O mundo com ou sem a Doutrina Católica por D. Alexandre Le Roy, Bispo de Carie



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VERITATI – BOLETIM AOS AMIGOS E BENFEITORES DA FBMV (MARIANOS)


N° 5 - Setembro 2010

O Mundo com ou sem a Doutrina Católica.

por D. Alexandre Le Roy , Bispo de Carie.


Nascido em 19 de janeiro de 1854, na Normandia, de pais agricultores, Alexandre Roy fez seus estudos secundários na Abadia de Blanche de Mortain, na mesma região.Prosseguiu seus estudos de filosofia no seminário da diocese de Coutances. Ao terminar estes estudos, o Bispo de sua diocese deu-lhe permissão para entrar na Congregação do Espírito Santo. Ordenado com 22 anos, foi primeiro professor, depois se dedicou a missões no continente africano, onde explorou os territórios que poderiam ser propícios ao estabelecimento de novas missões, recolhendo material sobre a terra e os povos que encontrou. Escreveu livros e artigos sobre esses assuntos, que fizeram sucesso na Europa. Foi nomeado depois Vigário Apostólico para as duas Guinés e o Gabão. Eleito superior geral de sua congregação, permanecerá assim 30 anos a serviço dessa congregação missionária (da qual, anos depois, Mgr. Marcel Lefebvre também seria superior). Faleceu no dia 22 de abril de 1938. (Veritati).


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“Era uma vez uma velhinha, tão vehinha tão velhinha, que tinha visto morrer seu pai, sua mãe, seus irmãos, irmãs, seus filhos e netos.

Foi então que, mergulhada em seu sofrimento, ela resolveu procurar Deus, para lhe pedir explicações: Porque a morte, e que aconteceu com todos aqueles que foram arrebatados?

E pensando que acharia Deus no céu, construiu uma torre tão alta, tão alta, que seu cume atravessava as nuvens. Mas a torre acabou caindo, sem que a velhinha tivesse tido condições de atingir Deus.

Então ela partiu para o longínquo horizonte, onde o céu parece tocar na terra, dizendo a si mesma: Talvez seja lá que Deus se mostre. Assim, percorreu, por muito tempo, países e países, mas não o encontrou.

Viajou depois pelos mares, sempre à procura, mas nem assim foi mais feliz.

Então ela voltou à terra mais triste e mais desanimada ainda.

Certo dia umas pessoas lhe perguntaram: “Mas qual é teu sofrimento, pobre velhinha, que procuras com tanta insistência?” “Busco Deus, respondeu ela, pois Ele me arrebatou todos os meus e eu quero saber as razões dele.” E aquelas pessoas lhe responderam: “Ah! Em que tua sorte é diferente da nossa? Também nós perdemos os nossos parentes, Deus no-los tomou e não sabemos porque.

Mas a velhinha não aceitou aquelas consolações e recomeçou suas caminhadas em busca de Deus.”


Essa história, de uma filosofia tão melancólica e tão profunda em sua ingênua simplicidade, é narrada na África, à noite, quando os velhos, reunidos em torno da fogueira, na choupana comum, se entretêm sobre os problemas cuja solução lhes escapa: Por que a dor? Por que a morte? Onde está Deus e que quer Ele de nós?

Eternas questões que são propostas por toda a Humanidade, esta pobre velhinha que, à medida que avança em idade, vai semeando seus filhos pela estrada dos séculos, mas ignora o que lhes sucede no além que os devora.



No entanto a verdade é que Deus falou.

E é justamente um dos mais angustiosos mistérios deste mundo, observar tantos povos se sucederem sobre a aterra, sem ter podido guardar da Palavra dEle, a não ser um longínquo eco enfraquecido.

Também é angustiante, que contemos no meio de nós, passados já vinte e um séculos de idade da Revelação Cristã, homens que a Palavra Divina não atingiu, ou que ela contraria, ou que os deixa indiferentes.

Entretanto, como disse o poeta, aliás tão pouco dócil ao apelo de Deus:

“Uma imensa esperança atravessou a terra. Mas, mesmo contra nossa vontade, é para o céu que temos que dirigir os olhos”.
Frederico Le Play disse que cada geração de crianças traz uma nova invasão de bárbaros, pequenos bárbaros aos quais a Sociedade tem o dever de instruir, educar, elevar, civilizar, sob pena de se arruinarem.

