O livro didático de história e sua participaçÃo no ensino fundamental



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O LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA E SUA PARTICIPAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL. GT História da Educação e Formação de Professores - Pres. Prudente - Natália Teixeira Ananias, Prof. Drª Rita Filomena Andrade Januário Bettini. Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulista ”Júlio de Mesquita Filho ”FCT/UNESP- Presidente Prudente/ SP – Brasil.

nathy_teixeira@yahoo.com.br, bettini@fct.unesp.br.

O ensino ministrado nas Escolas Estaduais para o Ensino Fundamental possui atualmente como principal material o Livro Didático, principalmente no que tange ao ensino de História. Este, por sua vez, é distribuído gratuitamente aos alunos e docentes, caracterizando-se um instrumento essencial para o aporte teórico e prático das aulas realizadas. Sendo assim, este trabalho deseja efetuar algumas discussões que possuem como foco o Livro Didático de História inserido no Ensino Fundamental, tomando como suporte uma coleção didática utilizada pelas Escolas Estaduais de Presidente Prudente, do sexto ao nono ano respectivamente. Para isso, contempla-se também algumas reflexões sobre o que é o Livro Didático, principalmente os exemplares de História, que, apresentam uma forte carga ideológica influenciadora não só na forma como os conteúdos são dispostos nos textos didáticos, mas, em relação aos saberes rumo a criticidade e a formação para a cidadania. Adota-se como metodologia uma análise sobre o conteúdo presente na coleção determinada aos alunos do sexto ao nono ano, buscando-se a visualização de até que ponto esses conteúdos presentes nos textos didáticos de História, com uma ideologia presente, podem modificar o ensino de História. Como uma importante área do saber, que apresenta um processo de compreensão das diferentes relações humanas existentes na sociedade, espera-se que por meio da âncora oferecida pelo livro didático de história, as aulas sejam direcionadas para uma reflexão sobre os mecanismos dominantes que contribuem para o desenvolvimento dos relacionamentos sociais, assim como as ações de exclusão e dominação, que surgem em nossos conteúdos didáticos e estabelecem uma única vertente, sem a perspectiva de modificações ao longo de uma aprendizagem. Por meio de um trabalho com uma amostra da coleção elegida, pode-se perceber a abordagem de temas que contemplam desde a História do mundo, primeiras navegações, História do Brasil e perspectivas para o novo século, porém, a presença de capítulos fragmentados, grandes figuras e poucas perspectivas de contato com outras informações a respeito dos temas. O que se percebe também é que, o fragmento desta coleção até então analisada mostra para professor e aluno formas bem compactas de se estudar um determinado momento da História, seja ela no âmbito macro ou micro, necessitando de memorização para uma suposta aprendizagem, percebendo-se a presença da ideologia subjacente. Com o desenvolvimento de uma primeira amostra da coleção didática, pode-se constatar parcialmente a presença de uma forte carga ideológica presente na estrutura dos textos, influenciando na apresentação dos temas e distanciando-se de um material que deveria proporcionar aos discentes e docentes, reflexão e formação para a cidadania, além de contemplar um bom trabalho no ensino de história, rumo a propiciar reflexões e construção de saberes sobre o homem e suas relações sociais diante da História.



O LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA E SUA PARTICIPAÇÃO NO ENSINO FUNDAMENTAL.

Natália Teixeira Ananias

Prof. Drª Rita Filomena Andrade Januário Bettini
Universidade Estadual Paulista – UNESP

Faculdade de Ciências e Tecnologia – FCT Pres. Prudente-SP

GT História da Educação e Formação de Professores
nathy_teixeira@yahoo.com.br, bettini@fct.unesp.br.

Inúmeros desafios norteiam a Educação no Brasil atualmente, como as questões de cunho social, econômico, político, considerando o grande envolvimento na vida dos indivíduos. Levando em conta esses pontos, a profissão docente inserida num meio educacional, por iniciativa governamental, recebe um aporte para a superação desses problemas, que, na maioria das vezes, se fazem presentes, mediante a adoção de materiais pedagógicos e didáticos para reduzir as deficiências evidentes no dia-a-dia do ensino da Rede Pública.

Desejando-se a resolução de problemas conectados a escola, ao ensino e a aprendizagem, tem-se como conseqüência a opção pelo livro didático que se faz presente em todas as escolas do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública de Educação, abrangendo, assim, as aulas de História efetuadas para a formação dos alunos.

Ao se efetuar uma breve pesquisa sobre os instrumentos de trabalho que a grande parte dos docentes utilizam atualmente, estejam eles inseridos na Rede Pública ou Privada de Ensino Fundamental e Médio, o grande utensílio que é consenso de todas estas instituições, é o livro didático. Este material modifica-se significativamente, como visualizamos contemporaneamente, seja pela maneira expositiva dos conteúdos ou de sua própria composição pelas editoras e seus autores, pois, necessitam atender a um público determinado pela demanda social e pela carga teórica que cada volume deve possuir.

