O projeto educacional scalabriniano e o capitalismo no brasil



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O PROJETO EDUCACIONAL SCALABRINIANO E O CAPITALISMO NO BRASIL
OLIVEIRA, Lúcia Helena Moreira de Medeiros.

Doutoranda pela Universidade de Campinas – UNICAMP.
LOMBARDI, José Claudinei.

Professor/Orientador. Universidade de Campinas – UNICAMP.
1. O projeto educacional scalabriniano inserido no contexto da sociedade brasileira

Este estudo buscou analisar o projeto missionário e educacional da Congregação das 1Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinianas como parte do ideário de romanização no Brasil, sobretudo, de 2João Batista Scalabrini por meio das instituições escolares que instalaram-se no Brasil no período de 1895-1940. Nesse sentido, sentiu-se a necessidade de compreender o movimento de romanização que justificou a vinda da Congregação para o Brasil no final do século XIX e a ação educativa por ela implementada, bem como a expansão de suas províncias.

Considerou-se imprescindível também para tal compreensão recuperar os aspectos históricos, econômicos e sociais que envolveram o Brasil no período evidenciado, buscando articular o contexto nacional, o regional e o local na intenção de entrever o movimento da Congregação engendrado pela sociedade brasileira na tentativa de restaurar a catolicidade universal. Nessa abordagem, buscou-se relacionar o particular com a totalidade social para dar sentido pleno à história e filosofia da Congregação (BUFFA e NOSELLA, 2005).

Em um primeiro momento foram fundamentais as reflexões de Hobsbawm, ((2005c) ao referir-se ao ano de 1890 como ano genuinamente global, explicando portanto, que a Europa assistiu ao grande movimento de colonização e foi nesse contexto que a Congregação das Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinianas deixou a Itália e buscou o Brasil para sua missão restauradora. È interessante salientar nesse movimento, nessa mesma diacronia, o boom do fluxo imigratório, em especial o italiano, foco da preocupação do fundador da Congregação. Desse modo, deve-se assinalar que não só a Europa, mas o mundo todo a partir de então entra em um período denominado pelos historiadores como imperialismo, marcado por significativas mudanças na economia capitalista.

Contudo, esse período também delineado pelo novo imperialismo e envolvido por uma nova roupagem, foi acentuando as diferenças entre a pequena e a grande empresa, o alargamento do mercado de bens de consumo, o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa influenciando o quadro comercial, o crédito, a venda à prazo, o surgimento do setor terciário da economia tanto na dimensão pública como privada e a visível parceria entre a política e a economia, ou seja, o Estado, o setor público, passa a intervir cada vez mais na economia. Segundo Hobsbawm as economias modernas amplamente controladas, organizadas pelo Estado são frutos da I Guerra Mundial (2005c p. 84). De todo modo, os países europeus desenvolvidos viviam ao vapor da prosperidade e a classe média experimentava a Era Dourada, a Belle Époque que impulsionada pela economia desembocou-se na Primeira Guerra Mundial.

Outro aspecto a ressaltar é o de que a economia mundial configurava inexoravelmente a dominação dos países avançados sobre os atrasados e definia cada vez mais a desigualdade entre os seres humanos. É interessante lembrar que tal situação foi reforçada pelo imperialismo e como fruto das rivalidades econômicas industriais, cada uma protegeu-se como pôde, defendendo-se do seu modo. Essa rivalidade, essa concorrência entre as várias potências desencadeou evidentemente a corrida pela conquista de novas colônias e em decorrência, o desenvolvimento de outras questões complexas como o nacionalismo exagerado, o xenofobismo e a busca pelo domínio armamentista.

Por ser este estudo um intento em compreender a ação educacional da Congregação das Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinians no contexto sócio-político e econômico aqui brevemente apresentado considera-se fundamental anunciar a visão de mundo da Igreja a partir de alguns documentos e em primeiro momento da carta encíclica Divini Redemptoris3 , publicada no período entre-guerras no intento de articular o pensamento eclesial e o temporal. A encíclica especificamente condenou o comunismo, ideário esse que ao longo dos anos buscou descritianizar a sociedade humana e dele outros movimentos emergiram. E nessa análise da Igreja o comunismo manifestava-se com o pseudo-ideal ao postular a justiça, a igualdade e a fraternidade entre as classes sociais espalhando ainda os princípios do materialismo histórico dialético, nos quais não havia espaço, lugar para a idéia de Deus e sim para a dialética, os antagonismos entre as classes sociais. A sociedade seria uma coletividade sem hierarquias derivada do sistema econômico (Igreja Católica, 2004). O comunismo, fruto do liberalismo operário circundou a fábrica e a indústria. A Igreja desatenta descuidou-se desse aspecto e não se preparou para cuidar do povo e desse modo, abriu-se espaço para a imprensa, os congressos e outras organizações de cunho comunista.