Esses bárbaros também são infiéis.

Dentre eles os que não alcançam ser batizados continuarão infiéis por toda a vida. Não adquirirão da verdade religiosa mais do que um conhecimento vago e errôneo. Acabarão por entrar na Eternidade sem ter descoberto o que vieram fazer na terra.

Outros recebem na infância uma instrução religiosa mais ou menos sumária, que pouco a pouco se atrapalha, se dissipa e às vêzes dá lugar aos mais estranhos preconceitos.

Outros, enfim, convencidos a tempo que o homem não foi criado a não ser para “conhecer, amar e servir a Deus e, por esse meio alcançar a vida eterna”, se aplicam, apesar da fraqueza humana, a realizar este ideal, instruindo-se cada vez mais, para proceder cada vez melhor.

Mas nessas diversas categorias humanas, que seria conveniente subdividir ao infinito, que parcela se deveria dar à negligência, à leviandade, à preocupação quase exclusiva dom os bens materiais, com a ambição, com as paixões, pois esta é uma das vantagens que o Erro tem sobre a Verdade – é mesmo a principal – que é poder contar com a cumplicidade de todos os maus instintos da natureza.

Contudo, se o desconhecimento de Deus tende sempre a invadir a sociedade, do mesmo modo como a areia do deserto vai invadindo os verdes oásis, é urgente que, por um trabalho assíduo, se volte perpetuamente a espalhar o ensinamento da verdade, como Jesus mandou: “Ensinai a todas as gentes”...”Pregai o Evangelho a toda criatura”.

Foi pensando nos infiéis que esta grande palavra foi pronunciada; os infiéis pertencem a todos os países e a todos os tempos.

Trabalho de proteção junto àqueles que sabem, para que não acabem esquecendo.

Trabalho de restauração junto àqueles que esqueceram, para que lembrem de novo.

Trabalho de ação conquistadora junto àqueles que não sabem, para que aprendam o que ignoram e que deveriam conhecer antes de qualquer outra coisa. Pois é também uma coisa estranha, perceber que este ou aquele homem, muitas vêzes até inteligente e instruído, que não teria coragem de dar uma opinião sobre ciência, sem primeiro estudar convenientemente, não ter a menor hesitação em se por a discorrer sobre a religião católica sem conhecer, atribuir a ela erros que ela condena e, abrigado em seus próprios preconceitos, fazer dela as idéias mais estranhas.

Conta-se na biografia do Duque de Morny que, quando jovem, estudante na Escola Militar de Fontainebleau, resolveu, por um exame sério, mergulhar afinal nas questões religiosas, para não ter que ficar encalhando na estrada da vida, por causa de recuos da dúvida, ou de vãos escrúpulos.

Entretanto, se o conhecimento da religião católica é uma base indispensável, devemos não esquecer que a fé é a virtude que coroa essa base. Ora, toda virtude sobrenatural supôe a graça de Deus operando na vontade livre do homem, mas operando tanto melhor quanto mais sincera for essa vontade, mais humilde e mais desapegada de todas as paixões e preocupações que a viciam.

Como acertadamente observou Pascal, existem na religião católica bastantes clarezas para se enxergar e bastantes sombras para obrigar ao esforço, respeitar a liberdade e provocar o mérito que segue a recompensa.

É com estas disposições que o homem, viajando pela terra afora, deve procurar Deus, não como a velhinha da lenda africana, para Lhe pedir prestação de contas, mas para se atirar aos seus pés, como diante do mais justo, do mais misericordioso, do melhor dos pais.


A Rússia espalhará seus erros... (2ª parte)



Por Pascal Bernardin (extraído do nº 53 da revista Sel de la Terre, Couvent de la Haye-aux-Bonshommes, 49240 – Avrillé – França).
A Rússia espalhará seus erros ou a URSS difundirá o comunismo?


Queda do muro de Berlim
Parece-nos portanto inexato afirmar que a Rússia não tenha espalhado seus erros pelo mundo. Ela não se converteu e todos os castigos previstos parecem ter sido infligidos: guerras, fome, perseguições contra a Igreja e o Santo Padre e aniquilamento (em curso) de várias nações. Ela espalhou o socialismo no mundo inteiro, incluíndo aí os Estados Unidos, que passam por uma socialização acelerada.

