O quali-quantitativa do percolado gerado no aterro controlado de santa maria rs



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4.1. Avaliação Quantitativa do Percolado Gerado


A metodologia utilizada na avaliação da quantidade de percolado gerado no Aterro Controlado da Caturrita consiste na utilização de vazões estimadas que correspondessem à realidade do local e também medições reais da vazão para aferição dos modelos.

Os métodos avaliados na estimação teórica das vazões de percolado foram os Métodos Suíço, Racional e do Balanço Hídrico, com séries históricas longas e curtas. As séries longas compreendem dados de precipitações de 34 anos e evapotranspiração de 29 anos. Nas séries curtas, os dados de precipitação e evapotranspiração foram considerados durante período de realização do estudo, ou seja, no período de Maio de 2004 e Abril de 2005. A metodologia de cálculo dos métodos empíricos é apresentada no capítulo 2.

Os dados de Precipitação para séries longas foram obtidos da estação da Fepagro Florestas do Distrito de Boca do Monte, sendo os mesmos mensais e compreendidos entre 1970 e 2004, enquanto que os parâmetros de Evapotranspiração foram obtidos da Embrapa através da estação meteorológica 83936 do 8o distrito de Meteorologia (29°42' Sul de latitude, 053°42' Oeste de longitude e altura de 95 m), estação tipo convencional. Os dados obtidos corresponderam ao período entre 1961 e 1990. Para as séries curtas, utilizaram-se dados da Fepagro entre Maio e Dezembro de 2004 e do INMET entre Janeiro e Abril de 2005. Ambas as séries utilizam médias mensais para os históricos de dados.

Para aferir os dados estimados de vazão pelos métodos simplificados, foram realizadas medições esporádicas de vazões entre Maio e Agosto de 2004, enquanto a partir de Setembro de 2004 foram realizadas duas medições diárias de vazão, uma pela manhã outra à tarde, de Segunda a Sábado, excluindo Domingos e Feriados.

As medições de vazão foram realizadas na saída do sistema de tratamento de percolados (lagoas de estabilização), devido à lagoa afluente na época da instalação da calha possuir dois ramais de entrada. Utilizou-se uma calha Parshall, 3 polegadas, em fibra de vidro, como apresentada na Figura 8. Fazia-se à leitura da lâmina de água, em centímetros, e posteriormente convertia-se em vazão através da curva de calibração com sua respectiva equação, conforme Figura 9.


FIGURA 8 – Calha Parshall instalada na saída do sistema de tratamento de percolado.



FIGURA 9 – Curva de calibração de Calha Parshall e a respectiva equação da curva, relacionando lâmina de água e vazão.

Segundo dados de temperatura, evapotranspiração, armazenamento no solo, deficiência hídrica, disponibilizados pela Embrapa entre o período de 1961 e 1990 e dados de precipitação entre 1970 e 2004, cedidos pela Fepagro-RS, o município de Santa Maria possui o seguinte Balanço Hídrico apresentado na Tabela 10.



TABELA 10 – Balanço Hídrico para o Município de Santa Maria.

Fonte: adaptado da EMBRAPA (2004).


Os dados de precipitação e evapotranspiração mostrados na Tabela 10 foram utilizados para gerar os resultados das estimativas de vazões para séries históricas longas.

4.2. Avaliação Qualitativa do Percolado Gerado


A avaliação qualitativa do percolado gerado no aterro da Caturrita, Santa Maria – RS, consistiu no monitoramento das características do percolado gerado na disposição dos resíduos sólidos e na qualidade da água no corpo receptor do efluente do sistema de tratamento de percolado.

Os pontos de monitoramento adaptados para o presente trabalho foram definidos para possibilitar a avaliação das características do percolado gerado, a eficiência do sistema de tratamento de percolado e, ainda, avaliar o impacto de lançamento do efluente do sistema de tratamento no corpo receptor, ou seja, o Arroio Ferreira. Os pontos de monitoramento são apresentados na Figura 10 e são descritos a seguir:



  • Lixiviados Afluentes: local de coleta de amostras de percolado drenado da área de disposição dos resíduos. Os líquidos percolados, provenientes dos drenos horizontais existentes no aterro são transportados por tubulação para a primeira lagoa do sistema de tratamento.

  • Lixiviados Efluentes: local de coleta de amostras de percolado na saída do sistema de lagoas de estabilização, onde o líquido percolado é submetido ao tratamento, reduzindo carga poluidora inicialmente presente no percolado. Este efluente é encaminhado, a partir deste ponto, para lançamento no Arroio Ferreira.

  • Montante do rio Arroio Ferreira: local de coleta de água no córrego Arroio Ferreira, a montante do lançamento do percolado tratado pelas lagoas de estabilização. Este ponto está localizado a 50 m do ponto de lançamento do efluente.

  • Jusante do Arroio Ferreira: local de coleta de água no Arroio Ferreira, a jusante do lançamento do percolado tratado pelas lagoas de estabilização. Este ponto está localizado a 50 m do ponto de lançamento do efluente, permitindo a mistura do efluente com a água do arroio.

  • Lançamento: o ponto onde ocorre o lançamento dos efluentes provenientes das lagoas de estabilização no Arroio Ferreira. É um ponto onde não são realizadas coletas, ele define o limite entre montante e jusante em relação ao lançamento das cargas poluidoras pelo sistema de lagoas de tratamento.


