O político visto e articulado a partir do lugar hermenêutico da religião no universo dos jovens da Pastoral da Juventude do Meio Popular – década de 1980



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O político visto e articulado a partir do lugar hermenêutico da religião no universo dos jovens da Pastoral da Juventude do Meio Popular – década de 1980
Autor: Wellington Teodoro da Silva – Mestrando em Ciência da Religião - UFJF
No sentido mais geral, uma vez que a experiência de vida das pessoas de todo tipo possa ser utilizada como matéria prima, a história ganha nova dimensão.

Paul Thompson


Sabia que a religião é uma linguagem?

Um jeito de falar sobre o mundo...

Em tudo, a presença da esperança e do sentido...

Religião é uma tapeçaria que a esperança constrói com palavras.

E sobre estas redes as pessoas se deitam.

É. Deitam-se sobre palavras amarradas uma nas outras.

Como é que as palavras se amarram?

É simples.

Com o desejo.

Sei que, às vezes, as redes de amor viram mortalhas de medo.

Redes que podem falar de vida e podem falar de morte.

E tudo se faz com as palavras e o desejo.

Por isso, para se entender a religião, é necessário entender o caminho da linguagem.

Rubem Alves


Este trabalho é parte do projeto que estamos desenvolvendo no mestrado em ciência da religião, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Trabalhamos com a inserção de parte da juventude popular católica organizada na Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) no Partido dos Trabalhadores (PT), na região industrial da grande Belo Horizonte. O período com o qual trabalhamos é o compreendido entre meados da década de 1970 à década de 1980.

O objetivo desta comunicação é expor alguns apontamentos acerca da apreensão do político feita pelos jovens da PJMP e a articulação que eles faziam entre esta e o seu universo religioso, através da mediação da Teologia da Libertação.

Devemos dizer que o conceito de popular com o qual trabalhamos é o que identifica o meio popular como lugar dos destituídos dos espaços clássicos de poder da sociedade: Estado, partido, Igreja... popular se torna um denominativo de dominado, de destituídos do poder1. Esta destituição não significa que o potencial organizativo do meio popular não exista. Pelo contrário, existe como forma de defesa de direitos fundamentais e contra a lógica da exclusão e da não incorporação da totalidade da sociedade no universo produtivo e de consumo do capitalismo.

Essa organização do meio popular para a defesa de direitos é o que chamaremos aqui de movimento popular. Em Minas Gerais estes movimentos se remetem ao período pós II Guerra Mundial e, em sua maioria, têm origem na política populista de incorporação de setores populares2. Com o golpe de 1964, estes movimentos sofreram forte repressão da Ditadura Militar.

No desenvolvimento deste trabalho utilizamos a metodologia da história oral. As entrevistas nos possibilitam traçar as trajetórias dos sujeitos e conhecer a dinâmica do universo da cultura religiosa e política a partir de dentro. Portanto, o trabalho com a oralidade nos mostra possibilidades de inserção em um universo de maior sensibilidade histórica ao poder da emoção e do desejo3.

A fala dos entrevistados nos oferece mais do que informações factuais, ela consegue desvelar um sujeito “lembrante” que rememora aquilo que foi mais significativo para ele e para o grupo no qual ele se inseriu. Através do exercício da memória o sujeito consegue se ressituar no passado. Mesmo havendo equívocos ou esquecimento acerca de algum acontecimento, a entrevista é eficaz para nos informar acerca do ambiente político e religioso vivido pelo sujeitos.

Uma hipótese que pudemos verificar através das entrevistas é a que se refere acerca da origem interiorana da juventude a que nos referimos. Estes jovens são, na quase totalidade, nascidos no interior ou filhos de pais vindos do interior em busca de melhores condições de trabalho e de vida.

Eu nasci em Timóteo, em 23 de agosto de 1957, estou com quarenta e dois anos agora. Vim para Belo Horizonte com 3 anos de idade. Os meus pais são de João Monlevade e Alvinópolis. (Geraldo Arco Verde)

Eu não nasci em Betim, a maioria das pessoas que moram em Betim não nasceram em Betim. Eu nasci na cidade chamada Porangaba em São Paulo. (Renilda Nogueira)
Eu nasci em 1958 (...) a minha família morava na época no alto da Cidade Industrial. Eu nasci... praticamente nasci junto da Cidade Industrial. A única fábrica que existia na região era a fábrica de cimento Itaú. E minha mãe sempre foi dona de casa, minha mãe nasceu em Belo Horizonte, meu pai nasceu no interior do Espírito Santo (...) meu pai nasceu de uma família em que o meu avô foi posseiro no Vale do Rio Doce e minha avó, professora primária. (Luiz Carlos)

Estas pessoas aportaram na Região Industrial e com elas vieram, dentre outras coisas e outros sentimentos, a religiosidade popular comum ao meio rural.



Não só a experiência religiosa, mas a experiência de vida. O Bairro das Indústrias era uma cidade interiorana, onde as pessoas viviam para o trabalho. (Geraldo Arco Verde)

Olha. Eu vivi ali os primeiros 6 anos da minha vida (...) eu me lembro bem que o vizinho mais próximo era muito longe, então era quase zona rural. Eu me lembro bem da minha mãe tirando água no... (...) E depois meu pai comprou, conseguiu um motorzinho que gerava energia elétrica para casa. Então era uma casa em que a gente tinha que tirar água do poço e era uma casa que não tinha energia elétrica. (Luiz Carlos)

Os jovens do nosso estudo foram crianças envoltas no contexto social, religioso, cultural e econômico descrito acima.



Os meus pais são ambos católicos, a minha mãe com uma experiência religiosa muito forte, mais enraizada na Igreja, o meu pai mais de homem mesmo, metalúrgico, meu pai trabalhou em Timóteo, depois veio para Belo Horizonte, trabalhou na Mannesmann, depois trabalhou na Belgo Mineira, depois na fábrica de papel Cruzeiro, onde teve (...), nesse período, duas experiências de desemprego, mas sempre, assim, com uma tradição religiosa muito forte, graças a Deus nós tivemos uma formação religiosa muito forte. É... tanto o meu pai, quanto a minha mãe tinham uma perspectiva de projeto social muito... muito transparente, muito forte também, principalmente por causa, eu acredito, por causa da própria... da própria vida que eles tinham, uma vida muito simples, meu pai era metalúrgico e minha mãe trabalhava em comércio, sempre trabalhava para ajudar. Neste período todo que eles vieram para cá, construíram um projeto de vida. Nós moramos lá no Bairro das Indústrias numa rua um pouco mais afastada do centro, no princípio, e... ele tinha comprado um lote, fez uma troca no princípio e começou a construir, a vida deles, morando neste lugar que a gente morou em primeiro lugar, foi construir, começou com um quarto e aí foi aumentando, ampliando aqui (...) nós tivemos uma vida muito intensa no Bairro das Indústrias, uma vida muito intensa... tanto na perspectiva religiosa, quanto na perspectiva da coletividade (Geraldo Arco Verde)
Eu acho que outra coisa importante de dizer é que meu pai também foi um tempo, durante um tempo, trabalhador na Mannesmann, depois ele montou seu próprio negócio com vendas, sempre no ramo de material de construção e sempre viajou muito pelo Estado todo... na minha infância, na minha adolescência, na minha juventude, meu pai sempre trabalhou como representante de fábricas de São Paulo e Minas Gerais, e teve uma época que ele chegou a ter loja de tinta... loja de tinta, e depois ele perdeu e voltou de novo a trabalhar como representante comercial (...) Eu passei do zero aos 6, 7 anos morando ali no Bairro Industrial, no alto da Cidade Industrial. Depois eu saí dali um tempo até o princípio da adolescência, voltei e ali morei até... até 88. Morei ali em Contagem, Bairro Amazonas, Eldorado, Riacho, naquela região da Cidade Industrial. (Luiz Carlos)
(...) talvez a história da minha família deva um pouco à devoção de Nossa Senhora Aparecida. (...) minha mãe ia a Aparecida... eu tinha um tio, lá em Pains, (SP) que fazia romaria para Aparecida, sabe?(...)Ele que organizava, essas coisas... então... tanto que ele faleceu no caminho da romaria, vindo de Aparecida (do Norte), então tem essa ligação. (Renilda Nogueira)

Olha, os meus pais me deram muito um exemplo de vida com relação à justiça social, eles jamais toleraram, que eu me lembre, jamais toleraram qualquer tipo de injustiça social, minha mãe, obviamente, estabelecia esta relação mais dentro da Igreja, e o meu pai mais dentro da fábrica. (Geraldo Arco Verde)

No universo cultural interiorano, a religião (católica) ocupava lugar privilegiado na organização social e até na geografia destas pequenas cidades ou povoados. Nestes lugares os templos católicos são construídos em locais de destaque, geralmente no alto de morros, abaixo do qual, com sua visão e lembrança constantes, corria as vidas das pessoas. É muito improvável que em pequenas cidades, municípios ou povoados, encontremos uma sede da administração pública municipal, prefeituras ou sub prefeituras, construída em local mais alto que os templos católicos e isto é muito curioso. Esta disposição ocupada pelos templos católicos parece propor a todos a função pontificial que a Igreja Católica se propõe, acima dos homens, entre o céu e a terra. A posição destas construções é sintomática do poder e do espaço que esta instituição ocupava na vida das pessoas.

Na Região Industrial, esta cultura interiorana choca-se com uma organização social, política e geográfica onde a religião perde a centralidade. Esta nova organização social centra-se na produção. As construções não são mais dispostas a partir do templo, mas a partir da fábrica. O dobrar dos sinos chamando os fiéis a entrarem no templo para o culto ou lembrando-lhes a hora de algumas obrigações religiosas são substituídos pelos apitos de sirenes controlando a produção, marcando o tempo e determinando o momento de entrada e de saída dos operários nas fábricas. Assim se deu para estas pessoas a entrada na modernidade.

A juventude da região industrial conheceu o ressurgimento do movimento popular na década de 1970. Este ressurgimento se deu liberto da perspectiva populista de incorporação das massas populares como massa de manobra das elites políticas dominantes. Ele se deu sob a incorporação de um novo nível de associativismo baseado em relações pessoais horizontalizadas, herança sobretudo da cultura religiosa do catolicismo rural. Estes movimentos tinham geralmente um apelo de cunho moral, ético e até mesmo utópico comum às tendências religiosas da organização do movimento popular4.

Esta postura, frequentemente em conflito com o caráter secular e pragmático da prática política moderna5, adquiriu, com a Teologia da Libertação, uma nova referência religiosa mediatizadora da prática política. O sentimento religioso não mais serviria à manutenção da ordem social posta. Este poder legitimador passou a justificar os processos de mudança/ruptura/revolução para uma nova ordem na qual não existiria os “pecados estruturais” do capitalismo (sendo assim, não existiria mais o capitalismo), produtor da opressão sofrida pelo povo. O espaço e o tempo privilegiado da manifestação divina seria o lugar e o momento da luta do povo para se libertar da opressão.

Os católicos inseridos neste movimento popular ressurgente faziam uma leitura específica do tempo histórico. Esta leitura conjugava o tempo segundo uma dupla significância: cronológica – tempo entendido no sentido quantitativo – e kairótica – tempo entendido em sentido qualitativo, pleno de significados. Esta conjugação temporal permitiu uma coerente articulação entre religião e política. O tempo secularizado do trabalho nas fábricas é passível de uma significação religiosa, uma significação para um sempre além que produz significância para o agora.

A ideologia religiosa - ideologia entendida como um sistema de idéias que se propõe apreender e dar sentido à realidade exterior ao sujeito – se refere sempre a uma realidade última (ou primeira), sagrada, que apreende toda a história e todas as dimensões do homem e da mulher em contínua efusão sobre o meio. O universo da política é apreendido pela ideologia religiosa elaborada pelos jovens de nosso trabalho como sendo um lugar e um meio de ação interventora transformadora: de libertação.

