O lazer como facilitador do encontro de gerações



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Encontro26.07.2016
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Relato de experiência: I Encontro de lazer entre gerações na ITE – “O lazer como facilitador do encontro de gerações”1. Autores2: ALBIERO, Célia Maria Grandini; CALOBRIZI, Maria Dvanil D’Ávila; LIMA, Giselli de Almeida Tamarozzi. Co- Autores3: CASTRO, Fabíola Santos de; MAXIMIANO, Janaína Nunes; MEDEIROS, Juliana de; PITTA, Priscila Medina. ITE – FSSB – Bauru/SP; 2004.

Resumo


O relato abordado descreve um Laboratório Vivencial, evidenciando a temática co-educação de gerações, com foco no lazer nos segmentos sociais criança/adolescente, família e idoso mediante uma gincana interativa com alunos do 3º ano (5º e 6º termos) do 1º semestre de 2004 da Faculdade de Serviço Social de Bauru da Instituição Toledo de Ensino. Procurando articular ensino e extensão, esta experiência contou com aproximadamente 120 pessoas envolvendo projetos do Instituto do Centro de Interação Social (CITE) da Fundação Toledo (FUNDATO), campo de extensão da referida Faculdade destacando como diferencial a representatividade de diferentes gerações. A experiência objetiva viabilizar o exercício da prática profissional nos segmentos sociais criança, adolescente, família e idoso, bem como proporcionar a aproximação e desenvolvimento de novas formas de trocas entre gerações através do lazer e resgatar práticas de lazer, valorizando a memória dos jogos entre gerações. A sustentação teórica do trabalho esteve pautada nas teorias referente a Política de Assistência Social, mais especificamente aos segmentos sociais criança, adolescente, família e idoso, bem como nos amparos legais da Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto do Idoso e em especial na co-educação de gerações e o lazer. O Laboratório Vivencial trouxe aos protagonistas um aprendizado pautado na tolerância, no respeito às diferenças de gerações, no trabalho em equipe, proporcionando crescimento pessoal e profissional.

Palavras – Chave: Formação Profissional; Laboratório Vivencial; Co-Educação de gerações; Lazer.




Introdução


Este trabalho I Encontro de lazer entre gerações na ITE – “O lazer como facilitador do encontro de gerações”, faz parte de uma experiência interdisciplinar das disciplinas (Seminários Temáticos do trabalho Profissional e Supervisão de Estágio) do Curso de Serviço Social da Faculdade de Bauru, com alunos do 3º ano (5º e 6º termos) do 1º semestre de 2004, através de um Laboratório Vivencial, evidenciando a temática co-educação de gerações com foco no lazer nos segmentos sociais criança/adolescente, família e idoso mediante uma gincana interativa.

A Faculdade de Serviço Social de Bauru, mantida pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), localizada na região central do Estado de São Paulo, distante aproximadamente 350 km da capital foi criada em outubro de 1963 e mantém um estreito relacionamento com a comunidade através de seus projetos de extensão. Bauru é considerada uma cidade universitária, com 350 mil habitantes.

Com base em seu projeto pedagógico, a Faculdade possibilita o desenvolvimento de diversificadas estratégias de ensino, vislumbrando uma formação qualitativa que envolva o compromisso e a ética na busca da efetivação do projeto profissional de Serviço Social.

Procurando articular ensino e extensão, esta experiência contou com aproximadamente 120 pessoas envolvendo projetos do Instituto do Centro de Interação Social (CITE) da Fundação Toledo (FUNDATO), campo de extensão da referida Faculdade envolvendo crianças, adolescentes e seus familiares dos projetos Garoto Cidadão, SS Escolar, Nossa Família e Eternos Jovens e ainda discentes e docentes do 3º Ano do curso de Serviço Social, destacando como diferencial a representatividade de diferentes gerações.

Sendo a interatividade entre os envolvidos um aspecto inovador da co-educação de gerações, a experiência buscou viabilizar o exercício da prática profissional nos segmentos sociais criança, adolescente, família e idoso, bem como proporcionar a aproximação e desenvolvimento de novas formas de trocas entre gerações através do lazer e resgatar práticas de lazer, valorizando a memória dos jogos entre gerações.

A sustentação teórica do trabalho esteve pautada nas teorias referente a Política de Assistência Social, mais especificamente aos segmentos sociais criança, adolescente, família e idoso, bem como nos amparos legais da Constituição Federal, Estatuto da Criança e do Adolescente e Estatuto do Idoso e em especial na co-educação de gerações enfatizando a necessidade da aproximação das gerações e do aprendizado propiciado com essa troca, principalmente através do lazer.