Levando-se em conta a temática do Ensino de História, efetuaremos neste trabalho uma discussão sobre o livro didático utilizado em Escolas Estaduais nas aulas de História das quatro últimas séries do Ensino Fundamental, ou seja, 6ª, 7ª, 8ª e 9ª séries respectivamente, por meio de fragmentos presentes em uma das coleções mais trabalhadas na cidade de Presidente Prudente-SP.

Por sermos indivíduos pertencentes a um meio social, que segue normas e leis, provenientes de um sistema governamental, a Educação que se proporciona aos novos cidadãos possui a tendência de formação para a vida em sociedade, necessitando de um aporte teórico com as disciplinas pertencentes ao Ensino Fundamental e Médio, por isso se torna necessário estudar esses conteúdos inerentes aos livros didáticos de História para que se compreenda até que ponto essa Ideologia influencia na formação dos indivíduos e no uso do texto didático por meio do professor da área de História.

Para uma melhor compreensão, este trabalho será apresentado em alguns tópicos específicos que giram em torno do livro didático de História, seguindo em um primeiro momento uma breve discussão histórica embasada em dados do Ministério da Educação sobre a trajetória do livro didático no século XX e início do século XXI. Após esta exposição, discutiremos no que consiste o livro didático de história e alguns pontos que enfatizam-no dentro do Ensino Fundamental, apreciando num terceiro ponto também o que esses livros de história utilizados nas escolas estaduais oferecem tanto a docentes como a discentes respectivamente, com exemplos extraídos de uma coleção didática para as aulas de História.

Por fim, teceremos alguns pontos sobre o livro didático de História e seu forte parceiro de trabalho, que é o docente, sem deixar de considerar a presença de outros materiais existentes a este trabalho, como, por exemplo, os exemplares paradidáticos, filmes, artigos específicos, ponderando a presença deles não só na cidade de Presidente Prudente, mas em todo o mundo, atrelados as modificações que a História sofre ao longo das ações do homem e de seus conhecimentos, influenciando consideravelmente o ensino de história no Ensino Fundamental.

A relevância de se realizar uma pesquisa sobre o Livro Didático de História nos remete a pensarmos sobre o que está nas entrelinhas destes textos didáticos e que são considerados, pela grande parte dos docentes, como um importante material para as aulas de História no Ensino Fundamental, de modo especial do 6º ao 9º ano, já que se encontra uma forte carga teórica de conteúdos, que, de maneira sutil, também apresentam a ideologia por meio de quem escreve esses exemplares ou até de quem os adota, neste caso, os órgãos governamentais de educação.

1-Retrospectiva Inicial: O livro didático de história no Brasil...
Antes que iniciemos uma breve reflexão sobre o contexto dos livros didáticos no Brasil, como qualquer outro tema passível de reflexão histórica, é importante mencionarmos que desde a antiguidade, ensina-se por meio de textos, como mostram os fragmentos de importantes filósofos, como por exemplo, Homero, Safro, Pindoro, Aristóteles, na Grécia antiga. Já em Roma, as escolas usavam “sentenças morais e os preceitos das doze tábuas”, servindo como um material didático para a aprendizagem da cultura romana.

Com o passar do tempo, esse material de acordo com a época, vai evoluindo, seja influenciado pelo cristianismo, guerras, hábitos específicos, filosofia, primeiras navegações, até chegarmos precisamente nos primeiros livros utilizados no Brasil, provenientes do ensino trabalhado pelos primeiros portugueses, com livros traduzidos na íntegra ou traduzidos pelos docentes que usavam ; onde somente depois de algum tempo, livros em português são incorporados ao ato de ensinar. De acordo com Manzoni (2005,p16), “dos textos de Anchieta selecionados para os brasis, aos livros do momento atual, a caminhada foi longa.”

Ao longo do que conhecemos sobre a História da Educação, precisamente no Brasil, como o acesso de todos os alunos a uma escola gratuita e de fácil acesso em todas as localidades, alguns fatos importantes se apresentam como participantes, o Livro Didático, por exemplo, a escola criada para a elite e a para o trabalho dos menos favorecidos, uma política educacional aos materiais utilizados nas escolas, enfim, fatores que colaboram para posteriormente compreendermos o real papel do Livro Didático no processo de ensino-aprendizagem.

Em meados da década de 30, onde encontramos os manuais didáticos, mais precisamente no ano de 1938, são criadas as primeiras políticas sobre o Livro Didático, com apoio do Instituto Nacional do Livro (INL), para um aumento de produção dos livros e legitimação desse material por todo o país, instituindo assim, a Comissão Nacional do Livro Didático.

Na década de 40, por meio do Decreto-Lei nº 8460, de 26 de Dezembro de 1945, o Governo consolida uma legislação sobre as formas de produção do Livro Didático, a sua utilização e importação, deixando a cargo dos docentes a escolha dos livros que serão consumidos nas escolas.

