O jornalista Cosme de Farias e a imprensa como instrumento de mobilização em Salvador



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O jornalista Cosme de Farias e a imprensa

como instrumento de mobilização em Salvador
CELESTINO, Mônica.

Jornalista e mestre em História Social pela Universidade Federal da Bahia.

Centro Universitário da Bahia – FIB (BA)

Este paper traça um breve panorama da vida e obra do Major Cosme de Farias (1875-1972), que atuou como jornalista em vários jornais impressos de Salvador, entre 1894 e 1972. Começou como repórter do Jornal de Notícias, e, em mais de 70 anos de atividade, também foi funcionário e colaborador em periódicos como Diário de Notícias, Diário da Bahia, Gazeta do Povo, A Bahia, Diário da Tarde, A Hora, O Jornal, A Noite, O Democrata, A Tarde e O Imparcial. Neste ínterim, ele ainda destacou-se como rábula, poeta, militante de causas como o combate ao analfabetismo, vereador e deputado estadual. Ao longo de sua trajetória, ele participou, por exemplo, da fundação da Associação Baiana de Imprensa (ABI) nos anos 1930 e também foi membro do seu conselho fiscal por várias gestões. Este texto enfatiza sua trajetória na imprensa e demonstra que o Major era um homem sensível à tragédia cotidiana, um engajado sem a pecha revolucionária ou mesmo reformista.


Palavras-chave: Mídia impressa - história da imprensa - Cosme de Farias – jornalismo baiano

Introdução

O Brasil ainda vivia sua época imperial, quando, no dia 02 de abril de 1875, nasceu Cosme de Farias, na localidade de São Tomé de Paripe, em Salvador, na Província da Bahia1. Filho do comerciante de madeira Paulino Manuel e de Júlia Cândida de Farias, aquele menino mulato e franzino, anos depois, destacou-se em diversas áreas do conhecimento como jornalista, rábula, poeta, militante de causas políticas e sociais, vereador e deputado estadual. O jornalismo foi a primeira atividade abraçada por Cosme e tornou-se um instrumento relevante para sustentação das demais frentes em que atuou. Sua carreira jornalística perdurou por 78 anos, entre 1894 e 1972.

No período de consolidação do regime republicano, a vida profissional de Cosme começava. Na adolescência, ele foi trabalhar ao lado do pai. Aos 19 anos, estreou como repórter do Jornal de Noticias2. Nesta época, recebeu autorização para servir como rábula, tendo se notabilizado, em mais de 70 anos de atuação, por ter operado exclusivamente na defesa gratuita de mais de 30 mil réus, acusados de crimes diversos, incluindo homicídio, roubo, estupro e atentado violento ao pudor. Mais tarde, tornou-se fiscal externo da Recebedoria de Rendas Estadual, onde permaneceu apenas durante apenas dois anos por não conseguir multar3, e em 1934 transferiu-se4 para a Imprensa Oficial.

Uma das principais características de Cosme era o seu patriotismo, comprovado pelo uso de fitas verde-amarelas na lapela e anexadas às correspondências encaminhadas a autoridades, com pedidos ou homenagens e na citação de hinos patrióticos na cartilha Carta do ABC5. No aniversário da Liga Baiana contra o Analfabetismo - instituição que ajudou a fundar - e em datas cívicas como o Dois de Julho6 (Independência da Bahia), ele promovia atos públicos em defesa da alfabetização e com apologia à Pátria7.

Apesar de ter apenas concluído o curso primário, ele atribuía grande valor à educação e fez dela uma das suas principais bandeiras, sendo pioneiro no clamor pela alfabetização e universalização do ensino. Criou a pioneira Campanha do ABC ainda no século XIX e, em 1915, fundou com um grupo de amigos a Liga, entidade que manteve com a própria renda e donativos até sua morte, em 1972. A instituição teve participação na inauguração e no funcionamento de aproximadamente 200 escolas em Salvador e no interior e fez a distribuição de milhares de cartilhas, redigidas por ele mesmo.

Entretanto, estas não eram as únicas atividades assistencialistas de Cosme de Farias8. Sua renda quase toda era destinada a instituições e campanhas assistenciais ou doada a pedintes e desempregados, para aquisição de medicamentos, material escolar e alimentos, por exemplo. O jornalista também criava crianças órfãs ou nascidas em famílias de baixa renda – o mais conhecido é Antônio Fernandes Pinto, a quem chamava de filho -, além de acolher desabrigados em sua própria casa. Pouco sobrava para as despesas da família, composta somente por ele e pela esposa, Semíramis.

Além de assistencialista, ele era militante de inúmeros movimentos sociais e políticos, como os comitês contra a carestia, o Centro Operário da Bahia, o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia e a ABI. Nos primeiros anos do século XX, começou a concorrer a cargos públicos. Em 1907, foi alçado como candidato avulso a uma vaga no Conselho Municipal – o que corresponde hoje à vereança –, em meio à repercussão da sua negociação com representantes da fábrica de cigarros Martins Fernandes & Cia para assegurar os direitos de operários grevistas da indústria, porém foi derrotado. Quando morreu, em 15 de março de 1972, cumpria o mandato de deputado estadual pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), legenda de oposição aos militares que governavam o país.