Para desenvolvimento do trabalho os docentes envolveram os discentes em todas as etapas do processo, o planejamento, a execução, o monitoramento e a avaliação das ações.

As turmas de alunos foram sub-divididas em equipes através de cores diferenciadas para dar suporte às 20 equipes dos segmentos envolvidos de forma que as gerações estivessem misturadas para provocar a convivência entre os membros. Foram desenvolvidas 6 provas de gincana, demarcadas por jogos, estimulando a competição, a convivência e principalmente o lazer.

Sem dúvida a experiência trouxe aos protagonistas um aprendizado pautado na tolerância, no respeito às diferenças de gerações, no trabalho em equipe, proporcionando crescimento pessoal e profissional.

Através deste Laboratório Vivencial conclui-se que os resultados foram satisfatórios....................


O lazer como facilitador do encontro de gerações

Aportes Teóricos


O aumento da longevidade do ser humano vem ocorrendo de forma acentuada e, em geral, pode-se atribuir esse fenômeno histórico, inédito e planetário a alguns fatores: controle da natalidade, desenvolvimento de políticas de saneamento básico, combate às doenças infecciosas e doenças degenerativas típicas da velhice, bem como uma divulgação mais efetiva de hábitos de vida que previnem essas enfermidades. A respeito, relata Calobrizi (2002, p.118):

Estudiosos ressaltam que o envelhecimento é um processo e tem início a partir da concepção, ocorre para todo mundo, estando a fonte da juventude longe de ser descoberta. Por esse motivo, a qualidade de vida na terceira idade tem de começar a ser buscada desde o início da vida.A herança genética, a raça, o sexo, as condições ambientais e o estilo de vida influenciam o envelhecimento, sendo que órgãos e tecidos não envelhecem com a mesma intensidade.

 

No Brasil, hoje, o número de pessoas com mais de 60 anos já ultrapassa os l5 milhões e a previsão para 2020 é que esta população alcance os 32 milhões. Em Bauru os idosos já somam 30 mil pessoas



Diante deste novo cenário, torna-se possível no universo familiar a convivência de um número cada vez maior de idosos com os filhos, netos e bisnetos. Nesse sentido, pontua Lima (2001, p.131):

Particularmente nas famílias ampliadas, a composição se dá por membros de diferentes níveis consangüíneos, a maior incidência fica para o arranjo onde os netos residem com os avós, com 53,33% do universo das famílias ampliadas. Torna-se imprescindível relatar que, neste arranjo, os avós são provedores da renda que sustenta a família, assumindo que eles são um importante elo de apoio à família, assumindo, quando necessário, os cuidados com os filhos de seus filhos.

No entanto, com as modificações ocorridas na família e a inserção da mulher no mercado de trabalho, as crianças são escolarizadas desde a tenra idade e a sua convivência se efetiva, principalmente com outras da mesma faixa etária, nas creches, berçários e instituições afins.

O início do processo de socialização da criança ocorre aproximadamente quando ela conta com seis anos de idade e se estende até os doze anos, dependendo, no entanto, de fatores internos e externos. Esse processo acarreta certas dificuldades para a criança, pois a inserção num grupo, seja ele de vizinhança ou escolar, representa uma ameaça à perda da identidade como indivíduo. Antes de chegar à puberdade (em torno dos 11 anos), a sociedade infantil se fecha para os adultos, mostrando-se outra vez impulsiva e hostil, isto se dá até por razões fisiológicas, além das psicológicas e sociais. Aos doze anos, são mais seletivos com as amizades e procuram um confidente do mesmo sexo, com quem possam compartilhar pensamentos secretos, descobertas inéditas e curiosidades a respeito do misterioso mundo dos adultos.

  Os adolescentes, além da escola, formam grupos de amizade, onde a convivência se dá com indivíduos da mesma idade ou idade próxima. Essas “tribos jovens”, professam as mesmas idéias, valores e hábitos e são identificados já na aparência, pelos trajes e adereços.

O universo do adulto é praticamente formado pelo mundo do trabalho, no qual as relações ocorrem quase sempre com outros adultos. Os relacionamentos desenvolvidos nos estudos, no lazer, na militância social, política ou religiosa se dá também na sua maioria com adultos da mesma faixa etária.