Desse modo, pode-se afirmar a ação da Igreja adentrando o século XX como defensora de seus princípios e empenhada em articular-se junto aos movimentos que negavam a religiosidade no contexto mundial extremamente conflituoso.

Uma rápida incursão fez-se necessário para delinear o quadro político, econômico e social brasileiro desde o final do Império até as primeiras décadas do novo século e desse modo, retratar o Brasil como um país monárquico. Nesse sentido, o poder de decisões a partir da consulta ao Conselho do Estado centrava-se na figura do Imperador. Em todos os âmbitos do poder monárquico, central e provincial os altos cargos eram ocupados pela elite instruída, em específico com formação na Universidade de Coimbra.

Importante exarar que essa camada social instruída mantinha o poder em suas mãos, composta por advogados, procuradores, médicos, cirurgiões, professores, homens de letras, oficiais militares, altos funcionários públicos (CARVALHO, 1996). Entretanto, tal camada social dividia-se politicamente entre conservadores e liberais. Interessante compreender que ambos os movimentos comungavam idéias como a formação universitária e cultivavam o sentimento aristocrático, defendiam a idéia de divisão de classes em três níveis. Uma primeira classe, a dos brancos, denominada sociedade sadia ou sociedade boa, constituía-se por homens livres e proprietários e desse modo atribuíam a si próprios o direito de governar, de comandar. A segunda classe os mais ou menos, os médios e a última, os escravos. Esses não eram considerados pessoas, eram apenas coisas, portanto, não eram cidadãos (MATTOS, 1994).

O ponto divergente entre eles diz respeito ao modo como lidavam com a realidade social que os envolviam. Os conservadores defendiam a posição de um poder centralizado e forte e em contrapartida os liberais enfatizavam a autonomia em cada província e valorizavam o importante papel dos parlamentares eleitos. Portanto, nesse período o Partido Liberal e Partido Conservador dominaram a vida pública brasileira. Importa ressaltar que ambos caminhavam juntos ao tratar de questões que porventura alterassem a estrutura socioeconômica do país.

Outro aspecto de interesse para compreender o período em evidência é a expansão do café como principal produto de exportação do Brasil, cultivado no sudeste, principal centro econômico do país, em particular no Oeste Paulista, região de concentração também de imigrantes (Prado Jr., 1972, p.167).

Os documentos da Congregação, as publicações, permitem afirmar que nessa região houve expressiva concentração de imigrantes italianos e os scalabrinianos moveram a ação católica como parte do movimento de romanização da Igreja Católica no Brasil. Segundo Prado Jr., a exportação cafeeira permitiu algumas mudanças em certas regiões do país e uma certa independência e desenvolvimento nos meios de comunicação e transporte e pode-se dizer que é nesta época que o Brasil tomou pela primeira vez conhecimento do que fosse progresso moderno, uma certa riqueza e bem estar material (idem). Vislumbra-se, portanto, os surtos urbano e industrial e desse modo, o investimento que fazia-se na compra do escravo passou a ser aplicado na modernização da lavoura e novos empreendimentos financeiro e industriais. (Azzi, 1993, p15)

Importante relembrar que a consolidação da cultura cafeeira contribuiu para a manutenção dos padrões culturais pautados nos valores patriarcais, e os barões do café constituíram a nova aristocracia rural bem semelhantes aos senhores de engenho (idem). Acresce que o desenvolvimento da cafeicultura contribuiu para que a estrutura econômica permanecesse a mesma, a monocultura trabalhada pelo escravo se destacou frente ao contexto do capitalismo internacional. Nesse sentido, com a extinção do tráfico em 1850 aumentou a cada ano a precariedade do trabalhador braçal nas lavouras cafeeiras e o período posterior é marcado pela imigração européia, expressivamente a italiana, passando a coabitar nas fazendas de café – o trabalhar livre e o escravo. Situação essa que em um primeiro momento não foi positiva (idem).

