O menino que encarou o monstro



Baixar 12.02 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho12.02 Kb.
O MENINO QUE ENCAROU O MONSTRO

Um dia, José ouviu um barulho em seu quarto. Mas, não era um barulhinho desses comuns, não. Era um barulho assustador! Parecia que o barulho vinha de todos os lados: às vezes, parecia que vinha de dentro do guarda roupa, mas, naquele instante, pareceu-lhe que vinha debaixo de sua cama!

Com medo, José cobriu-se com o cobertor, apertou o travesseiro nos ouvidos e tentou dormir. Mas, quem disse que conseguia? Ficava pensando e pensando um monte de coisas:


- Será que é um alienígena?
- Será que se parece com um dragão? Com um dinossauro?
- Será que é algum monstro perdido que resolveu morar embaixo da minha cama?
Desde esse dia, José rezava para não ter que ir ao banheiro durante a noite, pois achava que o monstro podia lhe pegar. Ele não parava de pensar na frase que seu pai vivia repetindo "Se correr o bicho, se ficar o bicho come!"

Mas, como parecia que quando ele dormia o monstro sumia, se esforçava para não acordar de jeito nenhum durante a noite.


 
Porém, uma noite não teve jeito. O xixi já estava quase saindo pela pontinha do pipi, nem adiantava mais se contrair, se contorcer, parecia que ia explodir. Seria horrível: ele iria ficar todo ensopado! Então, sem pensar muito, deu um enorme salto da cama e foi correndo ao banheiro. Ufa! Que alívio ele sentia ao ouvir aquele delicioso barulhinho - "trrissxsxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx"! Só depois de feito o xixi, ele parou para pensar: "Xi! Agora tenho outro problema. O que fazer..., voltar para cama, ou dormir no sofá?"

De tanto pensar e procurar uma resposta, ele acabou pegando no sono lá mesmo.

Mas, na noite seguinte, o mesmo aconteceu. José teve que ir ao banheiro (não deu pra segurar, de novo!) e com medo de voltar, outra vez desceu para a sala.
Lá do quarto sua mãe gritou:
- Nada de ficar dormindo aí na sala, já para cama!

Ele sabia que tinha pouco tempo, em breve sua mãe o arrastaria para o quarto. Ela podia não acreditar que lá existia um monstro, ou pior, ela podia querer conferir e ser devorada! É. Não teria jeito, ele tinha que arrumar uma saída rapidamente. Foi então que teve a brilhante idéia de ficar de cabeça para baixo para não pensar tanto naquela frase que insistia em se repetir em sua cabeça: "SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME!"

E parece que adiantou! A frase foi saindo de dentro de sua cabeça e ele foi ficando mais tranqüilo. Então surgiu uma enorme vontade de sentar-se em silêncio, igual ele viu em um filme. Era maravilhoso, ele ficou tranqüilo, não sentia medo nenhum. Nesse silêncio ele conseguiu até ouvir a voz de seu próprio coração. E foi justamente o seu coração que trouxe de volta a frase que tanto o assustava. Mas, dessa vez ela surgiu fraquinha, veio mais tranqüila, veio diferente:
- Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, MAS, E SE ENCARAR?

A frase veio junto com uma pergunta e ele precisava encontrar a resposta. Assim, usou todo o poder de sua concentração e mais uma vez mergulhando no silêncio, ouviu:


Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, MAS, E SE ENCARAR?

SE ENCARAR O BICHO SOME!!!

Era isso, ele entendeu direitinho: tinha que encarar o monstro!

Então o pequeno José sentiu que para encarar e vencer o monstro, ele teria que se transformar em um grande herói. Para isso, inspirou forte e soltou todo o ar pela boca, colocando para fora todo o medo que estava dentro dele. Depois, se aqueceu, se esticou, se contorceu, mexeu o corpo para lá e para cá. Quanto mais movimentos fazia, mais sentia que a força e a coragem surgiam.