Na trajetória rumo à terceira idade, muitos fatores interferem na dinâmica familiar e social, e os contatos sociais tendem a rarear, há um esvaziamento de papéis, ocasionando ao idoso um crescente isolamento ou enclausuramento ao espaço doméstico.

Os fenômenos mais comuns que contribuem para esse recolhimento do idoso na esfera doméstica, impondo ao mesmo uma expressiva diminuição de funções são: a aposentadoria, a viuvez, a perda de amigos e a chamada “síndrome do ninho vazio”, que ocorre com a saída de casa dos filhos emancipados.

Relata a respeito, Ferrigno (2003, p.62), que:

 ...mudanças na estrutura da família têm contribuído para um maior distanciamento entre gerações. Há um número expressivo de idosos que moram sozinhos ou apenas com seu cônjuge [...], além daqueles confinados em asilos. Mesmo no caso de idosos que coabitam com os filhos e netos, as conversas mais duradouras são raras ou até inexistentes.

Os idosos, no entanto, talvez, pela conquista de uma maior visibilidade social, por sua crescente expressividade numérica, ou mesmo por sua participação social cada vez mais intensa, visa, cada vez mais, melhorar e reforçar o relacionamento com os mais jovens.

Os sentimentos de abandono, rejeição e discriminação vividos pelos idosos podem se diluir com a possibilidade de aproximação e da atenção de outras faixas etárias, principalmente no lazer.

Para Attias-Donfut (apud Ferrigno, 2003, p. 214): “O lazer pode contribuir para a emergência de uma força social capaz de aproximar as idades, de desenvolver novas formas de troca entre as gerações e, inclusive, enriquecê-las”.

As atividades de lazer podem facilitar as relações intergeracionais, dadas as suas características lúdicas, voluntárias, descompromissadas e se caracterizar, principalmente, pela educação recíproca.

Com relação aos benefícios que esse processo de relações intergeracionais produzem nos indivíduos conclui Ferrigno (2003, p.219):

 ...benefícios que se traduzem no desenvolvimento da compreensão, do conhecimento e do afeto mútuos.Disso tudo resulta uma visão mais realista sobre as demais gerações, fator decisivo para a luta contra a segregação das faixas de idade, segregação que empobrece as relações sociais e que provoca o preconceito etário em suas várias direções, dos velhos em relação aos jovens e destes em relação aos idosos.

 

Para elucidar a importância do lazer nas diferentes etapas da vida, realizaremos um passeio pelas legislações de proteção existentes no Brasil, em defesa dos direitos de todos os segmentos.



A Carta Magna de 1988, no seu artigo 6º apregoa que: São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados...

No Estatuto da Criança e do Adolescente assim está referendado:

Art. 4º: É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Art.59: Os municípios, com apoio dos Estados e da União estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude.

Art.71: A criança e o adolescente têm direito à informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) estabelece as Diretrizes Nacionais como um conjunto de instruções que irão direcionar os procedimentos nas áreas das políticas sociais e de temas focais que orientarão a organização, a articulação, o desenvolvimento e a avaliação de programas executados pelos órgãos governamentais e pela sociedade civil.

Por ocasião da realização da IV Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, em 2002, coordenada pelo CONANDA, a proposta foi a de formular uma agenda propositiva para o enfrentamento da violência tendo como entendimento que as crianças e adolescentes são as maiores vítimas.

Dessa discussão surgiu o Pacto pela Paz, que contempla um conjunto de nove eixos e dez compromissos, por meio dos quais se desenvolverão as políticas e os planos de ações.

Os eixos referem-se aos seguintes direitos: saúde, educação, cultura, esporte e lazer, assistência social, proteção especial, medidas sócio-educativas, conselho de direitos, tutelares e fundo, mecanismos de exibilidade de direitos e meios de comunicação.

Na Política Nacional do Idoso, Lei, 8.842 de 04 de janeiro de 1994, o seu artigo 4º, assim anuncia: Constituem diretrizes da política nacional do idoso:

I-viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso, que proporcionem sua integração às demais gerações.

E, finalmente, está também disposto no recente Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 nos seus artigos:

Art.3º- É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.

IV- viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações.

Art.10, parágrafo 1º: O direito à liberdade compreende, entre outros, os seguintes aspectos:

IV- prática de esportes e de diversões;

Art.20: O idoso tem direito à educação, cultura, esporte, lazer, diversões, espetáculos, produtos e serviços que respeitem sua peculiar condição de idade.

