O noticiário radiofônico na Segunda Guerra e a edição brasileira de o repórter Esso



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O noticiário radiofônico na Segunda Guerra e a edição brasileira de O Repórter Esso

Luciano Klöckner 1

Resumo:

O artigo se propõe a apresentar como um noticioso radiofônico, com características globais, transmitiu as notícias que contribuíram para a formação de uma consciência nacional a favor da participação brasileira na Segunda Guerra. O Repórter Esso, cuja primeira edição brasileira foi ao ar em 1941, esteve em consonância com a política da Boa Vizinhança dos Estados Unidos, objetivando alinhar os países da América Latina com os aliados antes, durante e após o conflito bélico.
Palavras-chave: Repórter Esso – Noticioso radiofônico – Segunda Guerra – Política de Boa Vizinhança

1 – Introdução

A transmissão radiofônica, ao ser utilizada como instrumento militar, teve seu espectro vigiado, de forma rígida, pelos governos. Dessa forma, a mensagem oficial era transformada em informação divulgável, que nem sempre era notícia, na acepção adotada neste estudo. Na década de 20, o rádio, em boa parte do mundo e também no Brasil, embora empregado como arma de guerra em muitos casos (Rússia e Alemanha, especialmente), não passava de novidade tecnológica para a maioria das pessoas (HALE, 1979, p. 11). A partir da década de 30, o veículo se consolida com programações específicas, que iriam tornar os anos 40 e 50 os mais férteis em termos culturais, artísticos e jornalísticos no Brasil.

Nesse período, produziram-se os radioteatros, as radionovelas, os programas humorísticos, os programas de jornalismo, as transmissões esportivas, os noticiosos, além de uma série de transmissões que privilegiavam a linguagem radiofônica, ancorada na oralidade, na capacidade narrativa, no domínio e no incitamento das emoções. As palavras, para serem radiofonizadas, passaram a ser, de forma criteriosa, selecionadas para usos específicos, diferenciando-se da simples leitura do texto impresso. A inflexão e o modo certo de interpretar cada palavra traziam um significado, despertavam determinados sentimentos no ouvinte. Não importava tão somente o conteúdo transmitido, mas, sobretudo, a maneira, a forma, como a mensagem era radiofonizada.

As primeiras pesquisas nessa área se processaram logo depois da Primeira Guerra Mundial. Profissionais, especialmente de psicologia, se empenharam em traduzir como uma determinada mensagem, apresentada de um certo modo, atingira com tanta eficácia um segmento da população. Quais eram os sentimentos do ser humano, que despertados por ações corretas, poderiam culminar em certas reações? A partir da resposta a essa questão, desenvolveram-se as diversas teorias. As principais tratavam do rádio como grande mobilizador das massas e das multidões.

O Brasil, como colônia européia, sempre recebeu influências culturais de vários países, entre eles, a Inglaterra, a França, a Alemanha e a Itália. Nos anos 30 e 40, houve uma quebra de paradigma, com a adoção, paulatina de hábitos e de costumes dos Estados Unidos (TOTA, 2000, p. 28; ORTIZ, 1994, p. 71). A atmosfera, vivida pelos brasileiros, era externamente emoldurada pela perspectiva da Segunda Guerra Mundial. De um lado, o Eixo, formado por Alemanha, Itália e Japão. No outro extremo, os aliados, liderados pela Grã-Bretanha e França. Os Estados Unidos ainda não haviam entrado na guerra, o mesmo ocorrendo com o Brasil, pois o governo mantinha um posicionamento neutro.

Em 1940, o Presidente Getúlio Vargas percebeu que Hitler e Mussolini estavam consolidando um novo modo de governar. No dia 11 de junho, proferiu um discurso a bordo do navio de guerra Minas Gerais, em que “considerava necessária uma nova ordem no mundo”, manifestando-se partidário das mudanças sociais, econômicas e políticas. A mensagem foi interpretada como advertência aos aliados e uma aproximação com os países do Eixo.

Neste contexto, entrou no ar, em 28 de agosto de 1941, a primeira edição do Repórter Esso. O noticiário era patrocinado pela Standard Oil of New Jersey, produzido pela United Press e supervisionado pela McCann-Erickson Corporation2. – todas empresas norte-americanas. Tinha exatos cinco minutos de duração e se caracterizou, inicialmente, como um serviço de informações internacionais de guerra.

Os anos 40 foram caracterizados, basicamente, pela Segunda Guerra Mundial e pela organização dos governos dos continentes entre os países do eixo e os aliados. A Alemanha avançava pela Europa. Os Estados Unidos, em princípio, demonstrando neutralidade no conflito que se desenrolava na Europa, preparavam-se para entrar na guerra. O período é conhecido como o início da Época de Ouro do rádio, com a consolidação do veículo como Meio de Comunicação de Massa e a audiência em franco crescimento.

Durante o conflito, houve várias batalhas no campo dos veículos de comunicação. O radiojornalismo vivia a sua infância e concorria com os jornais matutinos e vespertinos. Entretanto, o vespertino começa a vencer essa escaramuça, com várias edições, inclusive, durante o dia, quando os noticiosos eletrônicos entram na fase adulta. Os jornais se adaptam à presença do rádio e, depois da Segunda Guerra, as mudanças são inevitáveis, com uma sistematização interna e externa das redações, os textos diminuem e o lide é adotado como primeiro parágrafo das notícias.

