O franquismo



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História Contemporânea O Franquismo



O FRANQUISMO



fonte: www.vespito.net/historia/franco/franft.html

Autor: Nuno Oliveira


Instituto Politécnico de Setúbal

Escola Superior de Educação


Curso: Comunicação Social


História Contemporânea



Docentes:

Prof. Ana Pessoa

Prof. Albérico Afonso

Tema: O Franquismo


Autor: Nuno Oliveira


Setúbal


08/05/2002

SUMÁRIO


  1. Introdução p. 1




  1. Espanha/Europa no período anterior ao regime franquista p. 2




    1. Contexto Social e político p. 2




    1. Guerra Civil de Espanha p. 2




3. Franquismo – o regime p. 3




    1. A Espanha de Franco p. 3




4. O Homem do Regime p. 4




4.1 General Francisco Franco p. 4





  1. Conclusão p. 5



6. Bibliografia p. 6




1. Introdução:


Ao longo da nossa formação escolar na disciplina de História, e no que diz respeito à história do séc. XX, já muitas vezes ouvimos falar de estados totalitários que existiram na Europa ao longo do século passado, o Nazismo alemão, o Fascismo italiano e o Estado Novo (também conhecido como Salazarismo) no nosso país. Mas na verdade, não foram apenas três, mas sim quatro os regimes totalitários, sendo este quarto o franquismo espanhol. E é apresentar uma breve visão sobre este regime totalitário comandado pelo General Franco, que este trabalho pretende.

Numa primeira parte do trabalho irei abordar sucintamente a realidade europeia da época, com especial relevo para a situação conturbada que se vivia então em Espanha, a nível social e político. Numa segunda fase, passarei então à apresentação do homem que esteve cerca de 40 anos à frente da nação espanhola e que deu nome a este regime totalitário, o General Francisco Franco.

Os materiais consultados para a realização deste trabalho são essencialmente, livros sobre esta época da história europeia e mais especificamente da história de Espanha.



2. Espanha/Europa no período anterior ao regime franquista




2.1 Contexto Social e político

O Crash da Bolsa de Nova Iorque, a 24 de Outubro de 1929, foi o grande impulsionador da crise económica que se viveu a nível europeu e mundial no ínicio dos anos 30. O descrédito do capitalismo e o triunfo da revolução bolchevista a Leste, provocam o aumento da insegurança e receio em relação aos tempos futuros. A resposta para a crise surge dos sectores mais à direita, com propostas de recuperação económica, assentes em políticas conservadoras e marcadamente nacionalistas (Fascismo em Itália, Estado Novo em Portugal, Nazismo na Alemanha).

Em Espanha, à semelhança do resto da Europa, a situação é instável. Após a queda da Monarquia em 1931 é instaurada a II República. Com uma vitória esmagadora nas eleições de 28 de Junho, é formado governo com uma maioria de esquerda e são aplicadas políticas progressistas, de que se destaca a reforma agrária. Porém, a situação está longe de estar resolvida e dois anos volvidos, nas eleições de 19 de Novembro dá-se uma nova mudança de governo. Desta feita com uma maioria de centro-direita no poder, a reforma agrária é suspensa de imediato e assiste-se ao retorno de uma política mais conservadora.

1936, 18 de Fevereiro, nova mudança de governo. Regresso da esquerda ao poder, agora unida num único partido, a Frente Popular. Nos meses que se seguiram subiu de tom a agitação popular, com greves, tomada de terras, pilhagens e incêndios em igrejas e mosteiros. Esta crescente agitação e o assassínio de José Calvo Sotello, a 13 de Julho, foram o ponto de partida para o levantamento militar que daria origem à Guerra Civil.




2.2 Guerra Civil de Espanha

Em 18 de Julho de 1936, desembarcam na Península as tropas comandadas pelo General Franco, que se encontravam estacionadas em Marrocos. A revolta militar foi seguida um pouco por todo o país tendo ainda assim, fracassado em Barcelona e Madrid.

Menos de um ano passado sobre o inicio do conflito, o General Franco consegue reunir num só partido os diversos grupos nacionalistas, é criada a FET y JONS (Falange Espanhola Tradicionalista e as Juntas de Ofensiva Nacional-Sindicalista) e em Agosto de 1937 passará a acumular os cargos de generalíssimo das Forças Armadas e chefe de Estado. Poder esse que será reconhecido diplomaticamente a nível internacional pela Alemanha e Itália.

