O homem integral divaldo pereira franco



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O HOMEM INTEGRAL

DIVALDO PEREIRA FRANCO

DITADO PELO ESPÍRITO JOANNA DE ÂNGELIS

ÍNDICE

O Homem Integral


PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO 1 = FATORES DE PERTUBAÇÃO

CAPÍTULO 2 = A rotina

CAPÍTULO 3 = A ansiedade

CAPÍTULO 4 = Medo

CAPÍTULO 5 = Solidão

CAPÍTULO 6 = Liberdade
SEGUNDA PARTE - ESTRANHOS RUMOS, SEGUROS ROTEIROS

CAPÍTULO 7 = Homens-aparência

CAPÍTULO 8 = Fobia social

CAPÍTULO 9 = Ódio e suicídio

CAPÍTULO 10 = Mitos
TERCEIRA PARTE - A BUSCA DA REALIDADE

CAPÍTULO 11 = Auto-descobrimento

CAPÍTULO 12 = Consciência ética

CAPÍTULO 13 = Religião e religiosidade


QUARTA PARTE - O HOMEM EM BUSCA DO ÊXITO

CAPÍTULO 14 = Insegurança e crises

CAPÍTULO 15 = Conflitos degenerativos da sociedade

CAPÍTULO 16 = O primeiro lugar e o homem indispensável


QUINTA PARTE - DOENÇAS CONTEMPORÂNEAS

CAPÍTULO 17 = O conceito de saúde

CAPÍTULO 18 = Os comportamentos neuróticos

CAPÍTULO 19 = Doenças físicas e mentais

CAPÍTULO 20 = A tragédia do cotidiano

CAPÍTULO 21 = O homem moderno


SEXTA PARTE - MATURIDADE PSICOLÓGICA

CAPÍTULO 22 = Mecanismos de evasão

CAPÍTULO 23 = O problema do espaço

CAPÍTULO 24 = A reconquista da identidade

CAPÍTULO 25 = Ter e ser

CAPÍTULO 26 = Observador, observação e observado

CAPÍTULO 27 = O devir psicológico
SÉTIMA PARTE - PLENIFICAÇÃO INTERIOR

CAPÍTULO 28 = Problemas sexuais

CAPÍTULO 29 = Relacionamentos perturbadores

CAPÍTULO 30 = Manutenção de propósitos

CAPÍTULO 31 = Leis cármicas e felicidade
OITAVA PARTE - O HOMEM PERANTE A CONSCIÊNCIA

CAPÍTULO 32 = Nascimento da consciência

CAPÍTULO 33 = Os sofrimentos humanos

CAPÍTULO 34 = Recursos para a liberação dos sofrimentos

CAPÍTULO 35 = Meditação e ação
NONA PARTE - O FUTURO DO HOMEM

CAPÍTULO 36 = A morte e seu problema

CAPÍTULO 37 = A controvertida comunicação dos Espíritos

CAPÍTULO 38 = O modelo organizador biológico

CAPÍTULO 39 = A reencarnação

O Homem Integral
As enciclopédias definem o homem como um “animal racional, moral e social, mamífero, bípede, bímano, capaz de linguagem articulada, que ocupa o primeiro lugar na escala zoológica; ser humano...”

O momento mais eloqüente do seu processo evolutivo deu-se quando adquiriu a consciência para discernir o bem do mal, a verdade da impostura, o certo do errado, prosseguindo na marcha ascensional que o conduzirá às culminâncias da angelitude.

Estudado largamente através dos séculos, Pitágoras afir­mava que ele (o homem) é a medida de todas as coisas, en­quanto Sócrates elucidava ser o objeto mais direto da preo­cupação filosófica.

Durante o estoicismo e o neoplatonismo houve uma pre­ocupação para que ocorresse a “dissolução do homem em a Natureza”, mesmo aí revelando a grande preocupação de ambas as escolas com este ser admirável.

Na conceituação cristã ele “transcende o mundo”, em uma dimensão totalmente diferente desta.

Já o racionalismo o considera, desde Descartes, como o “ser pensante por excelência, como a razão que compreende e explica o mundo e a si mesma.”

