O momento da virada



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Encontro29.07.2016
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O MOMENTO DA VIRADA


A história compõe-se de uma sucessão de fatos, que, dizem, repetem-se ciclicamente no tempo, sejam nos aspectos de nossa vida pessoal, políticos, climáticos etc. Até nas ocorrências que fogem a nosso controle, como as explosões solares que, provou-se, ocorrem ciclicamente, quanto no aparecimento de asteróides, ou passagem de cometas etc.
Essas divagações são necessárias para que possamos entrar no assunto principal que é a “evolução cíclica” de nossa história empresarial brasileira.
Se olharmos os dados dos últimos 20 anos no que se refere às empresas que estavam na plenitude de sua exposição pública, quando seus dirigentes constavam de todas as listas de empresários e empresas modelo, especialmente se olharmos a premiação que era concebida aos empresários do ano pela Gazeta Mercantil, veremos que daqueles, vários não conseguiram conduzir os efeitos cíclicos na vida de suas empresas e naufragaram, fechando ou vendendo seus negócios.
Como exemplos mais evidentes e visuais podemos citar a Mesbla, o Mappin, Casa Centro, Arapuã, Cofap, Metal Leve, dentre outros. A situação de naufrágio ou sua venda decorreu, ora porque estavam econômica ou financeiramente incapazes, ora porque seus produtos estavam defasados em relação à tecnologia ou necessidades do mercado, ou ainda porque não souberam dividir o poder na gestão, seja pela diversificação familiar ou trazendo profissionais que pudessem dar o suporte necessário para atravessar as turbulências, ou simplesmente porque não perceberam as mudanças provocadas pela dinâmica cíclica do mercado.
Muito se tem falado sobre os nocivos efeitos da globalização, basicamente orquestrado por empresas, através de suas associações ou confederações. Entretanto há um número enorme de empresas que pouco falam, pois estão fazendo o que sabem que é fazer negócios e ganhar dinheiro, e que aproveitam e muito os tais efeitos da globalização. Olhe-se no Brasil alguns setores específicos, como praticamente toda a área de agrobusiness, aço, produtos minerais, automóveis, jóias e ouro, dentre outros, que fizeram com que as exportações brasileiras superassem a casa dos US$ 100 bilhões anuais. Parabéns a essas industrias.
O mercado brasileiro deve estar muito atento aos efeitos de alguns países que vêem crescendo a níveis bastante superiores que a média mundial, graças a aplicação em educação, desenvolvimento de seus parques industriais, capacidade de negociar internacionalmente etc, estando à frente a China, identificada como o grande dragão que virá calcinar as empresas brasileiras com seus produtos baratos e sem qualidade. Ledo engano. Muitas serão calcinadas, mas quem tiver olhos para ver e cabeça para agir saberá tirar proveito desse novo grande player do mercado, fornecedor, mas também grande consumidor daquilo que não sabem ou não podem produzir, seja insumo ou produto industrializado.
As Empresas brasileiras precisam se reinventar, olhando seu modelo de negócio de fora para dentro e não de dentro para fora. Essa reinvenção exigirá por certo rupturas, novas tecnologias, divisão do poder do capital e de comando, diversificação de negócios, abertura para o novo, novos mercados etc. É muito comum vermos empresas, principalmente familiares, que iniciam esse processo, premidas por dificuldades domésticas, não necessariamente externas, e retrocedem algum tempo depois, seja para não perder o poder de capital de acionistas fundadores, seja para não perder a ligação psicológica com sua cria, como pequenos filhos que crescem, que, se não se desenvolvem, podem morrer.
Essa visão de reinvenção do negócio não pode ser meramente circunstancial, muito embora a dinâmica do mercado seja permanente; o que vale hoje pode não valer na próxima semana; mas de cultura, busca de um novo modelo mental, de pensar e agir e de decidir, fazendo escolhas, liberando-se de uma visão para dentro, parcial e muitas vezes equivocada.
Então, é importante planejar sempre executar sempre a sua “virada”. Se está bom, vamos mexer, senão poderemos ser calcinados pelo dragão do norte, que ciclicamente retorna para fazer com que os mais ágeis e preparados melhorem cada vez mais, e os despreparados, paquidermes, ou apegados a dogmas do passado naufraguem.
Elizeu Lima

Elima1@uol.com.br

Nov/2005


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