A importância do estilo no jornalismo corresponde às transformações culturais do pós-guerra. Antes de 1945, vários jornais americanos e europeus introduzem regras de linguagem em suas redações, mas é a partir das mudanças políticas, econômicas e sociais desse período que a prática se generaliza. Isso coincide com maiores exigências dos leitores, com a expansão do rádio e o aparecimento de novas tecnologias nos setores básicos da produção industrial. (BAHIA, 1990b, p. 77 e 86)


A partir de 1939, o Brasil já recebia emissões estrangeiras de várias emissoras, através das ondas curtas (SW - short waves): o rádio se globalizava. As ondas da Rádio Berlim, da BBC, da Voz da América, entre outras, privilegiavam audições em português. As populações de outros países também ouviam as programações especiais na língua nativa (TOTA, 2000, p. 144). Uma das preocupações seguintes era a de oferecer programas jornalísticos, transmitidos pelas emissoras locais. Em 1939, a Esso já patrocinava, na Rádio Nacional, o programa radiofônico Variedades Esso e, em 1940, a narração de jogos de futebol, denominados, na época, de matches. Com tão fortes predicados, o patrocinador e os produtores do Repórter Esso não tiveram dúvidas ao escolher a Rádio Nacional para a transmissão do noticioso. Além de grandes astros e estrelas da música e do teatro, a emissora detinha, também, o melhor quadro de locutores do País, entre eles, Rubens Amaral, Celso Guimarães, Romeu Fernandes, Saint-Clair Lopes e Heron Domingues, que ficaria famoso ao ler de forma exclusiva o Repórter Esso.

2. A Política da Boa Vizinhança

A implantação do noticiário começou de forma efetiva em 1940, quando estiveram no País representantes do Bureau Interamericano, liderados por Nelson A. Rockfeller. A entrada dos Estados Unidos, na Segunda Guerra, fato ocorrido a partir do ataque japonês à base de Pearl Harbor, recrudesceu a pressão americana sobre o Brasil. Aproximava-se a invasão dos nazistas ao Norte da África e os aviões norte-americanos necessitavam de uma base, e Rio Grande do Norte (Natal) e Pernambuco (Recife) eram os locais mais próximos.

O afundamento de navios brasileiros por submarinos alemães3, em 1942, e, em especial, as manifestações União Nacional de Estudantes em todo o País, foram determinantes para que o presidente Vargas declarasse guerra ao nazismo, enviando três divisões à Europa um ano depois. A adesão brasileira veio após uma longa negociação. Vargas acertou com o governo norte-americano investimentos no setor siderúrgico brasileiro. Surgia, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda, e, com ela, a liderança do Brasil na América Latina nesta área. Em 1943, o Presidente Franklin Roosevelt visitou o Brasil.

Ao longo do tempo, a Política da Boa Vizinhança difundiu o american way of life (estilo de vida norte-americano) no País, caracterizado pelo consumo de produtos tipicamente made in USA, desde Coca-Cola até as revistas de histórias em quadrinhos, como O Pato Donald, buscando evitar uma aproximação ainda maior dos brasileiros com os países do Eixo. Afinal, o Brasil, maior país da América Latina, abrigava colônias de imigrantes italianos, alemães e japoneses. Na época, empresas como Standard Oil Company, General Eletric e RCA Victor passaram a distribuir os seus produtos no mercado nacional e junto chegaram as grandes agências de publicidade: J.W. Thompson e McCann-Erickson, entre outras, lançando as bases da Globalização na comunicação brasileira e da América Latina.



3. Novo estilo radiofônico baseado nos telegramas de guerra

As primeiras duas décadas do rádio no Brasil foram praticamente consagradas à transposição dos jornais impressos ao ar. Os locutores, chamados de speakers, não faziam cerimônia em ler as notícias diretamente dos periódicos ou recortadas do jornal. O estilo “pomposo e rebuscado” da época desprezava qualquer iniciativa de busca de uma linguagem sintética. Nem mesmo os horários de início e término dos programas eram observados com rigor. As notícias despertavam o interesse dos ouvintes, mas eram pulverizadas em meio à programação, sem tratamento especial, sem regras, sem tempo determinado. Com o Repórter Esso, inaugurava-se, no Brasil, a síntese noticiosa4, caracterizada por frases diretas e mais curtas, lidas em cinco minutos, baseada nos telegramas de guerra, produzido, pela United Press Associations (UPA), depois UPI 5.

O Repórter Esso não foi uma exclusividade brasileira. Desde 1935, já existia nos Estados Unidos. Em setembro de 1942, 60 emissoras, em 15 países, transmitiam com regularidade o Repórter Esso: 34, nos Estados Unidos; nove, na Argentina; cinco, no Brasil; e uma na Costa Rica, no Chile, na Colômbia, em Cuba, em Honduras, na Nicarágua, no Panamá, no Peru, em Porto Rico, na República Dominicana, no Uruguai e na Venezuela (KLÖCKNER, 2003, p. 14).