Em 65 anos de participação em eleições, ele obteve quatro vitórias e três derrotas quando concorreu a vagas de conselheiro municipal e vereador de Salvador, e cinco vitórias e seis derrotas quando tentou eleger-se deputado estadual da Bahia9. Mesmo nos anos em que se sagrou vencedor, suas votações eram tímidas, quando confrontadas com os resultados dos demais concorrentes. Suas campanhas eram feitas principalmente a partir da sua militância e obra assistencial diuturna, de comícios e da acanhada cabala patrocinada por amigos que mandavam imprimir folhetos com sua chapa.

Ele participou de legendas como PRD (Partido Republicano Democrata), Partido Republicano (PR), Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Partido Democrata Cristão (PDC) e MDB, mas foi fiel sobretudo ao governador José Joaquim Seabra (1912-1916; 1920-1924)10. Sua ligação com o líder baiano11 teria começado ainda em 1911: em meio aos atritos dele com o governador Araújo Pinho, o rábula discursou em praça pública pela candidatura de Seabra ao governo do Estado.

Cosme tinha um estilo de vida extemporâneo. Já nos anos 1960 e 70, andava com chapéu de palhinha na cabeça, gola alta típica do século XIX, peitilho e punhos engomados para esconder a falta da camisa sob o paletó surrado. Na época da sua morte, tinha apenas dois ternos de linho, um par de sapatos e outro de sandálias, camisas brancas, um chapéu, e os acessórios que compunham sua indumentária12. Estendia as mãos ou encaminhava bilhetinhos a políticos, profissionais liberais, dirigentes de órgãos públicos e empresários solicitando donativos, emprego ou o simples internamento hospitalar ou asilar para seus protegidos. Recebia, indistintamente, quem precisasse de seus préstimos em escritórios improvisados – o último funcionou por anos no corredor da Igreja de São Domingos Gusmão, no Centro Histórico de Salvador. Conquistou popularidade graças à sua polivalente atuação, ao desapego a bens materiais, a hábitos como beber cerveja quente antes e durante o almoço, e à fama de mulherengo (apesar de ser casado por mais de 60 anos com uma única mulher e nunca ter tido filhos biológicos).

A alcunha de “Major Cosme” surgiu em decorrência de uma homenagem: o tenente Pedro Celestino Brandão e outros amigos o presentearam com a patente de Major do 224º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 1909, quando o título podia ser comprado. O oficial, no entanto, nunca participou de qualquer frente em defesa da Pátria, sequer empunhou armas ou adquiriu uniforme.

Com foco voltado para a atividade jornalística do Major, este artigo visa contribuir para a compreensão do seu universo deste homem, cuja atuação perpassou por mais de 70 anos mas ainda é pouco estudada. Acredita-se que seu principal mérito é revelar elementos da biografia e das estratégias adotadas pela personagem, cuja vida e obra pela primeira vez são tema de uma publicação científica. Até então, Cosme é apenas verbetes de coletâneas de biografias ou citação em livros e periódicos sobre outros aspectos da história da Bahia. Em 2005, sua trajetória foi abordada na dissertação de mestrado inédita Réus, analfabetos, trabalhadores e um Major – a inserção política e social do parlamentar Cosme de Farias em Salvador, defendida por esta autora no Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal da Bahia.

Para este trabalho, adotou-se como procedimentos metodológicos a pesquisa bibliográfica acerca do Major e do período histórico analisado, a pesquisa documental no acervo da ABI e do Arquivo Público do Estado da Bahia, e a análise de periódicos com textos assinados por ele ou que versem sobre ele. Após o confronto e a interpretação das informações obtidas neste processo, elaborou-se o texto em si. Como os dados estavam dispersos, inicialmente não havia indicativos das fases em que ele atuou nos jornais baianos e as matérias nem sempre eram assinadas pelos seus atores, preferiu-se restringir a análise do conteúdo a artigos intitulados Linhas Ligeiras, mencionados em verbetes de várias obras e de reportagens como de autoria de Cosme.

Foram coletados os nove textos publicados em abril e dezembro de 193713 pelo O Imparcial, nas páginas dedicadas à cobertura do cotidiano da cidade. Este era o jornal que editava as Linhas Ligeiras em 1937, ano da convulsão social e política que deu início ao Estado Novo e teve repercussão em todos os Estados, inclusive na Bahia. Em abril, o Major comemorava seu aniversário com eventos públicos agendados pela mídia devido à popularidade da personagem e à dimensão dos festejos. Já dezembro foi escolhido porque, neste mês, geralmente se divulga balanços das ações desenvolvidas no ano e porque se precisava assegurar um distanciamento temporal de abril, que propiciaria a identificação de mudanças no conteúdo e formato dos textos.


Imprensa e militância

Apesar da sua parca escolaridade, o Major era um homem vocacionado para o mundo das letras e manifestou essa habilidade tanto no exercício do jornalismo quanto para produção literária, sobretudo de poesia popular. Seus textos eram divulgados em periódicos, na Carta do ABC e em publicações independentes, cuja renda obtida com as vendas era revertida para campanhas e entidades sociais.

