O potencial de contribuiçÃo da pecuária leiteira para o desenvolvimento da região noroeste do rio grande do sul dilson Trennepohl1 Carlos Águedo Nagel Paiva2 Marluci Casalini Wildner3 Resumo



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O POTENCIAL DE CONTRIBUIÇÃO DA PECUÁRIA LEITEIRA PARA O DESENVOLVIMENTO DA REGIÃO NOROESTE DO RIO GRANDE DO SUL

Dilson Trennepohl1

Carlos Águedo Nagel Paiva2

Marluci Casalini Wildner3

Resumo
Este trabalho foi elaborado com o objetivo de analisar o potencial de contribuição da pecuária leiteira, enquanto alternativa de diversificação da base econômica, para o desenvolvimento da região noroeste do Rio Grande do Sul. Consiste na análise das principais características da atividade e a relevância das mesmas na determinação do desenvolvimento regional. O estudo inicia com uma recuperação da trajetória histórica da produção e sua constituição como atividade econômica de grande importância na região e no Estado. Faz uma análise as perspectivas de mercado para os próximos anos e das possibilidades de participação da região neste mercado. Também analisa a articulação do sistema de produção ou a composição da cadeia agroindustrial dos lacticínios com o objetivo de reunir elementos definidores do efeito multiplicador que a atividade produz para o conjunto da economia regional. Propõe uma metodologia de cálculo do Multiplicador de Impacto da Produção de Leite e da Indústria de Lacticínios no Valor Adicionado do Estado (e região) com base nos dados da Matriz Insumo-Produto do Rio Grande do Sul – MIPRS-2003. Por fim, conclui pela importância da atividade para o desenvolvimento regional advinda principalmente de uma maior concentração do valor bruto da produção por unidade de área, pela capacidade para impulsionar novos movimentos de expansão econômica e pela capacidade de gerar efeitos multiplicadores em atividades subsidiárias e complementares da economia regional.
Palavras-chave: leite, impacto econômico, desenvolvimento regional
Introdução

A produção de leite e derivados é uma atividade importante na economia da Região Noroeste do Rio Grande do Sul desde os tempos de seu processo de povoamento. Sua presença na dieta dos colonos era de vital importância e a possibilidade de obtenção de derivados menos perecíveis, como o queijo e a manteiga, sempre representou uma potencialidade para sua expansão econômica.

Várias iniciativas públicas e privadas de fomentar o desenvolvimento da atividade na região foram implementadas em diferentes momentos históricos. Entretanto, parece estar ocorrendo atualmente o movimento de maior envergadura e consistência. Sem desmerecer a caminhada já percorrida anteriormente, mas com inspiração no aprendizado da experiência e impulsionados por novos capitais, que se somam aos que já estão em operação na atividade, estão sendo realizados investimentos em grandes proporções na ampliação da capacidade produtiva da região.

Empresas tradicionais na cadeia produtiva mundial do leite, como a Nestlé e a Parmalat e novos players, como a Perdigão, a CCGL, entre outros, estão fazendo investimentos com valores significativos na construção de unidades industriais para processamento de leite e produção de derivados, especialmente destinados ao mercado internacional. Considerando a capacidade de processamento anunciada para as unidades industriais em implantação na região, a produção leiteira estadual deverá crescer bastante nos próximos anos e a região deverá contribuir com a maior parcela deste crescimento.



Tabela 01 – Projeção de Investimentos em Indústrias de Laticínios da Região Noroeste

Município

Empresa

Investimento

Produtos

Processamento

Três de Maio

PERDIGÃO

R$ 65 milhões

Leite em Pó

600 mil litros/dia

Carazinho

PARMALAT

R$ 36 milhões

Leite em Pó

600 mil litros/dia

Tapejara

BOM GOSTO

R$ 35 milhões

Leite em Pó

600 mil litros/dia

Passo Fundo

ITALAC

R$ 62 milhões

Leite em Pó e UHT

1 milhão litros/dia

Sarandi

EMBARÉ

R$ 237 milhões

L. Pó e Manteiga

2 milhões litros/dia

Erechim

BOM GOSTO

n.d.

Leite em Pó

150 mil litros/dia

Cruz Alta

CCGL

R$ 120 milhões

Leite em Pó

1 milhão litros/dia

Palmeira das M.