Entre as notícias que receberam destaque nos Anos 40, estão a internalização de 16 navios do Eixo, que estavam em portos brasileiro em 28 de agosto de 1941 (1ª edição de O Repórter Esso), o ataque de aviões japoneses à base norte-americana de Pearl Harbor, em sete de dezembro de 1941; a declaração de guerra do governo brasileiro aos países do eixo em 22 de agosto de 1942; o envio da Força Expedicionária Brasileira à Itália em 1943; o desembarque das forças aliadas na costa normanda da França em seis de junho de 1944; a conquista da fortaleza nazista de Monte Castelo pela FEB em 21 de fevereiro de 1945, a rendição da Alemanha em nove de maio; o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki, respectivamente, em seis e nove de agosto de 1945, a rendição do Japão em 14 de agosto de 1945, a renúncia do presidente brasileiro Getúlio Vargas em 29 de outubro de 1945, a divulgação dos resultados da eleição para a Presidência da República a partir de dois de dezembro de 1945 e o início da Guerra Fria. Ainda, em nível nacional, o Partido Comunista do Brasil é colocado fora da lei e o Brasil rompe relações com a, então, União Soviética, em 1948. Um ano depois, em 1949, O Repórter Esso realiza um feito sem precedentes, para a época: acompanha o presidente Eurico Gaspar Dutra aos Estados Unidos, transmitindo edições de todos os pontos do território visitado pelo presidente brasileiro.

As informações sobre acontecimentos mundiais chegavam à UPA, no Rio de Janeiro, diretamente dos Estados Unidos. O texto era redigido na sede da agência de notícias, com quase uma hora de antecedência, e enviado por um contínuo até o edifício da Rádio Nacional, na Praça Mauá. Para São Paulo, era retransmitido por telégrafo. Nos anos 40, os telegramas de agências internacionais tinham no máximo três linhas. As notícias eram enviadas em Código Morse, as cópias eram produzidas em mimeógrafo e distribuídas por mensageiros a pé ou de bicicleta para órgãos de comunicação, atendidos pela empresa. Aos poucos, a tecnologia foi se desenvolvendo, chegando aos teletipos.

Com o Repórter Esso, o rádio começou a desenvolver uma linguagem própria, definindo conceitos de locução vibrante, pontualidade, objetividade e credibilidade. O Esso apresentou novo estilo à informação, com um noticiário sucinto, ágil e vibrante, de cinco minutos de duração. Transmitido na hora certa, e anunciado por uma característica musical, adquiriu estatura e autenticidade, passando logo a ser conhecido e esperado no Brasil e nos países onde foi transmitido. Nas situações de tensão, as transmissões normais eram precedidas de edições extraordinárias, que se constituíam sempre em momentos de enorme expectativa.

Nos primeiros 15 anos, o Repórter Esso da Rádio Nacional, do Rio de Janeiro, exibiu 20 mil edições, a maioria na voz de Heron Domingues, que entrou na emissora em 1944, “consagrando-se como o jornal falado mais famoso do Brasil, cuja atuação nos acontecimentos é impressionante” (DOMINGUES, 1956, s/p). Fato que se confirmou com os índices expressivos de audiência.

Até a entrada no ar de O Repórter Esso, as notícias veiculadas nas emissoras eram selecionadas dos jornais. Com o Esso, houve a primeira tentativa de desenvolver uma estrutura textual específica para o rádio com frases em ordem direta, texto telegráfico, possivelmente herdado dos telegramas enviados do front durante a Primeira Guerra. Também os noticiários começaram a entrar pontualmente no ar, hábito incomum na época em que os horários serviam como base, mas não eram respeitados à risca.

Entre os vários conceitos do que é notícia, o de Bahia (1990b, p. 36) se destaca por não se esgotar em si mesmo, por abranger uma série de fatores presentes no contexto e, ao mesmo tempo, fazer uma crítica dos problemas advindos, quando a definição não é respeitada. Para o autor, são requisitos essenciais da notícia: o interesse, a importância, a atualidade e a veracidade, acrescentando-se ainda a explicação, a interpretação, a investigação e a opinião. Dessa forma, a notícia só é notícia quando for verdadeira e atual, e quando reunir interesse e importância para algum segmento da população, enfim, quando o componente social estiver presente. Bahia (1990b, p. 42) enumera que a notícia, antes de ser publicada, mesmo se adequando ao conceito, ainda precisa adaptar-se aos critérios editorais, entre eles, a oportunidade, o peso social, o interesse particular, a relevância, etc.

Quando algum desses itens deixa de ser cumprido, o fato não vira notícia conceitual. Conforme Bahia (1990b, p. 22), as críticas mais comuns às matérias publicadas são as seguintes: 1) noticiário inexato: fatos mal-apurados, informações falsas6, revelações sensacionalistas, enganos ingênuos por falta de preparação do jornalista, deturpação por interesse ideológico e/ou econômico e/ou político; 2) noticiário superficial: especialmente em relação a fatos sociais, políticos e econômicos e que contrariam interesses de grupos privados ou de governos; 3) noticiário discriminatório: por indiferença ou ressaltando aspectos negativos dos pobres, negros, mulheres, gays e outros grupos que constituem a sociedade; 4) noticiário parcial: que condena acusados antes do julgamento; 5) noticiário manipulado: pela redação ou pelo próprio empresário que se sente “dono” das notícias e sequer considera que os canais de rádio e de televisão são concessões públicas; 6) noticiário sensacionalista: aquele que abre espaço para as más notícias em detrimento das boas; 7) noticiário difamatório: que não oferece as versões que compõem a notícia, não respeita o direito de resposta e quando divulga o direito da parte difamada não o faz com a mesma magnitude com que denunciou o primeiro fato.

