O instituto Cavanis a graça dos primeiros tempos



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Postulação do Instituto Cavanis



O Instituto Cavanis

A Graça dos primeiros tempos


CONGREGAÇÃO DAS ESCOLAS DE CARIDADE

INSTITUTO CAVANIS

_________________________

Stampa: anno 2008

Curia generalizia dei Padri Cavanis

Via Casilina, 600

00177 ROMA





1.

Os Servos de Deus, os irmãos Antonio e Marcos Cavanis:

uma vocação especial para o apostolado da juventude


Introdução


Estamos em Veneza no ano de 1797. Antonio é padre já há dois anos e exercita o seu ministério ajudando o pároco da sua paróquia natal de Santa Inês, ao redor de Dorso Duro.

Marcos cada dia vai ao seu escritório perto do Palácio Ducal: de fato está a serviço da República Vêneta na posiçãode secretário, como todos os Cavanis antes dele.

São dias duros e tristes pela perda da independência para sua pátria; a antiga e gloriosa república de São Marcos invadida pelas tropas francesas do general Napoleão Bonaparte, e entregue ao Império Autriaco-Ungaro com o tratato de Campoformio. Marcos percebe que o último salario que lhe é entregue está escrito no endereço: “ao cidadão marcos Antonio Cavanis”, não mais “ao nobre Conde Cavanis”, que estava habituado a receber. Mas não se preocupa, nem se torna mesquinho por isso: é um jovem de 22 anos, crescido em uma familia de grande fé e se empenha muito na instrução dos jovens na catequese paroquial e na assistência humana e social aos pobres, que na cidade são sempre mais numerosos.

Seu pai de fato o fez crescer com este espirito de participação na vida paroquial e na caridade e solidariedade com as familias mais pobres do seu bairro. Alguns anos antes, pouco antes da sua morte o conde João Cavanis tinha feito aos seus dois filhos esta recomendacao: “ tenham amor a mãe de vocês e aos pobres”.

Uma bela tarde de outono Antonio e Marcos observavam da janela central de sua casa o entardecer a distância no mar da laguna. E falando do entardecer da própria Pátria, dos antigos esplendores e das angústias presentes, das incertezas futuras... não tanto para eles, quanto para a gente simples, para as familhas dos pescadores e dos operários. Eles, agradecidos ao Senhor, haviam feito bons estudos: Antonio é sacerdote e nunca ficará sem trabalho. Marcos trabalha no palácio Ducal: nenhum governo renunciaria aos seus serviços, muito apreciado pela sua competência, o respeito pela justiça e o sentido do dever que teve ocasiões de demonstrar.

Quando o sol desapareceu e as trevas começaram a avançar sobre a cidade e as ilhas da Laguna, Marcos diz ao irmão: “Veja padre Antonio, tenho algo no coração, devemos falzer algo pelos jovens, para os filhos do povo. Porque, veja, após o tramonto vem a noite e depois a aurora: e os jovens são a aurora, são o amanhã, são o futuro da sociedade e da Igreja, de uma Veneza nova. Veja, eu cada dia devo ir ao escritório; mas você, que é um padre, encontra um pouco de tempo...algumas horas a semana para os meninos pobres”. Antonio silencia, pensa: “Meu irmão tem razão, por que resignar-se com as trevas, quando temos a certeza da aurora, de um novo dia? Mas como fazer isto? Já estou muito ocupado na igreja, com as missas, escritório e confissões; nas casas com as visitas aos idosos, aos doentes. Porém, é verdade: consagrei-me ao Senhor por toda a vida. E se fosse Ele a fazer tomar um novo rumo no meu ministério”?

Marcos insiste: “Por favor padre Antonio, tem um filho da senhora Teresa, Francisco Agazzi, que já me disse que teria tanta vontade de estudar...”

1. Os inicios


Após este dialogo fraterno nasce a pequena escola doméstica da casa Cavanis e depois o oratório festivo e portanto a congregação mariana. Mas deixemos a palavra ao livrinho: Noticias a respeito da fundacao da Congregacao das Escolas da Caridade.