Aí, José sentiu-se pronto. Astutamente, correu feito um lagarto pelo corredor, se arrastou feito uma cobra até a porta e, percebendo que o monstro estava a sua espreita - sem duvidar que fosse possível! - feito um corvo, voou para cima da cama.

Debaixo da cama ouvia o monstro urrar, gritar. Não pensem que ele não ficou com um pouquinho de medo, mas logo pensou de novo na frase que ouviu de seu coração e trouxe força para todo o seu corpo.

Sem duvidar, pulou para o chão e foi se preparando para entrar debaixo da cama. E quando entrou, pronto para encarar qualquer situação... percebeu... percebeu que o bicho havia SUMIDO!

Vai ver sumiu de medo de encará-lo! José já estava se sentindo um vencedor quando voltou a ouvir o som do monstro, só que agora parecia que vinha da cama acima da sua (é isso mesmo, ele dormia em um beliche). Será que era outro monstro que ele ia ter que encarar? Quando já ia voar feito corvo para cima da cama de seu irmão, percebeu que seu pai e sua mãe estavam na entrada do quarto. Contou para eles - em detalhes - tudo o que havia feito. Falou de como havia se transformado em um herói e sobre a nova frase que havia escutado do seu coração.

Seus pais adoraram, deram boas gargalhadas, e até o aplaudiram por tanta coragem. Além de ganhar muitos carinhos, José ganhou também um delicioso copo de leite quente e foi dormir tranquilamente, pois, se qualquer monstro pintasse na área ,ele estava preparado para encarar.

Fora do quarto, os pais ouviram assustados, um som que vinha lá de dentro... Olharam-se e pensaram se aquilo era um ronco, ou se seria mesmo um monstro?

Mas, logo se tranqüilizaram e foram dormir. Eles também haviam aprendido a lição:
SE CORRER O BICHO PEGA, SE FICAR O BICHO COME. MAS, SE ENCARAR, O BICHO SOME!!!!
 
Obs.: Conheci a versão melhorada desse ditado popular através do querido professor José Antônio M. Filla. Há tempos que ela borbulha dentro da minha cabeça pedindo para ser transformada em história. Uni essa idéia a outro tema - os monstros que habitam nosso quarto - que sempre aparece dentro do imaginário infantil. Misturei tudo, e... aí está. Espero que gostem. Aliás, a história é dedicada aos meus amores: Rosa Muniz, Anays e Yam.
 
Seguem algumas dicas de posturas que podemos relacionar com passagens da história e assim trabalhar com os pequenos.

 1.Sopro Haaaaa!!!! (para soltar o medo)

 2.Paradinha de mão com a ajuda do professor (para parar de pensar naquela frase que não queria sair da cabeça: Se correr o bicho...)

 3. Um pouco de meditação, observando o silêncio. ("Então surgiu uma enorme vontade de sentar-se em silêncio, igual ele viu em um filme.")

 4.Várias posturas da seqüência do Virabadrasana- posturas do guerreiro. ("Então o pequeno José sentiu que para encarar e vencer o monstro, ele teria que se transformar em um grande herói.")

 5-Chaturanga dandasana, descendo para nakrasana. (... "correu feito um lagarto pelo corredor "...)

 6. Do Nakrasana para o Bujangasana (podemos dizer às crianças que ele fazia a postura da cobra, olhando atentamente para ver se o monstro não estava a sua espreita).

 7.Compensar a coluna no cachorro olhando para baixo (dizendo que era assim que ele se preparava para se transformar em corvo) /Postura do corvo ("Sem pensar, voou como um corvo para cima da cama").

 8.Escolher uma torção qualquer (José olhando para os lados, procurando o monstro debaixo da cama).



 9. Para finalizar, podemos repetir junto com as crianças três vezes a frase com o novo significado e fechar com um relaxamento dirigido que ressalte a força e coragem da criança.
 


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal