O lugar do «outro» e do «diferente» nos media



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O lugar do «outro» e do «diferente» nos media
José Rebelo *
Janus 2009

A génese dos grandes órgãos de comunicação de massas remonta a meados do século XIX quando a industrialização, implicando a descida acentuada de alguns custos de produção, a criação ou modernização de redes viárias, a alfabetização de sectores cada vez mais alargados da população – condição indispensável à adaptabilidade da mão-de-obra a metodologias e a equipamentos fabris em transformação permanente – vieram obrigar ao aperfeiçoamento de instrumentos que funcionassem como «lubrificantes das novas relações de produção, de consumo e de troca» (de la Haye, 1984: 42). Assim apareceram os grandes jornais, como expressão de um mercado sempre mais vasto e mais complexo.



Os media, o capital e a política

Uma rápida digressão por alguns dos principais grupos multimédia que actuam à escala mundial permite-nos aperceber da malha fluida, difusa, de interesses intrincados que a eles estão ligados e que levariam o filósofo Michel Serres a reconhecer: «Constato a existência de um poder como nunca se viu em nenhuma outra sociedade […]. Mas, não sendo esse poder de natureza tipicamente material, não consigo imaginar que contrapoder se poderá levantar contra ele» (1988).



1. A França de Lagardère e de Bouygues

Através da sua filial Hachette Filipacchi Media1, Lagardère controla as televisões Canal J, Canal Satellite e MCM, as estações de rádio Europe 1, Europe 2 e RFM assim como os jornais La Provence, Nice-Matin, Télé 7 Jours, Paris Match, France Dimanche, Le Monde 2, Le Journal du Dimanche e Le Parisien. A título de «investimento cívico», detém, até, parte do capital do diário ligado ao Partido Comunista Francês, L’Humanité. Proprietário de 33% do grupo Aérospatiale-Matra, quinta potência mundial no domínio da indústria militar e da aeronáutica, Lagardère associou-se ao grupo alemão DASA, no âmbito do consórcio militar europeu EADS que se tornou, assim, o terceiro maior produtor de material militar do mundo.

Criado em 1952, o grupo Bouygues, inicialmente vocacionado para a construção civil e obras públicas, assumiu, em 1984, o controlo da sociedade de distribuição de água Saur e, dois anos mais tarde, adquiriu a empresa Colas, líder mundial no domínio da construção e reparação de estradas.

No seu livro Les Nouveaux chiens de garde, Serge Halimi denuncia o procedimento do grupo: «Bouygues interessa-se por plataformas off-shore em Angola: Jonas Savimbi é entrevistado no Jornal da TF1. Bouygues pretende obter um contrato de exploração de gás na Costa do Marfim (onde o seu grupo já controla a distribuição de água e de electricidade): o presidente da Costa do Marfim é convidado para intervir no Jornal da TF1».

O aparelho mediático ocupa, pois, no dispositivo Bouygues, um lugar central. Assegurado o controlo da TF1, da LCI, da TF6, da TPS e da Eurosport, o grupo vira-se para a comunicação social regional com o lançamento de um canal de televisão na Bretanha, a TV Breizh. Significativamente, acompanham-no, nesta iniciativa, outros grupos europeus não menos importantes no campo da comunicação: a Artémis, de François Pinault; a News International, de Rupert Murdoch; a Mediaset, de Sílvio Berlusconi, etc.

2. A Itália de Berlusconi

A holding Fininvest, de Sílvio Berlusconi, controla 48,36% da principal rede italiana de televisão privada (Canale 5, Rete 4, Itália 1 e Telecinco, esta última em Espanha); 48% da Mondadori, principal grupo editorial italiano, proprietário de Il Giornale; 19,5% da sociedade de telecomunicações Albacom e 40% do grupo bancário Mediolanum. Interessante é verificar a lista dos restantes accionistas da Fininvest. Aí encontramos nomes de sociedades e de personalidades estreitamente ligadas à alta finança, nomeadamente a Banca Nazionale del Lavoro, a British Telecom e o príncipe saudita Alwaleed Al Saud. Este último, descendente da Casa Real de Ryad, participa no capital da News Corporation (Rupert Murdoch) da KirchMedia (Leo Kirch), do grupo bancário norte-americano Citigroup e da Eurodisney.