Não poderia deixar de fazer alusão à questão religiosa, impasse estabelecido entre Igreja e Estado vivenciado nos anos 70, na ocasião em que os bispos de Olinda e Belém puniram as irmandades religiosas que apoiavam a maçonaria. Os respectivos bispos, Dom Vital e Dom Macedo seguiram as orientações do Papa Pio IX e não do Imperador e desse modo desobedeceram as regras do regime de padroado – lus patronatus – o qual submetia a Igreja ao Estado desde o período colonial. A carta encíclica Exortae in esta4 tratou especificamente do assunto e será discutida mais detalhadamente no capítulo seguinte.

Segundo Lustosa (1991), durante todo o Império a Igreja do Brasil viveu subjugada à política regalista do governo e nesse sentido sentiu-se excluída das atividades que exercia no governo; a partir disso, preocupou-se em recuperar esses privilégios e ao mesmo tempo, buscou autonomia para suas ações. Mesmo com essa relação de tensão e instabilidade entre Igreja e Estado, a religião católica permaneceu como religião oficial do Império, assunto já discutido anteriormente.

Nesse mesmo contexto a Igreja distancia-se dos problemas de ordem social e político e os documentos indicam certo retraimento em relação à questão abolicionista, apesar de Leão XIII ter se dirigido ao Império Brasileiro, saudando-o pelo grande feito. As considerações feitas pelo Papa referente à abolição foram de caráter conservador retomando o caráter sagrado do poder, da autoridade e de apaziguamento, conforme anunciou-se anteriormente. E mais, sua intenção era manter as mesmas diretrizes de catolicidade impressas em outras encíclicas de cunho romanizador.

Politicamente e também no sistema de trabalho a abolição no Brasil significava a mudança de visão de mundo senhorial e seus respectivos valores. Nessa época não havia divisão dentre burguesia e aristocracia rural e nesse sentido foram favoráveis à abolição representantes das classes urbanas, grupos artesanais, trabalhadores livres nacionais e estrangeiros, advogados, jornalistas, tipógrafos, cocheiros, ferroviários, médicos e negociantes (Viotti, 1999).

Final do século XIX, o país caminha para o modelo político republicano, movimento por demais antagônico e confuso, contou com a participação de progressistas da lavoura, fazendeiros de café, representantes da tênue indústria, representantes liberais e militares. Nesse clima conflituoso entrevê-se o declínio da monarquia, a separação do Estado e da Igreja e a elaboração da Constituição de 1891. A Igreja, na contrapartida preocupou-se com as possíveis conseqüências do emergente modelo de caráter positivista, laicista e agnóstico que ora implantava-se. Nessa perspectiva, considera-se interessante referir-se ao decreto 119-A que antecede a Constituição de 1891 e regulamentou a separação Igreja-Estado. Também evidenciou-se que a legislação imperial trazia em sua essência a liberdade de culto, de associações ou agremiações, além do reconhecimento jurídico de qualquer igreja ou confissão religiosa, e da extinção do padroado com todas as suas instituições, recursos e prerrogativas (art.4º). Outras medidas de cunho anticlerical também foram tomadas pelo governo Provisório como a obrigatoriedade do casamento civil, a municipalização dos cemitérios e a laicização do ensino.

A Igreja sentiu-se provocada com tais medidas e, representada por Dom Antonio Macedo5 respondeu a tais provocações convocando a pastoral Coletiva de 1890 – apresentada em parte, no capítulo anterior – objetivando tratar de temas como as finalidades das conferências, episcopado, clero, seminários, ordens religiosas, confrarias e dioceses. Meio a essa discussão exara-se a política dos católicos republicanos convalidando a liberdade católica advinda da extinção do regime de padroado e a militância dos católicos monarquistas que consideravam a ideologia republicana o antídoto à Igreja, por ser agnóstica e laicista. Esses últimos procuravam anunciar, convencer a sociedade sobre os erros nos quais incorria o modelo republicano.

Nesse mesmo contexto nota-se a presença de associações católicas anti-republicanas em várias regiões do país atuando como partidos políticos, constituindo-se, portanto, na participação da Igreja nas lides políticas, em específico pelo Partido Católico que apontava e apoiava candidatos para as eleições de 1890/1891.

