O homem em sociedade



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Encontro04.12.2019
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O HOMEM EM SOCIEDADE1
Daniel Eustáquio Silva Faria2
Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. (Salmo 133, Cântico de Romagem de Davi, A Excelência do Amor Fraternal – Bíblia Sagrada)
O presente trabalho tem como intuito, procurar compreender a necessidade que a raça humana possui de se organizar em sociedades, a fim de que seus indivíduos desenvolvam suas aptidões e talentos em meio aos seus semelhantes.

A vida em sociedade, segundo a paleontologia, foi o que propiciou a evolução da espécie humana. Em sociedade o ser humano começa, através da comunicação, a multiplicar seus conhecimentos e, empiricamente, desenvolver os primeiros germens daquilo que hoje conhecemos ciência humana.

Tem-se que a antiga civilização egípcia, através de suas sociedades iniciáticas, foi um dos primeiros agrupamentos sociais responsável por catalogar os conhecimentos e observações da natureza de forma transmissível às futuras gerações. Porém, foi na Grécia antiga que, segundo relatos, após receber os primeiros germens gerados nas “terras do Nilo”, a sociedade helênica os adubou e frutificou, espalhando suas sementes por todo o mundo antigo, propiciando meios através dos quais tais conhecimentos nos chegassem nos dias atuais.

Foi nessa mesma Grécia antiga que Aristóteles, um dos mais importantes filósofos do mundo antigo, formado na Academia de Platão e fundador do Liceu, gravou em seus escritos uma definição do homem como sendo um animal político (anthropos physei politikon zoon). Para Aristóteles, o que diferenciava o homem dos animais selvagens era sua inteligência e razão, porém para o desenvolvimento dessa inteligência e aperfeiçoamento da razão, necessário seria que o homem se encontasse em sociedade, unido a seus semelhantes, a fim de colocar tal razão em prática de forma inteligente, com o intuito de alcançar o objetivo final de toda vida humana que seria, nas palavras do filosofo grego, a busca da felicidade.

Porém, ao descrever tal felicidade, Aristóteles não se referia à felicidade individual de cada homem, da sensação de bem-estar e plenitude egoística do ser isolado da comunidade, mas sim à felicidade plena, que em suas palavras era a felicidade da polis, a união das razões empreendidas conjuntamente a fim de encontrar uma espécie de plenitude comum a todos os integrantes da sociedade.

Para Aristóteles, inconcebível seria que o homem vivesse fora da sociedade, tanto assim o era que, caso houvesse um ser que tivesse tal aptidão para se isolar totalmente do contato com outros de sua espécie, esse homem deveria ser comparado a um deus ou uma besta (um animal).

Analisando a situação através do prisma de um Ap... M..., forçoso nos é reconhecer que vivemos sob a batuta de um Ser Supremo, do G... A... D... U.... Portanto, se assim nos encontramos, unidos em agrupamentos sociais, é porque a Sabedoria Divina, assim determinou como sendo a melhor fórmula para nossa evolução, tanto espiritual, quanto moral.

Enquanto Aprendizes, dois instrumentos nos são concedidos, junto à régua de 24 polegadas (utilizada para que meçamos o tempo de nosso trabalho), sendo eles o Maço e o Cinzel, os quais representam para nós, AAp... MM..., a inteligência e a razão. Desta forma, construindo-se uma analogia entre a doutrina Aristotélica e os ensinamentos maçônicos, pode-se concluir que o Ap... M..., deve empreender seu trabalho de desbastar a P...B... dentro dos círculos sociais em que se encontra inserido. Reconhecendo-se também neste fato uma ligação entre o conhecimento Aristotélico e o Salmo 133.

Assim, cabe ao maçom estar inserido na comunidade em que vive, a fim de identificar as oportunidades de ser útil, bem como de utilizar-se de todas as adversidades como mecanismos para atuar através de sua Boa Vontade (união da vontade com o amor fraternal), guiada pela Inteligência e pela Razão, desbastando sua P...B... e construindo seu caráter maçônico com atitudes que visem a consecução da felicidade geral da raça humana, começando por sua família, dando continuidade em sua comunidade, se espalhando pela sua pátria e alcançando todos os rincões da Terra, transformando e melhorando a sociedade de dentro para fora.

Não queremos aqui dizer que o homem, enquanto indivíduo, não precise de momentos para se recolher e elaborar uma análise dos atos e de sua vida, porém, entendemos que esses momentos devem ser utilizados apenas para “polir” aquilo que foi já desbastado em sociedade, a fim que possa continuar o seu trabalho de aperfeiçoamento junto aos semelhantes, sempre que finalizada a obra anterior.

Por fim, ressaltamos uma qualidade que, juntamente à Inteligência e a razão, deve sempre ter morada no coração do maçom, qual seja a VIGILÂNCIA. Essa qualidade nos é fundamental, posto que o Maço e o Cinzel, se utilizados de maneira incorreta, podem ao invés de construir, destruir e talhar de maneira indesejável um trabalho arduamente edificado.

Assim sendo, cabe a cada um de nós, utilizar nossa inteligência e nossa razão, amparada sobre um proposito maior que a satisfação de nossas próprias felicidades individuais, buscando a cada novo dia contribuir para a consecução de uma felicidade mais plena e completa, que é o bem maior do mundo em que vivemos.



1 Trabalho de Ap... M... apresentado na Aug... e Resp... Loj... Simb... Tiradentes nº 95, do OR... Uberlândia em 04 de setembro de 2017 E...V....

2 Ap... M..., PLACET 30.404, inscrito nos quadros da Aug... e Resp... Loj... Simb... Tiradentes nº 95, do OR... Uberlândia-MG


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