Fonte: Secretaria Municipal de Gestão Ambiental de Santa Maria (2003).



FIGURA 10 – Pontos de monitoramento no sistema de tratamento e no corpo receptor adotados no presente trabalho.

As variáveis de qualidade monitoradas consistiram nos seguintes parâmetros: Temperatura, Demanda Química de Oxigênio (DQO), Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Oxigênio Dissolvido (OD), pH, Turbidez, Condutividade Elétrica, Sólidos Totais e Sólidos Suspensos. Todas as metodologias analíticas utilizadas seguiram os procedimentos estabelecidos no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA, 1998).

As determinações analíticas foram realizadas no Laboratório de Hidráulica e Saneamento – LABHIDRO – Setor de Apoio ao Saneamento, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal de Santa Maria (Figura 11).


FIGURA 11 – Bancada principal do Laboratório de Hidráulica e Saneamento – LABHIDRO – Setor de Apoio ao Saneamento.

Inicialmente, foram realizadas 4 campanhas de coletas nos pontos de monitoramento, no período de Agosto de 2003 a Novembro de 2003. Estas coletas foram exploratórias, objetivando a confirmação dos melhores pontos para a obtenção das amostragens. A partir de Maio de 2004, a freqüência foi ampliada em 2 coletas por mês, para garantir maior confiabilidade dos dados. O histórico formado compreende 25 datas, com resultados mostrados no Anexo B – Quadro 10. A Figura 12 apresenta o procedimento de coleta em um dos pontos de monitoramento.



Vale ressaltar, que em algumas datas de coletas não havia lançamentos de efluentes ao Arroio Ferreira, logo se considerou que a concentração dos parâmetros de montante eram iguais as de Jusante. Mediante este fato, alguns limitantes foram previstos durante as pesquisas, como a coleta do efluente dentro da lagoa de polimento, visto que, o mesmo poderia ocorrer caso houvesse insuficiência de vazão na circulação entre as lagoas. A lagoa de polimento apresentaria o resultado mais próximo da concentração real dos parâmetros.


FIGURA 12 – Coleta no ponto de monitoramento afluente ao sistema de tratamento de percolado.

4.2.1. Eficiência do Sistema de Tratamento do Percolado


A eficiência do sistema de tratamento do percolado foi avaliada através do percentual de remoção da carga orgânica, em termos de DBO e DQO. Estas variáveis foram selecionadas por quantitativamente representar a principal carga poluidora do percolado. A Equação 8 apresenta a formulação para o cálculo da eficiência, em termos percentuais.
(8)

onde:

Ci: concentração do parâmetro i (mg/L)

i: parâmetro DQO ou DBO.
O Efluente representa o valor da concentração de DBO ou DQO na saída do sistema de tratamento, enquanto que o Afluente representa a concentração dos mesmos parâmetros na entrada da primeira lagoa.

4.2.2. Impacto do Lançamento de Efluentes


Com base na Portaria 05/89 SSMA/RS, onde a mesma apresenta os limites aceitáveis para lançamentos de efluentes líquidos, dispondo sobre critérios e padrões a serem observados por todas as fontes poluidoras que lancem seus efluentes nos corpos d’água do Estado do Rio Grande do Sul, verificaram-se as concentrações efluentes do aterro da Caturrita para os parâmetros DBO e DQO. Com os valores médios destas concentrações provenientes das lagoas de tratamento do percolado, possibilitou-se a verificação da situação atual do lançamento de efluentes ao Arroio Ferreira.

A norma técnica 01/89 da Portaria 05/89 faz referências que os limites de concentrações de DBO e DQO a serem lançadas ao meio ambiente na melhor das hipóteses (vazões de efluentes menores que 20 m3/dia) devem ser iguais ou inferiores a 200 mg/L e 450 mg/L, respectivamente. Estes valores, servem como referencial para a determinação do impacto ambiental causado pela emissão de cargas poluidoras, uma vez que, o banco de dados proveniente das análises do percolado efluente é formado. Possuindo um histórico resultados de concentrações de DBO e DQO, com intervalos de confiança adequados, tornaram-se possíveis comparações da realidade presente nos efluentes das lagoas, baseados nos limites aceitáveis da legislação do Estado do Rio Grande do Sul.

4.2.3. O Estado de Degradação Atual do Aterro


Para avaliar o estado de degradação dos resíduos, utilizou-se a razão DBO/DQO para o ponto Afluente, pois este é o que melhor representa a situação dos resíduos do aterro, com ausência de tratamento prévio aos seus lixiviados. Um valor encontrado inferior a 0,1 para a razão DBO/DQO indicaria que as substâncias orgânicas estariam com dificuldades de continuar o processo de degradação, necessitando de tratamento físico-químico. Para valores superiores a 0,4 ter-se-ia indicativo da fase acidogênica do aterro e inferiores da fase metanogênica.

Com o parâmetro pH também é possível contribuir para a identificação do atual estágio de degradação do aterro, visto que valores inferiores a 6,0 servem como indícios da faixa de acidez, assim como entre 6,0 e 8,5 instigam tendências à faixa de metanogênese.

5. Resultados

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