Mas Nossa Senhora não afirmou jamais que a URSS espalharia o comunismo no mundo inteiro: apenas uma opinião privada de Irmã Lúcia apóia esta interpretação. Nossa Senhora disse que a Rússia espalharia seus erros através do mundo. Certamente não se pode excluir o socialismo, mas parece que ele não pode representar todos os erros da Rússia. Parece-nos que é preciso ainda acrescentar o mundialismo e a espiritualidade global que buscam o aniquilamento das nações e a perseguição da Igreja, conforme as advertências de Nossa Senhora.1 A Perestroika tinha também em vistas o estabelecimento de uma “Casa Comum” na Europa, onde se reuniriam todas as nações européias. Este projeto, se proposto vinte anos antes, causaria riso... Paralelamente, o presidente Bush (I) promulgou a Nova Ordem Mundial. Portanto, a Perestroika desencadeou e ampliou a integração européia e permitiu a expansão do mundialismo. Suprimindo (na aparência), os antagonismos políticos, ela unificou o mundo e permitiu que ele se organizasse não segundo critérios ideológicos, mas em bases geográficas e regionais que aniquilam as fronteiras (Europa, FTTA, para as Américas, ASEAN2 para o sudeste da Ásia, etc.). Suprimindo a imagem do inimigo, a Perestroika aniquilou a divisão psicológica espalhada pelo mundo, destruíu as fronteiras mentais que dividiam o mundo e provocou assim sua unificação.



A Espiritualidade global.

Paralelamente a este movimento de aniquilamento das nações, que atinge primeiramente a Europa apóstata, se desenvolve um outro processo, menos conhecido mas que é mais perigoso ainda: a elaboração e a imposição de uma espiritualidade global, ecológica e pagâ, anticristã.

Hoje, o movimento revolucionário desencadeado pela Perestroika procura criar uma nova civilização. Os revolucionários elaboram um novo paradigma (uma nova representação do mundo) holística3, totalizante, um novo sistema de valores, uma nova ética. O “desenvolvimento espiritual” está na ordem do dia. Uma “espiritualidade global”, ecológica e pagã emerge e deve fazer parte de todas as religiões. Encontramos aí o messianismo comunista procurando realizar o paraíso na terra e negando a Graça. Segundo esta concepção, a salvação terrestre é universal e ecumênica, negando-se a necessidade da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Os três erros da Rússia que nós distinguimos se apóiam sobre a visão holística, gnóstica, maçônica, que identifica Deus e o mundo, nega a distinção entre o Criador e a criatura e portanto a necessidade da salvação, e abole todas as fronteiras. Tudo está no tudo. A utopia coletivista negava as distinções sociais e queria suprimir a burguesia, concretizando a visão holística no domínio político e social. O mundialismo quer suprimir as fronteiras e quer materializar a visão holística na ordem geopolítica. Enfim, a espiritualidade global, resurgência do paganismo, quer dar à perspectiva holística toda a sua amplitude, quer impô-la na ordem espiritual.. Nestes três domínios nós encontramos esta concepção gnóstica, anticristâ, que prefigura, em conformidade com as advertências de Nossa Senhora, as perseguições à Igreja.


A dicotomia radical entre a matéria e o espírito, o corpo e a alma, o sagrado e o profano, o homem e a natureza, ou o Criador e a criação,deve ser ultrapassada para permitir a valores tais como a sacralidade da Terra, a continuidade do ser, a interação benéfica entre a comunidade humana e a natureza,e a reciprocidade entre a humanidade (e não o homem individual) e o céu, de receber toda importância que eles merecem em filosofia e em teologia (ONU, 1995, conferência de Copenhague4)

Para os antigos, o Nilo era um deus que se deve venerar, igualmente o Reno, origem de incontáveis mitos europeus, ou a floresta amazônica, a mãe das florestas. Por todo o mundo, a natureza era considerada a morada das divindades. Estas conferiram às florestas, ao deserto, à montanha, uma personalidade que impunha adoração e respeito. E a Terra também tinha uma. Reencontrá-la, ressucitá-la, eis a essência da Conferência do Rio (Boutros Boutros-Ghalli, Conferência do Rio5)

As reservas biológicas nos alimentam, nos vestem e nos fornecem alojamento, medicamentos e alimento espiritual (ONU , Conferência do Rio6)

Paradoxalmente, a atual crise ecológica nos oferece a oportunidade de criar uma teologia ecumênica , fundada num sentimento de respeito do meio-ambiente renovado, que poderia servir de denominador comum e de ponto de ligação para uma cooperação entre as principais religiões (State of the World Forum, organização fundada por M. Gorbatchev7.




