O perdão que nos recria (Lc. 15,11-32)



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O PERDÃO QUE NOS RECRIA (Lc. 15,11-32)




“Só Deus é capaz de amar a quem não é digno de ser amado”

No princípio era a misericórdia. Por ela fomos criados: vir à vida foi fruto de AMOR em excesso

- fomos criados por um gesto misericordioso; fomos feitos por mãos misericordiosas;

- idealizados por uma mente misericordiosa; amados por um coração misericordioso.

Se esta é a nossa origem, o perdão não é mais uma realidade ocasional, da qual temos necessidade de vez em quando. Não é algo que está ligado a cada transgressão que sabemos ter cometido.

Vivemos mergulhados na MISERICÓRDIA.

Aqui estamos no coração da mensagem cristã, porque está em jogo uma imagem de Deus:

- é a imagem de um Pai cuja alegria é perdoar (só Deus podia “inventar” o perdão);

- o perdão faz com que Deus manifeste a plenitude de sua paternidade e permite ao ser humano

sentir-se filho(a) de Deus;

- “MISERICÓRDIA é COMPAIXÃO suscitada pela miséria alheia” (Aurélio);

- MISERICÓRDIA é exatamente “ter coração” voltado para o outro;

- a MISERICÓRDIA parte das “entranhas” de Deus e se dirige ao ser humano pecador-pobre

na forma de ternura, compaixão, empatia...

“Nisto consiste o Amor: não em termos nós amado a Deus, mas ter-nos Ele amado

primeiro e enviado seu Filho para expiar os nossos pecados” (1Jo. 4,10).

O PERDÃO que nos reconcilia


O perdão do Pai faz aparecer a verdade mais profunda de nós mesmos, nos faz recuperar uma estima radical que elimina todas as nossas sensações de inferioridade.

Antes de tudo, o perdão nos revela nossa culpa e, ao mesmo tempo, nossa dignidade.

Faz-nos compreender nosso êrro, mas é também mensagem eficaz de estima e de confiança: ao reconciliar-nos, Deus confia em nós e nos torna novamente dignos de seu Amor. O milagre é exatamente esse: poder reconhecer a própria culpa e permanecer serenos, descobrir-se pecadores sem desesperar-se e deprimir-se, sentir-se positivos porque perdoados, dignos de estima porque reconciliados.

Quando o Pai nos perdoa, não nos desculpa simplesmente nem minimiza nosso êrro, e muito menos o ignora ou apenas cancela, fingindo talvez que nada tenha acontecido.



Seu PERDÃO é ato criativo e redentivo: continua a criar em nós um coração novo.

A ação do Deus que perdoa não está em função do passado, mas a serviço do futuro da pessoa.



PERDOAR é RECRIAR. Deus re-cria-nos a cada instante. Cada dia que passa é um perdão

sempre novo, pessoal, criativo, mas também discreto e silencioso.


Quem se sente pouco perdoado não pode ser uma pessoa reconciliada.

Não é verdadeira a reconciliação com o Pai que não passa através da reconciliação com o próprio “EU”.

Enquanto não houver uma “experiência” plena do perdão, o pecado ou o medo do pecado continuarão a perturbar nosso “presente” e a deformar o “passado”, tornando-nos inimigos da vida.

O perdão que nos vem do Pai nos reconcilia com a nossa história, não somente com Deus; nos faz

descobrir não simplesmente o nosso mal, mas também o nosso bem; é festa, não somente penitência...

A Misericórdia do Pai recupera nosso passado, elimina do nosso coração o terror de contemplá-lo, nos

dá novos olhos para que saibamos contemplá-lo em sua realidade, sem deformações pessimistas.

No coração do nosso “passado” há uma presença de Deus a descobrir ou um seu projeto a decifrar, presença e projeto que passam através também do nosso mal e suscitam o bem. Na vida de todos existe esse bem. A descoberta do Amor que “vai além da justiça” (definição do perdão), é a descoberta de uma gratuidade que abraça toda a vida.

Se o perdão é conhecer o Amor, a reconciliação com a vida será um contínuo reencontrar e reconhecer os seus sinais. E então a nossa história nos aparece sempre mais como uma grande sinfonia maravilhosa – de bondade, ternura, misericórdia, gratuidade, compreensão...

Esse perdão tão difícil


- Jesus colocou no perdão fraterno uma das características do ser cristão; ao perdoar-nos Deus cria

em nós um coração novo, feito de acordo com o Seu, capaz de perdoar à sua maneira; não pode

dar o perdão quem não tem consciência de tê-lo recebido; a capacidade de perdoar é diretamente

proporcional à experiência de ser perdoado. Não perdoar é resíduo de poder que fica em mãos de



pessoas fracas. A verdade é que o perdão exige uma grande liberdade interior.


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