Membro da Loja P2 e acusado de manter relações com a Máfia, Sílvio Berlusconi acumula processos judiciários por falsificação, fraudes fiscais, corrupção, etc. A todos vai escapando, graças a uma exploração do espaço público que lhe confere, simultaneamente, imunidade e poder2.

3. A Alemanha de Bertelsman

Provavelmente o primeiro de todos os grupos multimédia europeus, o império Bertelsman emprega mais de 80.000 assalariados. Através da RTL Group, controla directamente ou possui parte relevante do capital de dezasseis canais de televisão e dez estações de rádio na Bélgica, em França, na Alemanha, no Luxemburgo, na Grã-Bretanha e na Holanda. Edita jornais e revistas de grande tiragem como Finantial Times Deutschland, Berliner Zeitung, Berliner Kurier, Voici, Gala, Geo, Capital, Stern. Por detrás da marca Bertelsman, escondem-se algumas das mais influentes famílias conectadas com os diversos ramos do negócio. De entre todas, destacam-se as famílias Frère e Mohn. Sobretudo em França, na Suíça, na Bélgica e, claro, na Alemanha, o Barão Albert Frère tem deixado rastos inapagáveis. Ao longo do seu trajecto foi multiplicando funções de comando em empresas e grupos como a Compagnie Française des Ferrailles, a Agência Havas, a sociedade de petróleos Total--Fina-Elf, a Banque Nationale de Belgique, o oligopólio canadiano dos media Power Corporation of Canada, o grupo Bruxelles--Lambert, as sociedades Imerys (indústria mineira) e Rhodia (indústria química). Por sua vez, Reinhard Mohn, patriarca da família, afirmou o seu poder à frente da Fundação Bertelsman, uma das ramificações do grupo, cuja administração foi tradicionalmente confiada a personalidades da política e das finanças, ministros e secretários de Estado de diversos governos alemães, parlamentares, dirigentes de organizações internacionais como a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, o Banco Mundial, etc.



4. A Grã-Bretanha de Murdoch

Recentemente naturalizado norte-americano, Rupert Murdoch continua, no imaginário colectivo, associado ao panorama da imprensa britânica. Editor dos jornais News of the World, The Sun, The Sunday Times, The Times, apoiou a conservadora Margaret Thatcher como, anos depois, viria a apoiar o trabalhista Tony Blair. Além das suas iniciativas empresariais no campo dos media, Rupert Murdoch participa noutros sectores de actividade, investindo em sociedades norte-americanas como a Philip Morris e a United Technologies (indústria de armamento). Paralelamente, faz-se rodear, na administração do seu grupo, de personalidades vindas de empresas e sociedades como a Boeing, a Nike, a Apple, a British Airways,



5. A América dos trusts

Bem representada em sectores estratégicos como os seguros, a banca, a energia e, sobretudo, o equipamento militar, faltava à General Electric um instrumento susceptível de intervir na formação da opinião. Conseguiu-o com a aquisição, em 1986, da sociedade RCA, proprietária da cadeia de televisão NBC News. Assim cobiçadas, as empresas de comunicação social foram objecto de múltiplas transacções e de fusões. Resultado: em meados da década de oitenta, cerca de 50 empresas de comunicação social disputavam o mercado; dez anos mais tarde, esse número era reduzido para metade.