M. Gorbatchev

Sabe-se que Mikhail Gorbatchev é o principal artífice da Carta da Terra8, texto neopagão que a UNESCO, cujas simpatias comunistas e progressistas não podem ser contestadas, gostaria de ver figurar entre os textos fundadores da Nova ordem mundial. Pode-se encontrar aí princípios surpreendentes, cujas inevitáveis consequências devem ser medidas:

(Nós) formamos uma única humanidade e uma única comunidade sobre a Terra, partilhando de um destino comum. Devemos unir nossos esforços para fazer nascer uma sociedade mundial durável, fundada (1º) sobre o respeito da natureza, (2º) sobre os direitos universais do ser humano, a justiça econômica e uma cultura da paz. Com esse objetivo, é imperativo que nós, povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, para com a comunidade da vida , e também para com as gerações futuras (...).

A humanidade faz parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, é viva e abriga uma comunidade única de seres vivos. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra forneceu as condições essenciais para a evolução da vida (...) A proteção da vitalidade, da diversidade , bem como da beleza da Terra é uma responsabilidade sagrada(...)

Devemos escolher: formar uma parceria em escala global para cuidar da Terra do nosso próximo, ou então participar da nossa própria destruição, e também da destruição da diversidade da vida. São indispensáveis mudanças fundamentais nos nossos valores, nas instituições e na nossa maneira de viver (...) Nossas questões ambientais, econômicas, políticas, sociais e espirituais estão estreitamente ligadas, e nós podemos em conjunto encontrar soluções integradas. (...)

Reconhecemos a necessidade urgente de uma visão comum dos valores fundamentais que fornecerá a base dos princípios éticos para a comunidade mundial emergente. Em consequência, em espírito de solidariedade, afirmamos os seguintes princípios interdependentes, que visam um modo de vida durável como norma universal e segundo os quais serão guiados e avaliados os comportamentos das pessoas, das organizações, das empresas comerciais, dos governos e das instituições transnacionais. (...)

Reconhecer o laço de interdependência entre todos os seres viventes, bem como o valor de todas as formas de vida, seja qual for a sua utilidade para o ser humano. (...)

Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, seus conhecimentos, suas terras e seus recursos, como também a seus próprios meios de existência tradicionais e duráveis. (...)

Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma existência durável. (...)

Reconhecer que a paz é uma entidade criada a partir de relações equilibradas consigo mesmo, com os outros, com outras culturas e outras formas de vida, com a Terra e com o conjunto do universo (os extra-terrestres? ou os demônios?) do qual nós fazemos parte.(...)

Como nunca antes na história, nosso destino comum nos convida a procurar um novo começo. Uma tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. O teor desta promessa repousa sobre nosso compromisso em adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Este compromisso requer uma mudança nos nossos corações e nos nossos espíritos. Requer igualmente um sentido novo de interdependência mundial e de responsabilidade universal. (...) Devemos aprofundar e ampliar o diálogo mundial que está na origem da carta da Terra, já que temos muito para aprender da busca comum e perpétua da verdade e da sabedoria. (...)

A fim de construir uma comunidade universal durável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso para com as Nações Unidas, honrar suas obrigações no quadro dos acordos internacionais existentes e sustentar a aplicação dos princípios da Carta da Terra por meio de um instrumento tendo força de lei em escala internacional sobre as questões do meio-ambiente e do desenvolvimento9.