O elemento articulador ideológico interno – a Teologia da Libertação – produziu um universo impulsionador de abertura para ao mundo – era necessário mudar / revolucionar o mundo. O martírio dos cristãos de toda a América Latina produziam nestes jovens uma eficácia legitimadora – kairótica – capaz de produzir jovens dispostos à uma postura de radicalidade na construção de um mundo pleno de justiça – era o contributo que eles poderiam oferecer para a construção do Reino de Deus..

Para os jovens da PJMP a política era articulada numa relação de coerência interna muito grande. Contudo, externamente os jovens não conheciam tanta tranquilidade na articulação entre estes dois universos ideológicos. Por uma lado, membros do partido que eles se filiaram que vinham de uma tradição de esquerda secularizada os olhavam com certa estranheza – eram os papa-hóstias, igrejeiros, pessoal da Igreja e etc – por outro lado a ação eclesial se tornava difícil, uma vez que para as comunidades paroquiais eles eram materialistas, marxistas e etc. Esta dupla “incompreensão” sentida e discutida, como pudemos observar em textos de assessores e anotações de militantes em reuniões.

O início da organização eclesial desta juventude se deu dentro de uma perspectiva paroquial assistencialista, onde as atividades eram feitas para suprir as deficiências que a região sofria.



era um trabalho muito forte que a gente tinha. Era uma comunidade pobre, mas que acolhia os trabalhadores. Acolhia da forma que era possível à época. Todo trabalho social, de pessoas que não tinham documentos, através da paróquia a gente pedia documentos e vinha ou pedia certidão para poder tirar documentos aqui, para tirar carteira profissional, que muitas vezes eles precisavam da carteira profissional e não sabiam disso. E aí, a gente desenvolvia este trabalho também. Teve uma época grave de desemprego na Região Industrial e nós tivemos que fazer uma opção clara, tá certo, de abastecer ao nível da perspectiva alimentar o pessoal (...) Tinha vez que a gente fazia sopa lá, na parte da manhã, na hora do almoço, para duzentas, duzentas e cinquenta pessoas, tá certo? Precisavam de comer, comer. Para poder sobreviver àquela época. (Geraldo Arco Verde).

Contudo, o contato com o movimento popular e sindical forneceu a estes jovens a possibilidade de um leitura mais crítica da realidade e da forma de intervenção nesta. A experiência de organização de juventude vinda do nordeste – PJMP – que se caracteriza por ser uma pastoral de militantes políticos, ofereceu a estes jovens uma estrutura eclesial de comportasse a especificidade de um grupo de militantes cristãos.



E aí, nós topamos a parada (...) Fomos a João Monlevade ver o que que era a PJMP. E descobrimos que a PJMP tinha uma natureza, uma característica muito diferente daquele grupo genérico da paróquia(...) aquele grupo genérico em que todo mundo entra simplesmente pela motivação da fé, pela motivação religiosa, era um grupo importante, mas ele era, é... ele tinha seus limites. Ele era limitado, ele ia até um certo ponto. E que o que a gente estava vendo em João Monlevade, eram grupos que tinham como característica comum a mesma fé e a mesma denominação religiosa, o mesmo credo, mas na verdade o que juntava aquela turma era a militância política, era a preocupação com a transformação da realidade, era a preocupação com a transformação do mundo. Isso foi em 84. (Luiz Carlos)

E a experiência para nós, assim... ela foi fantástica, ela encaixou como mão e luva, tá certo? Porque era uma experiência pastoral que vinha do Nordeste, era oriunda do Nordeste... (...) essa experiência (...) veio encaixar como mão e luva, porque ela apresentava para gente um projeto que era o seguinte: ‘olha, projeto pastoral da organização da juventude, ele tem que ter uma diferenciação, porque, as contradições vividas no mesmo modelo é porque você unifica classes, e como na sociedade as classes, elas não são unificadas, você começa a viver as mesmas contradições’. E como a gente era jovem e ainda estava num processo de formação, de amadurecimento, a gente não conseguia entender essas contradições. Foi aí que essa experiência contou para gente uma necessidade objetiva de organizar a juventude do meio popular (...) Ela identificava um projeto de consciência de classe. (...) E nós disputamos esse projeto. Voltamos para Belo Horizonte, assim... confiantes de que esse era um modelo interessante que a gente devia trabalhar. (Geraldo Arco Verde)
naquela experiência a turma fazia o seu esforço de ler a realidade, de traduzir o seu compromisso de fé numa ação política. (...) Numa ação política em função de uma mudança no sindicato, de uma mudança na associação de moradores, de valorização desses espaços de ação política, enquanto espaços de expressão da sua fé. Ou seja, é... aquela caridade de ir na penitenciária, aquela caridade de organizar um mutirão para construir o barraco do favelado que está caindo, aquela caridade podia ter uma outra cara, aquela caridade podia ter um outro rosto, que é o rosto da ação política. (Luiz Carlos)

As falas acima se referem a uma postura crítica acerca da realidade vivida pelos jovens. Por um lado, vivia-se na sociedade capitalista com o tempo e a produção secularizados. Por outro, vivia-se a experiência do espaço eclesial, espaço religioso permeado pelas consequências do mundo secularizado. A divisão e os conflitos de interesses de classes também eram sentidos no espaço religioso. O mundo religioso e o secularizado se permeiam numa dinâmica constante de significações e ressignificações. O mundo religioso perde a centralidade na estruturas sociais, contudo, mantém forte a significância para os indivíduos.

O espaço da produção e do cotidiano da região operária da Cidade Industrial era por passível de apreensão religiosa. O espaço secularizado não pode mais perder este seu status, contudo, não pode impedir a apreensão religiosa dos sujeitos que o povoam.

A religião vivida por estes jovens negava o nível das relações sociais vividas neste lugar destinado à produção capitalista e à morada operária. A apreensão religiosa colocou todo o seu aparato simbólico na legitimação das ações de mudança estrutural da sociedade. A política era vista e vivida como um lugar e um meio legítimo de inserção dos cristãos. Na sua apreensão religiosa a política adquire, inclusive, uma “áurea mística”.

O partido político, por seu lado, é visto como uma ferramenta, ou seja, não era um fim em si, estava inserido dentro de uma ordenação de instituições. Esta ordenação das instituições permite que os indivíduos tenham uma ordenação dos seus papéis na sociedade. O partido se configura como uma ferramenta, a Igreja se configura como uma ferramenta, o sindicato se configura como uma ferramenta, cada qual com sua especificidade se solidarizando-se ou não. O sentimento religioso legitimou a ação político partidária destes jovens porque ele supõe que a realidade humana é projetada na totalidade do ser. Sendo assim, a legitimação religiosa se propõe a relacionar a realidade humanamente definida com a realidade última, universal e sagrada. “A religião legitima de modo tão eficaz porque relaciona com a realidade suprema as precárias construções da realidade erguidas pelas sociedades empíricas.”(Berger – 1985)

A religião não cria um mundo fragmentado e ilógico, ao contrário ela situa “os fenômenos humanos num quadro cósmico de referência”. (Berger – 1985)

Olha eu acho que todo ser humano, ele vem... ele é possível de se construir para essas duas relações, para essas duas místicas, que é a política e a religiosidade. Para mim a religiosidade é a interação do ser humano com a construção do mundo. E a política é um instrumento que nós temos para isso, é uma ferramenta. Seja no sindicato, seja na associação de moradores, seja no partido político. Para isso todas essas instituições são ferramentas, para nós... são ferramentas... para construir mundo que nós queremos ter a partir a partir da nossa concepção da divindade” (Geraldo Arco Verde).


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1 Adotamos este conceito a partir da leitura de: Paiva, José Maria de. Comunidades Eclesiais de Base. Em Pompermayer, Malori José (Org.) Movimentos Sociais em Minas Gerais. Belo Horizonte: UFMG, 1987.

2 Cf. Pompermayer, Molori José. Os Movimentos Sociais em Minas: Emergência e Perspectivas. Idem.

3 Cf. Thompson, P. 1992.

4 Cf.: Pompermayer. Op. cit.

5 Idem.



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