De acordo com Bahia (1990b), os defeitos do tratamento da informação, transformada em notícia, são mais evidentes em veículos pertencentes a grandes conglomerados, que fazem do lucro uma prioridade, descartando quaisquer compromissos com a ética jornalística. Poder-se-ia acrescentar que nos períodos de guerra ou de crises intensas (econômica, política e social) dados são propositalmente sonegados por “patriotismo” ou por “segurança nacional”.
4. Rede nacional para transmitir notícias do conflito

O modelo de O Repórter Esso foi implantado, a partir de 16 de julho de 1942, por três novas emissoras: a Rádio Inconfidência, de Belo Horizonte (Minas Gerais), a Rádio Clube, de Recife (Pernambuco), e a Rádio Farroupilha, de Porto Alegre (Rio Grande do Sul). Em cada Estado, o Repórter Esso tinha um locutor diferente.

Com cinco emissoras veiculando o noticiário, distribuídas em pontos estratégicos do País, acredita-se que foi a primeira tentativa de montar uma rede nacional de divulgação de notícias, visando a conquistar não só clientes, mas a opinião pública brasileira. Porém, com a transmissão em ondas médias e curtas o espectro da Nacional penetrava na maioria dos Estados brasileiros e chegava também ao Exterior.

Ao fim do primeiro ano, o Repórter Esso apresentou mais de três mil edições. Além disso, enquanto outros informativos iam ao ar de segunda a sábado, ele começou a ter algumas edições extraordinárias aos domingos. Graças a isso, foi o primeiro a noticiar o bombardeio de Pearl Harbor, ao amanhecer de 7 de dezembro de 1941, um domingo, com várias edições extras e sucessivas. Em julho de 1942, os noticiários começaram a ser transmitidos todos os dias da semana (KLÖCKNER, 1998, p. 116 e 117).

A novidade, em termos de tratamento da notícia e o interesse em torno da guerra, fizeram o Esso alcançar índices elevados de audiência 7, criando um novo hábito: as pessoas paravam tudo o que estavam fazendo para escutá-lo. Até o fim dos anos 40, as edições do Esso, transmitidas na Rádio Nacional, permaneciam com quatro horários regulares, de segunda a sábado (8h, 11h55min ou 12h55min, 17h55min e 22h05min ou 22h55min), e dois aos domingos (12h55min e 21h).

No decorrer dos quase 30 anos de existência no Brasil, o Repórter Esso foi submetido a várias alterações de horário, por questões comerciais e por conveniência das emissoras. A agência de publicidade, levando em consideração os índices da pesquisa de audiência, também mudou o noticiário de emissora em muitas ocasiões.



5. Operação de guerra montada na redação

A exemplo das frases curtas, o noticiário herdou da guerra os slogans, palavra inglesa, derivada da gálica sluagh-ghairm, com significado de “chamamento às armas”, “grito de guerra” ou “grito de chamada”. Foram dois os slogans que acompanharam o Repórter Esso brasileiro: “O primeiro a dar as últimas” e “Testemunha ocular da história”. A frase inicial foi substituída pela segunda, em 1943, e se refere a uma das principais características do programa: confirmar a notícia antes de divulgá-la. Só ia ao ar o que era comprovado, e o Repórter Esso sempre citava as fontes oficiais.

As primeiras edições do Repórter Esso, na Rádio Nacional, não tinham prefixo musical. O rufar de tambores e as fanfarras, que abriam o noticiário, foram pesquisados pelo maestro Carioca e por Haroldo Barbosa. É uma característica exclusiva do Repórter Esso, produzida no Brasil e adotada nas cinco emissoras. Tinha o poder de chamar os ouvintes para a edição, identificar o programa, característica preservada atualmente no rádio e na televisão.

Se todos os programas procuram captar a atenção do ouvinte, possivelmente, terá sido o Repórter Esso o primeiro informativo a considerar a audiência em seus mínimos detalhes. As principais notícias tinham lugares definidos. A de maior importância encerrava a edição, e a segunda mais importante começava o noticiário. No caso de uma notícia muito importante, o Manual explicitava que ela poderia abrir e fechar o informativo, prendendo o ouvinte pela curiosidade e emoção.

Escolhidas as principais notícias, o redator do Repórter Esso se preocupava tão somente em organizá-las na ordem de chegada. Esse modo de edição era proposital, pois transferia, aos ouvintes, o sentimento da chegada instantânea dos telegramas ao locutor, conferindo maior vibração ao noticiário. O artifício editorial funcionou muito bem, especialmente durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), ocupando a totalidade das edições da síntese noticiosa nos primeiros quatro anos de existência.

A operação montada para que nenhuma informação sequer fosse perdida, nos últimos dias do conflito, envolveu uma linha direta entre a United Press e as emissoras de rádio, e o plantão permanente de um locutor. No Rio de Janeiro, o locutor exclusivo desde 1944, Heron Domingues, sugeriu à direção da emissora que instalasse uma cama no estúdio, para que ele não perdesse nada da guerra. Domingues permaneceu de plantão durante cinco meses. Próximo ao fim da Segunda Guerra na Europa, o Repórter Esso ficou 48 horas no ar. As irradiações foram retransmitidas às cidades do interior por 192 emissoras e serviços de alto-falantes, constituindo-se na primeira grande rede de emissoras de rádio no Brasil. No dia da vitória dos aliados, o Repórter Esso foi ao ar mais de 400 vezes só na Rádio Nacional. A United Press Associations manteve ininterrupto o serviço telegráfico. (KLÖCKNER, 1998, p. 121).