“O pequeno ato de caridade praticado por um dos irmãos (Padre Antonio) de dar assistência a um jovem que por seus dotes dava esperança, e de fato deu, foi um excelente resultado, depois fez o mesmo com a mesma gratuidade e amor a outros: foi a tênue fonte de onde brotou a grande e plena água fecundadora...”. Aqui o diarista nos faz perceber a sabedoria da “máxima salutar de fazer bem as obras de piedade que embora parecam pequenas, porque as vezes são também causa e raiz de bens grandiosos e perenes”.

(o livrinho continua de fato a falar do crescimento da Obra dos irmãos Cavanis e da aprovação da nova Congregação religiosa por eles fundada, da parte do Papa Gregório XVI no ano de 1836).

Como aconteceu que de uma pequena escola doméstica chegou-se a organizar um florescente grupo de jovens, chamado congregação mariana, aos 2 de maio de 1802? E sendo assim em janeiro de 1804 iniciar uma pequena Escola de Caridade? A compra do Palácio Da Mosto e o terreno anexo, para os jovens que se tornariam centenas? A iniciar uma Escola de Caridade Feminina para a educação e instrução das jovens pobres de1808? Colocar os fundamentos de duas Congregações, dos Sacerdotes e das mestras da Caridade, para a educação da juventude?

Vejamos ainda o comentário das “Noticias a respeito da fundacao...”

“Encontrando-se de fato o sacerdote acima referido, sem quase dar-se conta pouco a pouco estava empenhado no ensinamento e custódia da juventude e procurando quanto mais possivel ajudá-los, sendo mais pai que mestre, como padre sentia no coração o desejo de consagrar-se inteiramente a um grande ministério como esse. Enquanto porém queria ver crescer ao redor de si uma coroa de carissimos filhos, em Veneza, o Padre Luis Mozzi, um zelantissimo anunciador do Evangelho pleno de luz nos caminhos do Senhor, porquanto fosse desconhecido, foi visitá-lo, e insistiu em ser aconselhado sobre como deveria comportar-se para apressar a vinda dos pobres jovens ao salutar refúgio de uma caridosa educação. Foi sugerido de abrir um Oratório festivo sob o refúgio da Grande Virgem, indicou-lhe as práticas religiosas e discretas e lhe prognosticou um feliz êxito. Gostou do projeto e procurou realizá-lo, encontrando para isso uma oportuna Capela na qual poderia acolher os jovens para os dias festivos, e empenhando-se para encontrar quem quisesse inscrever-se no Oratório devoto”.

Vemos neste texto belissimo a resposta afetiva e efetiva, fruto de comoção e de generosidade, do jovem sacerdote no trabalho da graça de Deus nele. Inicialmente parecia-lhe impossivel, por falta de tempo, aceitar o convite feito pelo irmão; mas aceita, por um ato de compaixão e de caridade, de ocupar-se do jovem Francisco (mais tarde sera chamado Francisco semente). Agora se encontra empenhado em ensinar e acompanhar a juventude, isto é, iluminar a mente e formar o coração das crianças e jovens. Antes, percebe que é importante ser mestres, mas é mais importante ainda ser pais: a juventude precisa de apoio, de um exemplo, de um guia para preparar-se convenientemente para a vida. Desponta no horizonte um tempo novo, aquela aurora que os dois irmãos Antonio e Marcos haviam sonhado alguns anos atrás.

Quando Antonio e Marcos (que segue e encoraja o trabalho do irmão) vêem os primeiros frutos do incessante cuidado com o qual procuram ajudar os jovens, pensavam sem dúvida no fermento do Evangelho, na pequena semente que cresce e se torna planta.

É importante lembrar quanto Antonio confidenciou no seu Diario pessoal, a tarde da sua Ordenação sacerdotal, dia 21 de Marco de 1795: “Deus queira que este se torne o dia mais feliz para mim, correspondendo a tanta graça, não querendo outro que Deus mesmo, que seja só a minha riqueza e o meu bem agora e para a eternidade” (EMM I pag.111).

A felicidade sacerdotal, nos diz o nosso venerável Fundador, não é um dia; maior é a nossa fidelidade e correspondência, maior e mais completa é a felicidade de quem se consagrou. Deus se revela presente nos jovens que tem necessidade de serem instruidos e educados, de serem amados e socorridos. Padre Antonio diz que quer ocupar-se somente de Deus e que esse o Deus que deve ocupar-se: e nos jovens que Deus tem fome e sede de justiça, isto e de educação.

