O homem que iniciou a luta pela Democracia em Moçambique



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Canal de Opinião: por Afonso Dhlakama, André Matade Matsangaíce

O homem que iniciou a luta pela Democracia em Moçambique”


Maputo (Canal de Moçambique) - Estamos aqui reunidos para assinalar o 28.º aniversário do falecimento, em combate, do companheiro, André Matade Matsangaíce, 1.º presidente e fundador do movimento político militar que desencadeou a luta contra a ditadura marxista-leninista no solo moçambicano. O homem que iniciou a luta pela democracia em Moçambique.
O companheiro Matsangaíce faleceu muito jovem e muito cedo, concretamente dois anos após o início da luta armada e três anos após o aparecimento da Renamo.
Nessa altura éramos muito poucos, aproximadamente mil militares, actuando nas províncias de Manica e Sofala, mais concretamente nos distritos de Manica, Sussundenga, Chimoio (arredores), Barué e Gorongosa.
Depois da sua morte abrimos em 1980 outras frentes que culminaram com a nossa presença em 1984 em todo o território nacional.
O companheiro Matsangaíce defendia a liberdade de expressão, o direito a opção política, a liberdade religiosa, o poder tradicional, a autoridade familiar, a liberdade de circulação e de residência, a economia de mercado, etc... em suma defendia uma sociedade pluralista e um verdadeiro estado de direito.
Tenho muito orgulho de ter feito parte dos jovens que juntos com o companheiro Matsangaíce iniciámos esta longa e árdua batalha que culminou com a derrocada do comunismo e a instauração da democracia em Moçambique.
Todos nós aqui presentes são os seguidores fiéis deste grande herói nacional.
Com sabedoria e dedicação temos sabido honrar os princípios e os ideais por ele defendidos mas ainda não podemos dar-nos ao luxo de comemorar decentemente a nossa vitória final porque ainda persistem os vestígios do comunismo e do autoritarismo no nosso país.
Recordo-me que após o anúncio da morte do nosso companheiro, a Frelimo festejou julgando que a Renamo iria desaparecer mas o efeito foi exactamente o contrário: Reforçamos ainda mais a nossa convicção e os combates intensificaram-se mais ainda.
Quando se defende ideais e princípios enraizados no povo a morte ou o afastamento de quem lidera essa causa nunca significou o fim da mesma antes pelo contrário.
O que defendíamos era intrínseco à vontade de um povo. Um povo que estava ansioso pela independência para se libertar do jugo colonial mas que acabou subjugado por outros colonos embora da mesma cor e pátria.
Substituir a colonização portuguesa por uma ditadura comunista foi muito cruel e decepcionante para todos os moçambicanos que se viram privados dos seus mais elementares direitos como povo. Portanto, defendíamos a valorização de todos aqueles que lutaram pela independência deste país e não somente de alguns. Que a praça dos heróis moçambicanos fosse para todos os verdadeiros heróis e não somente para alguns.
Muitos heróis foram considerados injustamente de traidores e fuzilados nos não somente de alguns. Que a praça dos heróis moçambicanos fosse para todos os verdadeiros heróis e não somente para alguns.
Muitos heróis foram considerados injustamente de traidores e fuzilados nos campos de concentração.

É só uma questão de tempo

Não está longe o dia em que todos esses heróis serão trazidos para a praça dos heróis moçambicanos.


André Matade Matsangaíce, entre outros heróis espalhados pelas matas do nosso país, será trazido um dia para a Praça dos Heróis. É só uma questão de tempo.
A praça André Matade Matsangaíce na Cidade da Beira é só o começo.
Não tardará o surgimento de outras praças com o nome dos nossos heróis nos outros municípios.
O regime marxista quando viu que tinha perdido a guerra no campo militar adoptou os ideais e a filosofia defendida pela Renamo como forma de esvaziar a nossa luta.
Só que estão sendo muito maus alunos! Ao invés de adoptarem uma economia de mercado com regras claras, optaram por um autêntico capitalismo selvagem. Mas também não era de esperar outra coisa, pois a sua génese nunca foi de aceitar uma economia de mercado mas, sim, um mercado centralizador e amorfo. E o resultado está à vista de todos nós: Só discursos e nada de acções concretas.
Sinto-me muito satisfeito por ter ao meu lado muitos intelectuais que não obstante não terem participado na luta pela democracia souberam suportar com dignidade o regime tirano e hoje constituem a linha dura da Renamo.

Erros todos os dias

Um partido sem quadros não vai muito longe. É só ver os erros que Armando Guebuza vai cometendo todos os dias. Embora a Frelimo tenha quadros capazes e competentes, o regime não lhes dá o devido espaço e protagonismo necessário.


Na Renamo existe espaço para todos libertarem a sua iniciativa criadora.
Os maiores exemplos são os municípios e a bancada parlamentar da Renamo na Assembleia da República.
Nós nunca interferimos na actuação dos nossos quadros.
Existe um programa do partido e todos são encorajados a usar da sua inteligência e vontade de trabalhar para inovar e produzir resultados.
É por isso que só se fala dos municípios geridos pela Renamo como modelo de desenvolvimento.
Com a quantidade de quadros que a Frelimo tem não consegue sequer dirigir com qualidade um município do tamanho do município de Metangula no Lago Niassa. Isto não é de espantar!...

Líderes velhos e cansados

O problema é que os líderes da Frelimo estão velhos e cansados e não deixam os mais jovens e capazes governarem e o resultado é o que esta a vista de todos nós.


Diziam que a Renamo não tinha quadros para governar. Está ai o Deviz, o Santos, o Germano, o Gulamo e o Alberto Assane a darem uma grande lição aos outros presidentes de municípios. E o chefe deles todos sou eu um general de cinco estrelas mas que tem a consciência de que para governar é preciso libertar os quadros e exigir resultados. E o resultado está à vista de todos.

Temos capacidade para governar

Ninguém pode hoje duvidar de que de facto temos capacidade para governar este país.


Aos académicos e intelectuais quero vos garantir que o relacionamento que promovo com os municípios é o que irei encorajar para com o governo quando tomarmos o poder.
Quero pedir a todos os funcionários públicos, à Polícia, ao Exército, etc. para que tenham muita paciência, porque melhores tempos virão.
De uma coisa podem estar certos: nunca mais permitiremos que algum tirano nos escravize.
Quero ser o presidente dos moçambicanos e não somente presidente da Renamo. Por este motivo conto com todos os moçambicanos para governar este país e manter sempre vivos os ideais de André Matade Matsangaíce.

(Afonso Dhlakama) – CANAL DE MOÇAMBIQUE – 19.10.2007


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