O homem, esse ser improvável



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07/04/2004

O homem, esse ser improvável

"Quanto mais aprendemos sobre o Universo, maior se toma a nossa insignificância. E mais significativa se torna nossa presença nesse vasto cosmos. Afinal, a Terra já foi considerada o centro do cosmos, até ser removida para uma das órbitas em torno do Sol, tal qual qualquer outro planeta. Depois disso, o Sol foi removido do centro, sendo deslocado para a periferia de nossa galáxia, a Via Láctea. (...)

Em pouco mais de 400 anos de ciência, passamos do centro do Universo a um planeta orbitando uma humilde estrela em meio a bilhões de outras. O que essa visão tem de humilhante, ela tem de magnífica. Termos consciência de nossa insignificância cósmica é, talvez, um dos nossos maiores motivos de orgulho; ao mesmo tempo, aprendemos a celebrar a enormidade do cosmo e a nossa capacidade de compreendê-la.

Essas reflexões tornam a questão da nossa existência ainda mais fascinante: como foi possível, em um Universo movido pelo acaso, que seres vivos tenham aparecido e, mais impressionante ainda, seres vivos inteligentes? Como foi possível, em um Universo dominado por matéria inerte, que átomos destituídos de consciência ou objetivo tenham se organizado em seres conscientes? Essas questões, claro, são bem mais antigas do que a ciência, tendo sido abordadas por inúmeras religiões no decorrer da história da humanidade. Temos uma profunda necessidade de compreender as nossas origens, de justificar de alguma forma a nossa presença aqui. Se a origem da vida permanece ainda um mistério, a sua emergência é algo que deve ser explicado cientificamente, a partir da complexificação crescente da matéria orgânica, desde os seres mais primitivos até a humanidade moderna.

O homem é um ser improvável. O que não significa impossível, miraculoso. A vastidão do Universo, ou mesmo da nossa galáxia, quase que justifica por si só a presença de vida. Pense que a Via Láctea tem centenas de bilhões de outras estrelas, provavelmente em sua maioria com planetas à sua volta. (...) não acredito que será muito difícil encontrarmos vida em outras partes da galáxia (...). Entretanto, existe uma grande diferença entre encontrar vida extraterrestre e encontrar vida extraterrestre inteligente.

O que torna o debate complicado é que temos apenas um exemplo de vida inteligente, o nosso. Revisitando a história da evolução da vida na Terra, vemos que o surgimento de vida inteligente foi conseqüência de uma seqüência de eventos completamente aleatória. Há cerca de 200 milhões de anos, os dinossauros reinavam supremos sobre o mundo. Eles continuaram seu reinado por 150 milhões de anos até que, um belo dia, um asteróide com diâmetro de dez quilômetros, viajando a mais de 60 mil quilômetros por hora, colidiu com a Terra sobre a Península de Yucatán, no Golfo do México. A devastação causada por esse impacto destruiu cerca de 40% da vida, incluindo os dinossauros. (...) vieram mutações genéticas que eventualmente levaram ao surgimento dos primeiros primatas bípedes, nossos antepassados. Ou seja, nós estamos aqui por causa desse evento e de suas várias conseqüências evolutivas e não por causa de nossa inteligência. O que nos dá mais uma razão para mantermos nossa humildade perante as incertezas cósmicas."

(Marcelo Gleiser in Folha de S.Paulo, 16 jun. 2002.)


  1. Por que motivo, segundo o autor, é humilhante e ao mesmo tempo magnífica a consciência de que não somos o centro do Universo, mas um planeta orbitando uma entre inúmeras estrelas? (2,0 pontos)



  1. Por que o homem é tido como um “ser improvável”? (2,0 pontos)

Leia o texto abaixo de Francisco Valadares e responda às questões 3 e 4.


Instantâneo


os sinos dobram,

meu coração badala.



ancorada em mim a noite

como um riso estrelado

faz festa

e todas as horas dizem alegria




  1. a) Quanto à forma, como se classifica o texto acima? Justifique sua resposta. (1,0 ponto)

b) Qual é o assunto do texto? (1,0 ponto)


  1. No trecho em negrito, aparece uma figura de linguagem que enriquece o texto. Que figura é essa? Justifique sua resposta. (1,0 ponto)

5. Com base nas informações abaixo, crie uma pequena biografia sobre a autora. (Você deve selecionar apenas os dados que julgar mais relevantes para escrever cerca de 8 linhas.) (3,0 pontos)




Nome: Cecília Meireles

Nascimento: 07/11/1901

Natural: Rio de Janeiro - RJ

Morte: 09/11/1964



Filha de Carlos Alberto de Carvalho Meireles, funcionário do Banco do Brasil S.A., e de D. Matilde Benevides Meireles, professora municipal. Única sobrevivente dos quatros filhos do casal foi criada pela avó, D. Jacinta Garcia Benevides. Órfã de pai e mãe aos 3 anos.

1917 - Diplomou-se na Escola Normal.

1919 - primeiro livro de poemas: Espectros.

1921 - casou-se com o pintor português Dias Correia com quem teve três filhas: Maria Elvira, Maria Matilde, Maria Fernanda.

Escreveu sobre Educação e Literatura em vários jornais.

1951 - aposentou-se como professora primária.

1939 - Prêmio de Poesia Olavo Bilac pelo livro Viagem.

1940 - casou-se com o professor Heitor Grilo



"Considero o lirismo de Cecília Meireles o mais elevado da moderna poesia de língua portuguesa. Nenhum outro poeta iguala o seu desprendimento, a sua fluidez, o seu poder transfigurador, a sua simplicidade e seu preciosismo, porque Cecília, só ela, se acerca da nossa poesia primitiva e do nosso lirismo espontâneo...A poesia de Cecília Meireles é uma das mais puras, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea." (crítico Paulo Rónai)

Algumas
obras:



Criança, meu amor, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Retrato Natural, 1949

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Canções, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

Obra Poética,1958

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

O Menino Atrasado, 1966



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