O filho Pródigo – 4º domingo da quaresma, ano c



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O Filho Pródigo – 4º DOMINGO DA QUARESMA, ANO C.

A Liturgia da Palavra deste 4º Domingo da Quaresma – C, coloca-nos na presença de um pai que espera ansiosa e firmemente a volta de seu filho, que o mesmo é dizer, perante a necessidade de uma reconciliação.

É a Parábola do Filho Pródigo como paradigma da história de cada um de nós, como filho, como pai ou como irmão no dia-a-dia das nossas vidas. Cada um de nós tem a sua história que se pode rever e até reciclar na contemplação da Parábola do Filho Pródigo.

O Baptismo é o ponto forte de toda a Quaresma, porque é o nosso segundo nascimento, no seio da Família de Deus, a Igreja. Começámos assim a viver como «filhos de Deus», cheios duma vida nova, vida indelevelmente marcada pelo Espírito Santo.

A 1ª Leitura, do Livro de Josué, diz-nos que, ao entrar na sua nova terra, após a libertação do Egipto e os 40 anos de duro peregrinar pelo Deserto, o primeiro acto do Povo de Deus foi celebrar a Páscoa. Com esse rito, o Povo de Deus recordou a primeira Páscoa no Egipto(Êx.XII); manifestou ao Senhor o seu reconhecimento por todas as maravilhas operadas em seu favor; fez uma promessa de fidelidade, ao iniciar-se uma fase muito importante da História da Salvação.

- “Os Israelitas acamparam em Guilgal e celebraram a Páscoa no dia catorze do mês, pela tarde, nas planícies de Jericó”. (1ª Leitura).

A Páscoa que nós vamos celebrar, e para a qual nos temos vindo a preparar, é o memorial duma libertação maior do que a dos Hebreus. Devemos prepará-la pelo sacramento da Penitência Pascal, o Sacramento da nossa Reconciliação com Deus, em ordem à nossa Comunhão Pascal, em que havemos de saborear e sentir o amor do Senhor, como proclama o Salmo Responsorial :

- “Provai e vede como o Senhor é bom !”

Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Coríntios, e hoje também a todos os homens, que a obra da nossa reconciliação, que partiu da iniciativa de Deus, realizou-se em Cristo, o Qual, identificando-Se com o pecado, assumindo todas as suas consequências, destruiu esse mesmo pecado, tornando-nos «novas criaturas».




- “E tudo vem de Deus, que, por Cristo, nos reconciliou consigo e nos confiou o mistério da reconciliação”. (2ª Leitura).




Jesus Cristo, nosso Reconciliador, quis, porém, que a reconciliação se tornasse pessoal pelo ministério dos Apóstolos. Por eles, está presente no meio dos fiéis o Senhor Jesus Cristo, Pontífice Máximo».(LG 21).



O Evangelho é de S. Lucas e apresenta-nos a deliciosa Parábola do Filho Pródigo, que é como que a ilustração luminosa daquela definição de Deus que S. João nos deixou : «Deus é Amor».

- “Comamos, façamos uma festa, porque este meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e encontrou-se”. (Evangelho).

A Parábola do Filho Pródigo é a história de cada homem, pois nela todos eles estão retratados, ou no filho mais novo que se arrepende e volta, ou no seu irmão, ou sobretudo no seu pai que perdoa e aceita a reconciliação.

* Não basta ter permanecido sempre na casa do pai para participar no banquete, é preciso saber perdoar.

* Não basta não ter feito nada de reprovável, é necessário também saber esperar e desejar a vinda daquele que se afastou da casa paterna.

* Não basta ter obvservado as leis da Igreja e do Estado, trabalhando sempre por um mundo mais justo, não basta tão pouco que os países ricos peçam (justamente) perdão às populações subdesenvolvidas, por as terem, talvez inconscientemente, explorado, é preciso que sejam capazes de perdoar a quem caiu.

Pelo contrário, algumas vezes se expulsa de casa, sem apelo, a filha que se comportou mal, guarda-se rancor contra o filho que se casou contra a vontade dos pais, alimenta-se uma aversão pelo marido que gasta mais do que o que ganha, etc.

Consideramo-nos justos, queremos sê-lo, mas talvez invejemos os que erram e pretendem uma reconciliação, e nos aborreçamos por ficarmos sempre em casa. A Igreja não é a cominidade dos que não erram, dos que não caem, mas dos pecadores que querem voltar ao Pai, sem pretensões; a comunidade dos que compreendem o outro e, se ele cai, o ajudam a retomar, juntos, o bom caminho.

Portanto, esta parábola do filho pródigo é mais bem definida como a parábola do Pai misericordioso, que espera sempre com muita ansiedade o regresso do filho que se perdeu. Deus quer reconciliar consigo os homens que desejam reconciliar-se com Ele.

É preciso que todos os pecadores se reconciliem com Deus para terem parte no plano da História da Salvação.

Diz o Catecismo da Igreja Católica :




1439. – O movimento de conversão e de penitência foi maravilhosamente descrito por Jesus na parábola do Filho Pródigo, cujo ponto central é «o pai misericordioso». (Lc.15,11-24) : o deslumbramento duma liberdade ilusória e o abandono da casa paterna; a humilhação profunda de se ver obrigado a guardar porcos e, pior ainda, se desejar alimentar das bolotas que os porcos comiam; a reflexão sobre os bens perdidos; o arrependimento e a decisão de se confessar culpado diante do pai; o caminho do regresso; o acolhimento generoso por parte do pai; a alegria do pai : são outros tantos aspectos, próprios do processo de conversão. O fato novo, o anel e o banquete festivo são símbolos de vida nova, pura, digna, cheia de alegria, que é a vida do homem que volta para Deus e para o seio da família que é a Igreja. Só o coração de Cristo, que reconhece a profundidade do amor de seu Pai, pôde revelar-nos o abismo da sua misericórdia, de modo tão cheio de simplicidade e beleza.

John Nascimento


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