O quali-quantitativa do percolado gerado no aterro controlado de santa maria rs



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Objetivos

1.1.1. Objetivos Gerais


Avaliar a quantidade e a qualidade do percolado gerado no aterro controlado da Caturrita em Santa Maria – RS.

1.1.2. Objetivos Específicos


  1. Avaliar, entre os métodos empíricos do Balanço Hídrico, Racional e Suíço, o mais adequado para estimar vazões de efluentes líquidos ao meio ambiente no Aterro Controlado de Santa Maria - RS;

  2. Avaliar o grau de degradação dos resíduos e os padrões de lançamento de efluentes, conforme as concentrações de DBO e a DQO;

  3. Analisar a eficiência de remoção dos poluentes do sistema de tratamento de percolado.

Estes meios de estudo deverão contribuir para a melhoria dos sistemas de gerenciamento e tratamento de resíduos sólidos urbanos para aterros sanitários, controlados ou lixões, visto que investigações de balanço hídrico e de concentrações de poluentes são raras no país.

1.2. Estrutura da Dissertação


O presente trabalho consiste de 6 capítulos, apresentados sucintamente a seguir:

No capítulo 1, são apresentados os aspectos gerais da importância do tratamento dos resíduos, definindo-se os objetivos a serem alcançados.

O capítulo 2 apresenta uma rápida discussão sobre a evolução das questões de resíduos sólidos no Brasil, com base na literatura revisada, focando-se nos processos de formação, composição, estabilização e volume de geração dos líquidos.

No capítulo 3, apresenta-se a área onde foram realizados os estudos, com suas respectivas caracterizações geográficas, geológicas e topográficas.

No capitulo 4 são descritos os materiais e métodos adotados na avaliação qualitativa e quantitativa dos recursos hídricos locais, juntamente com o impacto devido ao lançamento de efluentes, a eficiência do tratamento do percolado pelas lagoas e o estado atual de degradação do aterro.

No capítulo 5, os resultados quantitativos e qualitativos, referentes ao volume gerado percolado com o emprego dos Métodos simplificados juntamente com a qualidade da água para os parâmetros afins da pesquisa, discutidos e analisados.

No capítulo 6, apresentam-se as conclusões desta pesquisa e recomendações para trabalhos posteriores.

Os autores e instituições consultados para proporcionar suporte a pesquisa são citados no capítulo 7 das referências bibliográficas.



2. Revisão da literatura

2.1. Resíduos Sólidos no Brasil


A geração dos resíduos sólidos cresce proporcionalmente com o aumento da população e com o consumo de produtos que geram variedades cada vez maiores de elementos descartáveis como plásticos, metais, papelões. A industrialização moderna tornou as embalagens, em geral, como parte anexa do produto de consumo, contribuindo para a maior geração de inertes nos depósitos de resíduos. A composição dos resíduos sólidos urbanos é uma característica que está diretamente relacionada aos aspectos quantitativos e qualitativos dos líquidos percolados gerados durante a decomposição destes resíduos. A Tabela 1 apresenta a composição gravimétrica média dos resíduos sólidos urbanos em algumas cidades do Brasil e do mundo.

TABELA 1 – Composição gravimétrica dos resíduos sólidos urbanos.

Resíduos (%)

Brasil

(1999)

Santa Maria, RS

(1999)

Porto Alegre, RS (1994)

São Carlos, SP (1989)

Caxias do Sul, RS (1991)

Davis, EUA (1990)

Osaka, Japão (1989)

Matéria Orgânica

67,0

57,0

58,6

56,7

53,4

6,4

11,7

Papéis

19,8

20,0

21,3

21,3

21,0

41,0

35,7

Plásticos

6,5

8,0

8,4

8,5

8,9

10,7

20,3

Vidros

3,0

2,0

1,3

1,4

2,6

5,8

7,1

Metais

3,7

5,0

4,4

5,4

5,4

7,9

5,3

Outros

-

8,0

6,0

6,7

8,7

28,2

19,9

Fonte: Ciência & Meio Ambiente (1999)
É possível verificar que, para o Brasil e em alguns de seus municípios, a composição dos resíduos sólidos urbanos gerados é semelhante, devido presença elevada de matéria orgânica, enquanto em cidades como Davis (EUA) e Osaka (Japão) ocorrem baixos percentuais de matéria orgânica e elevadas gerações de descartáveis. Desta maneira, pode-se refletir, a diferenciação entre paises desenvolvidos e em desenvolvimento quanto à composição gravimétrica dos resíduos.

A geração de resíduos sólidos e conseqüentemente disposição final constituem-se em preocupações ambientais pelo seu potencial poluidor. O aumento da população urbana brasileira, associado à carência de programas de gerenciamento e investimentos públicos na área de saneamento, resulta em um quadro merecedor de atenção em relação à destinação final dos resíduos sólidos no Brasil.

Segundo pesquisas realizadas no início dos anos 90 (IBGE, 1991), a disposição final dos resíduos sólidos urbanos a céu aberto (lixões ou vazadouros) era praticada em 76% dos municípios brasileiros. A disposição em aterros controlados era adotada em 13%, em aterros sanitários em 10% e outras formas (compostagem, reciclagem e incineração) em 1% dos municípios. Esta situação demonstra, de forma clara, o descaso do fluxo final dos resíduos.