Por volta dos anos 60, o Ministério da Educação (MEC), juntamente com uma agência norte-americana para o desenvolvimento internacional (USAID), estabelecem convênios que direcionam verbas para a distribuição gratuita de 51 milhões de livros, em um período de três anos, continuando também depois de algum tempo.

Nos anos 70, termina-se o convênio MEC/USAID, onde o Estado começa a criar um sistema financeiro que efetivasse verbas para os exemplares das escolas, sendo o Fundo do Livro Didático. Além desse ponto, o Instituto Nacional do Livro (INL) dá início a um programa para os Livros Didáticos do Ensino Fundamental (PLIDEF), coordenado pelo próprio país. Em 1976, extingue-se o INL, criando-se o FENAME (Fundação Nacional do Material Escolar), que responde nesse momento como executor do Programa do Livro Didático em escolas públicas somente, devido a poucos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Adentrando aos anos 80, a FENAME é substituída pela FAE (Fundo de Assistência ao Estudante), que incorpora o PLIDEF. Com a instituição do decreto nº 91.542, de 19 de agosto de 1985, algumas mudanças em toda a rede existente sobre os Livros Didáticos acontecem, como por exemplo, a reutilização dos livros por mais estudantes, implantação de banco de dados de Livro Didático, controle total do Governo Federal, sem participação dos Estados, entre outros aspectos.

Nos anos 90, por limitações de orçamento, os Livros Didáticos são restringidos somente até a 4ª série do Ensino Fundamental (atualmente a 5ª série.). Em 1995, com a volta de mais investimentos para a Educação, a distribuição dos Livros Didáticos no Ensino Fundamental volta a acontecer normalmente. Já em 1996, forma-se uma comissão que começa a avaliar os Livros Didáticos, para melhorar a escolha dos exemplares por meio dos professores, fato este que ocorre até os dias de hoje. Destacamos nesta década também, uma comercialização dos Livros Didáticos de História e Geografia no ano de 1997 pelo Governo Federal, acoplados aos já existentes, ou seja, Língua Portuguesa, Matemática e Ciências.

Após o ano 2000, são desenvolvidos exemplares didáticos para alunos portadores de necessidades especiais, incluindo também a distribuição de dicionários de Língua Portuguesa, Inglesa e Espanhola, Atlas Geográfico, entre outros materiais, contribuindo para uma educação mais acessível aos conteúdos escolares, que colaboram conjuntamente para as aulas de História.

Apesar de termos propiciado alguns comentários sobre o histórico dos livros didáticos no Brasil já no século XX e XXI, é importante pensarmos também neles anteriormente, como por exemplo antes do surgimento da imprensa, onde os próprios alunos elaboravam os seus “cadernos de textos” manualmente. Com a criação da imprensa, os livros formaram os primeiros produtos fabricados em uma grande escala, porém, eram restritos a uma classe nobre, que entendia os assuntos e adquiria com grandiosidade esses materiais. Iniciando o século XX, a escola ainda não era um local para todos os alunos, sendo uma ocasião que encontramos os “manuais escolares”; somente após a década de 60, esses manuais são substituídos pelos livros didáticos e finalmente na década de 90, os livros didáticos, incluindo os livros de História fornecidos pelo governo.

Contemplando a estrutura técnica dos livros didáticos, com o início de uma valorização por meio do governo, muitos autores que compunham os livros, principalmente os designados a História, modificam suas formas de estruturação dos livros, levando em conta que, muitos autores, como, Ricardo Faria e Jobson Arruda, além da docente Joana Neves, pesquisadores e professores do Ensino Superior, dentro das ações desempenhadas nas editoras, privilegiam contato também com outros profissionais, como revisores e avaliadores dos livros, editores, ilustradores,dentro de uma “indústria editorial”.

Pensando a respeito disso, segundo Gatti Júnior:

“A existência do mercado consumidor é uma condição óbvia para a sobrevivência das coleções didáticas e, no caso brasileiro, das próprias editoras. Sem as compras do governo federal, boa parte das editoras nacionais não teriam crescido tanto como cresceram entre as décadas de 1970 e 1990” (2004,p.183).


Outra categoria presente também na elaboração dos livros é que, a linguagem e as temáticas pertencente aos conteúdos, que num primeiro momento possuíam grande ligação com suas pesquisas e uma linguagem extremamente acadêmica, passa a ser mais coloquial e simplificada, atendendo aos programas pré-determinados e a uma clientela que necessita do contato com os conteúdos históricos, mas de uma maneira simplificada e acessível.




2- O Livro Didático de História: algumas designações.

Diante de uma retrospectiva histórica, nos voltemos agora para o que se constitui realmente o Livro Didático, sempre em conexão aos exemplares para as aulas de História, sem deixar de mencionar os professores e alunos que utilizam esses materiais.