O projeto de Igreja universal continua em evidência no final do século XIX visto que Leão XIII convoca todos os bispos da América Latina para o Concílio Plenário da América Latina utilizando-se da carta encíclica Qum Diuturnum6 afirma: [...]junto daqueles povos, ligados por uma mesma origem ou por uma afim, se mantivessem firme a unidade da disciplina eclesiástica, se fortalecessem os costumes dignos da fé católica, e a Igreja se distinguisse publicamente pelo empenho comum dos bens. (2005, pp.719-720). Portanto, Roma, por meio do Concílio Plenário latino-americano tratou de temas relativos a ação pastoral e religiosa dentre eles, a fé e sua difusão, ações para a pastoral, a disciplinarização do clero, o culto e outros. Uma de suas principais discussões referiu-se a incorporação do ensino religioso facultativo nas escolas, a assistência religiosa facultativa em prisões e hospitais além da questão trabalhista já discutida por Leão XIII na carta encíclica Rerum Novarum7 propondo uma lei trabalhista dentro dos padrões da justiça cristã. Depreende-se, portanto, a presença do ideário romanizador nas ações do clero brasileiro, principalmente a cada Conferência ou Concílio. Também é interessante relembrar o Concílio Vaticano I, anteriormente mencionado como parte das relações Estado-Igreja na Europa com importantes delineamentos para a Igreja no Brasil. Sem dúvida, período profícuo de debates, discussões no entorno do modelo republicano e seus desdobramentos no âmbito da Igreja

É indispensável neste estudo retomar a questão da migração para o Brasil no limiar do século XIX, por constituir-se fio condutor das discussões entre Scalabrini – o fundador da Congregação das Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinianas – e as autoridades italianas, em torno de um projeto político e missionário para dar sustentação aos seus expatriados. Interessa-se, portanto depreender seus elementos mais significativos inseridos no processo de consolidação da sociedade capitalista. A princípio, é possível caracterizar a imigração como um processo lento e acentuar que o Brasil “ainda” não era um país considerado atraente para o trabalho e como exemplo específico a população italiana residente no país no censo consular de 1871 era de apenas 2.519 pessoas e 6000 no censo brasileiro em 1872 (Trento, p. 18). Os dados revelam que até a segunda metade do século XIX a imigração italiana para o Brasil apresentou-se exígua.

Contudo, os países europeus inchados pela superpopulação provocada pela Revolução industrial procuraram na segunda metade do século XIX estimular a emigração para as áreas coloniais e parte destes imigrantes chegaram à América Latina em grande contingente influenciando substancialmente os aspectos sócio-econômicos de países como Argentina,Uruguai e Brasil.

Informações sobre o processo imigratório são confirmadas por Hobsbawm ao referir-se às mudanças demográficas ocorridas nos países europeus no século XIX:
[...] a população européia, era em 1900 (430 milhões), quase com certeza mais do dobro dos digamos, 200 milhões de 1800. Ademais, sua emigração em massa para outros continentes foi responsável pela mudança mais drástica que sofreu a população mundial: o aumento dos habitantes das Américas de cerca de 30 a quase 160 milhões entre 1800 e 1900; e, especialmente, a América do Norte, que aumentou de cerca de 7 a mais de 80 milhões de habitantes. (Hobsbawm, 2005c, pp.30-31)

Nessa perspectiva, é fundamental tecer algumas considerações a respeito do que ocorreu na América Latina com a chegada das levas imigratórias, quiçá, a maior de todos os tempos. Sabe-se que a população latina predominantemente negra e indígena com chegada dos imigrantes toma outras proporções, outros rumos, sem dúvida, instalando-se assim uma situação “nova” especificamente nos aspectos cultural, social, sobretudo, no

econômico e político incorrendo em conseqüências gravíssimas que ao longo do texto serão apresentadas.

Portanto, para compreender esse movimento considera-se como uma das principais questões a produção cafeeira no Brasil, sobretudo, a escassez da mão-de-obra escrava para o trabalho nas lavouras advinda da proibição do tráfico negreiro. Tal agravante precisava ser resolvido e de certo modo, a política de imigração para substituição da mão-de-obra escrava não era bem vista pelos latifundiários, uma vez que o regime de posse de terra no Brasil era livre e evidentemente facilitaria às famílias imigrantes fixar-se, plantar e tomar posse da terra.