Por outro lado, é pouco conhecido que Mikhail Gorbatchev escreveu em 1995 um pequeno trabalho intitulado The Search for a New Beginning, Developing a New Civilization10, título que se deve traduzir por Em busca de um novo Gênesis, edificar uma nova civilização. As primeiras palavras do Gênesis são, com efeito, no texto inglês: “In the beginning”. Seria preciso citar por inteiro este texto fundamental, muito curto, muito rico e muito denso, que exigiria um comentário muito desenvolvido. Indo ao essencial, nos contentaremos de assinalar que Mikhail Gorbatchev, então secretário geral do PCUS, partido explicitamente materialista e ateu, apela para a criação de uma nova civilização, fundada sobre um novo paradigma, a visão holística da Nova Era:


A idéia de que “a humanidade é rainha da natureza”, herdada da época do Iluminismo (em realidade, do Gênesis), é a condição psicológica e espiritual da crise ambiental atual. Temos necessidade de um novo paradigma que nos conduza à realidade e que reconheça que a humanidade somente é uma parte da natureza. (...) A humanidade faz parte da biosfera, é uma mesma coisa com a biosfera11.
As religiões também dão sua contribuição: “O papel da cultura, da religião, das ciências e da educação deve crescer enormemente12” e M. Gorbatchev nos dá um mandamento novo, que justifica o título do seu trabalho:
Devemos definir certas máximas morais ou certos mandamentos éticos que constituem os valores comuns de toda a humanidade. Eu acho que a atitude de cada um para com a natureza deve tornar-se um dos principais critérios que permitirão a manutenção da moralidade. Hoje, não basta mais dizer “não matarás”. A educação ecológica implica, acima de tudo, o respeito e o amor de todo o ser vivente. É aqui que a cultura ecológica se encontra com a religião13.
Estas idéias se prolongam até hoje com a Carta da Terra, que quer gravá-las no mármore do direito internacional – e provavelmente conseguirá isto. Pensemos na Carta do meio-ambiente, de valor constitucional, recentemente adotado pelo Parlamento.

A espiritualidade global, erro da Rússia?


O estudo da espiritualidade global e do movimento ecológico mostra que eles recorrem a duas fontes: o néo-comunismo e a maçonaria14. É verdade que não se pode afirmar que a emergência da espiritualidade global, filha da antiga gnose, seja um erro que deve ser atribuído somente à Rússia. Mas esta exerceu, e exerce ainda agora, um papel determinante no seu advento. Para entender bem isto, é preciso se transportar aos tempos do fim da Guerra Fria. A paisagem política era marcada, nessa época, pela divisão do mundo em dois blocos e pela preeminência das questões militares, econômicas e políticas. Os russos fizeram então uma manobra revolucionária inacreditável15, abandonando estes campos para situar seus esforços no domínio da ideologia, da visão do mundo, e do espiritual: a primeira fase deste plano foi unificar o mundo, destruindo o muro de Berlim. A visão holística, totalizante e pagã da Nova Era foi então materializada politicamente! Passou-se a insistir sobre os problemas globais16: ecologia, desarmamento, luta contra o dinheiro ilegal, etc. A política torna-se assim o sustentáculo de concepções espirituais que conduzem à espiritualidade global – e também à realização dos objetivos mais puramente comunistas que são o igualitarismo mundial e a instauração de um poder global. Portanto, a espiritualidade global possui uma dimensão maçônica incontestável. Foi a Rússia que pôs nos espíritos a concepção holística do mundo - o mundialismo – suprimindo a divisão Leste-Oeste. Foi ela também que, pelo viés das instituições internacionais e das ONGs, espalhou esta concepção, em particular graças à Carta da Terra. O papel de motor, papel original, da Rússia na emergência do mundialismo e da espiritualidade global não pode ser contestado.

Enfim, aprofundando mais, convêm acentuar o paralelismo revelador que existe entre o comunismo e a espiritualidade global. Vontade, nos dois casos, de realizar o paraíso numa terra sem Deus, apoiando-se sobre uma visão holística, gnóstica. Co-criação do mundo ou da história nos dois casos, os iniciados ou membros do partido devem levar os profanos ou as massas à auto-consciência. Assim, a espiritualidade global aparece como a simples transposição do messianismo comunista num domínio espiritual. É a mesma utopia, desenvolvida em dois registros diferentes e respondendo a exigências diferentes.

