo Pires da direção da gravadora e com isso o projeto de lançamento foi cancelado e o disco, como já vimos, “engavetado”. Com a mudança do projeto, antes submetido ao selo CBS e no momento seguinte ao selo Epic, Fagner possivelmente ficou responsável pelo destino do disco, uma vez que ele era o então diretor artístico desse selo. A nota enfatiza a estranha decisão da gravadora de não mais pretender lançar o disco e denuncia a falta de esclarecimento e de um motivo claro para tal fato. Após o empenho de Ednardo na busca de fazer acontecer o lançamento, o disco foi finalmente lançado, ainda que com todos os fatores negativos já expostos, como o preço pré-determinado, a falta de divulgação e investimento para o lançamento, como também os quinze meses em que os discos ficaram reféns da gravadora.

Apesar das justificativas de Ednardo, somos impelidos a levar em consideração que tal decisão da CBS pode ser levada em conta pelo receio que as gravadoras vinham tendo em relação ao início do ano de 1979 e o contexto da crise do petróleo nesse período anunciada. Esse temor se deu pela razão de os discos serem feitos de vinil, um derivado do petróleo e, com o advento da crise, o mercado de discos poderia estar negativamente comprometido. Em 1973 houve a primeira crise do petróleo, que prejudicou o negócio das gravadoras, das lojas de discos e de todos os setores que lucravam com a produção musical, prejuízo, inclusive, estendido para os próprios artistas. Nesse período as gravadoras sofriam com o difícil acesso ao vinil, que estava escasso no mercado internacional e, consequentemente, sofrendo especulações. O contexto de crise causou certa desaceleração no crescimento do mercado fonográfico brasileiro. No entanto, com a crise de 1979 e apesar de temerem a volta de uma depressão no mercado de discos, os setores ligados à produção de discos já estavam mais bem prevenidos em relação à ocorrida em 1973 quanto a uma possível crise e isso foi fundamental para a continuidade do crescimento que o Brasil vinha traçando nesse setor durante toda a década de 70, de modo que no final de 1979, o Brasil registrou um aumento de 7% de produção, ocupando o 6º lugar no ranking mundial de mercado de discos (MORELLI, 2009: 92-96).

Portanto, compreendemos, até certo ponto, a atitude dos dirigentes da CBS na tentativa de barrar o lançamento, uma vez que se encontravam num contexto de crise onde, apesar de não haver uma interrupção significativa do crescimento da produção de discos, mas era necessário ter cautela, de modo que eles possivelmente devem ter adotado a mesma tática usada na ocasião da primeira crise por outras gravadoras de não fazer novas contratações nem produzir projetos de vanguarda (MORELLI, 2009: 99).

O fato é que diversos fatores concorreram para que o LP Massafeira não adquirisse a devida difusão entre o público consumidor de música do Brasil. Desde o boicote da gravadora, faltando com o compromisso de divulgação que ela mesma promovia em casos normais até a consequente falta de interesse por parte dos veículos midiáticos, como o rádio, de executar o disco nas estações. Somado a isso, podemos destacar a justificativa de Teti para o resultado negativo do LP em termos comerciais:



Apesar de achar que isso não existe mais, não existia mais, até na nossa época, que são quarenta anos atrás, mas existe sim, existe a dificuldade, principalmente porque nós voltamos pra cá e a coisa ainda é muito difícil daqui pra lá, ainda é muito difícil [...] tinha tudo pra dar certo, tudo, mas não rola, é uma coisa meio, eu ultimamente tenho falado que é uma coisa meio misteriosa, isso, sabe, é muito esquisito, porque, tá certo, nunca teve aquela coesão, aquela coisa de estar todo mundo juntos, "vamos, a gente vai vencer", como a gente sente que isso existe entre os baianos, isso aqui realmente nunca existiu, ainda hoje não existe essa coisa, essa coesão, essa unificação, eu sinto que deixa a desejar, mesmo nos dias de hoje (Teti. Fortaleza, 02/05/2013).
Além da questão apontada anteriormente sobre a dificuldade de inserção na mídia nacional por parte dos cearenses, chama atenção outro ponto acerca da atividade grupal. Teti atribui a falta de projeção dos artistas cearenses a uma falta de unidade grupal, como acontecia com os baianos – Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa e Gilberto Gil. Isso, muito provavelmente, poderia ter facilitado uma articulação mais consistente dos cearenses frente à mídia nacional, tornando-os um grupo mais expressivo no campo musical e de largo reconhecimento. No entanto, o que houve foi a projeção de alguns que a alcançaram pelos seus próprios meios. Cremos, portanto, que tal prática não anularia a individualidade de cada um, tendo em vista a necessidade manifestada por cada um de desenvolver um trabalho significativo. Sobre isso, Teti nos esclareceu que “no nosso trabalho, sempre ficou muito claro que eram três trabalhos distintos, não tinha essa coisa de trio, não, não tinha isso” (Teti. Fortaleza, 02/05/2013).

Ao dizer isso, Teti se remete ao período de atuação junto com Rodger Rogério e Ednardo, na ocasião dos shows e lançamento do disco que ficou conhecido como Pessoal do Ceará. Assim como esse disco, a Massafeira apresentou vários trabalhos individuais. O desenvolvimento do projeto se deu de forma coletiva, mas foi visando uma projeção individual, de modo que nos parece que a necessidade do fazer coletivo pretendia desaguar no individual e tal constatação é possível através da fala de alguns artistas aqui expostas. Reconhecemos que a Massafeira, tanto o festival como o disco, teve como alicerce o trabalho coletivo, mas que era encarado como uma etapa, pois a meta de muitos dos envolvidos era atingir a projeção artística separadamente.

Sobre a experiência da Massafeira de modo geral – do festival ao LP, Fagner avalia o acontecimento registrando sua participação e colaboração para a realização do evento:

A Massafeira foi um momento importante para a cena cultural cearense no final dos anos 70, mobilizando artistas de diversas origens da cena local no happening que durou quatro dias no Teatro José de Alencar. Eu mesmo dei minha contribuição desinteressada convidando artistas nacionais como Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Walter Franco e também trazendo diretores da gravadora CBS no que resultou na gravação de um disco duplo produzido pelo Ednardo, lançado pelo selo Epic, do qual eu era o diretor artístico no momento. Acontece que de alguma maneira este trabalho não correspondeu às expectativas da gravadora, ou seja, não deu o retorno que a gravadora esperava e ficou nisso mesmo. Ela continua viva na memória dos que presenciaram aquele evento mas sem nenhum legado de tanta importância na cena musical cearense além fronteira como alguns insistem em apregoar ao longo desses anos (Fagner. Fortaleza, 05/08/2013).
Estas, entre outras razões aqui já abordadas foram definidoras para o destino obscuro do disco durante mais de trinta anos e nos dias de hoje percebemos que o disco ainda não chegou efetivamente ao alcance do grande público. Mesmo em Fortaleza são poucas as pessoas que tem conhecimento da existência do disco e do acontecimento do festival. No entanto, sabemos que o mercado de disco não se constitui de um sistema de produção para um público homogêneo, muito pelo contrário, diversos trabalhos são produzidos para diversos públicos e o LP Massafeira chegou às mãos de seu público, muito embora nos faça crer que poderia ter um alcance maior e mais positivo se houvesse a devida divulgação, como, talvez, um número mais expressivo de tiragem, de modo que ao mesmo tempo em que vivemos a força da cultura pop, de massa, mas dentro dessa própria cultura há suas diferenciações, suas tendências diversas que concorrem para a construção de uma variedade cultural capaz de atender a variadas fatias de consumidores desse mercado, uma vez que, segundo Scoville, a indústria cultural dispõe, lado a lado, produtos de naturezas diversas (SCOVILLE, 2008: 60).