De acordo com Décio Gatti Junior (2004), os Livros Didáticos são “objetos da cultura escolar”, sendo ainda uma amostra das relações culturais vivenciadas nas escolas, que colaboram no cenário nacional e internacional da Educação. De fato, o Livro Didático pode se apresentar também no sistema Educacional, principalmente o público e gratuito como uma forma de “garantia” educacional por todos aqueles que utilizam desse material.

Por outro lado, segundo SOARES (2004)


Muitos e vários olhares vem sendo lançados sobre o livro didático nos últimos anos: um olhar pedagógico, que avalia qualidadee correção, que discute e orienta a escolha e o uso; um olhar político, que formula e direciona processos decisórios de seleção, distribuição e controle; um olhar econômico, que fixa normas e parâmetros de produção, de comercialização, de distribuição. Avaliar qualidade e correção, orientar escolha e uso, direcionar decisões, fixar normas...são olhares que prescrevem, criticam ou denunciam; por que não um olhar que investigue, descreva e compreenda? Olhar que afaste o “dever ser” ou o “fazer ser”, e volte-se para o “ser” – não o discurso sobre o que “deve ser” a pedagogia do livro didático, a política do livro didático, a economia do livro didático, mas o discurso sobre o que “é”, o que “tem sido”, o que “foi” o livro didático” (SOARES apud GATTI JUNIOR 2004, p.32).
Ao lado desses fatos históricos expressos neste trabalho anteriormente, não podemos nos esquecer ao nos remetermos sobre o livro didático, principalmente os exemplares da área de História, uma permanência de relatos e conteúdos distantes da realidade dos alunos, por possuírem uma linguagem não-acessiva a quem se utiliza desses livros e a criação de uma identidade educacional sobre o que se estuda, alienante e incorreta.

“Se os livros didáticos assumiram um papel importante nos processos de ensino e de aprendizagem desenvolvidos na educação escolarizada, quais eram as conseqüências deles não estarem disponíveis para toda a população que ocupava os bancos escolares? Ao que parece, o livro didático tornava-se mais um dentre os diversos objetos culturais que assinalava diferenciação e exclusão social” (GATTI JUNIOR, 2004, p.25).

Sem dúvida, o controle que existia sobre os conteúdos, que os livros didáticos deveriam apresentar, no contexto nacional, diminui por meio do governo, mas o posicionamento e a compactação dos conteúdos pelas editoras e autores, prossegue até hoje.

“Nas três últimas décadas do séc.20, a linguagem do texto didático passou por profundas mudanças. Se até a década de 1960 os textos escolares eram escritos em um vocabulário próximo do acadêmico, a partir da década de 1970, eles passariam a ser adaptados às necessidades do público leitor” (GATTI JUNIOR, 2004, p.45).

Vê-se também que, os textos presentes nos livros didáticos são frutos da leitura e compreensão de uma determinada unidade didática pelo autor, onde ele elimina grandes assuntos, pelo motivo de ser algo resumido e compacto para a utilização nas aulas. Infelizmente, expõe-se nesse momento um problema que interfere na qualidade das aulas que são dirigidas somente pelo exemplar didático, ou seja, o aluno é privado de conhecer outras vertentes sobre o assunto tratado em sala, por possuir um livro incompleto e o professor, “acomoda-se” com o tipo de material, por estar pronto e acessível a todos, não pensando na qualidade de suas aulas, e sim, na quantidade dos conteúdos transmitidos.

Se nos retrocedermos para as funções da escola, que não podem ser esquecidas, onde encontramos a transmissão de conteúdos clássicos e formação para a cidadania, as duas denominações perdem-se ao longo do sistema educacional, fator este ocasionado por uma decadência na cultura de docentes e discentes, além de um esvaziamento nos conteúdos por meio da formação e prática dos professores, finalizando esses procedimentos com os livros didáticos, que seria a salvação para professores que não apresentam uma apropriada formação, mas um material didático em mãos, e para os alunos, um meio de conhecimento, porém, que restringe uma capacidade de pesquisa pertencente a esse indivíduo e que não é desenvolvida.

No entanto, se nos voltarmos para a área da História contemplada nos livros didáticos, encontramos “análises” de fatos do passado, na tentativa de explicar ou entender algo, perdendo de certa forma o sentido que se tem na contemporaneidade, que é de estabelecer relações. De acordo com Dalarosa(2000):

“A história, assim estudada nos livros didáticos, acaba tendo um caráter idealista em virtude de divagar pelo mundo das idéias sem buscar entender a lógica da contradição dos fenômenos sociais. Os fatos aparecem como ‘naturais’ e dificilmente são analisados como a expressão de um contexto marcado por contradições produzidas a partir das condições materiais em que os homens se encontram em determinado contexto histórico” (DALAROSA apud LOMBARDI, 2000, p.45).

Como uma importante área do saber, espera-se que por meio do aporte oferecido pelo livro didático de história, as aulas de História sejam direcionadas para uma reflexão sobre os mecanismos dominantes que contribuem para o desenvolvimento dos relacionamentos sociais, assim como as ações de exclusão e dominação, que surgem em nossos conteúdos didáticos e estabelecem uma única vertente, sem a perspectiva de modificações ao longo de uma aprendizagem.

