O pequeno luterano



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A REVISTA “O PEQUENO LUTERANO” NAS ESCOLAS PAROQUIAIS LUTERANAS NO RS- 1930-1960

Patrícia Weiduschadt

Doutorando pelo PPGE/Unisinos, RS

prweidus@gmail.com

Palavras-chave: escolas paroquiais, impresso, doutrina luterana.



Introdução:

Diante da importância do uso dos impressos para entender processos educativos, esta comunicação apresenta a análise da revista: “O Pequeno Luterano”. O periódico, com objetivos religiosos e educativos, fazia parte de um projeto de educação de uma instituição religiosa luterana, voltada para o público infantil, tinha como meta a difusão de princípios doutrinária, servindo como apoio didático nas escolas paroquiais.

Neste artigo, destacam-se a importância e as representações da revista “O Pequeno Luterano” em escolas paroquiais e na educação familiar no contexto pomerano da região meridional do RS. Esta revista era direcionada a crianças e produzida pelo Sínodo de Missouri, instituição religiosa luterana originária dos Estados Unidos, que se instalou no Brasil em 1900, atualmente é denominada Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

A educação e as relações do Sínodo de Missouri no contexto pomerano foram discutidas anteriormente em dissertação de mestrado1, com recorte temporal diferente, abordando, em especial, os primórdios da fundação do Sínodo. Neste estudo é feito o recorte de um dos meios educativos utilizados pelo Sínodo: a revista “O Pequeno Luterano”.

Editada em 1931 em alemão gótico, denominada Kinderblatt. Em 1939, com a nacionalização do ensino passou a ser editada em português até 1966.

Ao longo do tempo demonstrou um crescimento considerável, não só em quantidade, como o aumento do número de páginas, como em qualidade. A apresentação gráfica e editorial apresentava um cuidado maior no aspecto estético. Havia troca dos editores responsáveis, mas todos eles com o mesmo perfil profissional e religioso: foram pastores e professores, formados pela Igreja do Sínodo de Missouri.

Num primeiro momento contextualizam-se as escolas paroquiais na realidade pomerana e sua formação mesmo antes da edição da revista, do mesmo modo discuti-se a ênfase doutrinária apresentada na revista através de eixos de análise construídos2 como: histórias bíblicas, festas religiosas e lição de moral, relacionadas com a religião, pretendemos entender o uso da revista pelo professor como meio didático. Aborda-se aqui também a comunicação entre leitores e a redação da revista, o leitor como aluno ou parte de uma escola paroquial, e a redação dar revista buscando chamar atenção do leitor em campanhas e propaganda da revista.

Muitas práticas de orientação e controle moral e religioso estiveram presente nos textos, caracterizando uma cultura escolar específica nos leitores/alunos como, por exemplo, decorar textos, ou memorizar o catecismo e a Bíblia. Assim, neste trabalho percebe-se as relações entre as orientações da revista e as práticas religiosas e escolares, especificamente na relação com as escolas paroquiais.

Como suporte metodológico, busca-se apoio nos estudos sobre a leitura de Roger Chartier, que considera a prática de ler não uma prática universal e única, mas construída a partir de um contexto dado. Deste modo, pretende-se perceber os modos de circulação, edição e apropriação da revista “O Pequeno Luterano” entre escolas paroquiais.

Parte-se do pressuposto que, se o texto foi produzido para atender um público específico, a sua leitura vai depender da atitude e das práticas dos leitores, em que condições estes leitores apreendiam os textos.

[...] la relación de la lectura com um texto depende, por supuesto, del texto leído, pero también del lector, de sus aptitudes y prácticas y de la forma material en que aborda el texto leído o escuchado. Si uno se interessa em el processo de la producción del sentido, esta es una trilogia absolutamente indisociable. El texto implica significaciones que cada lector construye partiendo de sus propios códigos de lectura cuando recibe ese texto presentado em una forma determinada o cuando se apropia de él [...] (CHARTIER, 2000, p. 91).
As práticas das leituras e os modos dos leitores dependerão da produção e circulação dos textos, da sua materialidade, mas,ao mesmo tempo, é uma forma de reconstrução do leitor, a partir do que faz sentido para ele. Ora, o sentido do texto apreendido pelo leitor, na maioria das vezes, forma-se pelas relações sociais e culturais que ele encontra no grupo, especialmente, no caso, em grupos comunitários religiosos. As formas de leitura da revista “O Pequeno Luterano” - ou outras leituras indicadas pela instituição religiosa, além da leitura individual - circulavam no espaço escolar: toda a classe lia a mesma leitura, pois era direcionada para os professores usarem como um aparato didático, e, como auxilio nas aulas.
Escolas paroquiais no contexto pomerano:

As escolas paroquiais neste contexto foram criadas, na sua maioria, antes da chegada do Sínodo ao Brasil. Foram organizadas desde a imigração, em meados do século XIX, mas o enfoque que a instituição do Missouri pretendeu demarcar foi forte na preparação de seus professores e pastores, para garantir ênfase doutrinária nos princípios educativos. 3

Não bastava as escolas terem o conhecimento secular e geral do saber, mas antes de tudo, a preocupação recaía num conhecimento doutrinário específico, um conhecimento ortodoxo, bíblico, no conhecimento da doutrina de Lutero. Por isso, além da formação dos professores, o currículo das escolas precisava estar organizado com estes princípios, assim como as práticas escolares eram circunscritas com práticas religiosas definidas, como uso de orações, leituras e atividades de histórias bíblicas, cânticos religiosos, estudo doutrinário e bíblico.

Nas referidas escolas o alvo central do currículo era a religiosidade4, mas além destes recursos e organização escolar, o uso de impressos poderia reforçar as práticas doutrinárias. Desde o início da fundação, o Sínodo no Brasil estimula a edição de revistas, ou seja, material didático para os seus fiéis para todas as gerações5, de forma mais evidente, para as crianças.

Independente de a assinatura da revista ser individual ou por escola, a leitura, o uso, o controle passavam pela instituição educativa, com forte vínculo entre a escola, a família e a igreja. Evidente que o projeto de educação das crianças contemplava o espírito comunitário dos pomeranos e as intenções da instituição religiosa.

Assim, a leitura específica que estas escolas paroquiais impunham era eivada de controle e, ao mesmo tempo, de estímulo, determinada por condições de possibilidades num contexto específico.

Neste sentido, estudos de Roger Chartier (2002;2000; 1996a;1996b; 1992), ajudam a entender a leitura como uma prática a ser inscrita na vida social, revelando não somente a intencionalidade editorial ou institucional da construção do texto a ser lido, mas também das formas como os leitores se apropriam desses textos, como este texto foi editado e as condições de sua produção. À luz do referido autor, é possível compreender que os impressos e livros destinados às escolas étnicas religiosas estavam circunscritos por determinadas condições históricas e sociais. A elaboração dos mesmos decorre de um processo que de modo nenhum é neutro e aleatório, e sim legitimado dentro de um contexto específico, apresentando descontinuidades e sendo adaptado muitas vezes a quem se destina o material de leitura. Compreende-se também que a apropriação feita pelos leitores não se dá de forma universal, ela apresenta peculiaridades e singularidades no uso dos livros e impressos. Os dados permitiram afirmar que as escolas paroquiais estavam organizadas pelo Sínodo de Missouri, e as práticas de leitura foram estimuladas por um projeto envolvendo livros didáticos6 e impressos destinados ao público infantil.
Contato com os leitores- comunicação e apropriação

Não se pode dizer que todos alunos das escolas paroquiais eram assinantes ou liam a revista, ou que todas as escolas usavam este instrumento no seu cotidiano. Há indícios que o impresso previa o seu uso no meio escolar por meio do contato dos leitores com a revista. O leitor que se correspondia com a revista, também era aluno, ou a revista se dirige ao leitor como este fazendo parte de uma escola. Há uma mescla de apropriações para inserir uma nova prática, o leitor relatando a sua escola, o seu cotidiano, a redação estimulando o contato.

O elo entre a revista e as escolas paroquiais é evidente, a maioria dos leitores que se correspondem com a revista, senão todos, são alunos de escolas paroquiais. É relevante para estes leitores mencionarem, em sua correspondência à edição da revista, a sua pertença escolar.

O contato que os alunos realizam com a revista também não é único, depende do contexto e das dificuldades encontradas da instituição religiosa.

Em uma das primeiras edições de agosto e setembro de 1939, a revista agradece a oferta especial feita por escolas paroquiais, com a relação de alunos e quantidade ofertada.

Na estruturação da revista em língua portuguesa, muitas vezes, a edição pede auxílio aos leitores para a manutenção da revista, fazendo propaganda, com pedidos de: ajuda para o aumento de assinantes, doações num período de enchente (década de 1940), participação em concursos de charadas e de redações, oferecimento de livros infantis para a estruturação das bibliotecas da escolas. ( década de 1950).

