O homem espiritual Watchman Nee



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O homem espiritual

Watchman Nee

Título em espanhol: El Hombre Espiritual

Tradução do espanhol: SusanaCap (até final da parte 3)

D
igitalização: LUZ (Quarta Parte)


http://semeadoresdapalavra.queroumforum.com

Índice

Primeiro Prólogo 4

Segundo Prólogo 9

Introdução sobre Espírito, Alma e Corpo 15

1. Espírito, alma e corpo 15

2. O espírito e a alma 23

3. A queda do homem 37

4. A salvação 47

A Carne 59

1. A carne e a salvação 59

2. O crente carnal 71

3. A cruz e o Espírito Santo 81

4. A jactância da carne 92

5. A atitude definitiva do crente com a carne 101

A Alma 113

1. A libertação do pecado e a vida da alma 113

2. A experiência dos crentes anímicos 130

3. Os perigos da vida anímica 141

4. A cruz e a alma 150

5. Os crentes espirituais e a alma 163

O Corpo 176

1. O Corpo do Crente 176

2. As Doenças 192

3. Deus, a Vida do Corpo 223

4. Vencendo a Morte 237




Primeiro Prólogo


Dou graças de todo coração ao Senhor, ao qual sirvo, porque me deu o privilégio de poder escrever este livro. Sempre tinha esperado que alguém mais capacitado que eu se encarregaria de fazê-lo, mas o Senhor se agradou em me chamar para que o fizesse. Se a escolha houvesse dependido de mim, teria sido o último a escrevê-lo, porque tenho muito poucos desejos de escrever um livro assim. Minha vacilação não depende de que fuja de fazer meu dever, mas sim do fato de que um livro como este, que trata do caminho da vida espiritual e da estratégia da guerra espiritual, sem dúvida alguma está acima das possibilidades de uma pessoa que tem menos de 10 anos de experiência de vida no Senhor.

Já sabemos que a Bíblia permite a um crente que testemunhe sua experiência, e o Espírito Santo inclusive o guia a fazê-lo. Quão melhor é, no entanto, se tais experiências como o «ser levado ao terceiro céu» são contadas «quatorze anos depois»! Bem, eu não tenho nenhuma experiência do «terceiro céu», nem tampouco recebi nenhuma grande revelação, mas por Sua graça aprendi a seguir ao Senhor nas pequenas coisas. Assim, minha intenção nesta obra só é comunicar aos filhos de Deus o que recebi do Senhor durante estes anos.

Faz uns quatro anos que me senti chamado a escrever um livro semelhante.

Naquele momento estava descansando, recuperando forças, em uma pequena cabana junto ao rio, orando e lendo a Palavra. Senti a urgente necessidade de um livro — apoiado na Palavra e na experiência — que desse aos filhos de Deus uma clara compreensão da vida espiritual, a fim de que o Espírito Santo pudesse usá-lo para guiar os santos em seu avanço e para os libertar de ter que andar apalpando na escuridão.

Foi então que vi que o Senhor me tinha designado para realizar esta tarefa.

Comecei a compor os capítulos que tratam da diferenciação do espírito, da alma e do corpo, um capítulo sobre o corpo, e também a primeira parte do capítulo que fala da vida da alma. Mas logo deixei de escrever. Havia muitas outras coisas para fazer além desta. Entretanto, este não era o principal obstáculo, porque ainda podia encontrar oportunidades de escrever. A principal razão foi que naquele tempo eu não havia comprovado totalmente em minha experiência pessoal muitas das verdades sobre o tema que desejava escrever. Eu sabia que isto reduziria o valor e também a força do livro. Preferi aprender mais no Senhor e provar suas verdades através de minha experiência. Deste modo o que escreveria seriam realidades espirituais em lugar de meras teorias espirituais. Assim, suspendi o trabalho durante três anos.

Posso afirmar que durante estes três anos, tive o livro em meu coração diariamente. Embora alguns, possivelmente, considerassem que este livro deveria ter sido publicado faz tempo, eu podia ver claramente a mão do Senhor. Nestes anos, as verdades contidas neste livro, especialmente as que estão no último volume, livraram muitos do poder das trevas, demonstrando que havíamos tocado a realidade espiritual.

Pela graça extraordinária do Senhor pude compreender mais sobre o propósito da redenção de Deus ao separar a criação nova e a velha. Louvo ao Senhor por isso. O Senhor também me deu a oportunidade de conhecer muitos de seus eleitos mais extraordinários durante minhas viagens. Isto aumentou minha observação, meu conhecimento e minha experiência. Em meus contatos com as pessoas, o Senhor não só me mostrou aquilo de que carecem seriamente seus filhos, mas também qual é o remédio revelado em sua Palavra. Assim, permitam dizer a meus leitores que este é um manual sobre a vida espiritual e que se pode provar cada um de seus pontos pela experiência.