Agora nos é possível responder à objeção a respeito da exata natureza da revolução mundialista. Ela é principalmente comunista, maçônica ou ultra-liberal? Parece-nos que esta objeção se origina de uma interpretação inexata das palavras de Nossa Senhora, que não falou jamais da URSS espalhando o comunismo no mundo inteiro, mas da Rússia espalhando seus erros. E praticamente não se pode duvidar que o socialismo de mercado global que nós conhecemos é a consequência da Perestroika, iniciativa russa que precisamente levou à destruição da URSS. A Nova Ordem econômica internacional, um dos principais objetivos da ONU e dos coletivistas, encontra-se assim realizada. Atualmente, o socialismo é mundializado; os objetivos do coletivismo mundial foram atingidos com uma surpreendente velocidade; o decrescimento econômico17 está na ordem do dia no Ocidente, enquanto que as economias chinesa e indiana aceleram seu crescimento. As transferências de capitais e de tecnologia do Norte para o Sul, sonho dos comunistas soviéticos, se realizam numa rapidez que eles não poderiam acreditar. Igualmente, os mundialismos político e espiritual só puderam se realizar graças à desaparição da URSS e das fronteiras que dividiam o mundo, extraordinário gambito dos enxadristas russos.



Conclusão: duas interpretações possíveis


Irmã Lúcia suatentava, até a metade de 1989, que a consagração da Rússia ao Coração Imaculado de Maria não tinha sido efetuada conforme aos pedidos de Nossa Senhora. Se as suas declarações foram fielmente transmitidas, parece que sua posição teria mudado por causa da Perestroika e das pressões do Vaticano, e não por causa de uma revelação sobrenatural. Esta opinião não pode decidir a questão.
Propomos duas interpretações possíveis dos eventos mundiais atuais:


  1. – Pode-se afirmar que a consagração não foi efetuada validamente. Pode-se portanto concluir que os castigos anunciados foram e continuam a ser infligidos.




  1. – Outra interpretação, que tem a nossa preferência, diz que as consagrações sucessivas e incompletas foram parcialmente aceitas por Deus, obtendo assim graças parciais.

(Deus) promete o fim da guerra para breve, em consideração do ato que quis realizar Sua Santidade. Mas como ele foi incompleto, a conversão da Rússia ficará para mais tarde (4 de maio de 1943).


Segundo esta interpretação, o comunismo em sentido estrito desapareceu, Deus tendo concedido ao mundo um novo prazo para conversão antes do castigo final, desencadeado pela Rússia através da Perestroika e, agora, pelo mundialismo e a espiritualidade global, retransmitidos pela ONU, a qual está profundamente gangrenada pelas teses coletivistas.

Aliás, as análises precedentes não excluem a possibilidade de um despertar das forças comunistas (muitos desses comunistas absolutamente não renunciaram a seus fins), nem mesmo uma confrontação armada com a Rússia.


Seja como for, o apelo à conversão é mais urgente que nunca:

O demônio faz tudo o que pode para nos distrair e nos tirar o gosto da oração; nós nos salvaremos ou nos condenaremos em conjunto. Todavia, padre, é preciso dizer às pessoas que eles não devem esperar um apelo à penitência e à oração nem do Soberano Pontífice, nem dos Bispos, nem dos padres, nem dos superiores gerais; está na hora em que as pessoas , por sua própria iniciativa, façam boas e santas obras e reformem sua vida segundo os desejos de Nossa Senhora. (Declarações de Irmã Lúcia ao pe. Fuentes, 26 de dezembro de 1957).





Ir. Lúcia no seu leito de morte.
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Novas de nossos trabalhos

Pudemos terminar a primeira das obras previstas para esse ano, que é a do anexo com 4 WCs, para melhor atendimento dos fiéis; fica ao lado do pavilhão de reuniões, e em harmonia de estilo com este. Pretendemos construir um outro anexo, maior, que abrigará a lanchonete e uma pequena livraria.




Anexo com 4 WCs

Além disso avançamos bastante na construção da 3ª ala, que faz parte do projeto de nosso claustro, cujo término facilitará bastante o recolhimento dos religiosos e a formação dos novos.





O rebôco da 3ª ala está praticamente pronto, mas falta o telhado.



Detalhe do futuro refeitório.

Na construção da igreja houve poucos avanços, somente a instalação de um grande crucifixo (doação anônima), que veio embelezar nosso altar improvisado. Mas ao menos já encomendamos as portas e janelas, bem como a grade do altar.





Novo Crucifixo do altar-mor


Alguns dos nossos religiosos também se dedicam a trabalhos de mecânica, e eles estão a ponto de terminar um longo trabalho de restauração de uma D-20 ano 1992. carros como estes são importantes para uma comunidade que fica na zona rural, já que as novas caminhonetes são caras e e de mecânica muito complicada (acessórios supérfluos, eletrônica, etc.).



