“o problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 53



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TEXTOS INTRODUTÓRIOS
LÉON DENIS

O PROBLEMA DO SER E DO DESTINO


EXTRAÍDOS DA OBRA

HENRI REGNAULT - A MORTE NÃO EXISTE


(Com base nas Obras de Léon Denis)

Como todas as obras de Léon Denis, “O Problema do Ser e do Destino” foi escrito com a colaboração do mundo invisível. O Mestre não se cansa de confessá-lo a seus leitores.

“Esta obra, escreve ele, não é exclusivamente minha, é, antes, o reflexo de um pensamento mais alto que eu busco interpretar.(75)”.

(75) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 53 (Edição francesa)

Concorda, em todos os pontos essenciais, com as diretrizes expressas pelos instrutores de Allan Kardec; todavia, pontos por eles deixados obscuros, nela são abordados. Tenho tratado, igualmente, nesta obra, das idéias e da ciência humana, e de suas descobertas.

Em certos casos, dei minhas impressões pessoais e meus comentários, porque, no Espiritismo, não precisaríamos dizer, não há dogmas (76) e cada um de seus princípios pode e deve ser discutido, julgado e submetido ao controle da razão.

(76) Ver a pág. 98, Nota I, parágrafo 2. (Edição francesa)

Considerei como um dever beneficiar meus irmãos terrenos com esses ensinamentos. Uma obra só vale por si mesma. Embora o que se possa pensar e dizer da Revelação dos Espíritos eu não posso admitir que, enquanto são ensinados, em todas as Universidades, sistemas filosóficos elaborados pelo pensamento humano, ainda se desconheça e rejeite os princípios divulgados pelas nobres Inteligências do Espaço.

Embora estimemos os mestres da razão e da sabedoria humanas, não há motivo para desdenhar dos mestres da razão sobre-humana, os representantes de uma sabedoria mais alta e mais grave.

O espírito do homem comprimido pela carne, privado da plenitude de seus recursos e de suas percepções, não pode alcançar, por si só, o conhecimento do Universo invisível e de suas leis.

O círculo no qual se agitam nossas vidas e nosso pensamento é limitado e nosso ponto de vista é restrito.

A insuficiência dos dados adquiridos nos torna qualquer generalização impotente ou improvável.

Faltam-nos guias para a penetração no domínio do desconhecido e no infinito das leis. E pela colaboração dos pensadores eminentes dos dois mundos, das duas humanidades, que as mais altas verdades serão atingidas, pelo menos entrevistas e os mais nobres princípios estabelecidos.

Bem melhores e mais seguramente que nossos Mestres terrenos, os do Espaço sabem nos colocar em presença do problema da vida, do mistério da alma e nos ajudar a tomar consciência de nossa grandeza e de nosso futuro.”

No que concerne â data da publicação dessa obra, não consegui obter a indicação precisa. Meu volume está marcado com 14º milheiro; na página 18 é a questão do livro “No Invisível”. Por conseqüência, “O Problema do Ser e do Destino” apareceu depois de 1901. Na página 231 de “Joana D'Arc, Médium”, Léon Denis remete o leitor à “O Problema do Ser e do Destino”. Esse livro é, pois, anterior a “Joana D'Arc, Médium”, aparecido em 1910.

Podemos, pois, considerar essa obra como publicada entre 1901 e 1910, sem poder precisar mais nada.

Como todos os outros volumes de Léon Denis, “O Problema do Ser e do Destino” foi muito bem acolhido pela crítica. “Le Journal” publicou o seguinte artigo:

Léon Denis, já conhecido do grande público europeu por suas obras, acaba de publicar um novo livro. “O Problema do Ser e do Destino” nos oferece uma verdadeira revelação dos aspectos ignorados do ser humano, de suas origens, de seus fins, assim como das potencialidades nele ocultas.

A possibilidade de reconstituir, experimentalmente, pelo método hipnótico, a imensa cadeia de lembranças, de aquisições, de peripécias das vidas anteriores e sucessivas, no curso das quais se constitui nosso eu, e prosseguir sua lenta evolução, tudo isso é demonstrado em 500 páginas, num estilo eloqüente, atraente e luminoso.

Todas as deduções do autor se apóiam nesses fatos expostos com precisão e clareza e com os testemunhos de eminentes sábios, de experimentadores autorizados, de pensadores pertencentes à elite intelectual de todas as nações.

Esse livro nos ensina: nosso ser é, na realidade, um pequeno mundo ainda pouco conhecido, onde dormitam energias ocultas, forças latentes, lembranças abafadas, no estado de vigília, sob o peso da carne.