No espiritualismo idealista o “espírito tem a primazia em tudo que se relaciona com o mundo e a vida humana”, en­quanto que para o materialismo o “espírito não é mais que uma forma de atividade da matéria que, em determinada fase de sua evolução, de formas simples para outras mais comple­xas, adquiriu consciência...”

Mivart, o célebre naturalista inglês, analisando, psicolo­gicamente, o homem, esclarece que ele “difere dos outros animais pelas características da abstração, da percepção inte­lectual, da consciência de si mesmo, da reflexão, da memória racional, do julgamento, da síntese e indução intelectual, do raciocínio, da intuição intelectual, das emoções e sentimen­tos superiores, da linguagem racional, do verdadeiro poder de vontade.”

Sócrates e Platão estabeleceram que o homem era o re­sultado do ser ou Espírito imortal e do não ser ou sua matéria que, unidos, lhe facultavam o processo de evolução.

Os filósofos atomistas reduziam-no ao capricho das par­tículas que, em se desarticulando, aniquilavam-se através do fenômeno biológico da morte.

Jesus, superando todos os limites do conhecimento, fez-se o biótipo do Homem Integral, por haver desenvolvido to­das as aptidões herdadas de Deus, na condição de ser mais perfeito de que se tem notícia.

Toda a Sua vida é modelar, tornando-se o exemplo a ser seguido, para o logro da plenitude, de quem deseja libertação real.

A Filosofia, mediante as suas diversas escolas, tem pro­curado oferecer ao homem caminhos que o felicitem em con­tínuas tentativas de interpretar a vida e entendê-lo.

A Psicologia, que inicialmente se confundia com a estru­tura filosófica, de passo em passo libertou-se de seu jugo e, buscando estudar a psique, alcançou, na atualidade, expres­são de relevo para a compreensão do homem, dos seus pro­blemas e seus desafios psicológicos.

A multiplicidade de tendências ora vigentes, nessa área, comprova o interesse dos estudiosos desta e de outras disci­plinas do conhecimento, buscando a libertação do indivíduo em relação aos desafios e dificuldades que o afligem.

Algo recentemente (1966) surgiu, nos Estados Unidos, a quarta força em Psicologia, que é a Transpessoal, ampliando o campo de investigação além do Behaviorismo, da Psicaná­lise e da Psicologia Humanista, fornecendo mais amplos es­clarecimentos sobre o homem integral...

Os seus pioneiros vieram dos quadros da Psicologia Hu­manista, facultando a introdução de alguns ensinamentos e experiências orientais, graças aos quais abrem espaços para uma visão espiritualista do ser humano em maior profundi­dade.

O Espiritismo, por sua vez, sintetizando diversas corren­tes de pensamento psicológico e estudando o homem na sua condição de Espírito eterno, apresenta a proposta de um comportamento filosófico idealista, imortalista, auxiliando-o na equação dos seus problemas, sem violência e com base na reencarnação, apontando-lhe os rumos felizes que deve se­guir.

Na presente Obra fazemos um estudo de diversos fatores de perturbação psicológica, procurando oferecer terapias de fácil aplicação, fundamentadas na análise do homem à luz do Evangelho e do Espiritismo, de forma a auxiliá-lo no equilí­brio e no amadurecimento emocional, tendo sempre como ser ideal Jesus, o Homem Integral de todos os tempos.

Embora reconheçamos singela a nossa contribuição, es­peramos de alguma forma auxiliar aqueles que nos leiam com real desejo de renovação e de aquisição de saúde psicológica, consciente de havermos feito o máximo ao nosso alcance, neste grave momento da Humanidade.


Salvador, 20 de fevereiro de 1990.

Joanna de Ângelis



PRIMEIRA PARTE

1

FATORES DE PERTURBAÇÃO
A segunda metade do Século 19 transcorre numa Eurá­sia sacudida pelas contínuas calamidades guerreiras, que se sucedem, truanescas, dizimando vidas e povos.

As admiráveis conquistas da Ciência que se apóia na Tec­nologia, não logram harmonizar o homem belicoso e insatis­feito, que se deixa dominar pela vaga do materialismo-utili­tarista, que o transforma num amontoado orgânico que pen­sa, a caminho de aniquilamento no túmulo.