3- A ideologia presente em uma coleção didática: tecendo comentários.

Conduzindo este trabalho a um foco mais prático, busca-se assim, uma análise crítica que desmistifique a visão tradicional e ideológica que se tem quando consultamos um livro didático utilizado em História do Brasil, principalmente no que diz respeito à forma que esses livros são utilizados, levando em conta uma das funções do livro didático que é “cumprir sua missão de formação, de informação, de estímulo ao espírito crítico, de integração da criança no mundo tal como ele é”.(ECO e BONAZZI, 1980).

Diante desses comentários, vários conceitos poderiam ser atribuídos para o Livro Didático, principalmente para os exemplares de História, como sendo um material portador de saberes específicos para as disciplinas e “abordados” como absolutos para a organização das aulas e ao mesmo tempo, instrumento de consulta para o aluno, mas hoje, vê-se que o professor também transfere todas as suas ações e pensamentos para esse material didático, transferindo discretamente também uma forte carga ideológica.

Concomitante com algumas discussões realizadas por Marilena Chauí (2001), é imprescindível que faça parte do direcionamento dessa discussão um conceito muito presente no material que se analisa, considerando assim, a ideologia, como um conjunto articulado de idéias, valores, opiniões que expressam a visão de um determinado grupo. Infelizmente, o que se percebe é que a grande massa popular não consegue a sua maneira de expressão relacionada aos seus valores e crenças a fatos essenciais de nosso cotidiano, onde restam somente a opressão e dominação por conceitos maiores, que por muitas vezes são aprendidos nos livros didáticos e tidos como verdades indiscutíveis.

De acordo com Franco (1982, p.18), a ideologia pode representar também, em outras palavras, “...um conjunto de valores que, em uma sociedade de classes, refletem os interesses particulares de apenas uma classe social: aquela que domina as relações de produção.”

Nesta linha de raciocínio sobre a ideologia, outro fator está presente embasando a análise de conteúdo, se denominando Materialismo Histórico-Dialético, que afirma modos de produção da vida material, rumo a todos os processos da vida social, política, econômica, educacional, considerando que as coisas e fatos não são únicos, uma vez que sofrem modificações pelas ações do ser humano na busca de atender suas necessidades enquanto ser pensante e ativo dentro de um grupo social.

O ambiente ou espaço em que encontramos essas transformações é a escola, que, regida por um sistema governamental, se apresenta como um “Aparelho Ideológico do Estado”, pois transmite, por meio dos conteúdos e saberes, que formam as mudanças da sociedade, os valores e saberes essenciais para aqueles que se fazem presentes nesses ambientes, especificamente neste caso, os professores, que utilizam os textos didáticos enviados pelo governo, com cargas ideológicas subjacentes, mas não percebidas à primeira vista, como uma única forma para aprendizagem e trabalho para suas aulas.

Quando nos referimos a categoria de Aparelho Ideológico do Estado, este, por sua vez, pode estar interligado a religião, a família, a política, a cultura, entre outros, mas nesta ocasião, trabalharemos a vertente educacional, que engloba as instituições públicas e particulares.

Conforme afirma Saviani, esse conceito
“...deriva da tese segundo a qual a ideologia tem uma existência material. Isto significa dizer que a ideologia existe sempre radicada em práticas materiais reguladas por rituais materiais definidos por instituições materiais. Em suma, a ideologia se materializa em aparelhos: os Aparelhos Ideológicos do Estado.” (1985, p.26)
Por se tratar de um aparelho ideológico que possui ramificações a Educação, a escola apresenta duas funções básicas nesse sistema: formar indivíduos rumo ao trabalho comandado pela burguesia e propagação da ideologia dominante aos dominados, tratando-se de pontos interligados. Com efeito, “...a escola tem por missão impedir o desenvolvimento da ideologia do proletariado e a luta revolucionária. Para isso, ela é organizada pela burguesia como um aparelho separado da produção.” (SAVIANI, 1985, p.32)

Independentemente de se tratar de escolas públicas ou privadas, os livros didáticos funcionam como “instrumento de reprodução ideológica” nos temas enfatizados nas coleções, e a partir disso, pode-se perceber que


“... não podemos, igualmente, compactuar com uma História onde interessa apenas demonstrar que ‘os heróis e os grandes feitos não são heróis nem grandes, na medida em que não acordem com os interesses das classes dirigentes, em cujo benefício se faz a historiografia oficial.’”

(PRADO JR apud FRANCO, 1982, p.41)

Para entendermos de forma mais explícita como se apresentam esses exemplares didáticos de História no Ensino Fundamental, após essa breve discussão sobre a ideologia e o aparelho ideológico do estado que distribui os exemplares didáticos de história, realiza-se assim, uma pequena visualização amostral desses Livros Didáticos de História, sendo livros utilizados nas sextas, sétimas, oitavas e nonas séries do Ensino Fundamental.