Todas essas riquezas, porém, podemos resgatá-las, colocá-las em ação e, por elas, edificar um futuro melhor.

Por ai se explica à infinita variedade das aptidões, dos caracteres e também as paixões, talentos, gênios, o amor, o ódio e a dor. Os sombrios enigmas da vida se resolvem; o mistério do destino se aclara com uma intensa luz.”

Essa obra compreende três partes: Léon Denis estuda, inicialmente, o problema do Ser; em seguida, busca o problema do Destino e, finalmente, ele faz o estudo das potencialidades da alma.

Na primeira parte (O Problema do Ser), o autor analisa o que somos e qual a natureza de nossa personalidade.

Na segunda parte (O Problema do Destino), Léon Denis estuda qual é nosso destino. Ele indaga se a morte causa o aniquilamento do ser e pergunta se uma única existência permite ao homem cumprir sua evolução ou se, ao contrário, as vidas sucessivas não são uma obrigação.

Na terceira parte (Potencialidades da Alma), ele estuda as possibilidades da alma.

Sabemos que o Espiritismo explica que o homem é composto do corpo físico, do perispirito e da alma.

Temos a prova da existência da alma dos vivos, inicialmente pelas manifestações do fantasma dos vivos e, em seguida pelas duplas personalidades.

Por vezes, ele parece um ser diferente daquele como é conhecido, em seu estado normal; esse novo indivíduo é muito diferente como caráter.

Léon Denis se preocupa em mostrar exemplos de dupla personalidade e cita; notadamente, os casos clássicos de Felida, Mary Renolds, Louis Vivé, Miss Beauchamp e Alma Z. (77)

(77) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 81. (Edição francesa)

“Alma Z., escreve ele (78), era uma jovem sadia e inteligente, de caráter sólido e atraente, de Espírito de iniciativa em tudo quanto empreendia: estudo, esportes ou relações, sociais”.



(78) Essa passagem é extraída de um livro de Myers: “La Personnalité Humaine”.

Com a continuidade do trabalho intelectual e de uma indisposição negligenciada, sua saúde ficou bastante abalada e, após dois anos de grandes sofrimentos, uma segunda personalidade apareceu, bruscamente.

Numa linguagem semi-infantil, semi-indiana, essa personalidade se anunciava como sendo a número dois, vinda para suavizar os sofrimentos da número um.

Ora, o estado da número um era, naquele momento, um dos mais deploráveis: dores, debilidade, síncopes freqüentes, insônias, estomatite mercurial de origem medicamentosa, que tornava a alimentação impossível.

A número dois era alegre e terna, com uma conversação fina e espiritual, guardando todo o seu conhecimento, se alimentado bem e fartamente, para melhor proveito da primeira personalidade. A conversação, por mais refinada e interessante que fosse, não dentava supor conhecimentos adquiridos pela primeira personalidade. Mostrava uma inteligência supranormal, relativamente aos acontecimentos que se passavam nas proximidades.

Foi naquele momento que o autor começou a observar o caso e eu não o perdi de vista, durante seis anos consecutivos. Quatro anos após a aparição da segunda personalidade, apareceu uma terceira, que se anunciou com o nome de “gamin”. (79) Ela era completamente distinta das duas outras, tomando o lugar do número dois, que ela manteve durante quatro anos.



(79) Nota do Tradutor: Garoto.

Todas essas personalidades, embora absolutamente distintas e características, eram agradáveis, cada uma em seu gênero, e a segunda, em particular, foi e ainda f a alegria de seus amigos, todas as vezes que aparecia e que era possível dela se aproximar. Era sempre nos momentos de fadiga excessiva, de excitação mental e de prostração, que ela vinha, ficando, por vezes, durante alguns dias.

O “eu” original afirma sempre sua superioridade; os outros, só estão lá por interesse.

O número um não tem qualquer conhecimento pessoal quanto aos dois outros. Ele, entretanto, as conhece bem, principalmente o número dois, pelas narrativas dos outros e pelas cartas que recebe delas. O número um admira as mensagens finas, espirituais e, freqüentemente, instrutivas, que lhe trazem essas cartas ou as narrações dos amigos.”

Esses casos de dupla personalidade são bem a prova de que há no homem outra coisa além do que aparece para o mundo.

Em “O Problema do Ser e do Destino”, como em suas obras, Léon Denis não deixa de indicar os perigos do Espiritismo.