Várias iniciativas de utilidade pública foram desenvolvidas pelo Repórter Esso, consolidando a sua credibilidade junto aos ouvintes. Durante a Segunda Guerra, o noticiário divulgou notícias, colaborando na campanha para remessa de cigarros e roupas de lã para os expedicionários brasileiros na Europa. Além disso, o programa também oferecia conselhos de segurança a motoristas e pedestres, para diminuir o número de acidentes de trânsito.

Na primeira semana de maio de 1945, o programa bateu todos os recordes de permanência no ar. Em dois de maio, informou a rendição do exército nazista na Itália, a morte de Adolf Hitler e a queda de Berlim em poder das tropas russas. O anúncio do fim da Guerra veio alguns dias depois, com a rendição incondicional da Alemanha.


6. As notícias dos Anos 40: final do conflito e o início da guerra fria

As notícias dos anos 40 apresentaram como característica o conflito mundial: a Segunda Guerra. Os assuntos principais dos noticiários8 concentram-se na Segunda Guerra, no Pós-Guerra, na luta do Capitalismo X Comunismo e o posicionamento dos países em relação a uma Política Internacional. Até 1945, as notícias se restringem à guerra (ataque dos japoneses a Pearl Harbor e a rendição da Alemanha, da Itália e do Japão). Os discursos, com muitos adjetivos, valorizavam o feito das tropas aliadas (inclusive da Força Expedicionária Brasileira), a Política de Boa Vizinhança e preconizavam a união definitiva das Américas contra os agressores mundiais. Também o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki conferiu um certo tom de mistério a essa nova e poderosa arma, capaz de varrer cidades do mapa múndi.

No Pós-Guerra (fim de 1945 até 1950), os assuntos do noticioso versam sobre a queda dos ditadores e o restabelecimento da democracia (renúncia de Getúlio Vargas), a criação de Israel e a possibilidade dos Estados Unidos terem feito conchavos com ditadores da América Latina. Com a Guerra Fria, o Comunismo e o Capitalismo passam a freqüentar os discursos, sempre em tom de desafio ou de denúncia (Perón acusa os consórcios capitalistas internacionais de atentarem contra a vida dele e da esposa).

Em meio à nova reorganização geográfica do mundo do Pós-Guerra, a Política Internacional ocupa boa parte das notícias, preconizando a defesa conjunta e ajuda mútua dos países americanos (Tratado do Rio de Janeiro, 1947). Até mesmo o Papa Pio XII se manifesta, falando em francês, que “o mundo se encontra ante uma verdadeira encruzilhada e que 1948 será um ano de graves resoluções”.

Os anos 40 se encerram com a queda de ditaduras e instalação de governos democráticos. Porém uma nova guerra se inicia e as tendências entre as duas nações-pólo do mundo (Estados Unidos e União Soviética) ficam acirradas. Qualquer tema em discussão no planeta recebe diferentes versões e interpretações, aparecendo com maior nitidez a intenção de controlar as fontes de energia, em especial, das jazidas de petróleo, espalhadas pelos diferentes continentes.
7. Considerações finais

No início dos anos 40, o oceano Atlântico se transformou em área de risco para a navegação comercial. Alguns navios mercantes brasileiros foram torpedeados, e o Esso fazia despertar o sentimento de defesa da pátria, condenando a ofensiva do Eixo, exorcizando alemães, italianos e japoneses pelos atos contra o Brasil. Em vista disso, é atribuída ao Repórter Esso uma importante parcela de influência no consenso popular que levou o Presidente Getúlio Vargas a abrir mão de sua primeira tendência pró-nazi-fascismo, e depois de neutralidade, e colocar o Brasil ao lado das forças aliadas. Ao mesmo tempo, o governo americano tinha interesse em contar com o apoio brasileiro, pois o Nordeste do País se constituía numa região estratégica. Ali, os americanos pretendiam – e montaram – uma base aérea, para possibilitar a abertura de uma nova frente de batalha pelo Norte da África. Isto, de fato, terminou acontecendo.

Antes, porém, o Presidente Getúlio Vargas realizou uma longa negociação com os Estados Unidos. Em troca das bases no Nordeste, a United States Steel Corp. forneceu tecnologia para a construção em Volta Redonda, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), inaugurada em 1946, no Rio de Janeiro. Os americanos, também, ergueram a Base de Pára-Mirim, na Barreira do Inferno, em Natal.

A Segunda Grande Guerra termina com saldo estimado9 de 50 milhões de mortos, 35 milhões de feridos, além de três milhões de desaparecidos (MAZZOLENIS, 1981, p. 569). A Força Expedicionária Brasileira (FEB), que enviara uma divisão, entre 25 mil e 28 mil soldados, registrou 465 mortos e 1.517 feridos na tomada de Monte Castelo (BUENO, 1996, p.237). Com ela, se encerra a primeira fase do Repórter Esso, pois o noticiário havia cumprido com os objetivos determinados originalmente, como parte da Política da Boa Vizinhança, isto é, o de apoio aos aliados.

As notícias tratando da Segunda Guerra, veiculadas pelo Repórter Esso, eram francamente favoráveis aos aliados, disseminando a ideologia dos Estados Unidos. Distribuídas pela agência UPA, apresentavam-se com vícios de origem, isto é, deixavam transparecer a simpatia com a causa aliada e com o estilo de vida americano. Nota-se a linguagem estereotipada em que todos os alemães, japoneses e italianos passaram a ser “agressores”, numa generalização que prejudicou a convivência de muitos imigrantes destes povos em território nacional.

