O quali-quantitativa do percolado gerado no aterro controlado de santa maria rs



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6.1. Conclusões


O presente trabalho objetivou avaliar a quantidade e a qualidade do percolado gerado no aterro controlado da Caturrita em Santa Maria – RS.

Para analisar a quantidade de percolado, foram utilizados métodos empíricos (Balanço Hídrico, Racional e Suíço) para gerar estimativas que correspondessem à realidade mais próxima apresentada no local, com aferições realizadas por medições reais de vazão.

Na avaliação qualitativa, procurou-se verificar o grau de degradação dos resíduos, padrões de lançamento de efluentes previstos na legislação e a eficiência de remoção dos poluentes pelas lagoas, baseados sobretudo nas concentrações de DBO e DQO. Para tanto, foram monitoradas as características do percolado gerado através de amostras de água de 4 pontos.

Estes fatores relevantes à qualidade e quantidade do percolado gerado, motivaram o desenvolvimento do trabalho, abordando os seguintes aspectos conclusivos:




  • O Método empírico que mais se aproximou da vazão real do aterro da Caturrita foi o Suíço, considerando a série histórica longa de dados de precipitação de 34 anos e de evapotranspiração de 29 anos, com erro médio de 13% acima da vazão real. Para o período compreendido entre Maio de 2004 e Abril de 2005 de séries curtas também o Método Suíço foi o que conseguiu o melhor ajuste com erro percentual médio de 21% abaixo da vazão real. Entretanto o Método Suíço distribui uniformemente suas vazões durante o ano, com isso não se aproxima das curvas de tendências da medida real, prejudicando a qualidade da simulação mês a mês;

  • Para vazões mensais o Método Suíço sempre irá estimar geração de percolado, visto que desconsidera importantes variáveis como a evapotranspiração;

  • O Método do Balanço Hídrico mostrou-se apto para utilização em dimensionamentos de sistemas de tratamento de efluentes, pois apresentou erro médio calculado em 34% acima do real e se mostrando suscetível às tendências mensais da vazão medida de efluentes para a série histórica. Em caso de instalação de lagoas de tratamento superestimaria o volume e a área útil, tratando o percolado com maior eficácia do que um sistema sub-dimensionado por aplicação inadequada de Método. A opção pelo super-dimensionamento estaria vinculado a maior demanda de recursos financeiros e técnicos assim como disponibilidade de área útil para instalação;

  • O ponto de Montante ao Arroio Ferreira, eventualmente, apresenta indícios fracos de contaminação. Quando ocorrem chuvas há uma elevação nos sólidos e na concentração de DBO e DQO, podendo atingir níveis de concentrações superiores a 80 mg/L para a DBO e 115 mg/L para DQO;

  • É relevante a diferença entre os aterros sanitários na fase metanogênica que apresentam baixa relação DBO/DQO, com valores inferiores a 0,1 e o aterro da Caturrita em Santa Maria igual a 0,46±0,08, evidenciando o que ainda é possível degradar de matéria orgânica. Isto ocorre justamente pelo fato do recebimento diário de aproximadamente 150 toneladas de resíduos, dificultando os processos de estabilização orgânica da massa de resíduos;

  • Os resultados da relação DBO/DQO igual a 0,46±0,08 (ponto de pior situação) identificam uma similaridade das características da concentração do percolado do aterro da Caturrita com os depósitos de resíduos da pesquisa de Germano et alii (2002), que encontrou para esta mesma relação valores entre 0,10 e 0,52. Isto ocorre porque em geral estes depósitos de resíduos são carentes de técnicas de engenharia eficientes, resultando em maiores concentrações de conteúdos orgânicos e inorgânicos. Já nos Aterros Sanitários estudados por Kjeldsen (2002), em países com maiores preocupações ambientais foram encontrados valores entre 0,11 e 0,02 para a relação DBO/DQO;

  • Os processos de degradação do percolado no aterro da Caturrita encontram-se no fim da fase acidogênica final, visto que o valor da relação DBO/DQO é de 0,46±0,08, bastante próximo a 0,40 (limite entre a acidogênese e a metanogênese, referenciado por Kjeldsen, 2002) e também pelo fato do pH mostrar-se em média igual a 7,9±0,14 (ponto afluente) fora da faixa de acidez e dentro da faixa metanogênica (faixa de acidez pH < 6,0);

  • O aterro da caturrita se encontra na fase de transição entre metanogênica e acidogênica, não estando dentro dos limites considerados da metanogênese pelo fato de haver mistura entre o lixo novo e o velho. Os resíduos antigos elevam a concentração de matéria orgânica presente no lixo, aumentando, assim, o valor da razão DBO/DQO;

  • As características de DBO e DQO para o ponto considerado afluente são encontradas com facilidade em qualquer aterro de Resíduos Sólidos Urbanos que estejam no mesmo estágio de degradação da Matéria Orgânica que se encontra o aterro da Caturrita. Já o ponto denominado efluente é típico de operação mal executada em aterros (concentrações médias de DBO e DQO de 390±91 mg/L e 14031403±209 mg/L, respectivamente), com sistema de lagoas aquém da eficiência necessária para devolver os líquidos dentro do padrão aceitável para lançamento de Efluentes de DBO < 200mg/L, estabelecidos pela Portaria 5/89 do SSMA/RS com ausência de efeitos danosos ao meio ambiente e a mananciais envolvidos;

  • A cobertura mal executada ou inexistente, também pode ter interferido na qualidade do percolado gerado, juntamente com a previsão das vazões pelos Métodos simplificados. Fatores de operação do aterro como ligação de novas células aos drenos de percolado podem ter contribuído na oscilação da DBO e DQO para o ponto Afluente, encontrando-se desde máximos de 5610 mg/L e 13130 mg/L a mínimos de 353 mg/L e 1746 mg/L, respectivamente, semelhante ao relatado por Fiúza (2000);

  • A eficiência média do sistema de lagoas de tratamento ficou em 69% na remoção da DBO e 58% para DQO, o que é insuficiente, uma vez que a média de concentração do local é de 390±91 mg/L (ponto efluente) para a primeira e 1403±209 mg/L (ponto efluente) para a segunda, sendo que para atender a Portaria 5/89 SSMA-RS seria necessário uma concentração inferior a 200 mg/L para DBO e 450 mg/L para a DQO. Uma maneira de concretizar esta possibilidade consistiria em aumentar a área e o volume úteis com maior número de lagoas, implantar um sistema de aeração mecânico e adição química, dentre outros.

  • O balanço hídrico para Santa Maria – RS não apresenta déficit hídrico para séries históricas, independentemente do mês avaliado, contudo, isto é possível apenas se não analisarmos os eventos meteorológicos por probabilidades de ocorrência, onde certamente verifica-se em algumas situações deficiência hídrica, bem como verificado na série analisada entre Maio de 2004 e Abril de 2005.
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