Apesar dos muitos entraves alguns fazendeiros conseguiram introduzir o trabalho livre e do imigrante junto ao trabalho escravo a partir de alguns acordos com os trabalhadores. A princípio os trabalhadores iniciavam suas atividades em parceria com os proprietários, com sua possível pequena renda já comprometida, individados com as compras nas vendas das fazendas, mas, cumpriam rigorosamente seus contratos, o que não era recíproco por parte dos fazendeiros que fraudavam a contabilidade, as anotações e mais alguma coisa se possível fosse. Caracterizou-se essa vida como uma vida de cão. Sentiam-se presos aos latifundiários e em alguns casos eram vendidos em pacotes, “a família inteira” em função das dívidas que nunca era possível saldá-las.

Vislumbrou-se outra situação nesse mesmo contexto, a abolição dos escravos que, segundo alguns historiadores muito prejudicou o trabalho nas lavouras de café. Portanto, outras alternativas para manter a produção nas mesmas fizeram-se necessárias e dentre elas os contratos com imigrantes; os mesmos confirmavam a permanência dos imigrantes nas fazendas por um prazo de cinco anos e determinavam o reembolso do adiantamento para a compra das passagens para o Brasil. Entende-se, portanto, que a nova organização do trabalho para esses trabalhadores passa de um processo de parceria para o benefício do trabalho assalariado.

Nesse sentido, as políticas governamentais de subsídios à imigração foram fundamentais para garantir o trabalhador para a lavoura do café e conseqüentemente sua expansão. Os dados abaixo expressam essas medidas:

TABELA 1

Imigração Subvencionada – 1888/1915

Período

Total de imigrantes

% imigrantes subvencionados

1888/1890

138.240

63,4

1891/1900

719.595

79,9

1901/1910

420.447

40,1

1911/1915

356.045

36,0

FONTE: O Brasil republicano, V.I: estrutura de poder e economia. CARDOSO, Fernando Henrique in História Geral da Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2004.
Interessante observar o fato de que na passagem do trabalho escravo para o trabalho com imigrantes existiram pontos de vistas antagônicos a respeito da proposta de imigração – de um lado a proposta de imigração em massa e de outro a imigração com qualidade. Essa última apontaria a possibilidade de aquisição de pequenas ou médias propriedades por parte dos imigrantes. Esteve também presente nas políticas de imigração no Brasil objetivando ampliar as colônias, aumentar os povoamentos. Notou-se também que algumas legislações deram um caráter mais organizado para esse processo (a Lei Glicério) nos moldes da colonização e só se evidenciou nos Estados em que o café não era cultivado (Trento,1998). Nessa perspectiva, é possível afirmar que o governo central implementou na última década do século uma arrojada política de recrutamento. Para os italianos essas propostas eram tentadoras, devido a facilidade em particular para o camponês, o assalariado, de buscar novas alternativas de trabalho pois sentiam-se impossibilitados de ter uma vida melhor.

Contudo, um olhar especial sobre o Brasil e a emigração italiana fez-se necessário visto que o objeto aqui em estudo, a ação educacional das Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinianas esteve e está intimamente ligado a essa questão por se tratar de uma Congregação italiana que chegou ao Brasil ao final do século XIX, período do processo emigratório italiano em massa. Nessa perspectiva chama atenção o acentuado fluxo do processo emigratório italiano para o Brasil nas últimas décadas do século XIX e as duas primeiras do século subseqüente, principalmente para o estado de São Paulo:


TABELA 2

Brasil: Imigração Total no país e em São Paulo por períodos – 1884-1920

Período

Brasil

São Paulo

1884/1887

145.880

53.023

1888/1890

304.054

157.781

1891/1900

1.129.315

733.335

1901/1920

1.469.095

857.149

FONTE: CARDOSO, Fernando Henrique.In História Geral da Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, 2004.
Segundo Trento (1998) de aproximadamente 3.600.000 emigrantes que chegavam ao Brasil 38% eram italianos. O Brasil esteve entre os países que mais recebeu italianos no período aqui elucidado, evidentemente, contribuindo para o aumento demográfico do país. A escassa densidade demográfica dificultava a administração dos trabalhos e os governos central ou provincial sentia-se tentado em tomar algumas medidas como, por exemplo, a criação de uma Inspetoria Geral de Terras e Colonização objetivando promover a emigração espontânea, dirigir e orientar esse tipo de atividade. Segundo Prado Jr. “De certo modo “a imigração européia do século XIX, contribuiu sobremaneira para o povoamento brasileiro, ora estimulada por uma política oficial e deliberada de povoamento, ora pela iniciativa privada de particulares interessados na obtenção de mão-de-obra.” (1945, p.183