Os textos do noticiário utilizavam-se de recursos de linguagem, identificados por Thompson (1995, p. 82) como modos de operação da ideologia. Assim, os aliados nunca “invadiam”, sempre “defendiam”, enquanto os japoneses, alemães e italianos sempre “invadiam”, nunca “defendiam”. Neste particular, o noticiário trabalhou com a metáfora – outro mecanismo dissimulatório apontado por Thompson (1995, p. 85), pois, enquanto as autoridades aliadas eram enaltecidas com adjetivos positivos, os líderes do eixo eram tachados de “tragicômico”, de “sanguinário”, entre outros estereótipos negativos, comprometendo as normas do Manual, de noticiar de forma neutra e imparcial os acontecimentos.

Ainda, nesse particular, o noticiário sempre se referia aos aliados, como uma entidade única, unificada, reforçando este conceito em algumas notícias em que as “Américas declaram-se unidas, condenando em declaração histórica, os agressores mundiais”. Já os integrantes do Eixo eram sempre fragmentados, através da diferenciação e do expurgo do outro: os japoneses atacaram, os alemães (...), os italianos (...) Somente havia a unificação, quando o caráter a ser considerado na notícia era negativo: “agressores”, “fascistas”, “nazistas”.

O tratamento, dispensado às notícias, aparece, de forma mais explícita, na fase em que os adjetivos estavam presentes nos textos. Depois, quando a “imparcialidade” e a “objetividade” se tornam uma meta dirigida pelo Manual, o conteúdo da notícia passa a “esconder” as intenções difundidas no noticiário. Os atos praticados pelos aliados eram sempre valorizados com os seguintes adjetivos: “poderosas” forças, “vigorosa” luta, “tenaz” batalha, “histórica” resistência, “sábia” política de boa vizinhança de Roosevelt. As atitudes aliadas eram legitimadas pela defesa de um ataque desfechado, pela idéia de que “os nossos interesses são os de todos” e pela invocação das tradições da Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, principais forças aliadas.

O que se observa no Manual é que ele revela extrema preocupação com a forma da notícia e com a edição. A McCann-Erickson, como supervisora, atuava na criação, evolução e controle do noticiário. Apesar disso, os estereótipos, constavam do noticiário, apresentando conotações não previstas nas normas ou contrárias a elas. As influências culturais dos Estados Unidos e do capitalismo também estavam presentes nas edições diárias do noticiário.

As notícias eram mercadoria, pois, embora redigidas em uma agência de notícias, tinham a supervisão de uma agência de publicidade. Era assim que a estrutura estava montada na matriz, os Estados Unidos, onde o Repórter Esso se constituía na via natural de informações para os ouvintes daquele País. Em nível externo, serviu para consolidar o american way of life, estilo de vida, uma forma de pensar e agir.

Desde o início, o noticiário tinha cunho político-ideológico definido, conforme Ortiwano (1985, p. 76): “O Esso surgiu com a preocupação de defender as posições dos Aliados.” Para o jornalista e radialista Nahum Sirotsky, um dos criadores da síntese noticiosa O Globo no Ar, em 1947, o Esso “noticiava muito mais que a posição dos aliados na guerra; ele vendia, para nós brasileiros, a imagem norte-americana, de que tudo seria melhor se seguíssemos a filosofia capitalista dos Estados Unidos” (informação verbal) 10.

Uma análise mais detalhada necessitaria que fosse possível detectar ou mesmo medir a quantidade de informações que não foram veiculadas no Repórter Esso. A exclusão de certos assuntos no processo de edição mostra os interesses e as opções ideológicas aplicados ao noticiário. O número de notícias sobre determinado assunto é tão significativo, ou mais, do que o tratamento, pela redação, que a notícia veiculada recebe. Como ressalta Marcondes Filho (1989, p. 12), “atuar no jornalismo é uma opção ideológica, ou seja, definir o que vai sair, com que destaque e com que favorecimento, corresponde a um ato de seleção e de exclusão. Este processo é realizado segundo diversos critérios, que tornam o meio de comunicação um veículo de reprodução parcial da realidade.”

No Esso, há uma coerência na busca da imagem de “imparcialidade”, para reforçar a “credibilidade”. A preocupação da agência de publicidade, que acompanhou a história do noticiário, tratou de vários aspectos, da pontualidade à entonação com que o locutor deveria ler as notícias. A locução, no Esso, segue essa premissa e reforça a idéia de “credibilidade”. A contratação de locutores exclusivos serve como confirmação à “imagem” do noticiário, faz parte da sua identidade, integra num mesmo ser o locutor, o noticiário e a “marca” do patrocinador. As campanhas de utilidade pública contribuíram para reforçar ainda mais a credibilidade.

Também as edições extraordinárias, aquelas não previstas e transmitidas durante a guerra, conferiram ao noticiário ainda mais credibilidade. Nos áureos tempos, quando o ouvinte escutava a característica fora do horário tinha certeza de que a notícia que viria a seguir seria realmente muito importante para os destinos do País e do mundo (ORTRIWANO, 1985, p. 96). Outro item importante à credibilidade foi a determinação de horários certos para a entrada do Repórter Esso. A pontualidade destacava o noticiário, na grade radiofônica da época, não muito rígida com os horários de início e término dos programas.

