O pensamento sociológico de karl marx



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O PENSAMENTO SOCIOLÓGICO DE KARL MARX


José Roberto Cabrera

In LEMOS FILHO, Arnaldo et alii. Sociologia Geral e do

Direito. 2ªed. Campinas: Ed. Alínea, 2005

Para compreendermos o alcance e os limites da obra teórica de Marx é necessário compreender as condições históricas e teóricas onde esta se desenvolve.

Karl Heinrich Marx nasceu em Trier, na Renania, região desenvolvida à oeste da Alemanha, em 05 de maio de 1818. Filho de um advogado, transfere-se na infância para Simeonstrasse onde reside até 1835. Marx vai para a universidade de Bonn, onde cursou dois semestres, transferindo-se posteriormente para Berlim em 1836.

Por influência paterna matriculou-se inicialmente no curso de Direito, mas optou pela filosofia. Concluiu seus estudos na Universidade em 1841 com a apresentação de uma tese cujo título era “A diferença entre a filosofia da natureza de Demócrito e a de Epicuro”, conseguindo a titulação de Doutor em filosofia.

A Alemanha que Marx conheceu era um país que ainda não havia se unificado, e boa parte das transformações capitalistas operadas pela Revolução Industrial na França e Inglaterra caminhavam vagarosamente sob comando da aristocracia agrária conhecida como junkers, sinal da persistência de relações feudais em seu território. A região da Renania era desenvolvida do ponto de vista capitalista e mais progressista no aspecto político.

Na universidade Marx aproximou-se do pensamento de Hegel1, freqüentando os círculos dos “jovens hegelianos de esquerda”.

Os pensadores vinculados, de alguma forma, com o hegelianismo progressista partiram para a crítica à monarquia prussiana, utilizando-se do racionalismo para exigir mudanças de caráter democrático e liberal.

Após abandonar a vida universitária Marx trabalhou na recém fundada “A Gazeta Renana”, jornal de tendência liberal, apoiado pelos hegelianos e por setores da burguesia progressista da Renania.

Alcançou o posto de editor chefe do jornal, abandonando-o pouco antes da interdição imposta pelo governo prussiano ao jornal.

Marx transfere-se para Paris onde inicia contato com setores mais radicais do movimento operário e inicia esforços para a publicação de uma revista. Lá inicia uma colaboração com F. Engels2 com o qual desenvolverá intensa atividade política e teórica até o fim da vida.

Mantém-se em Paris, produzindo textos e participando ativamente das atividades de organização do movimento operário, até ser expulso. Vai para Bruxelas onde mantêm esforços para a criação de um novo tipo de organização operária. Posteriormente em 1848 é expulso da Bélgica vai para Paris e depois retorna à Alemanha já em 1848, depois do ciclo revolucionário de fevereiro3.

Lá retoma suas atividades como editor de um novo jornal “A Nova Gazeta Renana” imprimindo-lhe uma linha mais crítica e radical. No entanto, o retorno das forças conservadoras ao poder abreviaram a estada de Marx em território alemão. Assim, em 1849 Marx conhecerá seu último exílio transferindo-se para Londres onde morreria em 1883.

De uma maneira geral, podemos afirmar que o pensamento de Marx se desenvolve ancorado na experiência, vitórias e derrotas, que o movimento operário e popular da época, acumulava em suas lutas contra os patrões, o governo e o capital de uma maneira geral.

Assim, entender o pensamento de Marx, independente de suas particularidades, é entender também a evolução das lutas sindicais e políticas dos trabalhadores europeus do século XIX.



O Marx da juventude e o Marx maduro

O pensamento de Marx obedeceu um certo desenvolvimento que pode ser observado da seguinte maneira:



  1. Os primeiros textos de Marx apontam para uma temática mais próxima do pensamento de Hegel, tendo, portanto, um caráter de crítica racional ao estado absolutista, buscando encontrar na organização racional do Estado a resposta ao verdadeiro sentido da liberdade. Ou seja, a busca de um estado racional onde os interesses individuais e coletivos se confundem garantiriam o sentido mesmo da liberdade individual. Nesse sentido, tais reflexões, ainda que de forte tendência democrática, possuíam um caráter liberal. Em certa medida, tais reflexões ainda se encontram num campo ( ético), quase idealista.

  2. A aproximação de Marx com o movimento operário e a aplicação de seu método crítico permitiu o desenvolvimento do materialismo dialético que rompeu com os padrões anteriores de entendimento do processo histórico. No entanto, tal processo ainda conservava um grau de comprometimento com o pensamento do passado, particularmente com temas como a alienação(....)

  3. Ainda que tenham empreendido uma transformação no sentido de uma nova teorização histórica, Marx vai consolidar seu método científico de compreensão da realidade somente em suas obras da maturidade, onde tenta romper com as permanências do hegelianismo da juventude, constituindo um método capaz de explicar a sociedade de uma maneira científica e compreender os caminhos do processo histórico.

A cada uma dessas etapas temos um conjunto de obras que vão elucidando a evolução do pensamento de Marx, culminando com a elaboração de O Capital.

De uma maneira geral, como afirmou Lenin4, o pensamento de Marx, conhecido por marxismo, foi fortemente influenciado por “3 fontes” que são: a filosofia clássica alemã (Hegel, Feuerbach, Fitche etc), a economia política inglesa (Adam Smith e David Ricardo) e o socialismo francês (Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen – este último inglês).

A partir desse bloco de influências ao qual Marx criticou, ele elaborou um conjunto de idéias inovadoras, as quais permitiram a consolidação de um corpo teórico composto de uma base filosófica, o materialismo dialético, uma teoria econômica e uma proposta de transformação, o socialismo científico


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