O nascimento da humanidade



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Encontro28.07.2016
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O NASCIMENTO DA HUMANIDADE
Em julho de 2002, um grupo de cientistas anunciou ter encontrado no Chade, África, o fóssil de um hominídeo de 7 milhões de anos. O achado - um crânio, dentes e pedaços de mandíbula - recebeu o nome científico de Sahelanthropus tchadensis, mas foi apelidado de Toumai (veja a imagem).

Para alguns especialistas, essa descoberta modifica tudo o que se sabia a respeito do surgimento do ser humano. Até então, acreditava-se que os ancestrais mais antigos da humanidade não tinham mais do que 5 milhões de anos. Outros estudiosos, contudo, afirmam que Toumai não é um hominídeo. Para eles, esse espécime seria apenas membro de uma primitiva espécie de chimpanzé.


Pré-História: um conceito controvertido

Tradicionalmente, as origens da humanidade eram situadas pelos historiadores numa época conhecida como Pré-História. Hoje, entretanto, essa expressão já não é mais aceita por todos os historiadores. Por quê?

A Pré-História costumava ser definida como o pe­ríodo compreendido entre o aparecimento dos primeiros hominídeos e a invenção da escrita, ocorrida por volta do quarto milênio a.C., na Mesopotâmia (no atual Oriente Médio) e no Egito. Essa periodização começou a ser uti­lizada a partir do século XIX, na Europa. Por essa época, os estudiosos acreditavam que só seria possível resgatar o passado de uma sociedade caso existissem registros escri­tos deixados por ela.

Hoje essa visão é encarada com reservas. Outras fontes, como imagens, objetos do cotidiano e relatos orais, por exemplo, passaram a ter a mesma importância da escrita nesse processo de conhecimento histórico. Além disso, recentes avanços científicos e tecnológicos colabo­ram na tarefa de resgatar o passado. É o caso da análise do DNA, de programas de computador que reconstroem rostos humanos a partir de um crânio e de métodos cien­tíficos que determinam a idade de fósseis e de restos arqueológicos.

A invenção da escrita como marco inicial da His­tória também pode ser questionada pelo fato de ela não ter ocorrido ao mesmo tempo em todo o planeta. Muitos povos só entraram em contato com ela no final do sécu­lo I a.C., durante a expansão de Roma. Ainda hoje, tribos indígenas do Brasil e grupos aborígines da Austrália, por exemplo, não fazem uso de nenhum sinal gráfico para representar palavras.

Na verdade, se considerarmos o surgi­mento da escrita como o início da História, conquistas como o domínio do fogo, a invenção a roda e a prática a agricultura ficariam de fora da história da humanida­de, pois elas ocorreram muitos séculos antes da invenção dessa forma de comunicação.

Amparados nessas ressalvas, podemos dizer que o mais indicado é considerar a Pré-História como uma etapa no processo histórico do ser humano. Assim, do ponto de vista social, podemos entendê-la como um período em que ainda não haviam surgido sociedades complexas e sedentárias e no qual as pessoas se reuniam em pequenos agrupamentos nômades.
Os primatas

Há cerca de 60 milhões de anos apareceram na Terra os primeiros primatas. Desse grupo surgiram o gorila, o chimpanzé, o orangotango e os primeiros hominídeos, que deram origem à espécie humana.

Atualmente, diversos especialistas, como paleoan­tropólogos, geólogos, arqueólogos, biólogos, geneticistas, etnólogos, paleontólogos, etc., participam de esca­vações em busca de vestígios dos nossos ancestrais com o propósito de descobrir como eles eram e como viviam. Esses vestígios podem ser fósseis, fer­ramentas, esculturas, pinturas em cavernas, utensí­lios, restos de fogueiras, etc.

Entretanto, a ciência ainda não encontrou uma res­posta precisa a respeito de como e quando o ser humano apareceu. O que os cientistas sabem é que seu surgimen­to foi resultado de um longo processo, que se estendeu por centenas de milhares de gerações e envolveu não só alterações físicas no corpo, mas também mudanças cul­turais, como o modo de viver e agir desses seres.