“Certas precauções, escreve ele, (80) são necessárias. O mundo invisível é povoado por entidades de todas as ordens e quem ai penetra deve possuir uma perfeição suficiente, estar inspirado por sentimentos muito elevados para se colocar ao abrigo de todas as sugestões do mal”.

(80) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 426. (Edição francesa)

Ao menos, tudo deve ser conduzido, em suas pesquisas, por um guia seguro e esclarecido.

É pelo progresso moral que se obtém a autoridade e a energia necessárias para comandar os Espíritos levianos e atrasados que pululam em nosso derredor.

A plena posse de si mesmo, os conhecimentos profundos e tranqüilos das leis eternas nos protegem contra os perigos, as armadilhas e as ilusões do Além.

Elas aos mostram os meios de controlar as forças em ação sobre o plano oculto.”

Léon Denis dá, igualmente, preciosos conselhos quanto ao desenvolvimento da mediunidade. Essa questão já foi estudada no capítulo consagrado, em “No Invisível”; não voltarei mais a ele. Entretanto, devo sublinhar que o Mestre, na página 130, assinala a importância da incorporação, que é um dos fenômenos “que mais concorrem para demonstrar a espiritualidade do ser e o princípio da sobrevivência.”

Tenho me dado bem com essa apreciação, porque estou muito preocupado com a incorporação (ou encarnação), no curso de minhas pesquisas pessoais. (81)

(81) Ver por exemplo, Henri Regnault: “A Mediunidade na Incorporação”.

Para desenvolver os sentidos psíquicos, convém, segundo Léon Denis, isolar-se, afastar as imagens materiais e procurar ler, com calma e recolhimento.

“Quanto mais a alma se afaste do corpo e penetre nas regiões etéreas, mais frágil é o liame que os une, mais vaga a lembrança ao despertar”.

A alma plana, bem longe, na imensidade, e o cérebro não mais registram suas sensações. Dai resulta que não podemos analisar nossos mais belos sonhos.

Em algumas vezes, a última das impressões sentidas, no curso dessas peregrinações noturnas, subsiste ao despertarmos. E si, nesse momento, tivermos a precaução de fixarmos a memória, podemos gravar a lembrança.

Numa noite, tive a sensação de vibrações percebidas no Espaço, as últimas de uma doce e penetrante melodia e a lembrança das últimas palavras de um canto, que terminava assim: Há Céus inumeráveis.” (82)



(82) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 95. (Edição francesa)

Léon Denis deu, muitas vezes, aos que sofrem o meio de entrar em comunicação com o Além.

“Muitas vezes, escreve ele (83), almas humanas em sofrimento se dirigiam a mim, para solicitar noticias do Além, conselhos e indicações que eu não podia atender. Recomendei-lhes, então, a seguinte experiência que, por vezes, dava resultado: inclinai-vos sobre vós mesmos, dizia-lhes eu, no isolamento e no silêncio”.

(83) Idem, pág. 417.

Elevai vossos pensamentos para Deus, evocai vosso Espírito Protetor, esse guia tutelar que a Previdência põe em nossos passos na viagem da vida.

Interrogai-o sobre as questões que vos preocupam, com a condição de que elas sejam dignas dele, livres de qualquer interesse inferior. Depois, aguardai e ouvi, atentamente, em vós mesmos. No fim de alguns instantes, nas profundezas de vossa consciência, ouvireis, como um eco débil de uma voz distante, ou então percebereis as vibrações de um pensamento misterioso, que dissipará vossas dúvidas, vossas angústias e vos consolará.

Eis ai, com efeito, uma das formas da mediunidade e não das menos belas. Todos podem obtê-la e participar dessa comunhão dos vivos e dos mortos, que é chamada para se ouvir, um dia, pela Humanidade inteira.”

No capítulo consagrado a “Depois da Morte”, estudei o que é a morte, segundo Léon Denis.

O Mestre, em “O Problema do Ser e do Destino”, recorda, várias vezes, essa questão (por exemplo, páginas 118, 155, 164 e 318). (84)



(84) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro. (Edição francesa)

Há mesmo um capítulo especial sobre a morte, o capítulo X.

Ele insiste nesse fato: que a morte não transforma o indivíduo, porém, ele deixa o ser, intelectual e moralmente, no exato estado em que estava, por ocasião da morte.

Quando se sabe o que é a vida e o que é a morte, é impossível temer a Parca. (85)



(85) Nota da Editora: Figuradamente, a morte. Cada uma das deusas (Cloto, Láquesis e Átropos) que, consoante a mitologia, fiavam, dobravam e cortavam o fio da vida.