Em 78 anos de jornalismo, teve textos editados por jornais como Diário de Notícias, Diário da Bahia, Gazeta do Povo, A Bahia, Diário da Tarde, A Hora, Jornal de Notícias, O Jornal, A Noite, O Democrata, A Tarde e O Imparcial14, onde permaneceu como funcionário (exercendo as funções de repórter, redator e até diretor) ou atuou como colaborador. Quando não tinha vínculo oficial, ele enviava suas matérias para jornais e para leitura no rádio, acompanhadas de um pedido de divulgação (“Ouvinte desta emissora gente boa, que já se vê,/ ajude, também, alegre, / a Campanha do ABC”)15. E mesmo sem o compromisso formal, não hesitava em, diante da demora da publicação, reclamar e reiterar o pedido através de bilhetes e presentinhos (Cartas do ABC, sabonetes etc.) remetidos aos chefes de redação. Desta época, lembra Jorge Amado:

À noite estava nos jornais. Quantas vezes não o vi debruçado sobre a carteira de Edgard Curvelo, carteira que era a perfeita representação do caos, no antigo O Imparcial, escrevendo em pé, em prosa e em verso, pois seus pequenos artigos, invariavelmente assinados, costumavam começar com prosa e terminar em verso. Não havia matéria mais sagrada para os linotipistas e para os paginadores. Podia deixar de sair o telegrama mais sensacional, o tópico mais esclarecedor, o artigo de fundo, porém a matéria do Major figurava na página. Ia às outras redacções, suas múltiplas campanhas exigiam apelos seguidos”16.


As organizações por onde ele passou tinham linhas editoriais diversas, mas, nas primeiras décadas do século XX, mereceram destaque as que se diziam “democratas”, ligadas a Seabra, como o leitor pode verificar adiante. Constituída em 1905 por Virgílio de Lemos, a Gazeta do Povo era um vespertino político, mas não tinha, de início, o compromisso partidário. Mais tarde, tornou-se o órgão oficial do Partido Democrata - depois chamado de Partido Republicano Democrata (PRD)17 -, legenda liderada por Seabra e que tinha em suas fileiras Octavio Mangabeira, Antonio Moniz e Ernesto Simões Filho. Durante a gestão seabrista, serviu também como uma espécie de órgão oficial do governo. Por ele, passaram o já consagrado escritor Xavier Marques e Pinto de Carvalho. Foi substituído como difusor dos ideais democratas e seabristas por O Democrata, instituído em 191318.

A Tarde19 apresentava-se como independente, mas, naturalmente, pendia para as bandeiras defendidas pelo seu proprietário, o jornalista Simões Filho. Assim, por exemplo, inicialmente posicionou-se a favor da legalidade, mas aderiu aos “revolucionários” ainda em outubro de 193020. Inaugurado em 1912 e único periódico daquela época ainda em circulação no Estado, o vespertino inovou com a valorização dos recursos gráficos como imagens e foi o primeiro jornal a abandonar a técnica do prelo à mão e a adotar o linotipo, o que representava um avanço e conferia mais qualidade ao produto e mais agilidade no processo produtivo. Nele, atuaram Aloysio de Carvalho (Lulu Parola); Ranulfo Oliveira, fundador da Associação Bahiana de Imprensa; entre outros.

O Jornal21 foi fundado em 1926 para fazer oposição ao governo de Francisco Marques de Góes Calmon (1924-1928), adversário de J. J. Seabra acusado por Cosme de intervir nos resultados eleitorais para excluí-lo do parlamento nos anos 1920. Dirigido pelo professor de engenharia Leopoldo Amaral, o periódico teve entre os seus redatores os deputados Manuel Novaes e Nelson Carneiro e manteve ligação com o seabrismo, tendo publicado até textos de entusiastas da Aliança Liberal nos anos 1930. Apesar de haver um grupo de políticos baianos em defesa da autonomia das unidades da federação e da formação de um bloco para fazer oposição ao governo federal, inicialmente Seabra e o seu grupo tentaram aderir à “Revolução de 1930”, através da publicação de artigos n´O Jornal e de comícios. Depois, terminaram unindo-se à oposição porque o ex-governador foi preterido pelo presidente Getúlio Vargas na escolha do interventor para a Bahia.

Em 1894, aos 19 anos, ele começou como repórter no Jornal de Notícias22. O vespertino se proclamava apartidário23, mas em 1912, por exemplo, demonstrou simpatia à vitoriosa campanha seabrista ao governo do Estado24. Fundado em 1879 e reformulado em 1886 por Carlos Moraes & Carvalho, o periódico se auto-definia como “a folha de maior circulação no Estado”, tinha correspondente exclusivo em Paris (França) para comercialização de anúncios. Mais tarde, pertenceu a Aloysio de Carvalho25 & irmãos, foi vendido a negociantes e capitalistas em 1917 depois de grave crise financeira. Desapareceu por volta de 1920.

Amaro Lelis Piedade26 era o diretor do JN na première do Major, tendo permanecido no cargo entre 1886 e 1908. Já na maturidade, Cosme atribuiu seu ingresso na imprensa27 a Lelis, defensor da abolição da escravatura, do regime republicano e das vítimas da Guerra de Canudos. Deputado estadual entre os séculos XIX e XX, o diretor era admirado inclusive pelos adversários, pelo tom pacífico como apresentava seus pontos de vista, e foi responsável pela criação da seção Chronica do Bem, em defesa dos direitos de pessoas pobres, viúvas e órfãos.

Cosme de Farias, entretanto, também passou por veículos sem vinculação deliberada com o seabrismo, porém igualmente comprometidos com correntes ou partidos políticos. Um deles foi o Diario da Bahia28, inaugurado em 1856. Ele fazia oposição ao seabrismo na Primeira República, mas defendia os interesses de quem detinha o poder político e econômico no Estado, incluindo o investimento agrário (em detrimento da industrialização) e o liberalismo. A princípio, atuou sem filiação partidária apesar de dirigido por políticos liberais e, a partir de 1868, tornou-se o órgão oficial da facção liberal na Bahia. Nos anos 1920, liderou a reação republicana em território baiano e, após a reconstitucionalização do país, tornou-se órgão oficioso do Partido Social Democrático (PSD), legenda constituída pelo interventor Juracy Magalhães para concorrer às eleições de 1933 contra o Partido Republicano Liberal (PRL), uma reedição do Partido Democrata que abrigou os discípulos de Seabra, entre outros. Como estratégia para angariar leitores e por ser um jornal político-partidário, discutia questões urbanas, como o combate à carestia e a luta por moradia. Em sua trajetória, foi ainda dirigido por Ruy Barbosa e Clemente Mariani.

Ainda na República Velha, o Major também militou como jornalista em A Hora. O vespertino surgiu pelas mãos de Artur Ferreira, jornalista convocado para atuar no Comitê Popular contra a Carestia, grupo presidido por Cosme29. Considera-se que sua oposição ao governo do seabrista Antônio Ferrão Moniz de Aragão (1916-1920), utilizando-se inclusive do artifício do humor, pode ter relação com o assassinato de Ferreira, então diretor da gazeta30.

Nos anos 1920, Cosme de Farias foi diretor de A Noite31, jornal de propriedade do poeta Melo Barreto Filho ligado à defesa de causas sociais. Periódico fundado em 1920 e sem vinculação política declarada, ele patrocinou uma série de comícios e manifestações contra a carestia, junto ao intendente municipal e do governador, sob a direção do Major. Cosme vinha de uma sucessão de derrotas eleitorais e concorria ao cargo de deputado estadual em oposição ao calmonismo, mas terminou desistindo da candidatura32. Sobre isso, Mário Augusto Santos afirma:

Ao findar o ano de 1928, a alta pronunciada da carne verde levou o jornal oposicionista A Noite a promover comícios. O primeiro deveria realizar-se na praça do Mercado Modelo, mas por imposição do Chefe de Polícia fez-se no Terreiro, no dia 4 de dezembro. Nos dias seguintes, houve mais dois e, em todos, falou o Major Cosme de Farias, diretor da folha e candidato a deputado estadual. Dos comícios resultou uma comissão encarregada de declarar perante o Intendente que o ‘proletariado’ não aceitaria o rebaixamento irrisório de 2.000 para 1.900 réis por quilo, concedido após conferência entre o Executivo Municipal e representante da Sociedade Defensora dos Pobres. Mas, segundo respondeu a autoridade, não havia força legal que obrigasse os abatedores a cederem. Finalmente, os comícios foram proibidos pela polícia”33.


Ainda como jornalista, foi colaborador – senão também funcionário - de O Imparcial34, jornal fundado em 1918, por Lemos Brito, para “participar e defender a candidatura de Ruy Barbosa à presidência da República, na conhecida segunda campanha civilista”. Na década de 1930, ele passou a ser propriedade do capitalista Otávio Catharino e a difundir as ações do integralismo, doutrina que priorizava a defesa da propriedade privada, do nacionalismo e da ordem política e social dominante, liderada pelo escritor e jornalista Plínio Salgado, cujo lema era “Deus, Pátria e Família”. Adquirido pelo coronel Franklin Lins em 1934, ganhou o cunho popular para reverter a imagem de integralista, mas continuou publicando textos sobre o assunto.
Cólera e castigo

O constante flerte entre o jornalismo e o discurso e atuação política de Cosme de Farias desencadeou a ira de adversários e uma série de punições contra ele. Sucederam-se perseguições e prisões, sobretudo nos anos 1920 e 1930, diretamente relacionadas ao comportamento adotado pelo Major. Os registros estão em periódicos, nos escritos do próprio jornalista e de outros autores, e nas atas da Associação Baiana de Imprensa, sintetizadas em publicação do pesquisador Nelson Cadena35. Não foram localizados, entretanto, processos ou documentos comprobatórios destes episódios do Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB).

A primeira prisão teria ocorrido em 1924. Em Lama & Sangue36, ele se coloca como vítima de prisão em 12 de julho de 1924, seguida de deportação para o Rio de Janeiro, onde teria permanecido até 28 de fevereiro de 1925, mas os jornais da época não noticiaram o fato e não há processos na APEB sobre o caso. Neste período, Góes Calmon tinha acabado de assumir o governo e manteve-se fiel ao presidente Artur Bernardes, durante a “Revolução de 1924” em São Paulo.

Mesmo depois de libertado em fevereiro de 1925, o Major voltou a ser perseguido. Por 30 dias, ele manteve-se em exílio voluntário na casa de amigos, durante o estado de sítio na Bahia, enquanto era acusado de envolvimento no complô para matar o governador Góes Calmon, durante uma explosão à dinamite prevista para o dia 09 de março de 192537. Calmon solicitou à polícia a prisão de Cosme, por ele ter sido acusado espontaneamente por Fernando de Luna Freire, a quem, em Lama & Sangue, o rábula chama de “gatuno conhecido e typo de costumes asquerosos”. O atentado não ocorreu e a participação do rábula na trama não foi comprovada.

Na oportunidade, do esconderijo, ele enviou três cartas sobre o caso para o governador e requereu, sem sucesso, três hábeas-corpus preventivos para si à Justiça Estadual (dois) e Justiça Federal (um). Sem dinheiro para continuar a se manter foragido, decidiu entregar-se à polícia em 05 de abril de 1925 e ficou detido por um dia, na cela da Secretaria de Segurança Pública do Estado, em Salvador. No dia 18 do mesmo mês, publicou artigo agradecendo o apoio recebido e dedicando aos seus “perseguidores” o “desprezo de homem que nunca fez mal a ninguém” e o perdão da sua “consciência de cristão”38.