Por outro lado vale ressaltar sobre as companhias contratadas para a tarefa porque recorreram aos serviços de agenciadores que nem sempre usavam os critérios necessários para o recrutamento incorrendo na chegada de imigrantes que não atendiam as necessidades e nem os objetivos do governo. Vê-se:


O recrutamento de colonos na Europa se fazia sem maior cuidado; os agentes dele incumbidos não tinham outra preocupação que o número, pois ele se calculava sua remuneração. Aceitavam qualquer candidato, sem indagar da sua prestabilidade para trabalho agrícola, e sobretudo, o pesado esforço exigido por uma agricultura tropical de desbravamento. Chegavam a emigrar para o Brasil não raro até enfermos e velhos inválidos. (Prado Jr., p.187)
Os agenciadores eram considerados traficantes de carne humana8 usavam a propaganda enganosa, quiçá, uma proposta fatídica considerando a forma como essas pessoas passavam a viver após o desembarque no país, sem trabalho, sem moradia e muitos sem parte de seus familiares.

Ainda sobre as condições em que os imigrantes eram contratados e como embarcavam, em geral, os mesmos dispunham dos poucos pertences que tinham e chegavam em Gênova antes dos embarques, eram obrigados a gastar o resto de economias que porventura lhes sobravam para pagar a hospedagem. Percebeu-se um interesse comum entre agências, agenciadores e sociedades de navegação italianas, certas conivências em manter essas situações visto que tais atividades eram de caráter eminentemente lucrativos. Além desse quadro desolador acresce a situação de risco em que encontravam-se os imigrantes durante as viagens ao Brasil – questões de insalubridade, mortalidade infantil com maior relevância.

Em geral, ao chegar ao Brasil os imigrantes alojavam-se por alguns dias em hospedarias gratuitamente; em algumas situações a estrutura que os abrigavam não era suficiente para suprir as necessidades e nesse caso instalavam-se como podiam, amontoados, empilhados mais uma vez, em condições subhumanas. Homens e mulheres tornavam-se pedintes, prostituíam-se, enfim, os sonhos iam se desfazendo. Sobre essa situação insalubre considera-se para o estudo apresentar o pensamento de Scalabrini: envolvidos freqüentemente por tramas dolorosas, cegos por mil promessas, impelidos pela necessidade, vinculam-se a contatos que não passam de autêntica escravidão; as crianças, por sua vez, acabam encaminhas à mendicância, na entrada do crime e as mulheres atiradas a prostituição.(1979, pp.64-65).

Nessa perspectiva a realidade encontrada no Brasil opunha-se àquela propaganda enganosa prometida pelos agenciadores. Os mesmos alojavam-se por alguns dias em algumas hospedarias gratuitamente com estruturas não adequadas e insuficientes para atendê-los dentro das condições mínimas de higiene e salubridade e nesse caso, instalavam-se como podiam, amontoados em condições muito precárias à espera do emprego prometido.

Quando a opção feita era os núcleos coloniais o transporte era subvencionado pelo governo e os imigrantes comumente encaminhados para os estados do Sul ou, optavam pelo trabalho nas fazendas, maioria delas no estado de São Paulo. A negociação entre imigrantes e fazendeiros fazia-se por meio de intérpretes, mais precisamente por italianos para facilitar os acordos. Os mesmos falseavam promessas salariais e as condições em que viveriam e seriam tratados nas fazendas. Muitos enganos, muitos equívocos. Os casebres de dois cômodos com estrutura de madeira, barreados e amontoados em pequenas aldeias sem nenhuma instalação de higiene.

A partir de então os imigrantes, trabalhadores das fazendas passaram a trabalhar como empreiteiros ou assalariados e no término da carpa e da colheita recebiam seus salários. Com o tempo esses acertos passaram a ser feitos a cada trimestre e depois mensalmente. Outro equívoco, outro engano! Seus salários eram reduzidos a quase nada pelos fazendeiros. Ainda existia uma esperança – no cumprimento do contrato os trabalhadores poderiam cultivar gêneros alimentícios de subsistência. Esse era um dos motivos de maior dedicação dos mesmos e por outro lado os excedentes poderiam ser vendidos nos centros urbanos. Impossibilitados dessa prática devido a distância, o transporte, a comunicação, os excedentes acabavam sendo vendidos por preços irrisórios para o próprio fazendeiro. Esses fatores, de isolamento da fazenda e a questão do pagamento dos salários em vales induzia-os a usar o crédito na venda para comprar por preços exorbitantes os gêneros que lhes faltavam.

