O quali-quantitativa do percolado gerado no aterro controlado de santa maria rs



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5.2. Resultados Qualitativos do Percolado Gerado


O monitoramento qualitativo do percolado foi realizado no período de Agosto/2003 a Março/2005. A Tabela 25 apresenta a síntese dos resultados. Os elevados valores de pH (média de 7,9±0,14) e relação DBO/DQO de 0,46±0,08 observado no afluente do sistema de tratamento, sugerem que os processos de degradação do percolado no aterro encontram-se no fim da fase acidogênica e início da fase metanogênica. Apesar da variabilidade das concentrações das variáveis monitoradas, o pH sempre apresentou valores superiores a 7,0.

O resultado da eficiência na remoção de matéria orgânica pelo sistema de tratamento por Lagoas de Estabilização é apresentado na Figura 21. Observa-se uma variabilidade significativa no percentual de remoção de matéria orgânica. A eficiência média foi de 69% na remoção de DBO e 58% para a DQO, enquanto que os máximos e mínimos foram de 96% e 0,4% para a DBO e 98% e 2,7% para DQO, respectivamente. Essa variabilidade pode estar associada à precariedade operacional do aterro e, em especial, às mudanças realizadas no ao sistema de drenagem do percolado, que ocorreram ao longo do período de estudo.




FIGURA 21 – Eficiência de remoção de DBO e DQO pelo sistema de lagoas de estabilização para o histórico de dados de coleta.

Contudo, excluindo o período atípico que compreende as datas de coletas entre 06/08/04 e 08/10/04, devido à ligação de novas células de resíduos ao sistema de drenagem, é possível melhorar o ajuste da linha de tendência, conforme apresentado na Figura 22. Com isso, a eficiência média seria de 82% na remoção de DBO e 64% para a DQO, enquanto que os máximos e mínimos seriam de 96% e 46% para a DBO e 98% e 6% para DQO, respectivamente. O coeficiente de ajuste passaria de 0,02 para 0,47, otimizando em 23,5 vezes a qualidade do ajuste para a DBO, enquanto o coeficiente de DDO passaria de 0,26 para 0,54, melhorando em 2,07 vezes a qualidade do ajuste.




FIGURA 22 – Eficiência de remoção de DBO e DQO pelo sistema de lagoas de estabilização excluindo o período atípico para o histórico de dados de coleta.

As exclusões de algumas datas, demonstram o quanto é importante à qualidade de operação de um aterro sanitário. Basta se fazer uma ligação de uma nova célula ao sistema de drenagem para comprometer a eficiência do sistema de tratamento do percolado. O decréscimo da qualidade do efluente final é visível, elevando as concentrações de DBO e DQO emitidas ao Arroio Ferreira.


TABELA 25 – Síntese dos resultados do monitoramento qualitativo para a média de concentrações, desvio padrão, máximos e mínimos.

Parâmetro

Unidade

Ponto

Média

Desvio Padrão

Mínimo

Máximo

DBO

mg/L

Afluente

2202

1642

353

5610

Efluente

390

233

153

1088

Montante

8

17

0,5

83

Jusante

73

72

0,8

227

DQO

mg/L

Afluente

4569

2955

1746

13130

Efluente

1403

532

112

2883

Montante

19

27

1,6

115

Jusante

210

175

4,2

667

pH

-

Afluente

7,9

0,3

7,1

8,4

Efluente

8,4

0,6

7,7

9,9

Montante

7,0

0,4

6,1

7,7

Jusante

7,6

0,5

7,0

8,3

Turbidez

NTU

Afluente

291

126

95

539

Efluente

160

77

39

348

Montante

96

126

21

522

Jusante

114

121

21

502

Oxigênio Dissolvido

mg/L

Afluente

1,0

1,5

0,0

5,5

Efluente

2,2

1,5

0,2

5,6

Montante

7,2

1,7

4,3

11,1

Jusante

5,5

1,9

1,6

9,9

Condutividade Elétrica

µS/cm


Afluente

11669

4606

4710

19420

Efluente

5687

1845

2050

11610

Montante

50

31

23

163

Jusante

865

860

49

2970

Sólidos Totais

mg/L

Afluente

6488

3881

6

17300

Efluente

3186

821

143

4255

Montante

239

303

71

1204

Jusante

719

461

87

1676

Sólidos Suspensos

mg/L

Afluente

218

194

21

790

Efluente

90

57

17

227

Montante

118

181

9

576

Jusante

165

239

11

838

Nas Figuras 23 e 24 apresentam-se as situações do lançamento do Efluente do sistema de tratamento do percolado frente à Portaria SSMA N. 05/89. Verifica-se que em 92% das ocorrências, o Efluente apresentou valores de DBO acima do limite máximo de 200 mg/L. Situação semelhante é observada para o parâmetro DQO, que apresenta um limite máximo de 450 mg/L. O impacto deste lançamento promove a degradação significativa do corpo hídrico receptor (Arroio Ferreira), alterando bruscamente a concentração de DBO de 8 mg/L a montante para 73mg/L a jusante, e DQO de 19 mg/L a montante para 210 mg/L a jusante, considerando valores médios.

Considerando que os corpos hídricos da bacia hidrográfica da área em estudo não foram submetidos ao processo de enquadramento, considera-se que os mesmos devam atender aos requisitos de qualidade da classe 2 (Brasil, 2005). Verifica-se que o corpo hídrico já apresenta uma situação desfavorável em relação a DBO e DQO e o lançamento promove uma degradação total do mesmo. Apesar do oxigênio dissolvido, a jusante do ponto de lançamento, apresentar um valor médio relativamente elevado (5,5±0,9 mg/L), acredita-se que este valor decresça rapidamente ao longo do percurso do corpo hídrico pela intensificação dos processos de estabilização da matéria orgânica, podendo chegar a uma condição de anaerobiose.


FIGURA 23 – DBO do ponto Efluente e o padrão de lançamento SSMA 05/89.



FIGURA 24 – DQO do ponto Efluente e o padrão de lançamento SSMA 05/89.

Após o relato e apresentação dos resultados, ressalta-se que a avaliação qualitativa apresentou dificuldades inerentes às atividades de campo, podendo destacar:


  • A pequena lâmina de água restante nas lagoas, devido ao período de estiagem determinou a ausência de circulação de lixiviados entre o sistema de lagoas de estabilização e a calha Parshall para os meses de Dezembro de 2004 a Março de 2005. A alternativa que se adotou, foi à coleta da amostra do efluente dentro da lagoa de polimento, ao invés da coleta na calha Parshall, por motivo da ausência de vazão de circulação entre as lagoas.

  • A mistura entre os resíduos mais antigos em processo de degradação mais avançado, com os resíduos novos, pode ter contribuído na elevação da média de concentração de efluentes líquidos. Esta situação pode ter determinado na oscilação na concentração dos parâmetros, ora com valores mais elevados, ora com valores mais reduzidos, principalmente para a DBO e DQO.

6. conclusões e recomendações

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