Os resultados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico 2000 (IBGE, 2000) demonstraram que o quantitativo dos resíduos coletados no Brasil apresenta um valor de 228.413 ton/dia. Deste montante, 21% são dispostos em lixões, 37% em aterros controlados, 36% em aterros sanitários e 6% em outros sistemas de disposição final.

A Tabela 2 apresenta, de forma regionalizada, a situação da disposição final dos resíduos sólidos em 2000.

Analisando a situação por regiões brasileiras, percebe-se que a Região Norte apresenta a situação menos favorável. Se excluirmos o Estado do Amazonas que apresenta maior preocupação com o destino de seus resíduos, de um total de 8.203 ton/dia coletadas, 5.951 ton/dia possuem destino impróprio, perfazendo aproximadamente 73%. Por outro lado, a Região Sudeste possui a situação mais favorável com aproximadamente 9,7% com destino inadequado.

Segundo Jucá (2003), a forma de apresentação dos dados do IBGE (2000) sugeriu indícios favoráveis no que se refere à quantidade de resíduos vazados nas unidades de destinação final. Os resultados apontam que aproximadamente 73% de todo o resíduo coletado no Brasil estaria tendo um destino final adequado, em aterros sanitários ou controlados, devido principalmente a contribuição da região sudeste em 65% do total.

Porém quando se analisam as informações tomando-se por base o número de municípios, o efeito já não é tão favorável. Os resultados apontam que 63,1% dos municípios depositam seus resíduos em lixões, ainda sim, houve uma melhoria em relação a 1991, quando este percentual era de 76%. A forma de disposição final em aterros sanitários aumentou de 10 % para 13,7 %.



TABELA 2 - Quantidade diária de lixo coletado, por unidade de destino final.

Fonte: IBGE (2000).

A situação é mais grave nos municípios com população inferior a 20.000 habitantes. Nestes, que representam 73,1% dos municípios brasileiros, 68,5% dos resíduos gerados, são vazados em locais inadequados (Jucá, 2003).

O problema gerado pelos resíduos sólidos urbanos apresenta impactos de ordem ambiental, econômico e social.

Em termos ambientais, a disposição inadequada dos resíduos sólidos pode contribuir para a poluição do ar, das águas, do solo, estética, bem como promover impactos negativos sobre a fauna e flora dos ecossistemas locais. Em relação aos aspectos sanitários, o principal problema está na proliferação de vetores capazes de transmitirem diversas enfermidades ao homem, por diferentes vias de transmissão (FNS, 1999).

Do lado econômico, a produção exagerada de resíduos e a disposição sem critérios representam um desperdício de materiais e energia. Em condições adequadas, estes materiais poderiam ser reutilizados, possibilitando o uso racional dos recursos naturais, redução dos custos de tratamento, armazenamento e disposição, bem como a redução dos riscos para a saúde e o meio ambiente.

Em termos sociais, a disposição descontrolada de resíduos sólidos traz como conseqüência, o aparecimento de catadores, pessoas que em busca do valor econômico, catam certos resíduos, efetuando a reciclagem informal do lixo, expondo-se aos riscos de acidentes com materiais perfuro-cortantes e ao contato direto com resíduos infectantes e/ou perigosos. Estes catadores encontram-se em condições indesejáveis de trabalho, expostos a ambiente insalubre, e muitas vezes passam a residir dentro ou próximos aos lixões, buscando também parte de sua alimentação nos rejeitos orgânicos dispostos, acarretando, geralmente inúmeras infecções diarréicas. Estes problemas de saúde pública tendem a se agravar à medida que a urbanização e o desenvolvimento tecnológico produzam volumes crescentes de resíduos sólidos, cada vez mais complexos e tóxicos. Todos estes aspectos apresentados podem ser multiplicados, se os resíduos domiciliares forem dispostos juntamente com os resíduos de serviços de saúde. Neste caso, as possibilidades de contaminações ambientais podem ser aumentadas, pelo risco de transmissão de enfermidades ampliadas com contato dos catadores com estes materiais, tornando os mesmos, suscetíveis a doenças e contaminações, o mesmo acontecendo em seu entorno, pela exposição da população a seus efeitos.

Na maioria dos municípios brasileiros, os serviços de coleta de resíduos urbanos não atende minimamente às necessidades da população em termos de área de cobertura, freqüência ou aos aspectos técnico-operacional e segurança do trabalho.



Segundo Bernardes Junior et alii. (s.d.), apud Sisino & Oliveira (2000, p. 72), o índice de potencialidade de impacto ambiental de um depósito de resíduos está relacionado com cinco objetivos:

  • O depósito não deve causar problemas à saúde pública;

  • O depósito não deve causar incômodo a população;

  • O depósito deve ser bem operado;

  • A instalação deve ser compatível com o uso do solo na região;

  • O depósito não deve causar danos à ecologia.

Frente à realidade apresentada o depósito que atender aos aspectos positivos dos 05 itens anteriores pode ser qualificado como aterro sanitário, contudo, não ocorrendo os mesmos, os depósitos de resíduos brasileiros, principalmente nos pequenos municípios, poderão apresentar degradação ambiental por emissão de efluentes líquidos, estes denominados percolados, lixiviados ou chorume.


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