Sem apoiar ou se confrontar com interesses locais, o Esso ganhava trânsito livre para divulgar o que interessava à Standard Oil naquele momento e ao próprio governo dos Estados Unidos. Quando o Repórter Esso se assume como porta-voz da Standard Oil é que a identificação entre noticiário e marca se torna mais importante. A “credibilidade” do noticiário se transfere para o patrocinador. Essa “credibilidade” é fundamental para manter os ouvintes. Uma outra emissora, num outro noticiário, pode ter veiculado uma informação importante antes, mas os ouvintes vão sintonizar o Esso para confirmar. Como já dizia Lippmann (1922, p. 30), “muitas vezes não acreditamos realmente no que vemos à nossa frente, enquanto não lemos a respeito no jornal ou ouvimos no rádio”. Ou no Repórter Esso.

A escolha das palavras era meticulosa. Estabelecia o contexto da informação, “pois a palavra faz parte da guerra de linguagens”, como observa Barthes (1984, p. 186 e 220). Algumas, inclusive, tinham o “uso mágico” e eram empregadas em diversas situações para suscitar determinados sentimentos na audiência. Palavras radiofonizáveis, conforme observações de Thompson (1995, p. 27) e González (1993, p.56) , que garantam uma oralidade de segunda ordem, aquela feita sob medida, industrial e organizacionalmente estruturada, com a dupla qualidade, simultânea, de mercadoria e produto, elaborados para significar.

Barthes (1999, p. 24, 26 e 82) esclarece o porquê dos textos curtos no rádio, provenientes da linguagem telegráfica e da redação publicitária: “um texto sobre o prazer não pode ser senão curto”. O texto, que, segundo o autor, é uma teia, captura o leitor, o ouvinte e está presente, pela novidade, pelo poder de envolvimento, no Repórter Esso. As notícias, na edição, eram ordenadas de forma a causar frisson na audiência.

A determinação, feita pelas normas dos manuais, de que as notícias fossem divulgadas somente através de fontes, as mais oficiais possíveis, também é uma forma de fazer passar intenções e ideologias como se integrassem parte da própria sociedade. Assim, as notícias veiculadas no Repórter Esso podem desempenhar o papel de propaganda política ou ideológica, enquadrando-se no pressuposto, estabelecido por Jules Rassak (citado por MATTELART, 1994, p. 85), de que a notícia que se limita a anunciar fatos tem efeito de propaganda superior aos textos e discursos políticos cujo objetivo principal é justamente o de fazer a propaganda. No processo de seleção das notícias, são escolhidas aquelas interessantes para serem divulgadas, com opiniões pertinentes que as sustentem e as fortaleçam perto de outras, discriminadas e, portanto, sem acesso aos Meios de Comunicação de Massa.

Foi possível notar, também, no discurso do noticioso, a transformação das ações em nomes e a colocação dos verbos na voz passiva, apagando os atores e a ação, tornando os fatos sem sujeito, sem autores. Neste particular, a voz ativa aparecia na frase, quando algum fato positivo dos aliados deveria ser destacado.

As edições nos anos 40 foram dedicadas exclusivamente às notícias internacionais, enaltecendo somente os feitos dos norte-americanos na guerra e engrandecendo as atitudes do Presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt e seus sucessores. Os discursos eram curtos, mas nem sempre objetivos, e, muitas vezes, não respondiam aos seis quesitos do lide (que, quem, como, quando, onde, porque). Algumas notícias desprezavam o contexto e iam ao ar sem as explicações necessárias para que o ouvinte entendesse. O principal era criar a expectativa na audiência, sem explicar o que realmente estava acontecendo. A linguagem era parcial, enaltecendo a posição dos Estados Unidos e seus aliados na luta contra os nazi-fascista. O mesmo recurso foi utilizado durante a Guerra Fria contra o comunismo.

Coube, ainda, ao noticiário contribuir na difusão tanto do estilo de vida americano, o american way of life, como da cultura capitalista, sendo considerado um ponta-de-lança na americanização do Brasil. Os comerciais, encaixados antes da última notícia, estimulavam a compra de bens como automóveis, fogões, fogareiros, baterias, óleos e lubrificantes. E, junto com a síntese noticiosa, chegaram os chicletes, a Coca-Cola, as revistas em quadrinhos e uma série de hábitos americanos.

Evidenciam-se, nesses aspectos, as contradições entre a filosofia da empresa, defensora do livre mercado, e a prática. A livre iniciativa, preconizada em âmbito empresarial, não se aplicava à divulgação imparcial das notícias. Assim, o ideal de “imprensa livre” e sem compromissos com os grandes conglomerados econômicos também pode ser fabricado a exemplo da “imparcialidade” e “neutralidade” apresentadas como requisitos básicos do noticiário em análise. Mesmo a objetividade, preconizada como característica do texto radiofônico, esconde um conteúdo superficial, sem contexto, sem história. Observa-se, ainda, que a imparcialidade, a neutralidade e a credibilidade, muitas vezes, são predicados usados com a intenção de transmitir à opinião pública uma aparência de verdade.


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1 Jornalista, professor universitário da PUCRS e UNISINOS, doutor em Comunicação Social.


2 A McCann iniciou as atividades em 1912 como departamento de relações públicas da Standard Oil Company, desvinculando-se quando a lei antitruste norte-americana, a Sherman Act, dividiu o cartel petrolífero dos Rockfeller em várias empresas. Mesmo assim, permaneceu ligada informalmente às companhias do grupo financeiro e se instalou em todos os países da América Latina. Devido ao elo com a Standard, coube a McCann supervisionar as edições do Repórter Esso.