“Sentiu no coração desejo de consagrar a si mesmo inteiramente a este grande ministério”. Nasceu nestes dias do inicio do século XIX a vocação especial de padre Antonio Cavanis e do irmão Marcos ainda leigo: o que ó chamamos um carisma, um dom dado por Deus para o bem da Igreja.

A vontade de consagrar-se totalmente a educação da juventude se torna um ministério, um serviço sagrado: o senhor amado como único bem e única riqueza de suas vidas, faz com que eles encontrem a alegria de difundir esta riqueza e este bem entre os jovens.

Inicialmente era uma pastoral juvenil de fim de semana. Seguem o conselho de Padre Luis Mozzi na Congregação Mariana de Santa Inês: mas padre Antonio que é o diretor, estará sempre disponivel para a instrução e o conselho. Enquanto haviam a necessidade da autorização e benção do pároco, de um lugar tranquilo para a oração e as outras práticas de piedade, e depois de um campo, de um espaço para os jogos, um salão para as conferências, os diálogos teatrais e a biblioteca.

Padre Antonio decide começar com um pequeno grupo: somente nove jovens, com responsável seu irmao Marcos, como prefeito da congregação, na pequena e pobre Capela do Crucifixo colocada no átrio da Igreja paroquial de Santa Inês.

2. A Conregação mariana e as escolas de caridade
É o dia 2 de Maio de 1802! Na Missa paroquial o pequeno grupo é apresentado ao povo pelo pároco Don Antonio Ferrari. A novidade provoca entusiasmo e esperança na maioria, mas também qualquer dúvida nos pessimistas: alguém exclama: “quanto durará?”

O próprio padre Antonio Cavanis sabe que as Obras de Deus encontram sempre dificuldades, mas está também seguro da ajuda do Senhor. Alguns meses mais tarde, escrevendo a congregação mariana de Noventa de Piave, tem a alegria de comunicar que os jovens do grupo já são 60 “vindos por si mesmos ou pelo contágio fervoroso dos congregados mesmos”.

“Infelizmente é verdade que quanto mais se conhece com a experiência, onde abundam as comodidades da vida reina mais facilmente o dissipamento e que na populosa cidade, quanto maior e a atração das coisas que atraem os sentidos, tanto menor é o numero daqueles que estão dispostos a abraçar com fervor novos exercicios de piedade”. O Primeiro de Maio, na primeira reunião na Capela do Crucifixo, os jovens são nove, inclusive Marcos chamado a ser o responsável deles. “Se por um lado pelo escasso número trazia um desconforto, por outro lado, vem consolado pela esperança que o exemplo deles, e sobretudo a especial protecação da Virgem Maria – a qual devem ser gratos como congregação – promoveriam o fervor e o número”.

Na mesma carta encontramos preciosas indicações sobre o método de pastoral juvenil escolhido pelo sacerdote Antonio Cavanis e pelo seu irmão Marcos. Faz bem recordar que frequentemente os documentos do arquivo histórico do Instituto Cavanis falam somente do mais velho dos irmãos, isto e do diretor da congregração mariana e das Escolas de Caridade; mas nos devemos entender que tudo faz referência ao irmão Marcos Cavanis também.

Sendo Marcos encarregado do arquivo dos documentos da Obra, por espirito de humildade falava sobretudo do irmão, atribuindo a ele todos os méritos.

Comenta Padre Servini na Positio super introductione causae et virtutibus: “certamente Antonio era padre, e como diretor da congregação, tocava a ele o dever da direção espiritual; a Marcos, ao contrario, como prefeito (responsável) tocavam as preocupações organizativas, que – notemos – melhor adequavam-se a sua índole e ao fato que era ainda leigo. Todavia os campos de trabalho não vão assim drasticamente separados. A formação dos jovens no espirito da piedade aparece como a primeira e máxima preocupação de ambos”. (Positio, pag. 159).