Em Manufacturing Consent. The Political Economy of the Mass Media, Noam Chomsky e Edward Herman analisaram a composição dos conselhos de administração dos dez principais grupos de comunicação nos Estados Unidos: Dow Jones, Washington Post, New York Times, Time, CBS, Times-Mirror, Capital Cities, General Electric, Gannett, Knight-Ridder. E concluíram: 41,1% dos administradores eram directores executivos de multinacionais; 8,4% banqueiros; 13,7% antigos industriais e capitalistas reformados; 8,4% juristas; 4,2% consultores de empresas privadas; 15,8% membros de associações «sem fim lucrativo». O dobrar do milénio, veio confirmar, senão acentuar, tal preponderância. Com efeito, os conselhos de administração, os conselhos fiscais e as variadas comissões consultivas internacionais dos grupos de imprensa norte-americanos, de impacto mundial, são largamente hegemonizados por directores provenientes da indústria, da alta finança ou de organismos aparentemente «independentes» como o Grupo de Bildeberg, a Comissão Trilateral e outros clubes de elite.

6. A Rússia da Gazprom

Nascida da transformação do Ministério do Gás em empresa pública, a Gazprom foi privatizada em 1992, alguns meses após o desmembramento da União Soviética, pelo seu antigo presidente, Viktor Chernomyrdin, entretanto nomeado Primeiro-Ministro. Rapidamente, a empresa assumiu dimensões gigantescas: mais de 30.000 assalariados, um volume de negócios superior a 7 mil milhões de euros, dezenas de milhar de pequenos accionistas russos e estrangeiros. Proprietária de empresas de produção de energia, de quintas, de fábricas agro-alimentares, de centros de saúde, de hotéis de luxo, de clubes privados e de bancos, particularmente activa na indústria mineira e das águas medicinais, a Gazprom controla cerca de um quinto das reservas mundiais de gás natural e assegura um quarto da produção do planeta (Geuens, p. 310). Escaparia a Gazprom à tentação mediática? Seguramente que não: em Abril de 2001, adquiria a cadeia de televisão NTV, confiando a respectiva Direcção-Geral a Boris Jordan, um americano de origem russa, instalado em Moscovo desde o eclipse do regime comunista e conhecido pela sua participação em negócios pouco claros (Geuens, p. 310).

Outras canais de Televisão passaram para as mãos de membros relevantes da nova burguesia russa, como Roman Abramovich, célebre proprietário do clube inglês de futebol Manchester United, que comprou 49% da cadeia nacional ORT, e Vagit Alekperov, grande industrial do petróleo, que se apoderou da moscovita TV-6.

7. A América Latina de Cisneros

O grupo Cisneros é, sem dúvida, o mais importante de toda a América Latina. Associado à AOL, na altura ainda ligada à Time Warner, constituiu, com este trust norte-americano, a AOL Latin América da qual viriam a emergir a AOL Brasil, AOL México, AOL Argentina, AOL Porto Rico. Associado à General Motors, criou a DIRECTV Latin América que agrupa 150 cadeias de televisão implantadas em 28 países, com uma gama de serviços que vai da rádio ao comércio electrónico e à transmissão de dados. O Cisneros é o principal accionista da Univisão, canal de televisão de maior audiência junto de 36 milhões de hispânicos residentes nos Estados Unidos. Mas o Cisneros é, também, parte interessada de empresas como Procafe (indústria de torrefacção), Pizza Hut (restauração), Spalding (equipamentos desportivos), Panamco (bebidas alcoólicas). E está na origem da Gengold, segunda companhia de produção de ouro no mundo.



8. A Ásia de Cheil Jedang

Um dos actores principais na indústria açucareira e, mais genericamente, na indústria alimentar asiática, o grupo coreano Cheil Jedang assumiu uma posição preponderante no sector dos produtos biológicos e na indústria farmacêutica. Investiu na sociedade Dream Works SKG, de Steven Spielberg, e prosseguiu os seus activos «media» na indústria do cinema, na produção de filmes para a televisão, na construção de teatros multiplex, na venda ao detalhe de cassetes vídeo. O grupo opera também em diversos canais de televisão, nomeadamente o Canal F e NTV m.net.



