O humanismo de rogers



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O HUMANISMO DE ROGERS


  • Histórico: Rogers nasceu em Chicago, em 1902. Formou-se em História e Psicologia, aplicando os princípios da Psicologia Clínica à educação. Suas idéias chegaram ao Brasil na década de 70, em confronto direto com o ideal behaviorista.

  • Aprendizagem centrada no aluno: a teoria humanista de Rogers deriva de sua prática em psicoterapia. Assim sendo, ele estendeu à educação as proposições da terapia. Para ele, o ser humano é essencialmente bom; em cada indivíduo há um núcleo positivo que caracteriza o valor pessoal e que tende a expressar-se. A pessoa é mais que um organismo biológico; é um ser humano que pensa, sente, escolhe, decide, é um ser com capacidade de mudança. Por isso, a educação deve ver tais características e centrar seu processo nas necessidades do aluno.

  • Desenvolvimento humano e personalidade: o desenvolvimento explica-se a partir de uma única necessidade ou motivo humano básico, que é a fonte de toda a energia – a tendência inata do organismo para desenvolver todas as suas potencialidades. Esta tendência é uma função do organismo como um todo. A personalidade faz parte desse todo, enquanto uma estrutura interna, que se desenvolve a partir da experiência. É a personalidade que possui essa pré-disposição à auto-realização. Por isso, diz-se que o desenvolvimento é auto-dirigido.

  • Noção de ‘Eu’: a noção de ‘eu’ é um conceito importante para se compreender o desenvolvimento do homem como pessoa. Refere-se a maneira pela qual a pessoa se percebe, atuando no meio. Essa imagem se desenvolve quando a pessoa se relaciona com outras pessoas – é como uma auto-imagem. Características funcionais da noção de ‘eu’:

  • O ‘eu’ é o mediador entre as emoções e a consciência;

  • O ‘eu’ busca ajustar-se ao meio da melhor maneira possível;

  • O ‘eu’ busca um equilíbrio pessoal global;

  • Só se agregam ao ‘eu’ as experiências boas e positivas;

  • O ‘eu’ sofre mudanças constantes, quando a pessoa vivencia novas aprendizagens e experiências, favorecendo sua maturidade psíquica.




  • Auto-valoração: é o processo de se auto-conhecer, de desenvolver a noção de ‘eu’, de se perceber a si mesmo. É o desenvolvimento dos valores pessoais, a partir de experiências igualmente pessoais.

  • Conhecimento é autodescoberto: da mesma forma que o desenvolvimento é auto-dirigido, o conhecimento é autodescoberto. Por isso, o professor exerce a função de um integrador de conhecimentos. Assim, pode afirmar que a aprendizagem compensadora é aquela que ocorre em grupo – via discussões.

  • Princípios básicos da aprendizagem para Rogers:

  • Todo aluno tem potencialidade para aprender e a tendência a realizar essa potencialidade;

  • A aprendizagem significativa ocorre quando o conteúdo da aprendizagem é percebido como relevante para o aluno, a partir de seus próprios objetivos;

  • A aprendizagem que envolve mudança na organização do ‘eu’ na percepção de si mesmo é ameaçadora e tende a suscitar a resistências;

  • Se a resistência do aluno à aprendizagem significativa é pequena, então ele realiza sua potencialidade para aprender. Quanto menos necessidade de usar defesas, mais prontamente organiza-se a representação. Os elementos discrepantes podem ser admitidos e integrados na auto-imagem e a aprendizagem ocorre e a personalidade se desenvolve;

  • aluno que realiza sua potencialidade para aprender, torna-se aberto à experiência e reciprocidade.

  • A auto-avaliação é função da capacidade de cada um de valoração pessoal;

  • A independência, a criatividade a a auto-confiança são todas facilitadas quando a auto-avaliação e a auto-crítica são básicas; a avaliação feita por outros é secundária;

  • A aprendizagem significativa é em sua maior parte adquirida através de atos;

  • A aprendizagem é facilitada quando o aluno participa responsavelmente do processo de aprendizagem.

  • Motivação e aprendizagem significativa: a motivação é a força que impulsiona na direção da auto-realização, envolvendo a complexa interação das capacidades de uma pessoa (aluno). A aprendizagem significativa, proporcionada pela motivação, favorece a conscientização de variadas experiências e conhecimentos, muito mais resistentes ao tempo.



Tendência à auto-realização



Organismo





Aspectos físicos



Aspectos psíquicos

Geram necessidades




Fisiológicas:

  • sede

  • fome

  • sono

  • sexo ...

Psicológicas:

  • afeição

  • segurança

  • realização

  • amor ...


TENSÃO






Impulso Motivacional




Comportamento Manifesto




Objetivo:

Aprendizagem significativa



  • Motivação e conteúdo programático: o aluno só aprende significativamente os conhecimentos que percebe estarem de acordo com seus ideais e propósitos, que favoreçam seu crescimento como pessoa. De acordo com sua motivação para aprender, o aluno irá escolher as experiências nas quais irá agir de forma que melhor convenha ao alcance de seus objetivos.

  • Motivação e autodisciplina: a autodisciplina é a única aceita para Rogers; não existe disciplina importa. É através da motivação pessoal por um determinado conteúdo que o aluno irá disciplinar-se, objetivando uma comunicação mais efetiva e uma aprendizagem mais verdadeira.

  • Transferência da aprendizagem significativa: se dá quando o aluno ocupa conhecimentos adquiridos em situações novas, presentes e futuras. Uma transferência de conhecimentos é reflexiva, significativa, não-automática e contínua.

  • Avaliação: avaliação para Rogers é auto-avaliação; só o aluno é capaz de avaliar o que é significativo para ele ou não; depende do próprio aluno perceber-se a si mesmo e valorar-se com consciência.Um relacionamento de confiança entre professor e aluno e um entendimento de valores, com clima de liberdade e respeito, é fundamental à auto-avaliação. O aluno torna-se responsável pela sua aprendizagem, além de verificar se os objetivos certos foram alcaçados.



LEITURA PRÉVIA DO MATERIAL:

  1. Abordagem Centrada na Pessoa – CARL ROGERS”.


LEITURA DOS MATERIAIS PARA SEMINÁRIO:

  1. A aplicação de teorias psicológicas ao planejamento e avaliação do processo de ensino-aprendizagem”; CÓRIA-SABINI, Revista Psicopedagogia, 2003, p.162-172.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA para aprofundamento do conhecimento:



DAVIDOFF, Linda L. Introdução à Psicologia. Mc Graw-Hill, Rio de janeiro, 1983.
MATERIAL 13: Abordagem Centrada na Pessoa – CARL ROGERS
Carl Rogers nasceu em Chicago em 1902. Formado em História e Psicologia, aplicou à Educação princípios da Psicologia Clínica, foi psicoterapeuta por mais de 30 anos. No Brasil suas idéias tiveram difusão na década de 70, em confronto direto com as idéias Comportamentalistas (behaviorismo), que teve em Skinner um de seus principais representantes. Rogers é considerado um representante da corrente humanista, não diretiva, em educação. Rogers concebe o ser humano como fundamentalmente bom e curioso, que, porém, precisa de ajuda para poder evoluir. Eis a razão da necessidade de técnicas de intervenção facilitadoras. O rogerianismo na educação, aparece como um movimento complexo que implica uma filosofia da educação, uma teoria da aprendizagem, uma prática baseada em pesquisas, uma tecnologia educacional e uma ação política. Ação política, no sentido de que, para desenvolver-se uma educação centrada na pessoa, é preciso que as estruturas da instituição - escola- mudem.

Aprendizagem significativa


" Por aprendizagem significativa entendo uma aprendizagem que é mais do que uma acumulação de fatos. É uma aprendizagem que provoca uma modificação, quer seja no comportamento do indivíduo, na orientação futura que escolhe ou nas suas atitudes e personalidade. É uma aprendizagem penetrante, que não se limita a um aumento de conhecimentos, mas que penetra profundamente todas as parcelas da sua existência." Rogers, in Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes.

Implicações no domínio da Educação:

  • Necessidade da aprendizagem ser significativa, o que acontece mais facilmente quando as situações são percebidas como problemáticas, portanto pode-se dizer que só se aprende aquilo que é necessário, não se pode ensinar diretamente a nenhuma pessoa;

  • Autenticidade do professor, isto é, a aprendizagem pode ser facilitada se ele for congruente. Isso implica que o professor tenha uma consciência plena das atitudes que assume, sentindo-se receptivo perante seus sentimentos reais, tornando-se uma pessoa real na relação com seus alunos;

  • Aceitação e compreensão: a aprendizagem significativa é possível se o professor for capaz de aceitar o aluno tal como ele é, compreendendo os sentimentos que este manifesta, pois a aprendizagem autêntica é baseada na aceitação incondicional do outro;

  • Tendência dos alunos para se afirmarem, isto é , os estudantes que estão em contato real com os problemas da vida, procuram aprender, desejam crescer e descobrir, querem criar, o que, pressupõe uma confiança básica na pessoa, no seu próprio crescimento;

  • A função do professor consistiria no desenvolvimento de uma relação pessoal com seus alunos e de o estabelecimento de um clima nas aulas que possibilitasse a realização natural dessas tendências; portanto o professor é um facilitador da aprendizagem significativa, fazendo parte do grupo e não estando colocado acima dele;

  • Um dos pressupostos básicos da teoria de Rogers é o aspecto interacional da situação de aprendizagem, visando às relações interpessoais e intergrupais;

  • O professor e o aluno são co-responsáveis pela aprendizagem, não havendo avaliação externa, a auto-avaliação deve ser incentivada;

  • Implica em uma filosofia democrática;

  • Organização pedagógica flexível;

  • É por meio de atos que se adquire aprendizagens mais significativas;

  • A aprendizagem mais socialmente útil, no mundo moderno, é a do próprio processo de aprendizagem, uma contínua abertura à experiência e à incorporação, dentro de si mesmo, do processo de mudança.

Como metodologia, a não-diretividade é característica. É um método não estruturante de processo de aprendizagem, pelo qual o professor não interfere diretamente no campo cognitivo e afetivo do aluno. Na verdade, Rogers pressupõe que o professor dirija o estudante às suas próprias experiências, para que, a partir delas, o aluno se autodirija. Rogers propõe a sensibilização, a afetividade e a motivação como fatores atuantes na construção do conhecimento. Uma das idéias mais importantes na obra de Rogers é a de que a pessoa é capaz de controlar seu próprio desenvolvimento e isso ninguém pode fazer para ela.


" ...Mesmo que tentemos esse método para facilitar a aprendizagem, levantam-se muitas questões difíceis. Podemos permitir aos estudantes que entrem em contato com os problemas reais? Toda a nossa cultura-procura insistentemente manter os jovens afastados de qualquer contato com os problemas reais. Os jovens não tem que trabalhar, assumir responsabilidades, intervir nos problemas cívicos ou políticos, não tem lugar nos debates das questões internacionais. ...Será possível inverter essa tendência?
...Uma outra questão é a de saber se podemos permitir que o conhecimento se organize no e pelo indivíduo, em vez de ser organizado para o indivíduo. Sob esse aspecto, os professores e os educadores se alinham com os pais e com os dirigentes nacionais para insistirem que os alunos devem ser guiados....Espero que, ao levantar essas questões, tenha mostrado claramente que o duplo problema que é a aprendizagem significativa e forma de como realizá-la nos coloca perante problemas profundos e graves. ...Tentei apontar algumas dessas implicações das condições facilitadoras da aprendizagem no domínio da educação, e propus, uma resposta a essas questões..."

A grande crítica à teoria de Rogers é feita pela utopia que ela implica, sua teoria é idealista, da corrente também denominada de romântica, irrealizável para seus críticos. Porém, na obra rogeriana são notáveis os seguintes aspectos: o desejo de mudança, a intenção de realização de algo concreto e a preparação da opinião pública para as mudanças possíveis.

" A escola evita a promoção de atividades significantes." (Carl Rogers)


Pensamento de Carl Rogers sobre ensinar e aprender

  • Segundo minha experiência, eu não posso ensinar a outra pessoa a maneira de ensinar.

  • Creio que aquilo que se pode ensinar a outra pessoa não tem grandes conseqüências, como pouca ou nenhuma influência significativa tem sobre o comportamento dela.

  • Compreendo que apenas estou interessado naquilo que tenha uma influência significativa sobre o comportamento.

  • Cheguei à conclusão de que a única coisa que se aprende de modo a influenciar significativamente o comportamento é um resultado da descoberta de si, de algo que é captado pelo indivíduo.

  • Um conhecimento desse tipo, descoberto pelo indivíduo, essa verdade que foi captada e assinalada na experiência de um modo pessoal, não se pode comunicar diretamente à outra pessoa.

  • Como conseqüência, compreendi que tinha perdido o interesse em ser professor.

  • Cheguei à conclusão de que os resultados do ensino, ou não têm importância, ou são perniciosos.

  • Compreendi que estava unicamente interessado em ser um aluno, de preferência em matérias que tenham influência significativa sobre o meu próprio comportamento.

  • Sinto que é extremamente compensador aprender, em grupo, nas relações com outra pessoa, como na terapia, ou por mim mesmo.

  • Julgo que uma das melhores maneiras, mas das mais difíceis para mim, de aprender, é abandonar minha própria atitude de defesa, pelo menos temporariamente, e tentar compreender como é que a outra pessoa encara e sente a sua própria experiência.

  • Uma outra forma de aprender é confessar as minha próprias dúvidas, procurar esclarecer os meus enigmas, a fim de compreender melhor o significado atual da minha experiência.

Toda essa série de experiências e de conclusões a que cheguei lançaram-me num processo que tanto é fascinante como, por vezes, aterrorizador. Isto dá a sensação de flutuar numa corrente complexa da experiência, com a possibilidade fascinante de compreender a complexidade das suas constantes alterações.
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