Assim, concluímos que o LP Massafeira tem um profundo valor para a música do Ceará em razão da sua natureza plural que configura uma manifestação artística própria da vivência musical do Ceará, ainda que incorporadas a outras influências que em muito contribuíram para o enriquecimento do conteúdo do disco em questão, no entanto, tais atributos por si só não são definidores de sua difusão e da sua boa aceitação pelo público, uma vez que a questão do funcionamento do mercado fonográfico tem suas características e suas regras onde nem todos desfrutam a mesma chance nesse espaço. O mercado obedece a uma série de requisitos que muitas vezes se confrontam com novidades e o LP Massafeira foi, nesse sentido, um trabalho fonográfico diferente, fora do padrão da grande maioria dos discos produzidos naquele período. Esse modelo de trabalho discográfico, portanto, sofreu profundamente as consequências de sua natureza inovadora, uma vez que sua formatação incomum, aliado aos problemas surgidos na gravadora no contexto do lançamento e a falta de divulgação implicaram na marginalização do LP na esfera do mercado fonográfico.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ADORNO, Theodor W. Indústria Cultural. In. COHN, Gabriel. Comunicação e Indústria Cultural. São Paulo: Nacional/Edusp. 1971.

AIRES, Mary Pimentel. Terral dos Sonhos: o cearense na música popular brasileira. Fortaleza: Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará / Multigraf Editora,1994.

ALBERTI, Verena. Fontes Orais: Histórias dentro da História. In. PINSKY, Carla Bassanezi. (org). Fontes Históricas. 2ª ed. São Paulo: Contexto, 2010.

BURKE, Peter. O que é história cultural? Trad. Sérgio Góes de Paula. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2005.

CARIRY, Rosemberg. A Massafeira propriamente dita. In. SOUZA, José Ednardo Soares Costa (org). Massafeira: 30 anos Som, Imagem, Movimento, Gente. Fortaleza: Aura Edições Musicais, 2010.

CARVALHO, Gilmar de. A televisão no Ceará (1959-1966). Fortaleza: Expressão Gráfica Editora, 2010.

CASTRO, Wagner. No tom da canção cearense: do rádio e TV, dos lares e bares na era dos festivais (1963-1979).Fortaleza: Edições UFC, 2008.

MORIN, Edgar. Cultura de massas no século XX: Neurose. trad. Maura Ribeiro Sardinha – 9ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.

NAPOLITANO, Marcos. Seguindo a canção: engajamento político e indústria cultural na MPB (1959-1969). São Paulo: Annblume, 2001.

SCOVILLE, Eduardo H. Martins Lopes. Na barriga da baleia: a rede globo de televisão e a música popular brasileira na primeira metade da década de 1970. Tese – Programa de Pós Graduação em História - UFPR, Curitiba, 2008. Disponível em: http://dspace.c3sl.ufpr.br/dspace/bitstream/handle/1884/14366/tese%20%20def.%20para%20ufpr.pdf;jsessionid=4C7B02F5CE71E8E2179BED79747 FBB33? sequence =1.



SOUZA, José Ednardo Soares Costa (org). Massafeira: 30 anos Som, Imagem, Movimento, Gente. Fortaleza: Aura Edições Musicais, 2010.

1 Graduado em História pela Universidade Estadual do Ceará – UECE e especialista em História do Brasil pela Universidade Vale do Acaraú – UVA.

2 Podemos destacar entre esses artistas Fagner, Ednardo e Belchior que no fim da década de 1960 e início da década de 1970 participaram de diversos festivais, televisionados ou não, e que isso possibilitou a posterior inserção desses sujeitos em grandes gravadoras do Brasil, fazendo circular, dessa forma, seus trabalhos fonográficos.

3 Nos referimos, portanto, aos novos artistas surgidos em Fortaleza, oriundos dos festivais da Crédimus Aldeota, entre outros, e a geração anterior, largamente conhecida como Pessoal do Ceará.

4 A Massafeira Livre, ocorrida no Teatro José de Alencar em 1979 foi um evento que reuniu cerca de 400 artistas das mais diversas áreas (música, cinema, literatura, etc). Porém, como nosso trabalho se volta para a ação do festival na promoção musical, não faremos um aprofundamento desses acontecimentos.



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal