O idiota Primeiro dia



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Encontro28.07.2016
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Release de O Idiota – Primeiro dia
Com direção de Fábio Ferreira, estreia no dia 5 de agosto o espetáculo “O Idiota – Primeiro dia”, com apresentações em itinerância no Parque das Ruínas, de sexta a domingo, durante o mês de agosto.
Entre os anos de 1867 e 1868, durante quatro meses, Fiódor Dostoièvski, em sua temporada na cidade italiana de Florença, escreve o romance O Idiota. Desconcertante confronto de um humanista doentio com a realidade amesquinhada da vida. O confronto entre o ideal e o real seguiu do modelo cervantino de Don Quixote e foi publicada em 1869.
A história relata a trajetória do príncipe Míchkin, de 27 anos, que retorna a Petesburgo, após permanecer vários anos em um sanatório na Suíça para tratar da sua epilepsia. No desenrolar da trama, o indivíduo superior, poderoso e supostamente apto para comandar seus servos acaba sendo, para os demais - uma sociedade corrompida e corrupta - um idiota, um inadaptado. Os melhores sentimentos de Michkin são compreendidos como patologia, doença. A inocência e a compaixão sem limites do rei vai se chocar com o desregramento mundano de Ródjin e a beleza de Nastácia Filíppovna. Sua bondade e o impacto da sua sinceridade revela de forma trágica como em um mundo obcecado por dinheiro, poder e conquistas, o sanatório acaba sendo o único lugar para um santo, um inocente que ainda acredita na bondade e na solidariedade humana.
“Visto que o mundo contém todo o tipo de espíritos entre o bem e o mal, e, se num extremo pode-se encontrar pessoas abomináveis, infames, corruptas e mais uma quantidade de adjetivos que caracterizam a perversidade, então poderemos ter a certeza de encontrar o príncipe Míchkin sentado no trono no extremo oposto a esta perversidade. Tal como o autor do livro, Míchkin é um doente que sofre de epilepsia, mas não é com certeza por padecer desta condição, o motivo que o fez viver completamente privado de poder racional; o seu apurado senso comum é que o dispensa de necessitar dessa racionalidade que lhe está em falta para poder fazer juízos de valor.” (Fábio Ferreira, diretor e idealizador do projeto)
O cenário da peça foi concebido pela artista plástica Suzana Queiroga.
Sobre o projeto
Uma das características mais importantes do teatro russo, o foco no ser humano e suas questões, foi apresentada em 2006 durante o festival Rio Cena Contemporânea numa montagem do diretor russo Kama Ginkas, baseado em um micro-trecho do célebre romance Crime e Castigo, de Dostoievski; o espetáculo KI do Crime, uma produção do Teatro de Jovens Espectadores de Moscou, a peça contava a história de Katerina Ivanovna (o K.I. do título), personagem secundária do clássico de Dostoievski, que se vê perdida após a morte do marido. A história acontecia durante o jantar fúnebre do marido de Katerina, que morreu bêbado atropelado por uma carroça. A plateia assistia ao desespero desta mulher, que depois da perda, não tinha para onde ir e nem em quem se apoiar e, além de tudo, precisava tomar conta dos três filhos. Outro fato também deixava a personagem perturbada: em busca de dinheiro, assim, ela vendeu sua filha adotiva, Sônia, para a prostituição.

O diretor colocava o espectador no papel de interlocutor de Katerina, que pronuncia um monólogo febril e confuso. O público ficava próximo da desgraça alheia sem poder ajudar, fato que o torna impotente.

Antes, em 2004, eu já havia me iniciado no confronto com a obra do autor russo com a montagem de Krotkaia, uma doce criatura, com três atores, incluindo o parceiro de sempre, Oscar Saraiva, com o qual montei inúmeras peças. Mas a experiência e contato com Kama Ginkas foi crucial para entender a força de pequenos trechos da obra de Dostoièvski, e sua capacidade de revelar-se como todo mesmo a partir de pequenas partes secundárias de seus romances.

Agora em 2011, confronto-me com O Idiota, que é um libelo anti-social e existencial, por excelência. A referência de Ginkas de KI de Crime não sai da cabeça, assim como trabalhos de diretores como Franz Castorff, o lituano Eimuntas Nekrosius e o jovem Vincent Macaigne.

Com o apoio da renovada parceria com o Oscar Saraiva, na dramaturgia, O Idiota parte para uma encenação que privilegia a primeira parte do romance de Dostoiévski e se ergue sobre uma partitura física forte, buscando sempre a ocupação de um espaço cênico não convencional. Assim, seis jovens atores (Bruna Brignol, João Lucas Romero, Natacha Gaspar, Pedro Emanuel, Sergio Santoian e Yasmin Garcez) que têm afinidade de companhia teatral, pois trabalham juntos há algum tempo, somada a uma concepção clara de cena, criam um espetáculo em forma de exposição cênica, podendo o público circular por espaços como salas, quartos, corredores e banheiros, para acompanhar o desenrolar de fragmentos do romance.

O Rio de Janeiro tem a sintonia perfeita para tratar o tema dostoièvskiano de forma próxima, contundente e constrangedora. A cidade que guarda de forma decadente, sinais aristocráticos que fizeram sua história como corte e capital federal do país, tem uma hipertrofia social e uma frivolidade no trato interpessoal que fará das tramas do Príncipe Michkin, Rogójin, Nastássia Filíppovna, Ptítsin, Daria e Lisaveta um rol de circunstâncias casuais e identificáveis.” (Fábio Ferreira)


Dostoiévski – autor
Fiodor Mikhailovich Dostoiévski foi um das maiores autores da literatura russa. Sua obra analisa situações concretas consideradas atemporais como, a humilhação, a inocência, a intolerância, a credulidade, o suicídio e a loucura. Devido a esse talento ímpar com as palavras que remonta á imagens nítidas e sofisticadas, Dostoiévski para muitos autores é considerado o fundador do Realismo. Seus romances são caracterizados por cenas dramáticas e sensoriais, onde os personagens apresentam comportamentos escandalosos, apaixonados e cruéis em atmosferas explosivas e possivelmente cotidianas. Seus diálogos remontam à questionamentos sobre a vida, comportamentos sociais, desigualdade de poderes, a morte e a existência de Deus.

O autor russo que ficou exilado da cena russa durante todo o período da extinta URSS, por ser demasiado individualista e refletir assim pontos negativos da sociedade burguesa, tem muito o quê revelar a sociedade carioca.


Fábio Ferreira – diretor
Diretor de teatro, pesquisador, professor universitário e produtor cultural, Fábio Ferreira é bacharel em Artes Cênicas no Curso de Teoria do Teatro, formado na Universidade do Rio de Janeiro – UNIRIO, pós-graduado em História Social da Cultura pela PUC-RIO, doutorando em Teoria Literária na USP.

Criador e diretor geral do festival internacional Rio Cena Contemporânea, foi diretor da Divisão de Artes Cênicas (1993-96), diretor de Projetos Artísticos e Culturais e Presidente da RIOARTE (2001-03), responsável pela criação e gestão dos Teatros do Rio, das Lonas Culturais, do Centro Coreográfico e do Centro de Arte Hélio Oiticica.

Em 2009, dirigiu o espetáculo Mistério Bufo, de Vladimir Maiakovski, que cumpriu temporada CCBB Brasília e em 2010 no OI Futuro Flamengo. Como diretor do Grupo Odradek/Rio encenou: Menos Um (2001); Doce Criatura (2003); Discursos (2005); Traço Obs. (2007), entre outras peças.

No primeiro semestre de 2011 dirigiu Barba Azul a esperança das mulheres, de Dea Loher e A Dona do Fusca Laranja, de Jô Bilac. No segundo semestre, além de dirigir O Idiota – Primeira dia, no dia 4 de julho inicia os ensaios de “Ricardo III: Penso Ver o que Escuto”, de Willian Shakespeare, uma co-produção com a Royal Shakespeare Company para o World Shakespeare Festival 2012.


Ficha técnica
Autor: Fiódor Dostoiévski | Dramaturgia: Oscar Saraiva | Direção: Fábio Ferreira | Elenco: Bruna Brignol, João Lucas Romero, Natacha Gaspar, Pedro Emanuel, Sergio Santoian e Yasmin Garcez | Cenário: Suzana Queiroga | Figurinos: Ticiana Passos | Iluminação: Lara Cunha | Direção Musical: Zé Luis Rinaldi | Direção de Movimento: Rafaela Amodeo | Assessoria de Imprensa: Ney Motta | Programação Visual: Tânia Grillo | Fotos de Divulgação: Ana Cecília Brignol | Produção de Vídeos: Ícaro Lira | Assistente de Direção: Alessandra Gélio | Administração: Talitha Caetano | Assistência de Produção: Alice Coutinho e Ana Lélis | Direção de Produção: Aline Mohamad | Realização: Projéteis – cooperativa carioca de empreendedores
Serviço
Espetáculo: O Idiota – Primeiro dia | Autor: Fiódor Dostoiévski | Direção: Fábio Ferreira | Dramaturgia: Oscar Saraiva | Elenco: Bruna Brignol, João Lucas Romero, Natacha Gaspar, Pedro Emanuel, Sergio Santoian e Yasmin Garcez | Local: Centro Cultural Municipal Parque das Ruínas. Rua Murtinho Nobre 169, Santa Teresa (RJ). Tel. 2215-0621 | Capacidade de público: 60 pessoas | Estreia: 5 de agosto, sexta-feira, às 19 horas | Dias e horários: de quinta à domingo sempre às 19h | Ingresso: R$ 16,00 | Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 14 anos | Gênero: Drama | Até 28 de agosto
Sinopse
O príncipe Michkín retorna a Petesburgo, após permanecer vários anos em um sanatório tratando sua epilepsia, para reclamar sua herança na Rússia.
Atendimento à imprensa
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contato@neymotta.com.br
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