NESTLÉ

R$ 70 milhões

L. Pó e Condensado

1 milhão litros/dia

Capão do Leão

COSULATI

R$ 20 milhões

Leite em pó

450 mil litros/dia

Total




R$ 700 milhões




8 milhões litros/dia

Fonte: informações veiculadas nos sites das respectivas empresas. (mar/2009)

Essas projeções já influenciaram as lideranças da região que incorporaram em seus discursos o otimismo de expressões como “seremos os maiores produtores de leite do Brasil – e do mundo” ou “o leite é o produto que irá transformar a realidade da região”. Os jornais locais publicam, com freqüência, notícias e informações sobre o crescimento que está ocorrendo e o potencial que a atividade representa para o futuro.

Os produtores rurais, um pouco desconfiados com as projeções mais otimistas, mas impressionados com as obras em andamento e com a elevação nos preços do produto que ocorreu à partir de 2007, iniciaram um movimento de investimentos produtivos em suas unidades de produção. O preço dos animais de melhor qualidade do rebanho leiteiro subiu significativamente e os projetos de financiamento de novas instalações e equipamentos de ordenha apareceram em grande número. As enormes expectativas criadas no período anterior à eclosão da crise econômica mundial de 2008 sofreram um abalo forte com as oscilações do mercado mundial causadas pela crise e surgiram muitas dúvidas e incertezas sobre o futuro do mercado internacional e as potencialidades da atividade.

Portanto, a julgar pela importância econômica que a produção leiteira já possui na região e, especialmente, pelo potencial que lhe é atribuído de constituir-se em uma nova base exportadora de grande envergadura é fundamental estudar em profundidade as características desta atividade econômica.



1 – Trajetória histórica da pecuária leiteira

O leite é um produto possível de ser obtido no Rio Grande do Sul desde a época da ocupação do território e da introdução do gado bovino no Estado. Porém, era considerado um subproduto de pouco interesse e quase nenhum valor de mercado diante do couro, sebo, carne e chifres fornecidos pelo gado. Os poucos interessados em tirar o leite das vacas visavam atender ao consumo doméstico, mesmo assim com pouca participação na dieta dos gaúchos.

Com a chegada dos imigrantes (alemães, italianos, poloneses, austríacos, etc.) e o povoamento mais denso do Estado o leite tornou-se um importante componente do consumo das populações. Nas regiões coloniais a criação de animais visava obter força de tração (animais de trabalho) e alimentos (leite e carne) de forma conjugada de um mesmo rebanho. O leite passou a ser consumido em maior quantidade, seja "in natura" ou em forma de derivados (nata, queijo, manteiga, cremes, etc.) de fabricação caseira, mas ainda com característica de atividade pouco especializada, conjugada a uma dinâmica de produção para subsistência e consumo local.

O crescimento dos centros urbanos representou a formação de um mercado consumidor importante e motivou a exploração intensiva do gado leiteiro com aprimoramento dos plantéis, principalmente nas proximidades de Porto Alegre, Pelotas e Rio Grande. O abastecimento das cidades era feito, na maioria das vezes, pelos próprios produtores que transportavam o leite, sem nenhum beneficiamento, diretamente dos locais de produção às casas dos consumidores. (CEDIC, 1974. p.14.)

Os primeiros indícios de organização da atividade surgem em 1936, com a fundação da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul, seguida pela construção do chamado "Entreposto de Leite", através do governo estadual, em 1937. O "Entreposto de Leite", cuja exploração foi entregue á SABEL - Sociedade Anônima Beneficiadora de Leite - permitiu à população da capital consumir leite pasteurizado, com reflexos imediatos no incremento do volume de produção e consumo do produto.

A SABEL instalou postos de coleta em vários municípios próximos a região metropolitana de Porto Alegre e uma rede de desnatadeiras com objetivo de aproveitar a produção dos municípios um pouco mais distantes da capital. Em 1947, o objetivo passaria a ser o de atingir todo o Estado, quando novos postos de coleta e resfriamento foram instalados. O Governo do Estado encampou a SABEL e criou o DEAL - Departamento Estadual de Abastecimento de Leite, autarquia vinculada a Secretaria da Agricultura para atuar na área de laticínios.