Trento (1988) denuncia em seu texto algumas informações absurdas como por exemplo o tratamento escravo que os fazendeiros dispensavam aos trabalhadores tais como, horário para início e fim do trabalho ao toque de uma sineta, a vigilância dos capangas, a visita de parentes e amigos só com autorização do fazendeiro, filhos reféns para saldar dívidas, chicotadas, multas, confisco, adulteração de pesos e medidas, enfim, uma relação de exploração do trabalho humano em função da acumulação do capital e a apropriação ilícita dos excedentes adquiridos pelos trabalhadores.

Por parte dos imigrantes vê-se como possibilidade melhorias financeiras e, em alguns casos as condições de poupar pequenas quantias. Entretanto, a idéia de obter um pedaço de terra continuava cada vez mais remota diante dos empecilhos colocados pelos fazendeiros, como por exemplo, o aumento do preço da terra9, o rebaixamento dos salários, enfim, medidas que contribuíam cada vez mais para que os sonhos dourados do imigrante esperançoso se distanciassem. Não houve nesse quadro, o tão esperado e propagado desenvolvimento dos imigrantes.

Sem delongas, não foi possível apreender uma intervenção mais qualitativa por parte do governo italiano em relação ao exaustivo fluxo imigratório para o Brasil. A impressão deixada é de um certo desleixo e até alívio; sumariamente por duas vezes o governo italiano suspendeu a emigração para o Brasil10, portanto, a entrada de italianos no período denota uma situação meio oscilante, ora em grandes picos, ora em pequenos. Nesse sentido, explica-se o declínio da imigração no Brasil por meio de dois caminhos. O primeiro refere-se às disposições legais e aos fatores econômicos, o ritmo da produção do café e de seus preços no mercado internacional11.

Economicamente entrevê-se o apogeu da economia brasileira principalmente pelo alargamento da produção de matérias-primas e gêneros alimentares tropicais dada a abertura comercial proporcionado pelo liberalismo econômico, possibilitando assim as relações de exportação. Prado Jr.(1945) considera o desejo de prosperar materialmente um ideal da República, sem dúvida,a ambição pelo lucro fermentou as atividades econômicas no Brasil nesse período.

Além disso, é preciso ressaltar a progressiva ação dos interesses financeiros internacionais em todos os setores da economia, inclusive o café. A economia obteve progresso avassalador. (idem). Nesse processo bastante contraditório, evidenciam nos primeiros dez anos de República alguns fatores comprometedores como a necessidade de importações para o mercado interno, os empréstimos ao crédito estrangeiro. E foram estes aspectos que concorreram para posteriores crises da organização econômica como por exemplo, a superprodução do café e queda de preços, o principal produto de desenvolvimento econômico brasileiro no momento,como ressaltou-se anteriormente.

Carece pontuar também o processo de industrialização nesse contexto, adverso diante das oscilações do mercado regulador e as relações de dependência com o capital estrangeiro. Registra-se acentuado desenvolvimento da indústria com concentração no estado de São Paulo. Nesse caso o imigrante europeu teve fundamental importância pois trouxe consigo a técnica na indústria têxtil, alimentícia e outras, portanto, constituiu-se a base da industrialização em São Paulo.

Apesar das contradições ocorridas ao longo dos anos, o processo imigratório foi bastante significativo para o desenvolvimento econômico e industrial no Brasil. E sobre isso é importante compreender que diferentemente dos trabalhadores rurais brasileiros a maioria dos imigrantes era ainda jovem, do sexo masculino e muito produtivo. (DEAN, p. 252). Por conseguinte, tinham nível de escolaridade mais avançado e trouxeram técnicas e habilidades manuais que muito contribuíram para a industrialização no Brasil em especial na capital paulista (idem). Os capítulos anteriores deste estudo delinearam a importância do imigrante como trabalhador e também como motivo da ação católica scalabriniana e recatolização católica no país.
2. Instituições educativas scalabrinianas
Diante da situação caótica em que viviam seus compatriotas as Irmãs de São Carlos Borromeo Scalabrinianas implementam suas instituições ao longo do século XX.