Possuir, dominar e gozar por um momento, são a meta a que se atira, desarvorado.

Mal se encerra a guerra da Criméia, em 1856, e já se in­quietam os exércitos para a hecatombe franco-prussiana, cu­jos efeitos estouram em 1914, envolvendo o imenso conti­nente na loucura selvagem que ameaça de consumição a tudo e a todos.

O Armistício, assinado em nome da paz, fomentou o ex­plodir da Segunda Guerra Mundial, que sacudiu o Orbe em seus quadrantes.

Somando-se efeitos a novas causas, surge a Guerra Fria, que se expande pelo sudeste asiático em contínuos conflitos lamentáveis, em nome de ideologias alienígenas, disfarçadas de interesses nacionais, nos quais, os armamentos superados são utilizados, abrindo espaços nos depósitos para outros mais sofisticados e destrutivos...

Abrem-se chagas purulentas que aturdem o pensamento, dores inomináveis rasgam os sentimentos asselvajando os indivíduos.

O medo e o cinismo dão-se as mãos em conciliábulo ir­reconciliável.

A Guerra dos seis dias, entre árabes e judeus, abre sulcos profundos na economia mundial, erguendo o deus petróleo a uma condição jamais esperada.

Os holocaustos sucedem-se.

Os crimes hediondos em nome da liberdade se acumulam e os tribunais de justiça os apóiam.

O homem é reduzido à ínfima condição no “apartheid”, nas lutas de classes, na ingestão e uso de alcoólicos e drogas alucinógenas como abismo de fuga para a loucura e o suici­dio.

Movimentos filosóficos absurdos arregimentam as men­tes jovens e desiludidas em nome do Nadaísmo, do Existen­cialismo, do Hippieísmo e de comportamentos extravagantes mais recentes, mais agressivos, mais primários, mais violen­tos.

O homem moderno estertora, enquanto viaja em naves superconfortáveis fora da atmosfera e dentro dela, vencendo as distâncias, interpretando os desafios e enigmas cósmicos.

A sonda investigadora penetra o âmago da vida micros­cópica e abre todo um universo para informações e esclareci­mentos salvadores.

Há esperança para terríveis enfermidades que destruíram gerações, enquanto surgem novas doenças totalmente pertur­badoras.

A perplexidade domina as paisagens humanas.

A gritante miséria econômica e o agressivo abandono so­cial fazem das cidades hodiernas o palco para o crime, no qual a criatura vale o que conduz, perdendo os bens materiais e a vida em circunstâncias inimagináveis.

Há uma psicosfera de temor asfixiante enquanto emerge do imo do homem a indiferença pela ordem, pelos valores éticos, pela existência corporal.

Desumaniza-se o indivíduo, entregando-se ao pavor, ou gerando-o, ou indiferente a ele.

Os distúrbios de comportamento aumentam e o despauté­rio desgoverna.

Uma imediata, urgente reação emocional, cultural, religi­osa, psicológica, surge, e o homem voltará a identificar-se consigo mesmo.

A sua identidade cósmica é o primeiro passo a dar, abrin­do-se ao amor, que gera confiança, que arranca da negação e o irisa de luz, de beleza, de esperança.

A grande noite que constringe é, também, o início da al­vorada que surge.

Neste homem atribulado dos nossos dias, a Divindade deposita a confiança em favor de uma renovação para um mundo melhor e uma sociedade mais feliz.

Buscar os valores que lhe dormem soterrados no íntimo é a razão de sua existência corporal, no momento.

Encontrar-se com a vida, enfrentá-la e triunfar, eis o seu fanal.

2

A rotina
A natural transformação social, decorrente dos efeitos da ciência aliada à tecnologia a partir do século 19, impôs que o individualismo competitivo pós renascentista cedesse lugar ao coletivismo industrial e comunitário da atualidade.

A cisão decorrente do pensamento cartesiano, na dicoto­mia do corpo e da alma, ensejou uma radical mudança nos hábitos da sociedade, dando surgimento a uma série de con­flitos que irrompem na personalidade humana e conduzem a alienações perturbadoras.

Antes, os tabus e as superstições geravam comportamen­tos extravagantes, e a falsa moral mascarava os erros que se tornavam fatores de desagregação da personalidade, a servi­ço da hipocrisia refinada.