3 Depoimento do professor de história Joaquim José Felizardo põe em dúvida essa versão. Segundo ele, a informação foi utilizada para pressionar o presidente Vargas a abandonar a neutralidade, apoiando os aliados. Conforme o professor, o ataque dos submarinos nazistas aos navios brasileiros poderia não ter ocorrido, pelo menos da maneira como foi noticiado, mas tão somente servido de estopim para que o governo brasileiro entrasse na guerra.

4 Na classificação dos noticiosos, segundo Os Princípios de Técnica de Radiojornalismo, de Lima (1970), o Esso serviu como modelo para uma delas: a do repórter, definido como “informações sobre diversos fatos, de âmbito local, nacional e estrangeiro, transmitidas em horários certos e cuja emissão global, incluindo o comercial da firma patrocinadora, não ultrapassa cinco minutos”. Posteriormente, é que os noticiosos sintéticos, entre cinco e 10 minutos, foram conceituados como sínteses noticiosas, denominação usada atualmente.

5 A United Press International chegou a enviar notícias para 4.800 assinantes no mundo todo. Nos anos 90, fechou escritórios em toda a Europa, exceção de Londres, enquanto nos Estados Unidos passou a distribuir matérias de poucas linhas, mais adequadas às emissoras de rádio. Depois de 79 anos de atividades no Brasil, a UPI encerrou o fornecimento de notícias aos clientes brasileiros no dia 2 de julho de 1997.

6 Conhecida no jargão jornalístico por barriga.

7 Em relação ao período de maior popularidade do noticioso, poucos são os dados disponíveis que comprovem a audiência do informativo. Porém, mesmo os concorrentes da época reconhecem que O Repórter Esso era o noticiário mais escutado, pois detinha a atenção geral dos ouvintes. No Arquivo Edgar Levenroth, na Unicamp, em Campinas, existem dados de audiência do Repórter Esso. Apesar disso, é muito difícil estudar as pesquisas do IBOPE sobre as audiências do noticiário, porque os levantamentos, existentes de 1943 a 1955, só mediam as unidades em 15 minutos. Com isso, há dificuldade em desvincular as audiências do informativo dos programas anteriores e posteriores. Mas, se as unidades de 15 minutos, onde consta o noticiário, forem analisadas mais detidamente, elas apresentam índices 25% mais altos do que as unidades anteriores e posteriores. Esses percentuais chegaram ao auge, no primeiro semestre de 1945, em torno de 50% (IBOPE. Serviço de Rádio. Pesquisa de audiência, agosto de 1950. Arquivo Edgar Levenroth – Unicamp). Com esses dados, pode-se inferir que, no período da Segunda Guerra Mundial, O Repórter Esso foi extremamente popular. Naquela época, a Rádio Nacional liderava a audiência em praticamente todos os horários. Cabe ressaltar que o IBOPE começou a medir as audiências de rádio no Rio de Janeiro a partir de 1943, portanto, dois anos depois que o informativo entrou no ar. O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística foi criado em São Paulo em 1942. No pós-guerra, os índices começaram a cair. Mesmo assim, o Esso das 20h30min mantinha ou superava os números dos programas anteriores. Por outro lado, o informativo do meio-dia (12h55min) parou de liderar. O fato se explica porque, na segunda quinzena dos anos 50, a programação da Tupi, das 11h às 14 h, ganhava em popularidade. Em termos dos índices da Nacional, as unidades do Esso do meio-dia (12h55min) continuavam a manter os números das unidades anteriores. Neste período, é quase impossível separar a audiência do Esso dos programas anteriores e posteriores. Em 1952, o IBOPE identificou que a popularidade do Repórter Esso entrara em declínio. Continuava sendo, de longe, o noticiário (radiojornal à época) mais escutado e com maior fama. Mas, em pesquisas de opinião, o IBOPE registrou queixas do predomínio das notícias estrangeiras no Repórter Esso. Também no horário noturno os índices das unidades contendo O Repórter Esso apresentavam quedas em comparação com as unidades anteriores. Geralmente, os índices continuavam a cair nos quartos de hora seguintes. Portanto, ficava difícil precisar se os ouvintes mudavam de emissora quando o Esso entrava no ar, pois outros fatores influenciavam neste novo procedimento da audiência. Entretanto, o índice do noticiário não era mais o mesmo das épocas anteriores. (IBOPE. Pesquisas Especiais, v. 11, pesquisa 18. - Arquivo Edgar Levenroth- Unicamp). A média de audiência das rádios cariocas em 1952, segundo o IBOPE, era a seguinte: 42,5% pertencia à Nacional; 10,5%, à Tupi; 8%, à Tamoio; 7%, à Mayrink Veiga; e 3%, à Rádio Clube, ex-rádio Roquette Pinto, e, atualmente, Rádio Mundial (CABRAL, 1975, p. 273-274).


8 Das 45 notícias selecionadas, mais as 12 informações constantes da última edição de O Repórter Esso, é possível extrair um conjunto de dados que oferecem possibilidades de interpretação. No universo de 57 informações, percebe-se que 38 tratam de temas internacionais ou 66,66% , enquanto 19 exploram assuntos locais ou 33,33% do total. Na década de 40, há predominância para os textos tratando da Segunda Guerra.


9 Nos livros consultados, há números discrepantes em relação aos mortos, feridos e desaparecidos, durante a Guerra, tornando difícil afirmar, com precisão, esse dado.

10 Declaração fornecida pelo jornalista Nahum Sirotsky, em depoimento ao autor, por telefone, de Jerusalém, em 16 de maio de 1998.


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