Ao realizarmos um trabalho direcionado a História da Educação, a primeira impressão que se tem é que será referente a uma pesquisa bibliográfica, segundo Ciro Flamarion S. Cardoso. Mas, para que esta visão seja modificada nesse campo, propõe-se uma metodologia voltada para a análise de um material, para que os contatos com os conteúdos sobre o Livro didático de História sejam assegurados permanentemente, lembrando sempre da veracidade e objetividade que os trabalhos devem demonstrar. Delimita-se esse estudo por se trabalhar com um objeto muito específico, ou seja, o Livro Didático de História, material utilizado pelos alunos e por professores nas aulas de História do Ensino Fundamental, além de se tratar de um material presente na realidade escolar dos alunos que merece atenção adequada, por apresentar particularidades na História de nosso país que poderão “formar opiniões e desconstruir conceitos” pré-estabelecidos.

“Partindo do pressuposto de que o discurso materializa o contato entre o ideológico e o lingüístico no sentido de que ele representa, no interior da língua, os efeitos das contradições ideológicas, a Análise do Discurso apresenta-se como uma disciplina não acabada, em constante mudança, em que o ‘lingüístico é o lugar, o espaço que dá materialidade, espessura a idéias, temáticas de que o homem se faz sujeito, um sujeito concreto, histórico, porta-voz de um amplo discurso social.’ “

(BRANDÃO, 2004)

A coleção didática escolhida para esta pesquisa fez parte do PNLD 2007 para as Escolas de Educação Fundamental do estado de São Paulo, sendo composta de 4 exemplares que contemplam o 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental (antiga 5ª a 8ª séries. ). A primeira visualização que se tem dos exemplares diz respeito ao material que são feitos, sendo encadernados na forma de “livros Brochura”, com aproximadamente 200 páginas em cada exemplar.

O primeiro volume diz respeito a uma História do Mundo, que vem desde as primeiras civilizações até as primeiras viagens de expedição pelas linhas marinhas. Em relação ao 2º volume, o conteúdo pertencente contempla o início da colonização do Brasil, além das primeiras cidades até o séc. XVII. Para o terceiro livro, a História do Brasil no início do século XVIII e século XIX é apresentada aos estudantes e finalmente, no último exemplar dessa coleção, traços do século XIX e XX são desenhadas aos estudantes, com alguns pontos em comum que são estudadas na área da Geografia também.

O que se percebe também é que todos os exemplares desta coleção analisados mostram para professor e aluno formas bem compactas de se estudar um determinado momento da História, seja ela no âmbito macro ou micro, com muitas figuras, títulos em caixa alta e em negrito para maior ênfase dos que consultam, além de perguntas de interpretação de textos que levam aos indivíduos que utilizam-nos de um trabalho rápido e que necessita de memorização para uma suposta aprendizagem.

Por meio de um rápido contato com os exemplares do professor, o que se pode compreender é que ao se apresentar um encarte destinado a explicações de como o professor pode utilizar esses livros como complemento de aulas, existem sugestões de livros paradidáticos, filmes, fotos e gravuras, além de sites para pesquisa, mas infelizmente, são sugestões muitas vezes não compreendidas pelos professores por uma “fraca formação” ou até mesmo por falta de condições oferecidas na escola para tais aulas, como poucos livros, salas superlotadas, evasão escolar, repetência, entre outros pontos, tornando assim, os livros didáticos de história como uma fonte única de cultura escolar.

A respeito disso, Décio Gatti Junior (2004) tece algumas afirmações:

È perceptível o fato de nos livros didáticos apresentam-se os conteúdos disciplinares de forma explícita. Assim, estes conteúdos que constantemente mudam, são sempre uma seleção daquilo que deve ser trabalhado nas escolas. Este caráter seletivo é extremamente importante na compreensão dos livros didáticos” (2004, p.30).

E comenta também:

“...pode-se observar que em diversos momentos, diferentes coleções didáticas destinadas para um determinado grau escolar apresentam conteúdos e textos muito parecidos. Quais as razões disso? Provavelmente, a existência de um consenso social em torno do ensino daqueles conteúdos e não dos outros, ou seja, na sociedade cria-se uma variedade de determinações e imposições que não abrem muito espaço para experiências alternativas” (GATTI JUNIOR, 2004, p.30).

Poderíamos citar também como pontos observados nos livros didáticos de história da coleção analisada, o aparecimento somente das informações básicas para o aluno nos períodos observados, onde, se ele só possuir o contato com esse livro, aprenderá de forma fragmentada momentos da História importantes para seus conhecimentos, como por exemplo, a Colonização do Brasil e o porquê desse fato, a Inconfidência Mineira e o que levou a esse momento que não teve somente como protagonista Tiradentes, além de outros assuntos, que nas séries seguintes serão condição essencial para o entendimento de próximos temas.

