O manancial que nos inspira



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Encontro01.08.2016
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O MANANCIAL QUE NOS INSPIRA
S. Inácio descobriu as profundezas da pessoa humana, as coisas ocultas da pessoa, para assim poder ajuda-la a conhecer-se, crescer e gerar novos modos de se relacionar com ela mesma, com os outros, com o meio ambiente e com Deus.

Em outras palavras diríamos que o que revela a experiência pessoal implica, por um lado, uma realidade machucada, ferida, vulnerada, mas também, por outro lado, um potencial, certas forças, um “poço” de possibilidades, um conjunto de forças positivas. São os dois rostos do coração da pessoa humana.

Isso quer dizer que a pessoa toda é movida, na sua atuação, por uma mistura dessas duas faces do seu coração: a ferida e o poço, o medo e os desejos...

É a mistura dessas duas realidades que faz que cada pessoa seja ela mesma. É o interagir da parte vulne-rada com o potencial de possibilidades que vai dando identidade à pessoa e onde ela pode ir descobrindo qual é o sentido da sua vida e qual é a sua missão na história.

Por isso, na medida em que você se fizer mais consciente dessas realidades do seu interior, em que se der conta do que brota da sua parte vulnerada e a for curando, em que se der conta da riqueza que existe no seu poço e a for potencializando, passará a se conhecer, a crescer e a descobrir a sua verdade mais profunda e, ao mesmo tempo – ao se tornar uma pessoa modificada por dentro – a modificar as estruturas da história.
Vamos agora percorrer a nossa parte brilhante, esse rosto positivo que pouco conhecemos, pois, lamenta-velmente, poucas vezes nos permitimos entrar nele e inclusive poucas vezes temos alguma consciência de que existe, de que é o mais profundo, valioso e autênticos de nós mesmos.

Abre-se, então, a possibilidade de reconhecer e fazer um caminho de redenção, acolhendo e potencializan-do o poço da positividade e das energias vitais. Este é o caminho que leva a desenvolver plenamente a dimensão humana: limpar a ferida a partir do próprio manancial.

Isso significa que o crescimento pessoal é um compromisso que só é possível se se nutre com a água do próprio poço, a água que nasce do manancial interior.

O nosso manancial interior alimenta o poço das nossas qualidades, das nossas potencialidades e faz que se revele, no exterior, o rosto positivo do nosso coração.


E o que é o manancial?

O seu manancial é aquilo que existe em você que é inalterável, inesgotável, o que o(a) salva nos momentos mais difíceis, o que lhe dá mais intimidade. Se você entrar no seu manancial, encontrará, além do seu potencial máximo, fundamentalmente outras duas realidades que seguramente passam despercebidas no cotidiano de sua vida: a consciência e a água viva.

Em primeiro lugar, no manancial que o(a) identifica se encontra uma voz que é a voz do seu ser que está crescendo, uma voz que lhe indica o que lhe faz bem, o que lhe ajuda a ser verdadeiro, o que o(a) empulsiona para a integração e, ao mesmo tempo, o(a) leva a gerar o bem, a veracidade, a integridade...

Isso é a sua consciência.

Por outro lado, nesse manancial se encontra também uma água viva, que é a presença atuante e transfor-mante do próprio Deus, lá no âmago da sua intimidade mais profunda.

Essa dupla descoberta faz você ser capaz de levar a sério a sua vida e dar-se conta de como, na vida mesma, na sua própria vida, está inscrito, no mais fundo do manancial, algo que tem a ver com a solidariedade, algo que se refere à metáfora da “água” e do “poço”: a água não serve para si mesma; é para as outras realidades, para as outras pessoas.

É isso que significa “ser pessoas para os demais”.
Há qualidades que nos identificam: a cor da pele, a altura, a cor dos olhos... o nosso gênero, inclusive a nossa profissão. Mas o manancial nos oferece aquilo que nos faz únicos em meio à caravana humana com a qual caminhamos pela vida.

O que nos faz pessoas únicas são essas forças no nosso interior que nos tornam capazes de superar os piores momentos das nossas vidas; essas forças que nos tiram das piores trevas e nos devolvem à existência. Essas forças não são as mesmas para todos.

Para algumas pessoas será o desejo de viver e ser livre. Para outras, será o desejo de servir, o amor a alguém, a atenção aos necessitados. Essa combinação de um punhado de qualidades, de potencialidades, de “desejos” é o que fundamentalmente me faz ser eu mesmo.
Essa experiência do manancial se faz não com idéias, mas vivenciando-a; não porque me disseram, mas porque verifiquei que, na realidade, essas poucas qualidades e potencialidades constituem, de fato, o meu manancial. De tal modo que se faltasse alguma dessas forças, ou dinamismo, eu não me reconheceria.

Meus desejos me constituem, ou melhor, fazem-me ser inusitado, distinto, único, original.

Devo prestar muita atenção à força que os desejos profundos têm na descoberta do meu manancial.


E como se sabe isso?

Existem certos sintomas, alguns indicadores que deixam ver o seu próprio poço, o seu próprio manan-cial e, sobretudo, que fazem que se “note” que você vive mais a partir deste lado do seu coração.

Potencializar a positividade e fazer crescer cada vez mais o poço... isso se “nota” no compromisso com o seu processo contínuo de crescimento, discernimento e análise da realidade pessoal e histórica, na capa-cidade de autocriticar-se construtivamente, na capacidade de tomar decisões, na liberdade das relações, na aceitação da crítica externa como caminho de crescimento, na ausência de medo psicológicos, no ma-nejo da culpa sadia, responsável e fecunda, aquela que leva a reconhecer erros e tentar repará-los, nas reações proporcionais às realidades pre-sentes, na diminuição do emprego dos mecanismos de defesa, na ausência de comportamento compulsivo e na possibilidade de possuir a imagem do Deus de Jesus...

O seu poço também revela a força que brota do seu manancial, a riqueza da sua positividade na auto-estima positiva, na consciência solidária e no comportamento ético.


Textos bíblicos: Ez. 47,1-12 Jo. 7,37-39

FONTE: CEI-JESUÍTAS - Centro de Espiritualidade Inaciana

Rua Bambina, 115 - Botafogo – RJ



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