A importância da Guerra Civil espanhola ultrapassou as fronteiras do país. Embora, oficialmente a política europeia fosse de “não-intervenção”, ambos os campos em conflito receberam apoio internacional. Os nacionalistas do General Franco por parte dos seus aliados ideológicos: Itália (cerca de 70000 voluntários) e Alemanha (maioritariamente apoio aéreo, Legião Condor) e os republicanos com a presença das Brigadas Internacionais (formadas por voluntários de diversos países) e da URSS (material de guerra e ajuda financeira). Podemos afirmar com certeza, que a Guerra Civil espanhola foi um “banco de ensaio” para o conflito a nível mundial que se iria registar anos mais tarde.

A 28 de Março de 1939 era ocupada a cidade de Madrid, terminando assim um conflito sangrento, de que resultaram cerca de 1 milhão de mortos, 500.000 exilados, 300.000 detidos políticos e um país destruído, mergulhado numa profunda crise económica.

3. Franquismo – o regime



3.1 A Espanha de Franco

Terminada a Guerra Civil, o General Franco instaura um Estado autoritário e corporativo. Reconhece o catolicismo como religião do Estado, introduz a doutrina católica, nas escolas, exército, etc., impõe medidas como a “Carta do Trabalho” para formação de um único sindicato e seguem-se julgamentos e execuções sumárias de antigos republicanos. Entre 1939/42 é a Falange, partido presidido por Serrano Suñer, quem controla a polícia política, a educação nacional, a acção social, a imprensa, a rádio, a propaganda e toda a vida económica e social.

No plano externo, com o ínicio da 2ª Guerra Mundial, a Espanha adopta uma posição cautelosa em relação ao desenrolar dos acontecimentos. Apesar da simpatia ideológica pelas nações do Eixo, o General Franco consegue articular habilmente os seus contactos com as diversas partes envolvidas no conflito.

Com o aproximar do final da guerra e a consequente derrota das tropas o Eixo, o General Franco adopta uma postura de maior democratização do seu regime, de forma a agradar à Inglaterra. São criadas as “cortes consultivas” em 1942 e em 1945 é proclamada a “Carta” com os direitos fundamentais dos espanhóis. Apesar destes “esforços”, no final da guerra, a Espanha encontra-se isolada do restante mundo democrático.

A nível interno, o “Caudillo” proclama a lei de sucessão que define a Espanha como “Estado católico, social e representativo” do qual, o General Franco é regente vitalício. Contudo, a oposição por parte do pretendente à coroa espanhola é grande e só será resolvida mediante um acordo que define o príncipe Juan Carlos como sucessor de Franco após a sua morte.

Durante o período da Guerra-fria e devido à importância do seu posicionamento estratégico, Espanha receberá como contrapartida pelo uso das suas bases militares por parte dos Estados Unidos uma ajuda económica no valor de 62,5 milhões de dólares. Esta preciosa ajuda, foi o ponto de partida para o ressurgimento internacional da Espanha que entra para a ONU em 1955.

Com a aplicação do plano de estabilidade em 1960, o país consegue finalmente sair do subdesenvolvimento económico a que estava votado desde o final da Guerra Civil. Apostando sobretudo, no turismo e no desenvolvimento da produção industrial, graças ao baixo preço da energia e à mão de obra barata.

No plano político, a Falange perde cada vez mais a sua influência no Estado e com a reforma constitucional de 1966, que estabelece a separação de poderes entre o chefe de estado e o chefe de governo, dá-se a mudança de uma política marcadamente conservadora para uma maior liberalizaçãoe abertura.

Se a nível económico e político o país atravessa agora uma fase mais calma, o mesmo não acontece a nível social com a permanente contestação por parte dos estudantes, as greves e os atentados por parte dos movimentos bascos para a autonomia da região.

A ameaça de um regime autoritário forte, como no pós-guerra, surge quando, em 1973 na sequência de mais um atentado bombista, é assassinado o primeiro-ministro Carrero Blanco e é designado para o seu lugar um amigo pessoal de Franco, Carlos Arias Navarro. Mas as políticas por este seguidas e a morte do General Franco a 20 de Novembro de 1975, deitam por terra as aspirações da direita.