O rábula ainda foi privado de sua liberdade em outras oportunidades. Em 04 de outubro de 1930, foi preso em uma ação que também desencadeou a reclusão dos jornalistas Joel Presídio e Alfredo Lopes, em Salvador, e Franklin Queiroz, no interior. Neste dia, incidiu na cidade a manifestação rotulada de “Quebra-bondes”39. Ocorreu a destruição de veículos, oficinas e edifícios da Companhia Linha Circular de Carris Urbanos e do jornal A Tarde, em repúdio ao aumento das passagens nos meios de transportes e aparentemente sem relação com a “Revolução de 1930”, que eclodiu no dia anterior em vários estados (Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba e Pernambuco) mas, até então, sem intervenção na Bahia.

Cosme de Farias, nesta época, militava no movimento contra majoração dos preços e pela melhoria do poder aquisitivo da população e foi detido. Os líderes da “Quebra-bondes” eram desconhecidos, porém foram efetuadas prisões de pessoas suspeitas de participação no movimento. Somente quatro dias depois, os jornalistas foram liberados, após pleito da Associação Bahiana de Imprensa (ABI) junto à Secretaria de Segurança Pública e ao governador interino, Frederico Costa, e protestos contra a censura de jornais, que passaram a circular com espaços em branco. O Major era membro fundador da ABI, foi eleito em sucessivas vezes como suplente e titular da comissão fiscal e de contas da entidade, pelo menos entre 1943 e o ano da sua morte, e pleiteou benefícios para a categoria durante seus mandatos de parlamentar40.

Apesar das punições, as ações do Major se prestavam bem às suas metas assistenciais e de levantar bandeiras sociais e políticas, porém não ameaçavam o espaço e o poder daqueles que dominavam a estrutura sócio-política da Bahia, durante o período republicano. No máximo, incomodavam. Suas votações, por exemplo, nem sempre traduziam seu empenho durante os mandatos, sua experiência em atividades sociais e políticas voltadas para o bem-estar imediato da população, sua transparente relação com a oposição e a situação, sua postura quase sempre pacificadora, e seu carisma pessoal.


Linhas Ligeiras

A maior referência da produção jornalística do Major é as Linhas Ligeiras. Eram artigos sobre fatos políticos, sociais, culturais ou econômico ocorridos no país e mais especificamente na Bahia. Reiteradas vezes citados na imprensa e em verbetes de livros como de sua autoria, os textos eram publicados em variados jornais locais, inclusive a título de colaboração, sem obedecer a uma periodicidade regular. As matérias quase sempre tinham poucas linhas e adotavam uma linguagem simples e direta. Em geral, traziam provérbios e/ou trechos de poesias, tinham tom panfletário, faziam crítica ácida e incisiva, ou eram irônicas e humorísticas. O autor também citava nominalmente os destinatários, apesar desta não se constituir em uma prática do jornalismo da época:

Linhas Ligeiras

O Dr. Manuel Artur Vilaboim, ilustrado secretário de Saúde Pública deste grande Estado, prestará um grande benefício à educação das crianças da Bahia mandando comprar duas mil bandeiras do Brasil, tipo médio, para serem distribuídas gratuitamente pelas escolas primárias, públicas e particulares de todo o nosso querido território, onde, infelizmente, em dezenas de localidades o auriverde pendão ainda é desconhecido, conforme por diversas vezes tenho dito.

Faço, pois, neste sentido, um sincero e forte apelo aos sentimentos cívicos de S. Exa. E espero que desta feita o meu justíssimo reclamo seja, sem delongas, atendido.

Uma casa de ensino sem o pavilhão da Pátria equivale a um bosque sem passarinhos’.


Que tristeza!
Serenata que recorda

Antiga felicidade;

Não vive longe, quem vive

No perfume da Saudade.
COSME DE FARIAS”41
Outra característica do jornalista era suscitar temas que estavam fora da agenda social e política daquele momento, visando provocar discussão, polemizar, e influenciar na tomada de decisão por quem de direito. Isso porque as agendas midiática e pública interagem constantemente, ou seja a mídia aborda temas que serão debatidos pela sociedade e vice-versa. Como produtor e reprodutor de conhecimento a partir de um recorte do real, o jornalismo assegura o status de acontecimento aos fatos através da sua publicização42, podento, a partir disto, gerar repercussão. No texto abaixo, divulgado durante um intenso debate sobre a extinção dos partidos políticos, fica evidente essa sua tentativa de deflagrar a discussão sobre o sistema de recolhimento, reeducação e reinserção social de adolescentes infratores, assunto que só seria explorado com regularidade pelos media em Salvador em 1990, em decorrência da elaboração e promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA):

Linhas Ligeiras


A permanência de menores na Casa de Detenção desta Capital é uma verdadeira miséria.

Os infelizes ficam alli em promiscuidade com delinqüentes de toda natureza e assim ‘a emenda torna-se peor do que o soneto’.

Não existem no referido presídio nem escolas nem officinas... Sombras. Péssimos exemplos.

Quem ambiente perigoso!

Peço, pois, ao illustre dr. Procurador Geral do Estado que providencie para que seja installado junto ao Collegio Profissional das Pitangueiras um compartimento, para aquelles desaventuradozinhos.