È importante ressaltarmos neste momento que, por se tratar de uma primeira amostra sobre a coleção didática para as aulas de História, aspira-se num segundo momento de desenvolvimento desta pesquisa um contato mais próximo com os docentes que se apropriam destes livros para suas aulas de História no Ensino Fundamental, levando em conta que, muitas práticas efetuadas por eles são norteadas pelos livros didáticos, e que podem transmitir diversas formas de trabalho, onde por meio de entrevistas, procuraremos constatar até que ponto os conteúdos presentes nessa coleção analisada podem interferir para o ensino de História na aprendizagem dos alunos e no trabalho docente.

Compreender a História ocorrida em momentos anteriores ao que vivemos hoje se torna essencial para que não somente o aluno, mas também o professor consigam efetuar intercâmbios com outros assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, incluindo também as ações sociais a que estamos inseridos por meio das relações do trabalho, do poder das classes populacionais, onde a escola apresenta a esses grupos as informações que contribuirão rumo a cidadania.

Uma parcela do que a coleção didática de história nos apresentou, possui conexão com o que podemos chamar de “homogeneidade cultural”, que

“... é construída pelo Estado nacional como condição de existência original. Para essa construção, o Estado mobiliza a educação nacional, buscando a unidade lingüística e a homogeneidade de valores na esfera da cultura, contando com a elaboração dos intelectuais engajados na promoção do desenvolvimento, os quais dão vida aos mitos nacionais...”(CASTANHO apud LOMBARDI, 2003, p.23).

Do mesmo modo que a Homogeneidade cultural é criada pelo Estado, outro fator que se evidencia também ao se utilizar um livro didático diz respeito à ideologia presente nos exemplares escolares, mas neste caso, os livros de História, que propõe-se de maneira sutil aos olhos de quem consulta esse livros, mas que estabelece formas de trabalho e de ensino para quem ensina e quem aprende. Além de o aluno estar em uma ambiente educacional, é importante frisarmos que, muitos professores não possuem formação adequada para ministrar aulas na Rede Estadual de Ensino, e muitas vezes, aprendem inicialmente com os livros didáticos para que “repasse” para o aluno os temas que são pertinentes à aprendizagem, sendo incluídos do mesmo modo nesse sistema ideológico criado para tal sistema.

Se pensarmos nessa ideologia existente no meio educacional, não somente os exemplares da coleção, mas a grande parte dos livros didáticos recomendados pelo Governo possuem embutidos uma certa ideologia, levando a uma educação programada, ou seja, ensinar e aprender o que um sistema superior ao educacional deseja aos indivíduos, nos tornando “prisioneiros” de uma rede de poder dos que possuem mais capital cultural, econômico e político em detrimento da classe popular, que acredita em um grande investimento que é feito a eles, porém, buscando o esvaziamento dos conteúdos e falta de compreensão do mundo.

Contudo, Bonazzi e Eco apontam alguns comentários sobre essa temática, onde


“O que é profundamente deseducativo e imoral, nestes livros não é a explicita ou implícita apologia (...), mas a recusa em dar aos jovens tanto as informações históricas adequadas, quanto uma capacidade de crítica dos acontecimentos.”

(1980, p.91).



4- O Livro Didático de história e suas implicações no Trabalho Docente.

Considerando a democratização do Ensino, a acessibilidade dos alunos com os conteúdos teóricos por meio dos Livros Didáticos, particularmente os da área de História, nossa sociedade com os avanços tecnológicos e as transformações sociais necessita desenvolver no meio educacional atividades e materiais rumo a um contato com as novas informações que não estão presentes plenamente nos livros.

Enfatiza-se que no momento que iniciamos a compreender os fenômenos que ocorrem ao nosso redor, possuímos uma vantagem diante de novas experiências e materiais que trazem discussões semelhantes ao que vivemos. Nesse contexto, encontramos alguns materiais didáticos colaboradores para as aulas de História, como por exemplo, os livros paradidáticos de História, filmes, imagens, documentos históricos, mas vistos por muitos docentes como materiais “tapa-buraco” ou sem maiores utilidades às aulas.

Por mais que sejam materiais existentes há algum tempo como aliados educacionais do livro didático de História, muitos professores não os vêem com esse papel para as aulas de História do Ensino Fundamental, atribuindo por falta de uma formação dinamizada ou por acomodamento, colocando para o livro didático de História o único meio sistemático e “correto” para a aprendizagem, trazendo alienação ao invés de trabalho diferenciado com outros meios de informação.

A esse respeito, Freitag comenta que

“...os professores fazem a indicação dos seus livros baseados em critérios bastante heterogêneos(aspecto gráfico, envio gratuito do livro pela editora, seu relacionamento na lista da FAE, sua indicação por um colega, etc). (...) Os professores não escolhem o livro depois de um exame minucioso do seu conteúdo ou de uma experiência prévia com alunos, mas basicamente movidos pelo comodismo e conformismo” (1989, p.110-111).