A mudança de hábitos, no entanto, se liberou o homem de algumas fobias e mecanismos de evasão perniciosos, im­pôs outros padrões comportamentais de massificação, nos quais surgem novos ídolos e mitos devoradores, que respon­dem por equivalentes fenômenos de desequilíbrio.

Houve troca de conduta, mas não de renovação saudável na forma de encarar-se a vida e de vivê-la.

De um lado, a ciência em constante progresso, não se fa­zendo acompanhar por um correspondente desenvolvimento ético-espiritual, candidata-se a conduzir o homem ao milis­mo, ao conceito de aniquilamento.

Noutro sentido, o contubérnio subjacente, apresenta um elenco exasperador de áreas conflitantes nas guerras e ame­aças de guerras que se sucedem, nas variações da economia, nos volumosos bolsões de miséria de vária ordem, empur­rando o homem para a ansiedade, a insegurança, a suspeição contumaz, a violência.

A fim de fugir à luta desigual — o homem contra a máqui­na — os mecanismos responsáveis pela segurança emocional levam o indivíduo, que não se encoraja ao competitivismo doentio, à acomodação, igualmente enferma, como forma de sobrevivência no báratro em que se encontra, receando ser vencido, esmagado ou consumido pela massa crescente ou pelo desespero avassalador.

Estabelece algumas poucas metas, que conquista com re­lativa facilidade, passando a uma existência rotineira e neu­rotizante, que culmina por matar-lhe o entusiasmo de viver, os estímulos para enfrentar desafios novos.

Rotina é como ferrugem na engrenagem de preciosa ma­quinaria, que a corrói e arrebenta.

Disfarçada como segurança, emperra o carro do progres­so social e automatiza a mente, que cede o campo do raciocí­nio ao mesmismo cansador, deprimente.

O homem repete a ação de ontem com igual intensidade hoje; trabalha no mesmo labor e recompõe idênticos passos; mantém as mesmas desinteressantes conversações: retorna ao lar ou busca os repetidos espairecimentos: bar, clube, tele­visão, jornal, sexo, com frenético receio da solidão, até al­cançar a aposentadoria.. - Nesse ínterim, realiza férias progra­madas, visita lugares que o desagradam, porém reúne-se a outros grupos igualmente tediosos e, quando chega ao denominado período do gozo-repouso, deixa-se arrastar pela inu­tilidade agradável, vitimado por problemas cardíacos, que resultam das pressões largamente sustentadas ou por neuro­ses que a monotonia engendra.

O homem é um mamífero biossocial, construído para experiências e iniciativas constantes, renovadoras.

A sua vida é resultado de bilhões de anos de transforma­ções celulares, sob o comando do Espírito, que elaborou equi­pamentos orgânicos e psíquicos para as respostas evolutivas que a futura perfeição lhe exige.

O trabalho constitui-lhe estímulo aos valores que lhe dor­mem latentes, aguardando despertamento, ampliação, desdo­bramento.

Deixando que esse potencial permaneça inativo por indo­lência ou rotina, a frustração emocional entorpece os sentimentos do ser ou leva-o à violência, ao crime, como processo de libertação da masmorra que ele mesmo construiu, nela encarcerando-se.

Subitamente, qual correnteza contida que arrebenta a bar­ragem, rompe os limites do habitual e dá vazão aos conflitos, aos instintos agressivos, tombando em processos alucinados de desequilíbrios e choque.

Nesse sentido, os suportes morais e espirituais contribu­em para a mudança da rotina, abrindo espaços mentais e emo­cionais para o idealismo do amor ao próximo, da solidarieda­de, dos serviços de enobrecimento humano.

O homem se deve renovar incessantemente, alterando para melhor os hábitos e atividades, motivando-se para o aprimo­ramento íntimo, com conseqüente movimentação das forças que fomentam o progresso pessoal e comunitário, a benefí­cio da sociedade em geral.

Face a esse esforço e empenho, o homem interior sobrepõe-se ao exterior, social, trabalhado pelos atavismos das re­pressões e castrações, propondo conceitos mais dignos de convivência humana, em consonância com as ambições es­pirituais que lhe passam a comandar as disposições íntimas.