S. excia., attendendo-me, praticará, elegantemente, um bello acto de patriotismo e de humanidade. Tenho dito e deste jeito posso finalisar esta desataviada chronigueta, escripta ao correr da perna e á luz da sinceridade.
COSME DE FARIAS”43
Ao analisar o conteúdo das Linhas Ligeiras, publicadas nos meses de abril e dezembro de 1937 pelo jornal O Imparcial44, e dos artigos reunidos no livro Lama & Sangue, constata-se que o jornalismo foi utilizado como tribuna política, inclusive durante o período em que ele não ocupava cargo político-eleitoral. Percebe-se ainda que as principais estratégias do Major eram apelar para a emoção do público e suscitar sentimentos diversos, da compaixão à indignação, através da crítica direta ou do humor. Os textos traziam seu apelo, seu posicionamento, sua opinião. E eram utilizados com propósitos diversos: a) em protesto contra as condições sócio-econômicas e questões políticas (com abordagem de temas como o sistema judiciário, o combate ao analfabetismo e o cerceamento da liberdade); b) como mecanismo de constrangimento e pressão das autoridades municipais e até estaduais, empresários e intelectuais, para obtenção de um benefício para uma pessoa ou um grupo; c) como instrumento de informação, convencimento e mobilização da sociedade; e d) para elogio e homenagem a terceiros.

A divulgação de textos doutrinários predominava entre os jornais de Salvador, sobretudo até o primeiro quarto do século XX45. Aquilo que atualmente se conceitua como gênero opinativo era comum nas publicações, pelo menos, até meado do século, quando se propagou no país a técnica da “pirâmide invertida” e deflagrou-se o processo de profissionalização do jornalismo brasileiro. Como foi exposto acima, os periódicos da grande imprensa mantinham vínculos e até eram patrocinados por grupos políticos, inclusive legendas partidárias, e ainda não se discutia sobre a necessária independência no exercício do jornalismo.

É possível ainda que o Major utilizasse sua condição de jornalista e seu prestígio para assegurar inserções de conteúdo de seu interesse nos veículos, inclusive nos períodos em que não estava empregado em redações. Habitualmente os jornais não costumavam noticiar ações individuais pontuais - como a intervenção pessoal para o recolhimento de um louco ao hospital psiquiátrico ou o pedido de um habeas-corpus para uma pessoa detida por um crime sem repercussão social -, mas publicavam notas com este mote quando o protagonista era Cosme de Farias. Os próprios textos evidenciavam esta relação: “O nosso colega Cosme de Farias pediu no Conselho Municipal o augmento da lotação de indigentes no Asylo de Mendicidade, á Boa Viagem”46 e “A pedido do nosso collega Cosme de Farias, o dr. Alvaro Cova benemerito chefe de policia do Estado, mandou recolher, hontem, no Hospicio S. João de Deus, o alienado Cyrillo de Lemos. Esse doente se acha furioso”47.
Conclusões

O modelo praticado por Cosme desencadeou conseqüências penosas para ele, como sua prisão, mas também lhe serviu como relevante instrumento para obter êxito nas suas atividades sociais. Sua visão fica clara em Hymno aos Jornalistas:

Defendendo a Liberdade,

Pela Grandeza do Povo,

Contra o germem da maldade

Soltemos um grito novo! (...)
Da tribuna gloriosa

Fundada por Gutemberg

Levemos a luz formosa

Desde o palácio ao albergue. (...)
Jamais dobremos a fronte

Ao terror do despotismo:

DEUS – é um bello HORIZONTE,

Lindo pharol – o CIVISMO.

Façamos das nossas armas,

Caneta e penna aparada,

Às vezes clarins de alarmas,

Às vezes rosa orvalhada. (...)”48
Para Cosme, o jornalismo servia como mecanismo de difusão das suas idéias e principalmente das suas ações; de sensibilização ou constrangimento e pressão das autoridades municipais e estaduais, empresários e intelectuais para determinadas causas; de mobilização da sociedade; e de construção e consolidação da sua imagem carismática através de homenagens a terceiros. Era um instrumento para suscitar temas que estavam fora da agenda social e política daquele momento e protestar sobre temas sociais, culturais, políticos e econômicos.

Embora na época a comunicação institucional e o marketing pessoal não tivessem se consolidado no país enquanto campo de atuação, ele atuava com estratégias comunicacionais para atingir seus objetivos, explorando principalmente seu carisma. Utilizou as mídias disponíveis – jornal, livros, rádio -; criou uma identidade ao vestir-se como um homem do Império em pleno século XX e explorar o clientelismo para beneficiar seus afilhados; produziu eventos sociais para reunir amigos, colegiais, transeuntes e ganhar cobertura jornalística sobre seu trabalho; fez campanha corpo a corpo nos meetings em prol de uma causa ou de um político; e participou de manifestações públicas e greves, que também congregavam grandes grupos e mereciam cobertura dos periódicos. Seu aniversário natalício pode ser tomado como exemplo. Neste período, os jornais publicavam notas em que uma comissão de amigos e admiradores do Major convidava a população para os festejos em sua homenagem. A primeira delas data de março de 191649.

Por sua atuação como assistencialista, rábula, jornalista e militante, ele se firmou como uma das personalidades mais populares da Bahia, no século XX. Havia uma retro-alimentação entre as vertentes de sua atuação, configurando uma espécie de círculo virtuoso em favor do bem comum. O jornalismo, a literatura, a defesa de réus perante a Justiça, o engajamento social e político e a atividade parlamentar de Cosme alimentavam uns aos outros, tendo como principal meta favorecer a um indivíduo ou a um grupo.