E ainda: “É verdade que eles atribuiam o mérito do desenvolvimento (da congregação mariana) e o aumento dos benfeitores ao fervor dos congregados e as graças divinas...mas se o filhos eram generosos e fervorosos, o eram por mérito do grande entusiasmo que os dois irmãos – cada um a seu modo, mas em perfeita harmonia – sabiam transmitir, arrastando-os com a força persuasiva da palavra, mas sobretudo com a potência irrestivel do próprio exemplo: Antonio com a sua vida sacerdotal e sem receios, humilde e serenamente alegre na uniao com Deus; Marcos mostrando praticamente em si mesmo o modelo de como se pode viver no mundo e nos empregos públicos, sem jamais comprometer a própria consciência cristã nem perder a alegria de espirito; ambos com a própria piedade e próprio zelo” (Positio, pag. 160).

Citemos ainda uma carta do ano 1802:

“Para tornar sólido o resultado que desta piedosa instituição do benemérito fundador foi comtemplado, conhecendo-se bem a necessária frequência dos Santissimos Sacramentos, o diretor tem o maximo cuidado para instruir aqueles jovens que houvessem necessidade, e decidiu-se portanto a chamar em casa aqueles que não tinham recebido ainda a Santa Comunhão, tendo em vista de usar esta oportunidade para fazê-los conhecer o espirito da religião que professam, descobrir-lhes a indole e as tendências, e de modo criativo orientá-los a um um exemplar teor de vida, a animá-los a serem constantes nas virtuosas realizacões. E visto que nossa congregaçãoabunda de jovens com tenra idade, necessitados de importante instrucões, era impossivel de admiti-los todos juntos a estas privadas conferências sem se perder muito do fruto dependente em grande parte da quietude e do silêncio, que não se pode esperar de um grande numero de jovens vivazes.

Não havia nenhuma vantagem fazer as licões breves, enquanto não estivesse bem radicada na almas dos jovens a preciosa semente da divina Palavra. No entanto vem fixado o método de instruir inicialmente o discreto número de oito ou dez juntos juntos uma hora ao dia no periodo de um mês aproximadamente, e após chamar um a um para expôr o que havia entendido das instrucões recebidas, fazê-los conhecer mais vivamente a força e inspirar-lhes um sentimento de amor pela Religião católica, afim que os coracões tenros permanecessem recolhidos e reflexivos. Portanto rapidamente pode-se perceber que não era apenas questão de aprender as noções básicas para achegar-se a Santa Mesa, mas que foi principal estudo do diretor o fazer, com a ajuda divina, a reforma dos costumes, criando em suas mentes a devida veneração às sublimes verdades da Fé e infundindo em seus coracões um afetuoso apego a suavidade da lei”.

Após a leitura desta página, estamos de acordo com aqueles que afirmam que os dois irmãos “entraram no campo da educação quase mestres, expertos de uma arte que é sempre dificil”. É verdade que eles pediam conselhos e que aceitavam de boa vontade daqueles que lhes ofereciam; cremos que neles aparece evidente uma predisposicção que embora fundando-se nos dons naturais eram também dom particular de Deus (Positio, pag. 159).

O Senhor que chama os operários e os manda na sua vinha, havia dado a juventude de Veneza dois apóstolos desejosos de consagrar-se totalmente a este ministério tanto util e rico de preparação espiritual e pedagógica incomum.

Para os religiosos Cavanis de hoje, estudantes e sacerdotes queremos sublinhar o fato que na análise deste documento histórico de 1802, nós encontramos algumas riquezas de espirito e de método educativo que entraram a fazer do Patrimonio da Congregação das Escolas de Caridade fundadas mais tarde pelo Antonio e Marcos Cavanis. A este patrimônio precisa-se atingir também hoje para viver com alegria a nossa consagração e oferecer uma boa formação aos jovens.

Referimo-nos por exemplo a necessidade da frequênca dos santos sacramentos, de fazer conhecer aos jovens o espirito da religião que professam, de inspirar neles um sentimento de amor pela religião católica, de excitar suas mentes para a verdadeira veneração as sublimes verdades da Fé, infundindo em seus coracões um afetuoso relacionamento a suavidade da lei...tudo para chegar com o a ajuda divina a reforma dos costumes deles. Piedade entendida não como a observância mecânica de práticas externas, que possam ser também sinal de fidelidade as tradicões, mas a formação do coração, isto é, do caráter, da capacidade de resposta as graças divinas, da atenção a Palavra e para adquirir os hábitos bons, isto é, das virtudes.