O excesso de tecnologia, que aparentemente resolveria os problemas humanos, engendrou novos dramas e conflitos comportamentais, na rotina degradante, que necessitam ser reexaminados para posterior correção.

O individualismo, que deu ênfase ao enganoso conceito do homem de ferro e da mulher boneca, objeto de luxo e de inutilidade, cedeu lugar ao coletivismo consumista, sem iden­tidade, em que os valores obedecem a novos padrões de críti­ca e de aceitação para os triunfos imediatos sob os altos pre­ços da destruição do indivíduo como pessoa racional e livre.

A liberdade custa um alto preço e deve ser conquistada na grande luta que se trava no cotidiano.

Liberdade de ser e atuar, de ter respeitados os seus valo­res e opções de discernir e aplicar, considerando, naturalmente, os códigos éticos e sociais, sem a submissão acomodada e indiferente aos padrões de conveniência dos grupos domi­nantes.

A escala de interesses, apequenando o homem, brinda-o com prêmios que foram estabelecidos pelo sistema desuma­no, sem participação do indivíduo como célula viva e pen­sante do conjunto geral.

Como profilaxia e terapêutica eficaz, existem os desafios propostos por Jesus, que são de grande utilidade, induzindo a criatura a dar passos mais largos e audaciosos do que aqueles que levam na direção dos breves objetivos da existência ape­nas material.

A desenvoltura das propostas evangélicas facilita a rup­tura da rotina, dando saudável dinâmica para uma vida inte­gral em favor do homem-espírito eterno e não apenas da má­quina humana pensante a caminho do túmulo, da dissolução, do esquecimento.

3

A ansiedade
Não se deixando vitimar pela rotina, o homem tende, às vezes, a assumir um comportamento ansioso que o desgasta, dando origem a processos enfermiços que o consomem.

A ansiedade é uma das características mais habituais da conduta contemporânea.

Impulsionado ao competitivismo da sobrevivência e es­magado pelos fatores constringentes de uma sociedade etica­mente egoísta, predomina a insegurança no mundo emocio­nal das criaturas.

As constantes alterações da Bolsa de Valores, a compres­são dos gastos, a correria pela aquisição de recursos e a dis­puta de cargos e funções bem remunerados geram, de um lado, a insegurança individual e coletiva. Por outro, as amea­ças de guerras constantes, a prepotência de governos inescru­pulosos e chefes de atividades arbitrários quão ditadores; os anúncios e estardalhaços sobre enfermidades devastadoras; os comunicados sobre os danos perpetrados contra a ecolo­gia prenunciando tragédias iminentes; a catalogação de cri­mes e violências aterradoras respondem pela inquietação e pelo medo que grassam em todos os meios sociais, como cons­tante ameaça contra o ser e o seu grupo, levando-os a perma­nente ansiedade que deflui das incertezas da vida.

Passando, de uma aparente segurança, que era concedida pelos padrões individualistas do século 19, no apogeu da industrialização, para o período eletrônico, a robotização ameaça milhões de empregados, que temem a perda de suas atividades remuneradas, ao tempo em que o coletivismo, igua­lando os homens nas aparências sociais, nos costumes e nos hábitos, alija os estímulos de luta, neles instalando a incerte­za, a necessidade de encontrar-se sempre na expectativa de notícias funestas, desagradáveis, perturbadoras.

Esvaziados de idealismo e comprimidos no sistema em que todos fazem a mesma coisa, assumem iguais compostu­ras, passando de uma para outra pauta de compromisso com ansiedade crescente.

A preocupação de parecer triunfador, de responder de for­ma semelhante aos demais, de ser bem recebido e considera­do é responsável pela desumanização do indivíduo, que se torna um elemento complementar no grupamento social, sem identidade, nem individualidade.

Tendo como modelo personalidades extravagantes, que ditam modas e comportamento exóticos, ou liderado por ído­los da violência, como da astúcia dourada, o descobrimento dos limites pessoais gera inquietação e conflitos que mal disfarçam a contínua ansiedade humana.

A ansiedade tem manifestações e limites naturais, perfei­tamente aceitáveis.

Quando se aguarda uma notícia, uma presença, uma res­posta, uma conclusão, é perfeitamente compreensível uma atitude de equilibrada expectativa.

