O mistério do cavaleiro e a serpente



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Encontro29.07.2016
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O mistério do cavaleiro e a serpente

Os antigos mestres sempre repetiam um provérbio que dizia: ‘A oposição de um homem de conhecimento é cem vezes melhor do que o elogio de um tolo’.

Certo homem sábio, quando escutou este provérbio, afirmou, “Atesto que isso é correto tanto nos níveis mais elevados da existência, como nos mais baixos”. Na tradição dos sábios que difundiram a história do cavaleiro misterioso e da serpente, sua constatação se torna evidente.

Um cavaleiro dotado de todas as qualidades de nobreza, força e sabedoria, desde sua privilegiada capacidade de percepção, viu, quando passava por um bosque, como uma serpente venenosa se esgueirava para dentro da garganta de um homem que dormia debaixo de uma árvore. O cavaleiro viu que se deixasse aquele homem dormir daquela maneira, o veneno o mataria.

Resolveu então sacudir com força o homem adormecido, até que ele despertasse. No mesmo instante, obrigou-o a comer maçãs apodrecidas que estavam no chão e, em seguida, fez com que bebesse grandes goles de água de um riacho próximo, arrastando-o contra sua vontade. Enquanto isso, o homem se debatia tentando escapar, gritando apavorado, com os olhos arregalados:

O que foi que eu fiz, tirano, inimigo da humanidade, para que me desgrace desta maneira?

E o cavaleiro continuou sacudindo-o pelo pescoço e pelos ombros, até que por fim, exausto, o infeliz rolou no chão e só então pôde vomitar as maçãs, a água e a serpente.

Mas quando, finalmente, viu o que saía de dentro dele, que expelia água pelo nariz e uma serpente pela boca, só então compreendeu o que estava acontecendo. E, pedindo perdão ao cavaleiro, disse:

– Por que você não me disse, não me explicou o que estava fazendo? Eu teria aceitado esse tratamento de bom grado.

Mas o misterioso cavaleiro respondeu:

Se eu tivesse lhe contado, você não teria aceitado, nem acreditado. Você poderia ficar paralisado, em pânico, ou teria saído correndo. Ou simplesmente cairia num sono profundo outra vez, para fugir da situação, e morreria; e eu não teria tido tempo de socorrê-lo com emergência.

Assim dizendo, o ginete montou em seu cavalo e galopou estrada afora.



Ao escutar este conto, não tomemos história por alegoria nem alegoria por história, pois aqueles que são gente de conhecimento têm responsabilidade. Aqueles que carecem de conhecimento nada têm além de suas conjecturas. Esta é uma condição da humanidade.

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