Os dois irmãos Cavanis, após poucos meses de empenho formativo com as crianças e jovens da congregação mariana de Santa Inês, entenderam que esta e a finalidade, a essência da sua vocação: para os jovens, oferecer um ambiente familiar onde eles possam crescer e formar-se para a vida e as próprias responsabilidades na sociedade e na Igreja; por si mesmos, crescer na imitação de Cristo até oferecer não somente as próprias riquezas, mas a própria vida ao Senhor crucificado, na fidelidade a vocação especial que receberam.

E esta uma “vocação aberta”, isto é, disponivel a escolher todos os meios que, segundo a realidade social e eclesial (sinal dos tempos!) pareçam os mais oportunos ou necessarios para alcançar o fim essencial.

Levam portanto a sua iniciativa ao conhecimento dos muitos amigos que haviam no bairro e na cidade, os quais formarão o grupo dos protetores ou benfeitores.

O dia 2 de janeiro de 1804, com o titulo da Caridade, dirá Padre Antonio aos inspetores do Governo, dão inicio a prima escola de caridade, ou seja a primeira escola popular na história de Veneza e portanto gratuita, porque todos as crianças tem direito a uma instrução a mais completa possivel.



A Escola de caridade se tornará o meio mais importante, porque é o mais necessário, na vida e no apostolado dos dois Servos de Deus. Tornar-se-a sempre mais completa, também com o estudo da filosofia quando, aumentando sempre mais a procura de inscricões, os Padres Fundadores decidiram comprar o Palácio Da Mosto como Sede Central das suas escolas e de todas as atividades.

Continua de fato aquele “complexo de ajuda” que fortifica a vocação deles: oratório e atividades conexas, retiros e exercicios espirituais, conferências formativas, campos de jogos, sobretudo obras de caridade e ajuda material aos alunos mais pobres e suas familias.

Padre Marcos Cavanis será aquele que procura e administra as ofertas que a Divina Providência lhes dará por meio de benfeitores. Padre Antonio, o Diretor: todos os dois são também professores; escolhem e preparam seus colaboradores leigos e padres; compõem os textos escolares para o estudo da lingua italiana e latina, muito apreciados também em outras escolas.

Todos os dois, sempre acreditando na amorosa Providência Divina, no ano de 1808 dão inicio e dirigem uma escola e internato para a educação das filhas pobres e sua formação a vida e ao apostolado.

Apos cerca de 20 anos a Obra dos Servos de Deus é muito apreciada pelo bem realizado em favor da sociedade e da Igreja, que o Patriarca de Veneza Mons. F.M.Milesi autoriza a fundação das duas Congregacões juntas e assegura o seu futuro: Padre Antonio começa assim no ano de 1820 o primeiro ano de Noviciado para aqueles que queriam dedicar-se, como religiosos consagrados, a educação da juventude.

3. A vocação especial: Patrimonio do Instituto


“Cada Congregação tem um espirito e um dom próprio; espirito que é a alma e o principio de fecundidade; e tambem a sua razao de ser aprovada pela Santa Se” (Beato Don Alberione).

Padre Ciardi, no seu livro “A escuta do Espirito”, Roma 1996, p. 66, observa:: “lendo os escritos e testemunhas dos Fundadores ficamos impressionados com a consciência que eles tinham de serem instrumentos do Espirito, escolhidos, inspirados e conduzidos por um caminho novo e desconhecido, cuja dimensão se abre gradualmente frente a eles pela ação do mesmo Espirito”.

E uma observação validissima para nós do Instituto Cavanis, também pela abundância dos escritos dos nossos Veneráveis Fundadores Servo de Deus Antonio e Marcos Cavanis. Notemos que os irmãos Cavanis, referendo-se a vontade de Deus e a sua ação em suas vidas e obra, preferem falar da Divina Providência e suas vias.

“Para promover a desejada expansão das escolas, dispôs a Providência que se houvesse a oportunidade de haver um vasto local...”

“Concordou-se a estipulação do instrumento com a devida fé na Providência Divina...”

“...Foi verdadeiramente uma disposição amorosa da Providência que isto fosse feito quando o Instituto saiu da sua inicial pequenez e obscuridade” (Positio, passim, p. 694-696).

“Confortados Fundadores destes sinais amorosos da Providência, e considerando que tudo levava a crer numa dilatação da Piedosa Obra...colocaram-se no árduo empenho de conseguir um vasto recinto com um belo Orto no meio” (Positio, p. 987).