A partir de 1960 o setor das indústrias de laticínios sofreu sensíveis modificações em sua estrutura,com o surgimento de novas empresas de caráter local ou regional e a ampliação e modernização das plantas industriais. Estimuladas pela demanda crescente e a boa rentabilidade do setor, as empresas industriais decidiram investir no apoio e organização da produção, através da criação e/ou ampliação dos quadros técnicos para prestar assistência, pagamento de "preço-estímulo" em função do volume e da qualidade do produto, financiamentos aos produtores, etc.

"A conquista de novos fornecedores levou as empresas a uma fase de grande competição mútua, fato inusitado nas bacias leiteiras do Estado. Assim, a partir da década de 1960, presenciou-se uma notável alteração no relacionamento das indústrias com os produtores. Estas, que se mantinham praticamente indiferentes aos produtores, aliaram-se a eles. Temendo um colapso no setor de produção, as indústrias tomaram a iniciativa de sugerir aumentos de preço para o produto ao que, anteriormente, faziam oposição sistemática. A necessidade de obter produções condizentes com a capacidade de beneficiamento de suas empresas, ora ampliadas, foi o fator fundamental que justifica essa mudança de posicionamento". (CEDIC, 1974. p. 56).

Em 1970 o governo estadual criou a CORLAC - Companhia Rio-Grandense de Laticínios e Correlatos, empresa de economia mista, para assumir a estrutura e atividade do DEAL - Departamento Estadual de Abastecimentos de Leite. As instalações foram ampliadas e modernizadas e a linha de produção foi diversificada.

Outro grande impacto ocorreu em 1976 com a estruturação da CCGL - Cooperativa Central Gaúcha de Leite. Criada por cooperativas singulares, que se responsabilizavam pela organização e coleta da produção de seus associados, a CCGL é uma cooperativa de 2º grau (suas associadas são principalmente as cooperativas tritícolas) especializada em laticínios. Inicialmente tratou de dar vazão a uma produção existente nas áreas de atuação das cooperativas associadas, através do beneficiamento simples (pasteurização) e da colocação nos mercados consumidores. Rapidamente entrou para a transformação do leite em derivados mais nobres e rentáveis e passou a fomentar a melhoria da produção de seus fornecedores em qualidade e quantidade. Sua fatia no mercado cresceu rapidamente e em pouco mais de 10 anos de funcionamento já era responsável pela metade do leite coletado Sob Inspeção Federal no Estado.

Uma grave crise financeira das cooperativas tritícolas provocou uma interrupção neste processo na década de 1990. Endividadas, as cooperativas optaram por vender partes de seu patrimônio para saldar compromissos e a escolha recaiu também sobre a estrutura produtiva do leite. Todas as plantas industriais foram vendidas para o Grupo Avipal, bem como o controle sobre as bacias produtores. A CCGL assumiu também o compromisso de não operar no mercado de laticínios por um período de 10 anos (até 2008).

Ao focalizar o período posterior a 1960 é possível perceber transformações importantes na atividade. O volume do leite produzido cresceu de 381 milhões de litros, em 1960, para 1,86 bilhões de litros, em 1996 e para 2,75 bilhões de litros, em 2006, no Estado. Houve uma melhora significativa no rendimento do rebanho que superou os 1.000 litros/vaca/ano ainda na década de 1980, os 1.500 litros/vaca/ano durante a década de 1990 e os 2.000 litros/vaca/ano nos primeiros anos do século XXI.



Fonte: IBGE - Pesquisa Pecuária Municipal

Sob a orientação e estímulo das indústrias de laticínios a produção leiteira do Estado avançou passos importantes em direção a sua modernização. A inseminação artificial, a ordenha mecânica e as pastagens artificiais são exemplos de práticas cada vez mais difundidas, que na década de 60 eram apenas possibilidades restritas a poucos produtores. O grande desafio da atividade continua sendo uma maior profissionalização dos produtores e o aumento da escala de produção das unidades agrícolas, com vistas ao aumento do rendimento por animal, por área utilizada e por estabelecimento, com reflexos na redução dos custos e na produtividade do trabalho. A concorrência no mercado internacional e o poder de competitividade dos produtores uruguaios e argentinos (cujo grande diferencial de competitividade está associado a uma escala de produção muito maior que a brasileira) podem ameaçar seriamente a rentabilidade de setor, caso não ocorram avanços importantes nesses aspectos.

O comportamento da produção leiteira no Brasil foi muito semelhante aos aspectos descritos em relação ao Rio Grande do Sul, especialmente, no ritmo de expansão. Ao longo das quatro décadas consideradas a participação do Estado manteve-se próxima dos 10% da produção nacional. Minas Gerais continua sendo o maior produtor, respondendo por 30% do volume, seguido por Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul que se revezam na segunda, terceira e quarta posições. O Estado de São Paulo não acompanhou o ritmo de crescimento da produção nacional e perdeu em participação para as demais unidades da federação.

Importa registrar que a produção brasileira de leite triplicou neste período e o país passou da condição de importador de produtos lácteos para exportador, além de atender o consumo interno em expansão. Trata-se de um movimento de grandes proporções em que a participação do Rio Grande do Sul tem um peso relativo de apenas 10% e a Região Noroeste responde por 60% da produção estadual ou 6% da produção nacional, mas com perspectivas de ampliar sua contribuição.

Fonte: Sistema Alice/ SECEX/MDIC

Para os produtores rurais a atividade tem uma importância fundamental, na medida em que garante uma receita mensal. Esse ingresso regular garante a aquisição dos alimentos da família, sendo sintomática a presença desses agricultores nos supermercados quando é "dia de pagamento do leite". Essa razão talvez seja mais importante que a própria rentabilidade para manter a produção dos pequenos produtores. Para quem produz em maior escala, evidentemente, a situação se modifica e a rentabilidade é o fator decisivo para a expansão da produção.

O principal desafio colocado para a atividade leiteira no futuro próximo é de consolidar a presença do Brasil no mercado internacional como exportador de produtos lácteos. Além de encontrar potenciais compradores interessados na aquisição continuada dos produtos brasileiros é preciso desenvolver a produção nacional no sentido de atender as normas sanitárias e de qualidade gerais do mercado mundial e específicas de cada país importador. Este esforço já foi iniciado há bastante tempo, mas ainda está distante de atingir os patamares necessários para ocupar fatias mais expressivas do mercado, o que pode ser confirmado pelo comportamento da balança comercial do setor durante o ano de 2009.



2 – Perspectivas de mercado do leite

O leite, incluindo seus derivados, é um produto largamente utilizado na alimentação humana. São grandes os volumes mundiais produzidos e consumidos anualmente, mas em condições muito heterogêneas. Países ou regiões em que a produção é altamente desenvolvida e o consumo generalizado entre a população contrastam com regiões e países em que a produção é pouco expressiva e o consumo per capta muito aquém das recomendações de alimentação e saúde básicas. Tais características configuram um quadro bastante específico e permitem visualizar algumas perspectivas para o mercado.



Tabela 02 – Produção mundial de leite por espécie de animais, 1996 – 2006.

Espécies

1996

(mil t)


%

2001

(mil t)


%

2006

(mil t)


%

2006/96

%


2006/01

%


Vaca

467.976

85,5

498.168

84,4

549.693

84,1

17,5

10,3

Búfala

57.755

10,6

69.201

11,7

80.094

12,3

38,7

15,7

Cabra

11.710

2,1

12.805

2,2

13.801

2,1

17,9

7,8

Ovelha

8.224

1,5

8.229

1,4

8.723

1,3

6,1

6,0

Camelo

1.390

0,3

1.433

0,2

1.479

0,2

6,4

3,2

TOTAL

547.055

100,0

589.936

100,0

653.790

100,0

19,5

10,8

Fonte: FAO – Embrapa Gado Leiteiro

De acordo com os dados da FAO, a produção mundial de leite foi de 653,79 milhões de toneladas em 2006, dos quais 84,1% é leite de vaca. O volume global de produção cresceu 19,5% na década compreendida entre 1996 e 2006, com destaque para o crescimento de 38,7% na produção de leite de Búfala, fazendo sua participação aumentar de 10,6% para 12,3% do total.

Tomando os dados sobre a produção mundial de leite de vaca é possível observar uma grande concentração do volume na Europa e na América, porém com crescimento vigoroso durante a década considerada na Ásia, África e Oceania. Tais dados indicam claramente para um movimento de expansão da produção e, possivelmente do consumo de produtos lácteos, em países de menor tradição e uma estabilização dos volumes totais em países com elevados patamares.

Considerando que somente cerca de 6% do volume total produzido no mundo circula no comércio internacional, o comportamento do consumo e da produção de leite parece estar sendo definido por circunstâncias do mercado interno dos diversos países. As condições de mercado interno dos diversos países são muito diferenciadas, combinando elementos da estrutura produtiva, dos níveis de renda da população, dos hábitos de consumo e das políticas públicas, especialmente dos elevados subsídios à atividade garantidos por alguns países.



Tabela 03 – Produção mundial de leite de vaca por continente, 1996 – 2006.

Espécies

1996

(mil t)


%

2001

(mil t)


%

2006

(mil t)


%

2006/96

%


2006/01

%


Europa

216.800

46,3

210.544

42,3

209.441

38,1

-3,4

-0,5

América

130.899

28,0

143.588

28,8

156.595

28,5

19,6

9,1

Ásia

84.412

18,0

98.557

19,8

134.170

24,4

58,9

35,1

Oceania

19.068

4,1

24.060

4,8

24.814

4,5

30,1

3,1

África

16.797

3,6

21.419

4,3

24.674

4,5

46,9

15,2

TOTAL

467.976

100,0

498.168

100,0

549.693

100,0

17,5

10,3

Fonte: FAO – Embrapa Gado Leiteiro

Neste sentido, podem ser identificados três conjuntos de países que apresentam situações específicas de produção e consumo semelhantes:

A) O primeiro grupo é constituído por Países com altos patamares de produção e consumo, compreendendo os Estados Unidos e o Canadá, na América, grande parte da Europa, especialmente, a União Européia e a Oceania, com a Austrália e a Nova Zelândia. Nestes países o consumo per capita já alcançou, há mais de uma década, níveis próximos a 250 Kg/pessoa/ano (considerando todos os derivados em equivalente ao leite fluido) e a produção possui uma estrutura altamente desenvolvida tecnologicamente. Juntos, representam cerca de 40% dos volumes mundiais de produção e consumo, constituindo-se em referência de preços e padrões de qualidade para os demais países.

O consumo de produtos lácteos nestes países é determinado pelos hábitos alimentares incorporados na cultura da população e sustentado pelos elevados níveis de renda e os recursos canalizados pelos programas governamentais. Trata-se de um padrão de consumo sofisticado que inclui na dieta alimentar, além de volumes significativos de leite fluido, uma variedade de produtos derivados do leite (queijos, cremes, iogurtes, etc.) e compostos alimentares que contam com o leite como um de seus ingredientes. A tendência observada nos últimos anos justamente aponta para uma leve redução no consumo total dos derivados menos nobres e mais baratos e o crescimento dos derivados mais sofisticados e mais caros, o que pode estar indicando para um nível de saturação da capacidade de consumo.



* Previsão. ** União Européia (composta por 25 países)

Fonte: USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos

A produção leiteira tem sido historicamente muito importante para a economia destes países alcançando níveis elevados de sofisticação de sua estrutura produtiva, de seus mecanismos de comercialização e, especialmente, das políticas oficiais de apoio e proteção dos produtores. O volume de subsídios destinados a viabilizar a produção de leite nestes países é muito elevado e este aspecto tem sido objeto fortes críticas e acirrados debates no âmbito da OMC.

B) No segundo conjunto estão os Países com níveis intermediários de produção e consumo, compreendendo grande parte da América Latina, como Argentina, Brasil, México, Uruguai e Chile e parte do Leste Europeu, como Rússia, Ucrânia e Polônia, dentre outros. Nestes países o consumo per capita situa-se em torno de 150 Kg/pessoa/ano (considerando todos os derivados em equivalente ao leite fluido) e a estrutura produtiva é bastante heterogênea, convivendo unidades que já incorporaram tecnologias de ponta e unidades de produção com métodos tradicionais.

São países que tem demonstrado um potencial de crescimento significativo da produção, para fazer frente ao crescimento de seu consumo interno e para atender a demanda do mercado internacional. Na maior parte deles existe disponibilidade de fatores de produção e condições naturais favoráveis ao desenvolvimento da produção leiteira, além de avanços tecnológicos disponibilizados pela pesquisa e em rápida difusão entre os produtores.


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