Art.21, parágrafo 2º: Os idosos participarão das comemorações de caráter cívico ou cultural, para transmissão de conhecimentos e vivências às demais gerações, no sentido da preservação da memória e da identidade culturais.

Entretanto, apesar dos amparos legais e dos benefícios propiciados pelo lazer em todas as gerações e entre gerações, principalmente no que se refere a uma maior aproximação, integração e educação recíproca, caminha timidamente e a passos lentos na criação de programas recreativos nas instituições, focando a diversão intergeracional.

Pensando nessa defasagem, e sempre com o objetivo de aproximar a comunidade acadêmica da prática com os diversos segmentos da sociedade, articulamos este laboratório vivencial, pois,

As diretrizes curriculares apontam ainda para novos espaços de investigação e construção do conhecimento, possibilitando que várias aulas se efetivem extraclasse, mediante laboratórios vivenciais, constituindo-se em fontes geradoras de experiências que retroalimentam e oxigenam a sala de aula, articulando saberes, numa dimensão interdisciplinar. (Projeto Pedagógico da F.S.S.B. apud Albiero et al, 2003, p.186)

 Acreditamos que o laboratório vivencial intergeracional seja uma importante fonte geradora de benefícios para todos os participantes, principalmente no desenvolvimento da compreensão, do conhecimento e do afeto mútuos.

Os participantes envolvidos neste evento tiveram a oportunidade de criar uma visão mais realista sobre as demais gerações, pois tendemos a nos afastar e discriminar o que não conhecemos ou nos deixamos levar pelo senso comum.

A partir deste I Encontro de lazer entre gerações, uma semente foi plantada, objetivando a criação de formas mais solidárias de interação social e conseqüentemente a construção de uma sociedade mais humana.

Diante do exposto será descrito à seguir a experiência do encontro pela ótica dos alunos, também protagonistas do laboratório vivencial.

 

 A vivência entre as gerações


Diante da atual conjuntura sócio-política-econômica na qual estamos inseridos, faz-se mister ressaltar a relevância de que a sociedade reflita no quão satisfatório é a vivência entre pessoas de diferentes faixas etárias, proporcionando a construção de uma sociedade mais humanizada e igualitária.

No que concerne à política de assistência social, cabe a nós, profissionais da área, articular estratégias a fim de garantir aos usuários o acesso à cidadania e aos direitos sociais.

Neste contexto, entende-se que a proposta de atividades envolvendo gerações, propicia aos acadêmicos efetuar a práxis profissional, numa visão realista da garantia dos direitos e de ação comprometida com o Projeto Ético Político da Profissão.

Para a realização do projeto, foram convidadas a participar duas turmas de acadêmicos da Faculdade de Serviço Social da Instituição Toledo de Ensino (5o e 6o termos), as quais estariam sob a coordenação e supervisão das professoras Célia Maria Grandini Albiero, Giselli de Almeida Tamarozzi Lima e Maria Dvanil D´Àvila Calobrizzi.

Os participantes envolvidos são usuários do Instituto CITE – Centro de Interação Social – da Fundação Toledo, pertencentes aos projetos Eternos Jovens, Nossa Família, Garoto Cidadão e Serviço Social Escolar.

Para a execução do Projeto, foram eleitos alunos representantes das duas classes envolvidas para participar das reuniões de planejamento e organização.

Foi elaborado por parte das docentes, um planejamento geral do evento e, pelas alunas, o planejamento das atividades a serem executadas sob sua responsabilidade.

Realizaram-se três reuniões de planejamento, de maneira que ficasse tudo detalhadamente organizado e, posteriormente, transmitidas as orientações e delegadas as funções em sala de aula aos demais alunos participantes, sempre com a supervisão de uma das docentes envolvidas.

As classes foram divididas em três sub-grupos, cada um responsável por um segmento (criança/adolescente, família e idoso), e por desenvolver as provas para a realização de uma gincana interativa.

Foram apresentados pelos acadêmicos os seguintes objetivos:



  • Oportunizar a interação entre as gerações, estimulando o respeito e crescimento mútuo, livre de quaisquer preconceitos;

  • Possibilitar a realização de atividades físicas e de lazer desencadeando momentos de descontração entre as gerações;

  • Proporcionar a ampliação do conhecimento e a apreensão da realidade dos segmentos criança/adolescente, família e idoso, trabalhando concomitantemente a interdisciplinaridade;

  • Viabilizar a correlação entre teoria e prática à luz do Projeto Ético Político do Serviço Social.