Referências

AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos. – Guia de ruas e mistérios. Ilustrações de Carlos Bastos. 27ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1977. p. 199-200

BAHIA DE TODOS OS FATOS - Cenas da Vida Republicana 1889-1991. Salvador: Assembléia Legislativa da Bahia, 1996.

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TRAQUINA, Nelson. O Poder do Jornalismo – análise e texto da Teoria do Agendamento. Coimbra (Portugal): Minerva, 2000.


Periódicos

A NOITE. Salvador, edições entre 08 de novembro e 05 de dezembro de 1928.

A TARDE. Salvador, edições de 15 e 16 de março de 1972; de 30 de novembro de 1987.

DIARIO DA BAHIA. Salvador, edição de 10 de julho de 1924.

DIARIO DE NOTICIAS. Salvador, edição de 12 de agosto de 1911.

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DA BAHIA. Salvador: Governo da Bahia, 05 de janeiro de 1934.

GAZETA DO POVO. Salvador, edições de 01, 16, 17 e 31 de março de 1916.

JORNAL DA BAHIA. Salvador, edições de 29 de março de 1967; de 12 de março de 1971; de 15 (primeiro e segundo clichês), 16 e 17 de março de 1972.

JORNAL DE NOTICIAS. Salvador, edição de 03 de outubro de 1899.

O DEMOCRATA. Salvador, edição de 02 de julho de 1924.

O IMPARCIAL. Salvador, edições de 21 de janeiro de 1935; 03, 04 e 06 de abril de 1937, e 04, 12, 18, 23, 29 e 31de dezembro de 1937.

TRIBUNA DA BAHIA. Salvador, edição de 16 e 17 de março de 1972.


Artigos em periódicos

CELESTINO, Mônica. Advogado dos Pobres. In: Memórias da Bahia. Salvador, BA: Correio da Bahia. Março de 2002.

COELHO, Carlos; RIBEIRO, Hamilton. O Quitandeiro da Liberdade. In: Revista Realidade. Abril de 1971, ano VI, nº 61.
Documentos

Arquivo Público do Estado da Bahia/Núcleo Tribunal de Justiça, Seção Judiciária, Série Depósito, estante 136, caixa 27, documento 11.



FARIAS, Cosme de. Ficha de inscrição na Associação Baiana de Imprensa (ABI). Museu da ABI. Salvador, Bahia.


1 TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia. Salvador: Edufba, 2001. p. 484-488; BAHIA DE TODOS OS FATOS - Cenas da Vida Republicana 1889-1991. Salvador: Assembléia Legislativa da Bahia, 1996. p. 270-301

2 JORNAL DE NOTICIAS. Salvador, edição de 03 de outubro de 1899, ano XXI, nº 5915.

3 JORNAL DA BAHIA. Salvador, edição de 29 de março de 1967.

4 DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DA BAHIA. Salvador: Governo da Bahia, 05 de janeiro de 1934.

5 FARIAS, Cosme. Carta do ABC. Salvador, Bahia. [s.e] [s.d]

6O Dois de Julho é data em que se celebra na Bahia a consolidação da Independência e a separação política do Brasil de Portugal, após a entrada de tropas brasileiras em Salvador por terra e mar para expulsar os resistentes portugueses e afastar definitivamente a possibilidade de nova intervenção armada da Europa, como ocorrera na Espanha e em Piemonte (Itália). Desde 2 de julho de 1923, comemora-se a retirada dos portugueses, relembrando a trajetória dos batalhões do Brasil e de populares entre Cachoeira, Cabrito-Campinas-Pirajá, Lapinha-Soledade e Centro de Salvador. Ver melhor em TAVARES, Luis Henrique D. História da Bahia. Op. cit.

7 AMADO, Jorge. Tenda dos Milagres. São Paulo: Martins, 1969. p. 44-46

8 A TARDE. Salvador, edição de 16 de março de 1972; JORNAL DA BAHIA. Salvador, edição de 15 (primeiro e segundo clichês), 16 e 17 de março de 1972; TRIBUNA DA BAHIA. Salvador, edição de 16 e 17 de março de 1972; CELESTINO, Mônica. Advogado dos Pobres. In: Memórias da Bahia. Salvador, BA: Correio da Bahia. Março de 2002.

9 CELESTINO, Mônica. Réus, analfabetos, trabalhadores e um Major – a inserção política e social do parlamentar Cosme de Farias em Salvador. Salvador: Programa de Pós-graduação em História Social da Universidade Federal da Bahia, 2005. Dissertação.

10 Ver melhor em SANTOS, Edilton Meireles de Oliveira. J.J. Seabra, sua vida, suas obras. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1990.

11 DIARIO DE NOTICIAS. Salvador, edição de 12 de agosto de 1911.

12 TRIBUNA DA BAHIA. Salvador, edição de 17 de março de 1972.

13 O IMPARCIAL. Salvador, edições de 03, 04 e 06 de abril de 1937, e 12, 18, 23, 29 e 31 de dezembro de 1937.

14 Os dados pessoais e profissionais, no campo do jornalismo, constam na ficha de inscrição do Major na Associação Baiana de Imprensa (ABI), preenchida na época da fundação da entidade; AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos. Op. cit. p. 199-200; FARIAS, Cosme. Lama & Sangue. Salvador, BA, s.e., 1926. Capítulo 01-21; A TARDE. Salvador, edição de 15 de março de 1972.