Sempre no mesmo texto, a próposito do inicio da nossa Congregação, após a aprovação do Patriarca Mons. Francesco Maria Milesi, escrevem:

“Cultivando com atenção a idéia de uma tal fundação, na qual havia conduzido misteriosamente a Divina Providência com sucessiva e inesperada implementação do piedoso Instituto...” (Positio, 697-698).

Deus é sempre um Pai amoroso; a sua vontade e amabilissima; eles sentem-se filhos.

Consideramos portanto parte essencial do Patrimônio da Congregação fundada por Antonio e Marcos Cavanis, estes principios de espiritualidade e de empenho pastoral:

A consagração ao ministério da educação da juventude, vocação especial.

A paternidade espiritual e o relacionamento pessoal com os jovens.

A formação do coração: “As Escolas de Caridade propõe-se como fim atender principalmente a cultura do coração; os alunos são como filhos, e os professores os assistem como pais, nisto consiste o caráter essencial do piedoso Instituto” (Positio, 701)

Jesus crucificado é o Mestre e Senhor de cada educador.

Educação através de um complexo de ajuda formativas, culturais e também materiais (escola, catequese, oratório, reuniões culturais e espirituais, jogos).



A consagração. Padre Antonio Cavanis, guiado pela fé e pelo Espirito, entendeu e aceitou o valor de sua vocação e consagracao sacerdotal como escolha radical de Deus como único bem e riqueza de sua vida. Inicia assim um caminho em direção a felicidade, feita de correspondência a graça e aos dons do Senhor. Nos primeiros tempos do seu sacerdócio nasce e amadurece a chamada à pastoral da juventude: “Sente o desejo de consagrar totalmente a si mesmo a tão grande ministério”, mais como Pai que como Mestre”.

Podemos colocar como inicio oficial desta consagração o famoso 2 de maio de 1802 e como término de sua atividade a renúncia ao encargo de Superior Geral da Congregação aos 5 de julho de 1852. 50 anos de vida santa num empenho constante e multiplo, na educação e na formação do coração, seja na escola, na catequese, nas conferências, seja na direção da comunidade religiosa.

Padre Marcos Cavanis, como dissemos, foi o primeiro a perceber como urgente o problema da juventude pobre e privada dos meios de promoção humana e cristã: convenceu e ajudou o irmão sacerdote, colaborando como leigo para o bem dos jovens da congregação mariana e do Oratório festivo. Depois de 10 anos, vencidas as muitas dificuldades, pediu também a ordenação sacerdotal para consagrar-se totalmente ao servico dos pobres e a educação na Escola de Caridade Cavanis. Também ele, como irmão sente que um verdadeiro amor paterno pelas crianças e jovens deve ser gratuito e desinteressado.

Acreditando totalmente na amorosa Divina Providência os dois irmãos vivem na pobreza e na humildade colocando todo o dinheiro recebido dos benfeitores e os bens da própria familia para o bem do Instituto, masculino e feminino, fundados em Veneza para crianças e jovens e ajudando as familias pobres.

Esta consagração e este estilo de vida vêem como uma necessidade também para aqueles que serão chamados a serem filhos e colaboradores na Obra. Antes ainda de codificar nas Constituições da Congregação das Escolas de Caridade, com um livrinho de Noticias, o levam ao conhecimento de todos, sobretudo dos bispos e sacerdotes, em vista e na esperança de novas vocações.

Atender paternalmente os jovens e uma missão delicada e fatigosa: pode faze-lo somente quem e “dotado do Supremo Distribuidor dos dons de vocacoes ao dificil ministerio. Sem este Espirito nos operários dedicados a cultura desta vinha, faltaria nesses a luz, a atividade, a paciência, a graça de penetrar ate o coração e corrigir-lhes, reformar-lhes e intruir-lhes...” (Positio, 702).

De fato, o grupo de sacerdotes e clérigos que formam comunidade com eles “são acostumados a conduzir uma vida trabalhosa e simples, alheios de toda sombra de temporal interesse; sao dedicados pelo espirito de vocacao a preservar, a assistir, a admoestar a juventude, alegres e contentes em sacrificar as prórias substâncias e a própria vida a maior glória de Deus e vantagem e conforto da sociedade civil” (ibidem).

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