O lugar reservado para o «outro» e a alternativa

Mas nem todos os órgãos de comunicação social se inscrevem em grupos como os atrás descritos. E os que estão de fora? Qual o grau de independência que manifestam? Em que medida os conteúdos por eles produzidos evitam os estereótipos da cultura dominante? Em que medida resistem ao desencadear de processos de naturalização visando fabricar adesões de circunstância, forjar pseudoconsensos? Em que medida rejeitam as narrativas mediáticas tradicionais que convertem, como por magia, uma história fragmentada, em função de interesses por vezes inconfessáveis, numa continuidade feita de mutações tão dissimuladas quanto incessantes, criando, assim, uma aparente unidade, consentida e com-sentido entre «o que acaba de se passar» e «o que vai passar-se»? (Rebelo, 2006: 20). Empreitada difícil, essa. Até pelos efeitos miméticos que grassam no campo, estudados por Pierre Bourdieu e assim descritos por Ignacio Ramonet: «Hoje em dia, eles [os media] estão interligados, funcionam em círculo, os media repetindo os media, imitando os media» (Ramonet, 1999: 161).

O apogeu dos meios de comunicação de massa coincidirá com o início da sua fragilização? É que a inovação tecnológica abre-nos, todos os dias, possibilidades antes inimagináveis. Através de um simples telemóvel qualquer um de nós pode aceder à Internet, esteja onde estiver, em qualquer ponto da cidade: em casa, no café, no jardim. E aceder à Internet não significa, apenas, capacidade de receber conteúdos. Significa, também, capacidade de emitir conteúdos que, em seguida, circularão ou em rede ou pelos clássicos meios de comunicação. Extensão do sujeito assim conectado com todos os lugares e todos os outros sujeitos, recebendo e enviando sinais. «Ganhámos o poder de estar em todo o lado sem sairmos do mesmo sítio», exclama Cláudia Dona, citada por Derrick Kerckove (1997: 237). Extensão do sujeito que, sem sair do mesmo sítio, sai, no entanto, de si. Escreve Michel Maffesoli: «Não esqueçamos que o próprio termo existência ‘ek-sistência’ evoca o movimento, o longínquo. Existir é sair de si» (1997: 28).

O controlo à distância, tornado um banal instrumento, presente em todos os lares, já o havia anunciado: o princípio de grelha de programas, com um encadeamento próprio, é subvertido pelo vai-vem de canal para canal. E, à medida que o ecrã de televisão se for confundindo com o ecrã do nosso telemóvel, mais se acentuará a tendência para o estilhaçar de conteúdos. Para a sua conversão em textos curtos do tipo SMS. Mas esses fragmentos, recolhidos de forma aparentemente aleatória, poderão ser recombinados pelo mesmo sujeito, segundo uma lógica que é a sua. Na sua complexidade. Na sua diversidade. Notável processo este: se a construção de sentido passar a fazer-se de dentro para dentro e já não «de fora para dentro» para falar como Kerckove.

Massificação versus individuação; homogeneização versus diferenciação. Os dados estão lançados. Ou materialização da alternativa ou recuperação de um mero desvio.

* José Rebelo

Doutorado e Agregado em Sociologia (área de Comunicação e Cultura), pelo ISCTE. Coordenador do Mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação, ISCTE/Departamento de Sociologia. Director da TRAJECTOS, Revista de Comunicação, Cultura e Educação, editada pela Fim de Século. Membro da Comissão Permanente do Conselho de Opinião da RTP. Comendador da Ordem da Liberdade. Autor e coordenador de diversos livros.



Notas

1 Sobre as Edições Hachette que, durante um século e meio, dominaram o panorama francês do audiovisual, da distribuição e edição de livros, jornais e revistas especializadas, até serem envolvidas na onda de fusões, ver Gabriel Enkiri, Hachette la pieuvre, Paris: Librairie de la Commune, 1972.

2 Conf. Elio Veltri e Marco Travaglio L’Odeur de l’Argent, Les Origines et Les Dessous de La Fortune de Sílvio Berlusconi, Paris: Fayard, 2001.

Referências bibliográficas

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