Mas, esse bloqueio muitas vezes não parte somente do corpo docente, pois, a direção da escola ou coordenadores de um local escolar preferem somente os livros didáticos por ser mais cômodo e fácil para estoque e distribuição a todos os alunos, deixando em segundo plano por algumas vezes a qualidade das aulas e um rendimento satisfatório de todo o grupo.

Partindo dessa premissa,

“... o mundo hoje, apresenta-se complexo. A produção de informações, sua disponibilização em redes, freqüentemente, nos deixam confusos. È preciso “lê-las” com “instrumentos” que possibilitem o desvelar dos sentidos, dos interesses que nelas estão contidas, mas que não se revelam claramente” (PEREIRA apud LOMBARDI, 2003, p.130).

A ocorrência dessas novas informações, principalmente na América Latina traz a tona a chamada “revolução informacional”, que consiste em algo “parcial e limitada” (GAMBOA apud LOMBARDI, 2003, p.103), privilegiando apenas um grupo, ou seja, aqueles que possuem maior dinamismo sobre os vários meios de informação e conhecimentos prévios. Por isso, lembramos neste momento que, se nossos alunos desejam um futuro brilhante e promissor diante das transformações sociais e nossos professores almejam aperfeiçoamento de sua profissão docente dentro do meio educacional necessitam agregar outros materiais que não sejam só os livros didáticos de História, mas outras fontes que proporcionem um preparo diante da “revolução informacional”, que é uma vertente para os próximos anos.

“Nesta dimensão, a função da educação fica entendida como um trabalho voltado para a mudança de concepções e práticas, ou seja, uma forma de conceber o homem historicamente situado, na sociedade e no seu trabalho. Para tanto, este trabalho implicará, preferencialmente, num processo sistematizado e conseqüente da capacitação de recursos humanos que atuam na educação no âmbito das políticas educacionais, planejamento global e na definição dos conteúdos fundamentais para o processo educacional, com a participação efetiva de, no mínimo, os professores e alunos” (BRINHOSA apud LOMBARDI, 2003, p.49).

Contudo, para que a Educação que tanto almejamos possua qualidade, principalmente na América Latina, as modificações necessitam ser evidentes, pensando-se por meio do governo em livros didáticos “menos alienantes” e ampliadores de conhecimento, para o professor, uma prática que seja flexível a transmissão dos conhecimentos e aos materiais usados para tal tarefa, que não se restrinjam somente ao livro didático, que deve se tornar um material de apoio e não o único apoio. Generalizando ainda num segundo instante também, as condições que nossas escolas estaduais estão inseridas, que necessitam de uma atenção especial, pois, além de oferecerem ao grupo onde ela se faz presente situações de crescimento para a vida, contribuem para uma superação do que a massificação do ensino um dia proporcionou e que deve ser repensada.


5-Considerações Finais

A realização deste trabalho pode sintetizar algumas discussões acerca dos livros didáticos de História que precisam ser sempre repensadas, como por exemplo, a sua utilização em sala de aula com influências na formação para a cidadania, além do trabalho de professores e alunos com uma única forma de material didático, deixando em segundo plano a pesquisa, o contato e criação de novos saberes ao crescimento de cada um dos indivíduos.

A respeito do Livro Didático de História, mais precisamente na coleção citada, pode-se explicitar claramente o que nossos materiais adotados nas escolas estaduais transmitem aos indivíduos que usufruem destes livros, porém, como qualquer material, apresentou vertentes positivas e negativas em uma primeira amostra trabalhada, sendo um aspecto que se pretende aprofundar em algumas análises posteriores, por meio de entrevistas num trabalho de campo no interior das escolas.

Atrelado a essas reflexões sobre a função do Livro Didático, por mais que represente um material de auxílio aos estudantes, por muitas vezes também, informa os professores sobre os saberes específicos a área de história, considerando a relevância que se deve ter ao ensino de história. Este, por apresentar a narração de feitos, fatos pitorescos e transformações sociais, não pode ser referenciada como uma verdade imutável, “...mas como afirmações passíveis de revisão, na medida em que se repensa e se reescreve constantemente a história.” (MANZONI, 2005, p.36)

Muitos são os comentários efetuados pela mídia ou pelo próprio sistema educacional sobre os livros didáticos, mas um ponto que sintetiza grande parte do que se apresentou neste trabalho é de que, quanto mais os docentes e discentes iniciarem uma reflexão sobre as funções que possuem “dentro e fora” do universo escolar, concomitantemente com as modificações apresentadas pela sociedade em que vivemos, mais estarão preparados para um confronto com muitas ideologias existentes e impostas pelas classes dominantes, não somente do saber, mas também do ter e querer. Do contrário, estabelecendo um único material de trabalho, “...os livros parecem estar modelando os professores.” (FREITAG, 1989, p.111)

Deste modo, estudarmos a História com apoio do livro didático de História “...não se constitui em uma mera descrição. Ela é uma elaboração, uma versão da realidade”. (DALAROSA apud LOMBARDI 2000, p.48).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS e BIBLIOGRAFIA

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