A realização do evento deu-se no dia 26 de março de 2004, a partir das 19h30, no Grêmio Recreativo Energético de Bauru (GREB), com a abertura das atividades sendo iniciada pela apresentação do coral do CITE, composto por 40 crianças do Projeto Garoto Cidadão. Dando prosseguimento as atividades, houve a apresentação do hino do evento, de composição dos próprios usuários que foi ensinado a todos os participantes que já possuíam a letra da canção para ser entoada em conjunto.

Na seqüência, expuseram-se os objetivos do evento, a saber:



  • Proporcionar a aproximação e desenvolver novas formas de trocas entre gerações através do lazer;

  • Resgatar práticas de lazer, valorizando a memória dos jogos entre gerações.

Ressaltou-se também a importância da participação de cada integrante nessa atividade tão lúdica tão valorativa, proporcionando um encontro de gerações que se complementam, sem se chocar. Gerações que dialogam num jogo de fantasias e aspirações da realidade.

Na gincana, os usuários totalizaram 80 participantes, sendo subdivididos em 20 equipes de 04 pessoas, envolvendo um membro de cada segmento ali representado.

A primeira atividade a ser desenvolvida foi “O prego”, elaborada pelos alunos do 5º termo, sendo que haviam 21 pregos em um pedaço de madeira e cada integrante das equipes tinha três chances para colocar o prego totalmente na madeira.

A Segunda prova, também elaborada pelo 5º termo foi a prova da “Mímica animal”, no qual cada elemento das equipes deveria imitar um animal sem pronunciar palavra alguma, somente através de gestos.

A prova seguinte, dos mesmos autores, foi “Afunda ou não afunda”, prova esta que despertou curiosidade geral nos participantes por ser uma prova imprevisível nos resultados, no qual colocava-se objetos dentro de um aquário cheio d’água e as equipes deveriam adivinhar se objeto iria ao fundo ou não. Houve empolgação coletiva ao observar-se objetos que pela aparência certamente afundariam e, no entanto, os mesmos permaneciam na superfície.

A quarta atividade foi a “Bexiga”, sendo esta elaborada pelo 6º termo, sendo que 20 participantes das equipes deveriam escolher outro participante da mesma “geração” que a sua, que enfileiraram-se frente à frente, totalizando 40 pessoas e distribuídas 20 bexigas. Ao sinal, deveriam encher as bexigas e correr ao encontro do “parceiro” e estourar a mesma sem o uso das mãos.

Em seguida, ocorreu a “Corrida do ovo” elaborada também pelo 6º termo, que consistia em cada membro da equipe atravessar até o meio da quadra carregando um ovo cozido em uma colher e entregá-lo aos participantes do lado oposto que estariam aguardando.

Por último, realizou-se a prova do “Continue a Música”, sendo esta coordenada pelos alunos do 5º termo. Nessa atividade os participantes ouviram uma música e ao ser interrompida, deveriam continuar a cantar do ponto onde havia parado. Foi escolhido um repertório que envolvesse os participantes de todas as faixas etárias, composto por canções recentes e canções mais antigas.

Além da gincana, que contou com essas 06 provas, com premiação para os três primeiros colocados, o evento foi brindado com momentos de pura descontração e interação, com danças ao centro do salão, envolvendo participantes desde a mais tenra idade, até os mais sábios e experientes, bem como toda a equipe colaboradora.

Pode-se perceber que o evento proporcionou a todos os participantes momentos de integração, respeito mútuo, troca de experiências e, principalmente o rompimento das barreiras discriminatórias. Houve uma maciça participação das equipes que contribuíram para o pleno sucesso do evento e para o crescimento e aprimoramento do corpo discente envolvido.

No encerramento, houve a distribuição de lanches e brindes para todos os participantes, proporcionando instantes de socialização intergeracional.

Tais premissas levam a crer que diante das dificuldades cotidianas, o profissional deve estar atento as mudanças ocorridas em nossa sociedade e na dinâmica mundial, tendo o discernimento diante às novas demandas e, principalmente a sensibilidade de contribuir para o aflorar de uma força social capaz de aproximar as idades, desenvolver novas formas de trocas entre as gerações e inclusive enriquecê-las.