15 NERY, Sebastião. Pais e Padrastos da Pátria. Recife, PE: Editora Guararapes, 1980. p. 183

16 AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos. – Guia de ruas e mistérios. Ilustrações de Carlos Bastos. 27ª ed. Rio de Janeiro: Record, 1977. p. 199-200

17 TAVARES, Luís Henrique Dias. História da Bahia. Op. cit. p. 322; SAMPAIO, Consuelo Novais. Partidos Políticos da Bahia na Primeira República – Uma política de acomodação. Salvador, Edufba, 1998. p. 103-128; GAZETA DO POVO. Salvador, edição de 1º de março de 1916.

18 O DEMOCRATA. Salvador, edição de 02 de julho de 1924; GAZETA DO POVO. Salvador, edição de 1º de março de 1916.

19 CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Apontamentos para a história da imprensa na Bahia. Op. cit. p. 67

20 SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo – sobrevivência e tensão – Salvador (1890-1930). Salvador, BA: Edufba, 2001. p. 225

21 SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo. Op. cit. p. 222-223; SAMPAIO, Consuelo Novais. Poder & Representação – o legislativo da Bahia na Segunda República, 1930-1937. Salvador, Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, 1992. p. 57-80; TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. Op. cit. p. 378-392; CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Op. cit. p. 66

22 JORNAL DE NOTICIAS. Salvador, edição de 03 de outubro de 1899, ano XXI, nº 5915.

23 JORNAL DE NOTÍCIAS. Salvador, edição de 03 de outubro de 1899.

24 CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Op. cit. p. 59

25 Aloysio de Carvalho, conhecido como Lulu Parola, foi responsável pela coluna humorística criada no Jornal de Notícias, chamada “Cantando e rindo”. Ela se debruçava sobre fatos do cotidiano da cidade e, depois de anos publicada pelo JN, foi transferida para o jornal A Tarde a convite do jornalista Ernesto Simões Filho. Mais de 6 mil colunas foram publicadas. CARVALHO, Aloysio de. A Imprensa na Bahia em 100 Anos. In: TAVARES, Luis Guilherme P. p. 31-51; SOUZA, Antônio Loureiro de. Apontamentos para a História da Imprensa na Bahia. In: TAVARES, Luis Guilherme P. p. 85

26 O IMPARCIAL. Salvador, edição de 21 de janeiro de 1935.

27 O IMPARCIAL. Salvador, edição de 03 de abril de 1937.

28 DIARIO DA BAHIA. Salvador, edição de 10 de julho de 1924; SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo. Op. cit. p.181-183; CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Op. cit. p. 53-64; SAMPAIO, Consuelo Novais. Poder & Representação. Op. cit.. p. 82, 119-120; TAVARES, Luis Henrique Dias. História da Bahia. Op. cit. p.403-404

29 SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo. Op. cit. p. 156, 166

30 CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Op. cit. p. 66, 72

31 CARVALHO FILHO, Aloysio de. Jornalismo na Bahia: 1875-1960. In: TAVARES, Luis Guilherme P. Op. cit. p. 66-67; SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo. Op. cit. p. 166

32 A NOITE. Salvador, edições entre 08 de novembro e 05 de dezembro de 1928.

33 SANTOS, Mário Augusto da S. A República do Povo. Op. cit. p.161

34 A TARDE. Salvador, edição de 30 de novembro de 1987.

35 CADENA, Nelson Varon. Associação Bahiana de Imprensa 1930-1980, 50 anos. Salvador: ABI, 1980.

36 FARIAS, Cosme. Lama & Sangue. Op. cit. Capítulo 13.

37 FARIAS, Cosme. Lama & Sangue. Op. cit. Capítulo 13.

38 FARIAS, Cosme. Lama & Sangue. Op. cit. Capítulo 13.

39 CADENA, Nelson Varon. Associação Bahiana de Imprensa 1930-1980, 50 anos. Op. cit. p. 20-21

40 CADENA, Nelson Varon. Associação Bahiana de Imprensa 1930-1980, 50 anos. Op. cit. p. 41-97

41 AMADO, Jorge. Bahia de Todos os Santos. Op. cit. p. 200-201

42 Ver melhor em TRAQUINA, Nelson. O Poder do Jornalismo – análise e texto da Teoria do Agendamento. Coimbra (Portugal): Minerva, 2000.

43 O IMPARCIAL. Salvador, edição de 04 de dezembro de 1937.

44 O IMPARCIAL. Salvador, edições de 03, 04 e 06 de abril de 1937, e 12, 18, 23, 29 e 31de dezembro de 1937.

45 “O repórter passou a ser a alma do jornal. O velho artigo de fundo, doutrinário e extenso, morreu ou agoniza. O que se quer agora é a informação, a profusão de títulos em todos os corpos e os comeptenets clichês, representativos da ocorrência ou da personagem. Alguns leitores chegam a exigir, e o jornal a satisfazê-los, que venha a narrativa encimada por epígrafes, que digam logo tudo, com dispensa de maior leitura”, analisa, com certo exagero, o jornalista Aloysio de Carvalho (Lulu Parola), em Centenário da Imprensa Baiana, artigo publicado em TAVARES, Luis Guilherme P. Apontamentos para a história da imprensa na Bahia. Op. cit. p. 46

46 GAZETA DO POVO. Salvador, edição de 01 de março de 1916.

47 GAZETA DO POVO. Salvador, edição de 16 de março de 1916.

48 FARIAS, Cosme. Estrophes. Salvador, BA: Officinas Graphicas d´A Luva, 1933. p. 14-15

49 GAZETA DO POVO. Salvador, edições de 17 e 31 de março de 1916.





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