Ao extrapolar para os distúrbios respiratórios, o colapso periférico, a sudorese, a perturbação gástrica, a insônia, o cli­ma de ansiedade torna-se um estado patológico a caminho da somatização física em graves danos para a vida.

O grande desafio contemporâneo para o homem é o seu autodescobrimento.

Não apenas identificação das suas necessidades, mas, prin­cipalmente, da sua realidade emocional, das suas aspirações legítimas e reações diante das ocorrências do cotidiano.

Mediante o aprofundamento das descobertas íntimas, al­tera-se a escala de valores e surgem novos significados para a sua luta, que contribuem para a tranqüilidade e a autoconfi­ança.

Não há, em realidade, segurança enquanto se transita no corpo físico.

A organização mais saudável durante um período, debili­ta-se em outro, assim como os melhores equipamentos orgâ­nicos e psíquicos sofrem natural desgaste e consumição, dan­do lugar às enfermidades e à morte, que também é fenômeno da vida.

A ansiedade trabalha contra a estabilidade do corpo e da emoção.

A análise cuidadosa da existência planetária e das suas finalidades proporciona a vivência salutar da oportunidade orgânica, sem o apego mórbido ao corpo nem o medo de per­dê-lo.

Os ideais espiritualistas, o conhecimento da sobrevivência à morte física tranqüilizam o homem, fazendo que consi­dere a transitoriedade do corpo e a perenidade da vida, da qual ninguém se eximirá.

Apegado aos conflitos da competição humana ou deixan­do-se vencer pela acomodação, o homem desvia-se da finali­dade essencial da existência terrena, que se resume na aplica­ção do tempo para a aquisição dos recursos eternos, propici­adores da beleza, da paz, da perfeição.

O pandemônio gerado pelo excesso de tecnologia e de conforto material nas chamadas classes superiores, com ab­soluta indiferença pela humanidade dos guetos e favelas, em promiscuidade assustadora, revela a falência da cultura e da ética estribada no imediatismo materialista com o seu arro­gante desprezo pelo espiritualismo.

Certamente, ao fanatismo e proibição espiritualista de caráter medieval, que ocultavam as feridas morais dos ho­mens, sob o disfarce da hipocrisia, o surgimento avassalador da onda de cinismo materialista seria inevitável. No entanto, o abuso da falsa cultura desnaturada, que pretendeu solucio­nar os problemas humanos de profundidade como reparava os desajustes das engrenagens das máquinas que construiu, resultou na correria alucinada para lugar nenhum e pela con­quista de coisas mortas, incapazes de minimizar a saudade, de preencher a solidão, de acalmar a ansiedade, de evitar a dor, a doença e a morte...

Magnatas, embora triunfantes, proíbem que se pronuncie o nome da morte diante deles.

Capitães de monopólios recusam-se a sair à rua, para evi­tarem contágio de enfermidades, e alguns impõem, para vi­ver, ambientes assepsiados, tentando driblar o processo de degeneração celular.

Ases da beleza cercam-se de jovens, receando a velhice, e utilizam-se de estimulantes para preservarem o corpo, apli­cando-se massagens, exercícios, cirurgias plásticas, muscu­lação e, não obstante, acompanham a degeneração física e mental, ansiosos, desventurados.

Propalando-se que as conquistas morais fazem parte das instituições vencidas — matrimônio, família, lar — os apani­guados da loucura crêem que aplicam, na velha doença das proibições passadas, uma terapêutica ideal. E olvidam-se que o exagero de medicamento utilizado em uma doença, gera danos maiores do que aqueles que eram sofridos.

A sociedade atual sofre a terapia desordenada que usou na enfermidade antiga do homem, que ora se revela mais de­bilitado do que antes.

São válidas, para este momento de ansiedade, de insatis­fação, de tormento, as lições do Cristo sobre o amor ao pró­ximo, a solidariedade fraternal, a compaixão, ao lado da ora­ção, geradora de energias otimistas e da fé, propiciadora de equilíbrio e paz, para uma vida realmente feliz, que baste ao homem conforme se apresente, sem as disputas conflitantes do passado, nem a acomodação coletivista do presente.


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