É valido salientar que apesar dos inúmeros aspectos positivos, enfatizando uma contribuição essencial com a nossa formação de atitudes, habilidades, princípios, valores e competências, também ocorreram contratempos e aspectos negativos que, numa visão global do evento, trouxeram ao grupo crescimento, maturidade e principalmente a confiança em nossa capacidade de mediação e superação frente às adversidades, em busca da plena satisfação e efetivação dos direitos dos usuários.

Aspectos Conclusivos

REFERÊNCIAS

 

ALBIERO, C.M.G. Projeto “Cidadania Real”: Uma experiência acadêmica diante de um processo de exclusão social.Construindo o Serviço Social. Bauru-SP. Instituto de Pesquisas e Estudos- Divisão Serviço Social: Edite, nº.12, p.179-201, 2003.



 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 21 ed. São Paulo: Saraiva, 1999. 267 p.

 

______. Estatuto da Criança e do Adolescente. São Paulo:Jalovi. 1990. 63 p.



 

______, Brasília/DF. Lei nº. 10.741, de 1º. de outubro de 2003.Dispõe sobre o Estatuto do Idoso e dá outras providências.

 

______, Brasília/DF. Lei nº. 8.842 de 4 de janeiro de 1994. Dispõe sobre a política nacional do idoso.



 

CALOBRIZI, M.D.D. As questões que envolvem a responsabilidade assumida pelos avós enquanto guardiões dos seus netos, no que se refere à formação de referenciais sociais e aos legados, passados de geração em geração. Construindo o Serviço Social. Bauru/SP. Instituto de Pesquisas e Estudos- Divisão Serviço Social: Edite, nº.10, p. 111-138, 2002.

 

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. Diretrizes Nacionais para a Política de Atenção Integral à Infância e Adolescência. Brasília/DF, out.2000.



 

FERRIGNO, J.C. Co-educação entre gerações. Petrópolis, RJ: Vozes; Vozes: São Paulo: SESC, 2002.



 

LIMA, G. A. T. Estratégia de sobrevivência das famílias pobres de Bauru: redes de apoio familiar. Construindo o Serviço Social. Bauru/SP. Instituto de Pesquisas e Estudos- Divisão Serviço Social: Edite, nº.9, p. 109-152, 2001.



1 Este projeto, I Encontro de lazer entre gerações na ITE , surgiu através de um laboratório vivencial com alunos do 3ºano de 2004 (5º e 6º termos) da FSSB da ITE, envolvendo, além dos autores e co-autores os seguintes colaboradores também protagonistas da experiência: Ana Camila Bocca, Ana Paula Oliveira Fernandes, Camila De Carvalho Santos, Camila Sanches, Carolina Da Silva Toledo, Damaris Silva De Oliveira, David Gustavo Pompei, Debora Fernanda Pissolato, Elisangela Grimaldi, Elizabeth Ap. de S. Bickhoff, Elizabeth Julianelli De Araujo, Ellen Francinne De Oliveira Rossetto, Eni Do Nascimento Jaimes, Fabiana Pereira De Godoy, Flavia Machado Castro, Francine De Oliveira Feraci, Helen Anne L. de Souza, Isa Carolina Pinheiro, Josiane Alves Martines, Kadyne Fernanda Silva Garcia, Kenia Dayhana De Oliveira Rossi, Lais Fernanda Lopes, Larissa Morales Bizutti, Ligia Maria Ferreira Do Carmo, Livia Ribeiro Silva Dos Santos, Lolita G. de O . Ribeiro, Lucinéia Ap. F. da Rocha, Maria Cristina Rosa, Marivana Conde Maldonado, Mônica Caroline Correia, Patricia Aparecida Fossalussa, Renata Berto, Renata Xavier Santiago, Roseli Pereira Lemes, Talita Alvares Gomes, Talita Aline Levorato, Tatiane Rosa Rodrigues Valdete Rodrigues De Sousa, Vanessa Q. Castro, Wilsemary Marcondes Losilla Silva.


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2 Os autores referidos são mestres em Serviço Social pela PUC/SP e docentes da Faculdade de Serviço Social de Bauru, ITE/FSSB – Praça IX de Julho, nº 1-51, V. Pacífico, Bauru/SP, cep 17.050-790. E-mail: ssocial@ite.com.br.

3 Os co-autores referidos são alunos do 3º ano da Faculdade de Serviço Social de Bauru, ITE/FSSB – Praça IX de Julho, nº 1-51, V. Pacífico, Bauru/SP, cep 17.050-790. E-mail: ssocial@ite.com.br.


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