Devido à minha particular experiência no corpo físico durante os últimos anos, foi-me concedido saber mais da realidade da eternidade e também da grande dívida que tenho com a igreja de Deus. Portanto, esperei poder terminar este livro em pouco tempo. Graças a Deus Pai e a alguns de meus amigos no Senhor tive um lugar tranqüilo para descansar e escrever. Em poucos meses tinha terminado da Primeira até a Quarta parte.

Embora ainda não tenha começado as outras partes, estou certo que Deus Pai me proverá da graça necessária no momento oportuno.

Agora que este volume será publicado em breve e que logo lhe seguirão os outros volumes, me permitam que lhes fale com franqueza: aprender as verdades deste livro não foi fácil, e escrever foi ainda mais difícil. Posso dizer que durante dois meses vivi diariamente entre as garras de Satanás. Que luta! Que oposição! Convoquei todas as forças de meu espírito, de minha alma e de meu corpo para lutar contra o inferno.

Agora se suspenderam temporariamente as batalhas, mas ainda terei que escrever mais partes.

Vocês que são Moisés na montanha, por favor, não se esqueçam de Josué no vale.

Sei que o inimigo odeia profundamente esta obra. Tentará por todos os meios impedir que chegue às mãos das pessoas e os impedirá que a leiam. Oh, não permitam que o inimigo saia vencedor!

Este livro, que terá três volumes, não será escrito em forma de sermão ou de exposição. Há grandes diferenças de tratamento dos diferentes temas, e os leitores devem perceber isso. Embora todos os volumes tratem da vida e da guerra espirituais, algumas seções possivelmente tratam com mais insistência da vida espiritual, enquanto que outras o fazem na guerra espiritual. O livro, em conjunto, é preparado para servir como guia; daí que sua ênfase esteja principalmente em como andar por este caminho, mais do que em persuadir às pessoas para que o siga. Será escrito mais para ajudar os que procuram saber como andar no caminho espiritual, do que para persuadir às pessoas que procuram conhecer o caminho. Que possam achar ajuda em suas páginas todos os que têm o coração disposto para o Senhor.

Percebo perfeitamente que a vida espiritual dos leitores pode variar tremendamente. Por isso, se se depararem com pontos difíceis de compreender, lhes rogo que nem os rejeitem nem tentem entendê-los mentalmente. Essas verdades devem ser reservadas para uma vida mais amadurecida. Mais adiante (por exemplo, duas semanas ou um mês), ao reler essa parte difícil, possivelmente a compreenderão melhor. Apesar de tudo, este livro trata totalmente da vida espiritual como experiência.

Não se pode compreender de nenhuma outra forma. Verão isso quando chegarem a essa etapa. Mas é mesmo preciso esperar até chegar a essa etapa? Em caso de ser assim, que utilidade tem um livro? A experiência espiritual de um crente está rodeada de um grande mistério. O Senhor sempre lhe dá uma amostra do que é uma vida mais profunda, antes de guiá-lo a uma experiência plena. Muitos crentes confundem a amostra com o total e não se dão conta de que o Senhor apenas começa a guiá-los para a plenitude. O ensino deste livro satisfará a necessidade dos que provaram a amostra, mas que ainda não absorveram o completo.

Há uma coisa que devemos evitar: Não usemos jamais o conhecimento que tiremos deste livro para nos analisar. Se à luz de Deus vemos luz, nos conheceremos sem perder nossa liberdade no Senhor. Mas se passarmos o dia nos analisando, dissecando nossos pensamentos e sentimentos, isto nos impedirá de aprofundar em Cristo. A menos que o crente seja ensinado profundamente pelo Senhor, não pode conhecer-se. A introspecção e o ser conscientes de nós mesmos são prejudiciais para a vida espiritual.

Seria bom refletir sobre o plano redentor de Deus. O propósito de Deus é que, por meio da nova vida que nos dá ao nos regenerar, Ele possa nos libertar de:

1) o pecado,

2) o natural, e

3) o sobrenatural, ou seja, o poder satânico do mal no reino invisível.

São necessários estes três passos de libertação; não podemos omitir nenhum deles. Se um cristão limitar a obra redentora de Deus por se contentar em simplesmente vencer o pecado, ficará longe do propósito de Deus. Terá que vencer a vida natural (o eu) e também terá que vencer o inimigo sobrenatural. É obvio, é bom vencer o pecado, mas a obra não será completa se ficarem sem conquistar o eu natural e o mal sobrenatural. A cruz pode nos conseguir esta vitória. Espero que pela graça de Deus possa pôr ênfase sobre estes pontos no momento oportuno.

Exceto a última parte do volume final, que falará do corpo, pode-se considerar que este livro é psicologia bíblica. O baseamos todo na Bíblia e o demonstramos com a experiência espiritual. O resultado de nossos achados, tanto no estudo da Palavra como na experiência, diz-nos que, com cada experiência espiritual (por exemplo, o novo nascimento), realiza-se uma mudança especial em nosso homem interior. Chegamos à conclusão de que a Bíblia divide o homem em três partes: o espírito, a alma e o corpo.