O trabalho avança aos poucos, mas com bom resultado.

CNL - OPN

1 - Seria necessário analisar também a infiltração da Igreja realizada pelos comunistas, a subversão de sua doutrina, a marxisação do clero e a substituição do espiritual pela polítca e pelo social. Aliás, a criação do bloco do Leste, conduziu a uma socialização muito mais forte do Ocidente (Plano Marshall, conquista da Lua e o desenvolvimento do complexo militar-industrial, fundação da futura Europa, desenvolvimento exagerado da proteção social para “lutar contra o comunismo”, etc.)

2 - Association of the Southest Asian Nations. Associação das nações do sudeste asiático. seus fins são econômicos, sociais, culturais e políticos.

3 - O paradigma holístico pretende que, já que Deus não tem partes e é infinito, nada poderia estar fora dele, e que portanto a criação inteira é divina e que a criatura é Deus. Assim, propriamente falando, não haveria criação.

4 - Dimensões éticas e espirituais do progresso social, encontro mundial para o desenvolvimento social, 6-12 março de 1995, Copenhague, Nova York, United Nations Publication, 1995, pag. 106.

5 - Relatório da conferência das Nações Unidas sobre o meio-ambiente e o desenvolvimento, op. cit., A/CONF. 151/26, (Vol. IV) pág. 76.

6 - Ibid. A/CONF.151/26, (vol. I), pág. 142.

7 - 1996 Final Report, state of the World Forum, San Francisco, 1997, pág. 13.

8 - www.chartedelaterre.org

9 - Carta da Terra. Os itálicos são nossos.

10 - Mikhail Gorbatchev, The Search for a Beginning, Developing a New civilization, San Francisco, Harper San Francisco, 1995.

11 - Ibid., pág. 31 e 32. Os itálicos estão no original

12 - Ibid., pág. 59.

13 - Ibid., pág. 64.

14 - Note-se que a influência da maçonaria foi determinante na criação do comunismo: a Liga dos justos, que está na origem do Manifesto do Partido Comunista, era um organismo maçônico.

15 - “(Lenine) via que o socialismo iria se chocar com problemas colossais, e que ele teria de resolver todo tipo de dificuldades que a revolução burguesa tinha deixado sem solução. Daí a utilização de métodos que não pareciam intrínsecamente socialistas, como geralmente se considera. (...) vários de nós se deram conta (frequentemente bem antes da sessão de abril), de que era preciso reavaliar tudo o que se relacionava à economia, à cultura, à democracia e à política estrangeira. (...) é preciso que se proceda a uma completa transformação da reflexão social e política. É neste ponto que é preciso consultar Lenine. Ele possuía o talento raro de perceber no momento certo a necessidade de mudanças profundas, de reexame dos valores, de uma revisão das directivas teóricas e dos slogans políticos. (...) Há pessoas que não aceitam até mesmo o uso do termo “revolução”, tal como nós aplicamos para este esforço (a Perestroika). Alguns ficam escandalizados até com o nome “reforma”. Mas Lenine não tinha medo de empregá-lo: ele aprendeu dos Bolcheviques a não hesitar em fazer reformas quando necessário, a fim de avançar a causa da Revolução dentro de novas condições. Hoje em dia temos necessidade de reformas radicais rumo a uma transformação revolucionária. (...) Acabamos de nos lançar numa empresa capital e difícil nos domínios político, econômico, social e espiritual”, Gorbatchev, Perestroika, ibid. págs. 29, 61, 67, 76.

16 - “Ou mais precisamente pseudo-problemas globais. Contrariamente ao que a retórica mundialista afirma, não existem problemas globais, exceto os que o homem mesmo criou”: “Javé dispersou-os de lá em toda a superfície da terra” (Gn 11,8).

17 - “Mas se existe uma grave crise (ecológica), e se o único meio de prevení-la é a adoção de medidas que tendam a racionalizar o decrescimento econômico, como fazer isto sem recorrer às soluções ditatoriais, “leninistas”, que são recusadas pelos ecologistas contrários à ideologia marxista (sic)?” (...) Isto exige a articulação do social, da ecologia, da solidariedade na diminuição do consumo” (Hervé Kempf, “Ecologismo radical e decrescimento”, Le Monde, sexta-feira, 4 de março de 2005, pág. 16.)





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