O recebimento de cartas de escolas é recorrente nas edições, em setembro de 1944, a escola de São Pedro, representada por um aluno do interior de Pelotas, e com objetivos de oferecer doações ao orfanato, escreve a seguinte redação, logo respondida pelo editor:

Comunicação

De São Pedro, Pelotas, recebi a seguinte cartinha:

Querido “tio” do nosso “O Pequeno Luterano”

Esta carta tem por fim comunicar-lhe acerca da coleta que nós alunos ajuntamos na festa do Natal ano passado, para a caixa de órfãos de Moreira. Os contribuintes são os seguintes: Elsa Lange, Hilda Lange, Frieda Drews, Roberto Lange e Hugo Kopereck Cr$ 1,00 cada, Olinda Krause e Nathan flor Cr$ 2,00 cada; Davi Flor Cr$ 2,50. Total Cr$ 11,50

Almejando ao “O Pequeno Luterano” e ao querido “Tio” a benção de Deus sou com muita estima o seu sobrinho Davi J. Flor”

Caro amiguinho Davi, confesso francamente que a tua cartinha foi animadora para mim. Muito obrigado pelos votos de benção ao “Pequeno Luterano” e seu “Tio”. Aos alunos da nossa escola de São Pedro agradeço as dádivas oferecidas ao orfanato. Vosso exemplo, servirá de estímulo a outros escolares, contribuindo ao sustento dos órfãos de Moreira.

Vós que tendes a felicidade de ter pais, deveis lembrar-vos em particular daqueles infelizes que foram acolhidos no nosso orfanato. Recomendo ao estudo o apelo neste sentido publicado no número antecedente. “Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais benefícios Deus se agrada” (Heb. 13:16) (O Pequeno Luterano, set/1944, p 40)


Podemos perceber que a instituição escolar foi estimulada na campanha assistencialista que a instituição religiosa propôs, e como propaganda a revista divulgava os relatos da escola, respondendo aos leitores com agradecimentos e aproveitando para relacionar com as orientações bíblicas, já que o texto do editor é finalizado com um versículo bíblico. Ainda as contribuições em dinheiro para os órfãos é bem específica, relacionando os valores e nominando os doadores. Esta prática é recorrente em boa parte das edições da revista.

Outra forma da revista manter contato com os leitores eram concursos de redações sobre temas diversos: em julho de 1947 é proposto o Concurso Centenário, referindo-se ao centenário da fundação do Sínodo nos Estado Unidos, ocorrido em 1847. Os vencedores foram premiados com livros infantis até a quinta colocação.

Também como estratégias eram realizados concursos para resolver as charadas e adivinhações publicadas no final da revista. Ao final de um período estipulado os leitores/alunos enviavam as respostas e ganhava quem tinha maior acerto. Os conhecimentos envolvidos eram variados: na maioria eram conhecimentos bíblicos, gramaticais da língua portuguesa e curiosidades com conotação lúdica, como charadas e adivinhações. Em janeiro/ fevereiro de 1961 o editor (tio) se dirige aos sobrinhos, que vão publicar cruzadas para ser resolvidas, revela que podem pedir ajuda aos pais e professores. Assim, podemos constatar que o entretenimento publicado nas revistas servia para ser trabalhado nas escolas, num projeto envolvendo escolas, famílias e igreja.

Interessante notar as cartas dos leitores: uma delas veio de Pelotas, RS, da zona urbana, apresenta relato da escola, da professora e do pastor, menciona que a professora conta histórias, e promete comprar a revista o Pequeno Luterano.(janeiro/fevereiro de 1956).

Outra prática utilizada na revista: as campanhas de correspondência entre os leitores do “O Pequeno Luterano”. A criança informava a sua escola paroquial e localidade, dizendo que queria se comunicar com crianças de outros lugares para trocar informações e notícias. A edição aconselhava esta prática para um conhecimento entre os leitores e a delimitação de relacionamento entre os leitores, de preferência que todos fossem luteranos. A correspondência se dava entre o mesmo sexo, como intercâmbio entre crianças, e, não entre jovens, com intuito de um relacionamento amoroso. Da mesma forma, também foram instituídas campanhas para ampliar o número de leitores, solicitando que os assinantes fizessem propaganda da revistas aos seus amigos e colegas das escolas. Contata-se que as apropriações e o contato dos leitores tiveram um resultado relevante, especialmente na circulação do impresso nas escolas.
Educação doutrinária nos textos

A educação doutrinária é destacada na revista através da maioria dos textos e artigos que compuseram a revista, os títulos denominados na análise: histórias bíblicas, festas religiosas e lição de moral relacionadas com a religião formam a maioria do conteúdo das edições.

Neste sentido, percebe-se os objetivos claros da instituição do Sínodo de Missouri colocados no impresso. A educação das crianças visava um aprofundamento e conhecimento esmiuçado da Bíblia e da doutrina luterana. Há que destacar importância de editores terem formação teológica como pastores e terem a formação pedagógica de professores. O cuidado com a redação dos textos parece ser relevante para a edição, especialmente na seleção dos conteúdos.

Em relação às histórias bíblicas, são apresentadas aquelas mais relevantes para as crianças, como histórias da vida de Jesus, a ser seguida com exemplo pelas crianças, ou ainda de profetas que começaram na infância a propagação da fé.

Há vários exemplos como a história de título “Confia no Senhor e não em ti”, relata a história bíblica de Davi e Golias, em que Davi confiando em Deus, vence um gigante Golias, dirigindo-se ao leitor, lembra que precisa acreditar em Deus, relacionando com o exemplo de confiança de Lutero, o reformador. (outubro/novembro, 1939).

Outra exortação às crianças, além da confiança em Deus, é a obediência e gratidão aos pais e professores, um exemplo é a história do filho pródigo, uma parábola contada por Jesus, ele pediu a herança ao pai e a gastou, mas o pai o aceitou, assim Deus nos aceita. Esta história reforça para os meninos lembrarem-se disto ao obedecer aos mais velhos.

Muitas práticas são instauradas nas crianças através dos textos com enunciados prescritivos de práticas minuciosas e de condutas como as crianças devem orar. Não bastaria conhecer as histórias bíblicas e a sua aplicação nas condutas, mas também estabelecer os modos que estas condutas deveriam acontecer. O excerto de março/junho de 1946, mostra a imagem de crianças orando e apresentando um texto prescritivo, com questões que conduzem os pequenos a fazer um auto-exame:

Como devemos orar?

Tu oras? Tu oras seguidas vezes? Tu oras quando estás sentado à mesa? Tu agradeces quando terminaste a refeição? Tu cruzas as mãos em oração quando vai deitar-te de noite? Tu oras quando estás sentado ao lado de teu pai e de tua mãe na igreja? Tu falas em oração com Jesus, o teu melhor amigo, do fundo do teu coração? Deus te ama se fazes isto. (mar/jun, 1946, p.17)
Depois dos questionamentos às crianças em relação as suas práticas, evidencia-se um controle de comportamento minucioso do corpo, das mãos, do modo de se dirigir a Deus. Referindo esta confiança em Deus, o texto revela o auxílio de Deus e sua proteção e ajuda até mesmo nas práticas escolares, como menciona logo em seguida:

[...] Ele pode auxiliar-te quando as tuas lições e os teus exercícios difíceis. Ele pode mesmo ajudar-te a amar o menino ou menina que fora tão rude para contigo no outro dia.[...] Experimenta e aprende várias orações bonitas. Faze também tuas próprias orações.[...] Pede-lhe todos os dias que te perdoe os teus pecados e que, te faça cada dia mais parecido com Jesus. E então aprende a orar a oração maravilhosa que Jesus mesmo nos ensinou a orar: (cita o Pai Nosso) (mar/jun, 1946, p. 17-18)


Assim, a oração dá um sentido em ajudar nas atividades diárias, na escola, na relação de amigos, orientando a experimentar outras orações, para que esta prática faça parte do comportamento cotidiano, e ainda usa o exemplo de Jesus, reforçando a prática da oração do Pai Nosso.

As histórias bíblicas também estavam relacionadas com os textos lúdicos, como perguntas interessantes sobre personagens, indicando versículos. Um exemplo são perguntas e curiosidades da Bíblia perguntando sobre tipos de casas:

Perguntas sobre casas

Em cuja casa trabalhou José do Egito? Em cuja casa se criou Moisés? Qual o povo que durante 40 anos não habitou em casas de material? [...] (fev/mar,1957, p. 9)


O conhecimento bíblico e doutrinário se dava através de perguntas, jogos, charadas, estimulando o leitor a se interessar pelo assunto, estudando a Bíblia, envolvendo a família e a escola.

A ênfase doutrinária em alguns textos mostra um aprofundamento da doutrina bíblica, o que permite inferir que estes textos necessitariam do professor ou pastor complementar a explicação. Um destes explicita claramente este aprofundamento na doutrina, tanto no vocabulário, como na forma de apresentação:

Que faz o Espírito Santo por Mim?

Deus Pai me criou, me sustenta, protege e guia, através da vida conforme melhor e para mim. O Filho de Deus me salvou das exigências da Lei, me remiu da dívida do pecado e me livrou da condenação eterna. E o Espírito Santo que faz para mim? [...] O Espírito Santo testifica de Cristo junto a mim. Pelo sermão dominical, pela instrução que me dá o professor paroquial, pelas passagens do evangelho que decoro na escola, e pela devoção que temos em casa, o Espírito de Deus me ensina continuamente quem é Cristo, o que ele fez em meu favor, quão maravilhoso Salvador e Amigo meu é. [...]

(1955, jul, p. 2)

Contata-se a religiosidade doutrinária da Trindade: Deus Pai, Filho e Espírito Santo, visando enfatizar este último. Trata-se de um texto complexo para o entendimento das crianças, pressupondo assim, necessidade de apoio educacional para o seu entendimento. O texto corrobora que o Espírito Santo age através das práticas de assistir cultos, aprenderem a Bíblia na escola e na igreja, para receber a graça de Jesus Cristo. Na continuação do texto menciona outras ações do Espírito Santo. O excerto é organizado em tópicos, colocado de forma didática, que ele agiu no batismo, testificou na aula paroquial, nas práticas de decorar, faz crer, consola, guia para compreender a doutrina e faz recordar das profecias, daí a necessidade de estudar e compreender a bíblia.

A organização das práticas das crianças é acentuada nos textos de histórias bíblicas, na maioria das vezes, entrelaçando escola, igreja e família. A organização e controle do tempo e o que as crianças fazem dele é mencionado num dos artigos que envolvem aspectos doutrinários.

Remi o tempo

Em 26 de novembro, queridos meninos, termina mais um ano. Não o ano civil, naturalmente, mas o ano da Igreja, pois no dia 27 de novembro celebrar-se-á o primeiro domingo de Advento.[...] Tivestes mas ou menos 200 dias para freqüentar a aula paroquial se tal existe em vosso lugar; tivestes mais de 300 dias em que pudestes ouvir e ler a Palavra do Senhor em casa, decorar passagens bíblicas. [...] Aproveitastes o tempo que Deus vos concedeu? Sim, É Deus que nos concede o tempo de vida. [...] Não tereis que confessar a respeito do ano passado que muitas vezes se deu o seguinte convosco? Fui preguiçoso; deixei de decorar as passagens do catecismo e os hinos; decorei-os com pouco zelo; nos cultos e na instrução não prestei boa atenção; fui negligente nas minhas lições de aritmética, leitura e escrita. Mal cumpri com meus deveres em casa. Fui relaxado na limpeza da cozinha, no trato que dei aos animais. [...] (1955, nov, p. 2-3)
O conteúdo do texto apresenta enunciados específicos para as crianças fazerem um auto-exame sobre as suas práticas. Fica visível que as suas práticas têm relação com a escola e igreja, valorizando o ano e o tempo da igreja, este vem em primeiro lugar, para depois mencionar o ano escolar. Ensina aos leitores que o tempo não nos pertence, e, sim a Deus, mas precisamos fazer coisas boas, que ser cristão também é ser um bom aluno, primeiro no aprendizado bíblico, mas não se esquecendo de ser disciplinado nos conhecimentos seculares e nas tarefas em casa. O redator menciona que se não existir escola paroquial no local que mora, devem, necessariamente as crianças pertencentes ao Sínodo de Missouri frequentar.

As exortações morais, religiosas e escolares são freqüentes na revista e objetivam formar uma conduta específica do leitor/aluno que é luterano e assinante da revista.

Outro tópico relevante construído na análise do impresso são as festas religiosas, elas seguem um cronograma do ano como: Ano Novo tendo como significado a comemoração cristã de agradecimento e pedido de proteção na chegada de um novo tempo, Páscoa representando a salvação de Cristo pela humanidade, Pentecostes a festa que explica a descida do Espírito Santo para fortalecer a expansão da igreja , Festa da Reforma em outubro, data que relembra a fixação das 95 teses por Lutero contra a igreja católica e o Natal enfatiza o presente de Deus : o menino Jesus.

No Ano Novo a revista relembra que se está iniciando mais um ano de edição do impresso, geralmente, apresentam uma poesia, ou músicas do hinário luterano.7 O texto de janeiro de 1957 exorta aos leitores a rezar pela família e pela escola, pelo professor, reforça todas as práticas das histórias bíblicas, do catecismo, o dever de ser bons alunos, enfatiza que não merecemos nada, a não ser pela graça de Deus, encerrando com uma oração.

Da mesma forma, na Páscoa e no Natal é dedicado espaço em todos os anos da edição, apresentando as histórias relacionadas a estas datas, bem como as explicações doutrinárias,

Exemplificando o uso do impresso na escola paroquial o texto de março de 1950, mostra esta correlação na história da quaresma, que é um tempo de reflexão para a espera da Páscoa, remetendo as aulas de catecismo na igreja e escola e o conhecimento da História Bíblica.

A festa da reforma apresenta de forma mais proeminente a biografia e história de vida de Lutero, o reformador, apresentando vários textos de sua infância, em que ele era aluno, sua vida como estudioso e teólogo, como propagador da reforma e que como pai, na educação dos seus filhos, nunca descuidou dos aspectos religiosos e disciplinares.

A biografia de Lutero foi relatada nos periódicos, mensalmente, de março/abril de 1951 até setembro de 1960, com histórias que relatam a vida de Lutero de forma detalhada, sempre demonstrando a preocupação do reformador na educação das crianças. Praticamente, ao longo de uma década de edição da revista a biografia é relatada, evidenciando o espírito doutrinário da instituição do Sínodo de Missouri na formação educativa das crianças de suas escolas.

Do mesmo modo o item Lição de Moral, apresenta histórias e textos que possuem uma aplicação na conduta e modos das crianças, mas em grande medida, relacionados com a religião e doutrina. Um excerto que ilustra esta afirmação é a história de uma personagem cuja história a redação considera ser importante imitar a sua rotina:

A semana de Amelinha

Sete dias tem a semana: [...] Seis são dias úteis, os dias de trabalho. O último, domingo, é destinado ao descanso. Os meninos aplicados vão à aula nos dias úteis e não faltam nunca. Menina aplicada emprega muito bem o seu tempo. Assim procede Amelinha. Levanta cedo, recorda as lições e vai contente para a escola. Segundas e quintas-feiras dá bem sabidinhas as lições de história bíblica. Além disso dá de cor as lições de geografia e gramática. Faz os seus cálculos e a sua cópia com muito capricho. Muito gosta Amelinha das terças e sextas-feiras. Ouve com muito prazer o professor explicar o pequeno catecismo de Lutero. Ouve também com prazer contar os episódios da história pátria. Dedica-se mais neste dia às lições de cívica e faz exercícios ginásticos. As quartas e sábados recita o seu catecismo e os hinos sagrados.[..] Amelinha é aplicada: todos os dias à tarde, borda e estuda as suas lições duas ou três horas por dia. Aos domingos, sim, é que Amelinha está muito contente. Toda bem vestidinha ei-la no caminho à igreja para freqüentar o culto divino. Lá chegado, senta-se quietinha no seu lugar costumeiro, não conversa, não ri e nem se volta para trás.[...] Quereis vós meus pequenos leitores imitar Amelinha? Experimentai! Mas pedi antes a Deus que vos dê força de vontade.[...] (Hesse, Walter. 1940, nov/dez, p 46)
O texto revela como deve ser a distribuição do tempo de uma criança durante a semana. Observa-se como o currículo escolar está organizado em detalhes, tendo a religião como disciplina central, evidenciando o incentivo de práticas religiosas realizadas pelas crianças. O controle deste leitor/aluno/fiel é relatado nas formas corporais e na aplicabilidade do tempo na escola, na casa e na igreja.
Educação cívica nas escolas

Do mesmo modo, que as festas religiosas seguiam um cronograma no ano decorrido, as datas cívicas, uma categoria construída no estudo, aparecem em textos e histórias na revista. Estas datas são apresentadas ao longo do ano, com forte apelo moral e familiar como dia das mães, do professor e dos pais, e com apelo cívico e ufanista como as comemorações de setembro, dia de Tiradentes, dia do trabalho, proclamação da república, dia da bandeira, entre outros.

As histórias de apelo moral e familiar buscam integrar a família em princípios religiosos. São apresentados muitos poemas exaltando a mãe e a observação da conduta das crianças em obedecer aos pais e superiores. Um dos poemas (maio de 1949) revela estes aspectos, intitulado “A boa fada mãe”, possui dois versos, espera receber a benção de um olhar, encerrando com o incentivo da redação em recordar o Quarto Mandamento, que é honrar o teu pai e a tua mãe. A doutrina, portanto, também estava presente em datas comemorativas.

As histórias cívicas e ufanistas, nas décadas de 1940 e 1950, são marcadas pela nacionalização do ensino. A revista fazia pouco que adotava a língua portuguesa, então a propaganda do Estado Novo e as práticas envolvidas como os desfiles pátrios estavam presentes na edição, além da presença da redação de textos sobre conhecimento de história, apresentada sob a forma de uma história factual, descrevendo os fatos, exaltando vultos históricos, não havendo discussão crítica do conteúdo. Mesmo sendo mais acentuados os textos patrióticos no período da nacionalização do ensino, esta característica de apresentar o ideal cívico permanece em todas as edições.

Com o título “Semana da Pátria em 1941”, reforça a exaltação do governo do Estado Novo, com a menção e elogios a Getúlio Vargas. A instituição assume uma suposta neutralidade, certamente para apaziguar a perseguição do período. O texto revela um país com harmonia, paz e progresso. Chama aos luteranos a orar por Getúlio Vargas.

Os textos ufanistas e patrióticos são bastante recorrentes e estão totalmente inseridos na educação das escolas paroquiais:


Patriotismo

Que será Patriotismo? Em poucas palavras podemos dizer que é amor á Pátria. Em que ocasiões podemos mostrar este amor? [...] Mas não é só na guerra que podemos mostrar o nosso amor à Pátria. Na paz quando estamos trabalhando pelo progresso do Brasil, estamos mostrando o mesmo amor daqueles que tombaram nos campos de batalha. E tu, pequeno leitor, tu que freqüentas a escola, será que também tu podes prestar serviço à Pátria? [...] Sê pois, aplicado no estudo, e quando fores maior, põe o que aprendeste, a serviço da Pátria, lembrando a admoestação: ‘Toda a alma esteja sujeita às postedades superiores’ Rom, 13:1 (1950,set/out, p. 68)


É visível a interrelação escola- igreja com o patriotismo apregoado nos textos: o projeto de bom cidadão estava facilmente atrelado a bom aluno e a bom cristão, por isso, acredita-se que a escola fazia uso dos impressos no seu cotidiano. Havia uma preparação cronológica da edição da revista relacionada com as datas e festas, tanto cívicas como religiosas.

O papel do professor na revista

Como já apontado anteriormente, infere-se haver a necessidade do professor auxiliar as crianças na leitura e acompanhamento do impresso “O Pequeno Luterano”, pelo menos nos textos doutrinários com maior aprofundamento.

Mas em muitos momentos, a revista se dirigiu especificamente ao professor, como por exemplo, no anúncio de material didático e livros para os professores fazerem uso na sala de aula. Da mesma forma, nos modos de conduta e de comportamento deste profissional, que na visão da instituição deveria ser um luterano ou uma luterana.

Muitos textos prestam homenagens a estes profissionais, ressaltando a sua capacidade e amor ao trabalho. Algumas vezes, os próprios leitores/alunos, escrevem nas cartas à edição mensagens elogiosas ao seu professor.

Um dos textos que chama atenção consta a informação de material didático de apoio aos professores, anunciando livros de recreação e jogos e de dramatizações escolares, como menciona o excerto:

Aos professores

Qual a criança que não gosta de brincar, inventando, nas mais variadas oportunidades, representar um professor, uma mãe, um médico, um motorista,[...] É natural, portanto, que a escola, em seu empenho de aproveitar as atividades espontâneas da criança, use seu interesse dramático como poderoso meio educativo. Por estas e outras razões, nossos professores jamais devem descuidar em proporcionar aos seus alunos programas teatrais de molde recreativo e, ao mesmo tempo, educativo. Não é menos verdade, entretanto, que os professores lutam com a falta de material adequado na elaboração de tais programas. E, precisamente, por isto, houvemos por bem recomendar a obra. (1962, jul, p. 11)
Logo em seguida apresentam dois livros com os preços e autores que privilegiam estes conteúdos. O anúncio dos livros como apoio didático leva a inferir que os professores liam a revista para usá-la na escola. O texto se utiliza de propaganda de métodos e inovações para os professores, estimulando a buscar mais novidades nas suas aulas através de teatros, dramatizações. Alertam para as dificuldades enfrentadas como a falta de material na elaboração de aulas mais criativas.

Em relação ao comportamento muitos relatos, mesmo se dirigindo às crianças, afirmam a necessidade do professor ser piedoso e luterano, e também, orienta o conteúdo a ser ensinado.

O grande valor da vossa Escola Paroquial

Até que recebeis o primeiro número do Pequeno Luterano deste ano, já estareis na aula paroquial. Ali tendes um professor piedoso, luterano, para vos ensinar, ou talvez uma professora temente a Deus, luterana, para vos instruir. [...] Na escola paroquial ajuntais um rico tesouro de histórias bíblicas [...] Na escola estais decorando numerosas passagens da Sagrada Escritura que dia após dia vos servirão de esteio[...] Que sabe uma pobre criança pagã de si mesma, de Deus, da morte, do juízo final, do céu, da maneira de ser salva? E aqui em nosso querido Brasil há milhões de crianças, que, embora aprendam histórias bíblicas e decorem versículos da Bíblia estão sendo guiadas num falso caminho ao céu. [...] Ó benditas crianças, com o que aprendeis em nossas escolas, mais sabeis do que os maiores doutores e professores descrentes. [...] (MULLER, 1956, jan/fev, p. 9-11)


Este texto valoriza a conduta do professor piedoso luterano, enfatiza a doutrina ensinada. Dirige ao leitor evidenciando a vantagem da escola estar perto do verdadeiro saber, ou seja, não adianta ser sábio e não aprender a doutrina, assim como aprender doutrinas falsas. A edição propõe aos fiéis terem uma diferenciação em relação a outras denominações religiosas, não bastaria decorar e ler versículos bíblicos, mas crer na verdadeira doutrina luterana. Esta mensagem propõe reforçar no professor a idéia de como deve ser conduzido o ensino doutrinário, o que deve ser valorizado e adotado nas escolas.

Considerações Finais

O impresso “O Pequeno Luterano” circulou na esfera familiar, escolar e religiosa e esta circulação em vários campos foi possível, em grande parte, pela organização curricular das escolas paroquiais da instituição do Sínodo de Missouri.

Pode-se inferir que o impresso foi editado num período de organização mais eficiente das escolas paroquiais e, por isso, direcionado a um projeto comum da instituição na educação de seus fiéis.

Uma das estratégias mais evidentes constituiu na organização das revistas, no cronograma das atividades seguindo o ano letivo e o ano escolar, bem como o estímulo do contato entre leitores/alunos com a revista, relatando a sua vida escolar.

Se um dos projetos do Sínodo era expandir a educação doutrinária dentro de seus princípios, percebemos que a revista conseguiu estar alinhada a estes objetivos, pois a maioria dos títulos, em termos quantitativos e qualitativos, esteve alinhada a orientações doutrinárias, bíblicas e de conduta religiosa.

Como eram recorrentes textos de cunho doutrinários, muitos apresentaram um aprofundamento, parecendo haver necessidade da explicação do professor, portanto, pode-se supor que a revista era direcionada para ser usada na escola como apoio didático.

Esta hipótese é revelada também em textos e anúncios de material didático direcionados aos professores. Assim, o conjunto de dados analisados permite afirmar que o impresso foi um forte veículo informativo, educativo utilizado nas escolas paroquiais, demarcando e constituindo uma educação doutrinária entre leitores aos quais destinou.
Referências Bibliográficas

CHARTIER, Roger. À Beira da Falésia: a história entre incertezas e inquietude. Porto Alegre, Ed Universidade, UFRGS, 2002.

CHARTIER, Roger. La Revolucione de la cultura escrita. Barcelona, Gedisa, 2000.

CHARTIER, Roger. El Mundo como Representación: estúdios sobre historia cultural. Barcelona, Gedisa, 1996a.

CHARTIER, Roger. Do livro a leitura. IN: CHARTIER, Roger. Práticas de Leitura. São Paulo, Estação Liberdade, p 77-106, 1996b.

CHARTIER, Roger. A leitura: uma prática cultural Debate entre Pierre Bourdieu e Roger Chartier. . IN: CHARTIER, Roger. Práticas de Leitura. São Paulo, Estação Liberdade, p 231-254, 1996b.

CHARTIER, Roger. A Ordem dos Livros: Leitores, autores e bibliotecas na Europa entre os séculos XIV e XVIII. Editora Universidade de Brasília, 1994.

CHARTIER, Roger. Textos, impressão, leituras. IN: Hunt, Lynn. A Nova História Cultural. São Paulo, 1992.



WEIDUSCHADT, Patricia. O Sínodo de Missouri e a educação pomerana em Pelotas e São Lourenço do Sul nas primeiras décadas do século XX l- identidade e cultura escolar. Pelotas, UFPel, 2007 (dissertação de mestrado)

Revistas:

Evangelisch- Lutherisches Kinderblatt Sued-Amerika, Casa Publicadora Concórdia, Porto Alegre, 1931-1939. Revista Oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.

O Pequeno Luterano, Casa Publicadora Concórdia, Porto Alegre, 1939-1966. Revista Oficial da Igreja Evangélica Luterana do Brasil.


1 Dissertação defendida em maio de 2007, na Universidade Federal de Educação no Programa de Pós-graduação em Educação com o título O Sínodo de Missouri e a educação pomerana em Pelotas e São Lourenço do Sul nas primeiras décadas do século XX l- identidade e cultura escolar.

2 Estas eixos foram criados a partir do material impresso. Como são muitos anos de edição da revista, usou-se um programa de banco de dados, em que se elegeram eixos cujos significados apareciam mais representativos nos textos. Neste sentido: Histórias bíblicas, Festas religiosas e Lição de moral são as mais recorrentes na análise de todo o material.

3 A análise da formação das escolas encontra-se de forma mais detalhada na dissertação referendada na nota 1. Pelos dados deste trabalho, apesar de algumas escolas comunitárias estar em funcionamento antes de 1900, data da instalação do Sínodo, logo depois do trabalho da instituição tiveram um crescimento considerável em décadas. Ainda houve a fundação de um seminário teológico pedagógico em 1903 com a preocupação de formar pastores e professores, reforçando que não bastava fundar a escola, mas ter pessoal capacitado de acordo com as bases doutrinárias do Sínodo.

4 Na referida dissertação, o currículo escolar foi analisado a partir de entrevistas de alunos participantes das escolas alfabetizados em língua alemã, ficou evidente que a religião possuía um papel central na escola através de práticas e aprendizados doutrinários e bíblicos.

5 O Sínodo produzia anuários para a família como o Kirchenblatt, Der Lutheraner, posteriormente, forçados a usar material na língua nacional, editaram um anuário denominado Lar Cristão e Mensageiro Luterano, para os jovens Walterliga, depois em português Jovem Luterano, assim como para as crianças.

6 Do mesmo modo que o Sínodo organizou os impressos, em língua alemã, havia edição de cartilhas e livros didáticos no Brasil, voltados para a escola.

7 O hinário luterano é um cancioneiro usado nos cultos, mas percebe-se que também era usado nas escolas, aparecem muitas músicas em forma de poesia no impresso retiradas deste livro de músicas.

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