Mais adiante veremos quão diferentes são as funções e a esfera/território destas três partes, em especial as do espírito e da alma. Com referência a isto, tenho que dizer umas palavras sobre a Primeira parte deste primeiro volume. A diferenciação do espírito e da alma, assim como a diferença em suas funções, são um conhecimento necessário para os que tentam crescer na vida espiritual. Só depois de saber o que é o espírito e o que é espiritual se poderá andar no espírito. Devido à grande falta destes ensinos procurei explicá-los detalhadamente. Aos crentes com certo preparo, esta Primeira parte não lhes será difícil de entender, mas os que não estão familiarizados com estudos semelhantes, somente têm que lembrar das conclusões e com isso podem prosseguir para a Segunda parte. A Primeira parte, pois, não trata especificamente da vida espiritual, só nos proporciona uns conhecimentos básicos necessários para a vida espiritual. Esta parte poderá ser melhor entendida se a reler após ter completado a leitura de todo o livro.

Não sou o primeiro a defender o ensino da divisão entre espírito e alma. Em uma ocasião, Andrew Murray disse que o que as Igrejas e as pessoas tinham de ter pânico é da atividade excessiva da alma, com seu poder sobre a mente e a vontade.

F. B. Meyer afirmou que, se não tivesse conhecido a divisão do espírito e a alma, não poderia imaginar como teria sido sua vida espiritual. Muitos outros, como Otto Stockmayer, Jessie Penn-Lewis, Evan Roberts, Madame Guyon, deram o mesmo testemunho.

Utilizei livremente seus escritos, visto que todos recebemos a mesma ordem do Senhor; assim, decidi não assinalar suas muitas citações.*

Este livro não só está escrito para os crentes como tais, mas também para ajudar aos que são mais jovens que eu no serviço do Senhor. Nós que somos responsáveis pela vida espiritual de outros, deveríamos saber do que e a que os guiamos: de onde e para onde. Se nós ajudarmos às pessoas, negativamente para que não pequem e positivamente para que sejam zelosos, será isso tudo o que o Senhor quer que façamos? Ou possivelmente há algo mais profundo? Pessoalmente creio que a Bíblia o diz categoricamente. O propósito de Deus é que seus filhos têm que livrar-se por completo da velha criatura e que têm que passar por completo à nova criatura. Não importa o que a velha criatura possa parecer ao homem, está totalmente condenada por Deus. Se nós, obreiros, sabemos o que tem que ser destruído e o que tem que ser construído, então não somos como cegos que guiam a outros cegos.

O novo nascimento — receber a própria vida de Deus — é o ponto de partida de toda vida espiritual.

Que inútil é, se o resultado final de toda nossa exortação, persuasão, argumentação, explicação e estudo, é unicamente produzir certo entendimento na mente, certa determinação na vontade e certo sentimento na emoção! Isto não serve às pessoas para receber a vida de Deus em seu espírito.

Mas, se nós, que somos responsáveis por pregar o evangelho, compreendemos de verdade que se as pessoas não receberem a vida de Deus nas profundezas de seu ser, não teremos feito nada proveitoso, então, que transformação tão radical haverá em nossa obra! É obvio que este conhecimento nos levará a ver que muitos que professam acreditar no Senhor Jesus nunca o fizeram realmente. Lágrimas, penitência, transformação, zelo e trabalho; estas não são as marcas essenciais do cristão. Bem-aventurados somos se sabemos que nossa responsabilidade é levar a homem a receber a vida incriada de Deus.

Quando recordo como o inimigo tentou me impedir de aprender as verdades escritas no último volume, não posso evitar ter medo de que alguns, embora tenham o livro, Satanás possa impedi-los de lê-lo. Ou, se o lerem, fará que logo o esqueçam.

Assim, me permitam advertir meus leitores: deveriam pedir a Deus que não deixe que Satanás os impeça de lê-lo. Orem enquanto lêem. Convertam em oração o que lerem. Orem para que Deus os cubra com o capacete da salvação, para que não se esqueçam do que lêem nem que simplesmente lhes encham a cabeça de inumeráveis teorias.

Umas breves palavras para os que já possuem as verdades contidas nas páginas seguintes. Se Deus, em sua misericórdia, os livrou da carne e do poder das trevas, vocês, por sua parte, deveriam levar estas verdades a outros. Assim, quando tiverem assimilado totalmente o livro e tenham feito suas essas verdades, reunirão a uns quantos santos e lhes ensinarão as verdades. Se for excessivo usar todo o livro, então poderiam aproveitar uma ou duas partes. Minha esperança é que estas verdades não permaneçam ignoradas. Inclusive seria proveitoso presentear o livro a outros para que o leiam.

Agora que este pequeno tratado está nas mãos do Senhor, se for de Seu agrado, que o abençoe para crescimento espiritual e vitória espiritual em mim, assim como em muitos de meus irmãos e irmãs. Que se faça a vontade de Deus. Que Seu inimigo seja derrotado. Que nosso Senhor Jesus volte logo para reinar. Amém.

Shanghai, 4 de junho de 1 927

Watchman Nee


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