Não seria útil inserir, nos textos destinados à juventude, o que se poderia chamar de Hino à Morte.

“Ó Morte, escreve Léon Denis (86), ó majestade serena, tu de quem se faz um espantalho, não és para o pensador senão um instante de repouso, a transição entre dois atos do destino, enquanto um termina e outro se prepara. Quando minha pobre alma, errante de tantos séculos pelos mundos, após tantas lutas, vicissitudes e decepções, após tantas ilusões extintas e esperanças adiadas, for repousar de novo em teu seio, é com alegria que ela saudará o despontar da vida fluídica.

(86) Idem, pág. 157.

É com entusiasmo que se elevará, do meio da poeira terrestre, aos espaços insondáveis, na direção dos que ela amou aqui e que a aguardam.

Para a maior parte dos homens, a morte continua o grande mistério, o sombrio problema que não se ousa enfrentar.

Para nós, ela é a hora abençoada em que o corpo fatigado retorna à grande Natureza para permitir a Psique, sua prisioneira, uma livre passagem rumo à Pátria Eterna.

Essa Pátria é a imensidão radiosa, semeada de sóis e de esferas. Perto deles como nossa pobre Terra pareceria mesquinha. O Infinito a envolve por todos os lados.

O Infinito na extensão e no tempo é o que nos aguarda, quer para a alma, quer para o Universo.”

Sabendo, exatamente, o que é a morte, Léon Denis se posiciona contra o cerimonial lúgubre que tanto contribui para difundir entre os homens o terror do fim.

Tendo sabido conhecer a morte, o espírita não saberia temé-la porque: (87)



(87) “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis, 14° milheiro, pág. 160. (Edição francesa)

“Ela é para ele a entrada numa forma de vida mais rica de impressões e de sensações.

Não ficamos privados das riquezas espirituais, porém, enriquecidos de novos recursos, tanto mais extensos e mais variados como jamais a alma estaria preparada para usufruí-los.

A morte não nos priva sequer das coisas deste mundo.

Continuaremos a ver os que amamos e deixamos na Terra.

Do seio dos espaços, seguiremos o progresso de nosso planeta, veremos as transformações operadas em sua superfície, assistiremos às novas descobertas, ao desenvolvimento social, político e religioso das nações. E, até à hora de novo retorno à carne, participaremos, fluidicamente, ajudando, com nossa influência, na medida de nossas forças e de nosso progresso, aos que trabalham em proveito de todos.”

Léon Denis faz um bem interessante estudo sobre o sono, no capítulo V, intitulado “A Alma e os Diferentes Estados do Sono”. Para ele, o sono é:

“Simplesmente a saída, o desprendimento da alma fora do corpo. Diz-se: o sono é irmão da morte. Essas palavras exprimem uma profunda verdade”.

Seqüestrada na carne, no estado de vigília a alma recobra no sono sua liberdade relativa e temporária, ao mesmo tempo em que seus poderes ocultos.

A morte será sua liberação completa e definitiva.”

O terceiro capítulo de “O Problema do Ser e do Destino” é muito importante; ele é consagrado ao estudo dos poderes da alma.

Léon Denis demonstra que possuímos nosso livre-arbítrIo, o que permite aos homens transformar seu caráter e disciplinar seus pensamentos.

Após ter indicado a necessidade e o papel benéfico da dor, Léon Denis insiste sobre o poder do amor.

Em seguida, mostra a força de vontade, sem indicar, entretanto, a seus leitores quais são os meios práticos de desenvolver tal faculdade.

Em “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis consagrou vários capítulos ao estudo da reencarnação, o que constitui o assunto da Segunda Parte.

Estudei, especialmente, essa importante questão em meu livro “Tu Revivras”. Na página 448 de “O Problema do Ser e do Destino”, Léon Denis escreveu:

E bom viver em contato pelo pensamento com os escritores de gênio, com os autores verdadeiramente grandes, de todos os tempos, lendo e meditando suas obras, impregnando todo o nosso ser com a substância de suas almas.

As irradiações de seus pensamentos despertam em nós efeitos semelhantes e provocarão, com o tempo, modificações em nosso caráter, de acordo com a própria Natureza das impressões experimentadas.



Parece-me normal aplicar esse pensamento às obras de Léon Denis.

Vivamos, portanto, muitas vezes, em comunhão com ele; leiamos suas obras e temos tudo a ganhar, tanto do ponto de vista da perfeição da forma, quanto dos nobres pensamentos e do generoso ideal sempre expressos nos livros do Mestre.


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