Nesse mesmo período, a Congregação das Irmãs São Carlos Borromeo Scalabriniana estava desenvolvendo suas atividades no Orfanato Cristóvão Colombo em São Paulo em suas respectivas seções, masculina e feminina, dentro das orientações da instrução pública e dos princípios religiosos, conforme apontam os documentos – o ensino das primeiras letras, a civilidade e a profissionalização, sobretudo, os princípios da ordem republicana. As duas seções a princípio objetivaram-se atender imigrantes, esforçaram-se em cultivar a cultura italiana, entretanto, logo começaram atender outras nacionalidades, inclusive crianças brasileiras, frutos da sociedade em que inseriam-se.

Assim, a Congregação continuou expandindo suas instituições em outros estados brasileiros e a ação educacional desenvolvida em efetiva conexão com a instrução pública de cada estado.

Já o Colégio Nossas Senhora Medianeira em Bento Gonçalves foi criado em 1915 quando as Irmãs Scalabrinianas já organizadas como Congregação decidiram ampliar suas atividades pelo estado do Rio Grande estado em que o trabalho de muitos padres scalabrinianos já se consolidava 12. Também desenvolveram um trabalho educacional voltado para a preservação da cultura italiana visto que nesse estado concentrava-se grandes núcleos de imigrantes italianos, bem como a fé católica tradição da própria cultura. A questão vocacional bastante evidenciada, principalmente por atender o sexo feminino conforme pôde-se verificar em documentos como atas, históricos, panfletos e outros registros.

No final dos anos trinta as Irmãs foram convidados pelos padres estigmatinos a instalar-se em Ituiutaba, Minas Gerais, fundando, portanto, o Colégio Santa Teresa. O Colégio, desde os primórdios objetivou-se atender as famílias católicas da cidade e região direcionando suas atividades para educação feminina. Destarte, convalidando a prática pedagógica dos colégios confessionais no Brasil ao separar a educação para meninos e meninas.

Entende-se que o projeto educativo scalabriniano combateu, por meio de suas instituições no período aqui elucidado a infiltração do socialismo e do comunismo no Brasil. E nesse sentido a proposta curricular trabalhada pelas escolas enfatizou o espírito patriótico e a moral cristã – uma associação de civilidade, disciplina, ordem, consciência, perfeição – aspectos de um bom cidadão religioso. São esses os principais aspectos evidentes no cotidiano das instituições scalabrinianas aqui apresentadas.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1 As Irmãs Scalabrinianas chegaram ao Brasil em 1895 orientadas pelo co-fundador José Marchetti. Este, escolhido pelo bispo João Batista Scalabrinini em Placência, Itália.

2 O projeto de João Batista Scalabrini a favor dos emigrados italianos está expresso especificamente em oito opúsculos publicados em A emigração italiana na América,traduzidos por Redoovno Rizzardo em 1979.

3 Cf. Igreja Católica, São Paulo, Paulu, 2004. Essa carta foi escrita por Pio XI e publicada em 19 de março de 1937.

4 Cf. Igreja Católica, São Paulo, Paulus, 2005. Essa carta encíclica foi escrita por Leão XIII e publicada em 29/04/1876.

5 Em 1890 foi promovido arcebispo primaz e por isso convocou a pastoral coletiva de 19/03/1890.

6 Cf. Igreja Católica, São Paulo, Paulus, 2005. Essa carta encíclica escrita por Leão XIII foi publicada em 25 de dezembro de 1898.

7 Essa carta encíclica será posteriormente discutida.

8 Esse termo “traficantes de carne humana” é publicação do jornal “Diritto” e o “Fanfulla, ver apud Trento, p.96

9 Em 1850 foi aprovada a Lei de Terras dispunha que o meio para aquisição de terras a partir de então seria a compra e não a posse como era de costume.

10 A 1ª delas é de 13 de março de 1889 devido a epidemia de febre amarela no Brasil e a 2ª em 1893 por ocasião da guerra civil n Rio Grande do Sul. Ver em Trento, p.34.

11 Ver TRENTO, sobre essa discussão em Do Outro lado do Atlântico, 1988.Obra que dedicou-se aos estudos da imigração italiana.

12 AZZI , Riolando. A igreja e os migrantes – a imigração italiana e os primórdios da obra scalabriniana no Brasil (1884-1904) Vol. Edições Paulinas. São Paulo, 1987.



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