Os mais antigos hominídeos

Os fósseis são uma das principais fontes de estudo para entender a evolução da espécie humana. A análise dessas amostras - explicadas no boxe abaixo - indica que os indivíduos com características tipicamente humanas não apareceram recentemente nem de uma só vez.

Se excluirmos o Sahelanthropus tchadensis (Toumai), a respeito do qual não existe consenso entre os cientistas, o hominídeo mais antigo que se conhece é o Ardiphitecus kadabba, que habitou a África há 5,8 milhões de anos.

Posteriormente, surgiram outros hominídeos do gênero dos australopitecos. Eles teriam habitado a África entre 4,2 milhões e 1 milhão de anos atrás e se dividiam em várias espécies, como a dos Australopithecus anamen­sis e a dos Australopithecus afarensis. De modo geral, os australopitecos tinham braços longos, maxilar saliente e cérebro pequeno. Mas sua prin­cipal característica era andarem eretos.


O gênero Homo

Uma das espécies de australopiteco - não se sabe qual - deu origem a um novo grupo de hominídeos, o Homo. Os cientistas ainda não descobriram quando, como e onde isso aconteceu. Acredita -se que os primeiros seres do gênero Homo apareceram há cerca de 2 milhões de anos e por mais de 800 mil anos conviveram com os australopite­cos na África. Estes, porém, não conseguiram se adaptar à crescente competição entre as espécies e acabaram extintos.

Segundo alguns especialistas, a espécie mais antiga de Homo que se conhece é a do Homo habilis. Com cerca de 1,57 m de altura, pouco mais de 50 quilos de peso e um cérebro de até 800 cm³, o Homo habilis se de­senvolveu graças à sua capacidade de adaptação cul­tural e social: ele tinha, por exemplo, o hábito de di­vidir os alimentos com os integrantes de seu grupo, criando, assim, laços de solidariedade.

Provavelmente, o Homo habilis originou uma nova espécie de hominídeo, o Homo erectus, que apareceu na África por volta de 1,8 milhão de anos atrás. O Homo erectus chegava a medir até 1,80 m. Seu cérebro tinha um volume médio de 950 cm³, mas podia chegar a 1 250 cm³. Seu rosto era largo e sua arcada dentária saliente.

O Homo erectus revelou-se um ser de grande capaci­dade mental: andava em bandos de vinte a trinta indiví­duos, fabricava utensílios, construía cabanas, aprendeu a dominar o fogo e a organizar caçadas, dividindo tarefas entre si.

Ele foi o primeiro hominídeo a emigrar da África. Seguindo o curso do rio Nilo, alcançou a Ásia e depois a Europa. Desapareceu há cerca de 300 mil anos, quando espécies arcaicas de Homo sapiens já andavam sobre o.

Tudo indica que essas espécies evoluíram até que, por volta de 195 mil anos atrás, apareceu o Homo sapiens sapiens (ou Homo sapiens moderno), espécie da qual faze­mos parte. Por ter uma faringe mais longa e uma língua mais flexível, essa espécie desenvolveu a capacidade da fala, por meio da qual passou a expressar seus pensamentos e a desenvolver conceitos abstratos.Durante algum tempo, o ser humano conviveu com indivíduos de outra espécie do gênero Homo - o Homo neanderthalensis, também conhecido como Ho­mem de Neanderthal -, mas ela desapareceu há cerca de 30 mil anos (veja o boxe Passeio de metrô).
ATIVIDADES

1. Por que o conceito de "Pré-História" deve ser usado com ressalvas?

2. Atualmente,a escrita faz parte do cotidiano de todos os povos?

3. De acordo com o que você leu, o que a ciência sabe sobre a origem e o desenvolvimento dos hominídeos?



4. Como os fósseis podem ajudar os cientistas a descobrir informações a respeito de nossos ancestrais?

5. Quais as principais conquistas do Homo erectus?


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