Com a coroação de D. Juan Carlos I, a Espanha dava ínicio a um crescente processo de democratização que se prolonga até aos dias de hoje.

4. O Homem do Regime



4.1 General Francisco Franco

A 4 de Dezembro de 1892, nasce Francisco Franco Bahamonde, em El Ferrol, Galiza. Filho de um oficial da Marinha e de uma senhora de classe média entra para a Academia de Infantaria de Toledo em Agosto de 1907.

Aos 20 anos é enviado para Melilla na zona espanhola de Marrocos, sendo nomeado Chefe da Legião estrangeira em 1923. No mesmo ano, casa com Carmen Polo Martínez Valdés. Três anos mais tarde, nasce Carmen Franco Polo, única filha do casal.

Em Março de 1934, com 33 anos é promovido a General, o mais jovem da Europa. Dois anos volvidos, em Fevereiro, a Frente Popular vence as eleições, Franco é nomeado para as Ilhas Canárias. Em Julho tem ínicio do golpe militar.

Em Abril de 1937, o General Franco assina o decreto 255, por meio do qual cria o partido único, a FET y de la JONS (Falange Espanhola Tradicionalista e das Juntas da Ofensiva Nacional-Sindicalista), fusão da FE de la JONS com a CT.

Em Março de 1939 dá-se a rendição de Madrid, com o fim da Guerra Civil, o General assume o poder absoluto. Em Setembro desencadeia-se a 2ª guerra Mundial, Espanha adopta uma posição de neutralidade.

Com o decorrer da 2ª Grande Guerra a posição de Espanha oscila entre a “beligerância moral” e a “neutralidade”, o General Franco consegue manter o país fora do conflito, não deixando no entanto de manter encontros com os seus aliados ideológicos, como Hitler (Hendaia – 1940) e Mussolini (Bordighera – 1941).

Com o final da guerra em 1945, Espanha rompe relações diplomáticas com a Alemanha. Na criação da ONU em Junho, Espanha é mantida de fora.

Em 1953 é assinado o Tratado Bilateral com os EUA. Em troca da utilização das bases espanholas, os Estados Unidos concedem apoio económico. Este é um passo importante para a recuperação económica do país que virá se concretizará com a aplicação do “Plano de Estabilização” em 1960.

Em Julho de 1969, Don Juan Carlos é nomeado “Príncipe de Espanha” e sucessor de Franco. Quatro anos mais tarde, em Dezembro de 1973 é assassinado, por membros da ETA, o Primeiro-Ministro Carrero Blanco e sucede-lhe Carlos Arias Navarro.

A 20 de Novembro de 1975, o General Franco sofre um ataque cardíaco, o Príncipe Juan Carlos assume o poder como chefe de Estado e após a morte de Franco é proclamado Rei. Terminava assim a governação da nação espanhola sob a tutela do General Franco, após 40 anos de ditadura.

5. Conclusão


Segundo a minha opinião, os objectivos que foram propostos para a realização deste trabalho, intitulado O Franquismo foram concretizados. Apresentei de forma sucinta, as condicionantes sociais e políticas da Europa de então que conduziram a Espanha a uma ditadura, bem como a caracterização dos 40 anos desse regime autoritário e a pessoa que o liderou, o General Francisco Franco.

Com a realização deste trabalho tive a oportunidade de aprofundar conhecimentos sobre o regime ditatorial espanhol, facto que anteriormente não me tinha sido possível concretiozar por ser uma matéria considerada “pouco relevante”, a nível do ensino secundário, quando comparada com outros regimes autoritários da época.

Se no que diz respeito à pesquisa e consulta de materiais não encontrei grandes dificuldades, elas surgiram aquando da apresentação oral do tema, fruto de alguma inexperiência e receio da exposição em público. No global, considero que realizei um trabalho positivo.

6. Bibliografia:




NP405-1


ELLWOOD, Sheelagh – “Franco”: Inquérito História. Mem Martins: Editorial Inquérito, 1994. 261pp.

GEORGEL, Jacques – “Franco e o franquismo, balanço de uma vida e de um regime”. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 1974. 395pp.

ROSAS, Fernando; LOUÇÃ, António – Grande História Universal, volume XXVII. Alfragide: Ediclube, 1998. 5372pp.





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