O que os meus olhos viram e o que pode ser visto por nós



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Encontro02.08.2016
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O que os meus olhos viram e o que pode ser visto por nós.

Vivemos a era da imagem. Nestes tempos da informação, vemos muito, e pensamos quase nada sobre o que vemos. Tempos liquidos ! Como diz Umberto ECO, “nesta sociedade industrial, onde o homem se torna número no âmbito de uma organização que decide por ele, onde a força individual, se não exercitada na atividade esportiva, permanece humilhada diante da força da máquina que age pelo homem e determina os movimentos mesmos do homem onde a máquina “pensa” por nós ”, é o lugar onde , apesar de todas as imagens que nos bombardeiam a cada segundo, nada fica.

Hoje, como se costuma dizer, não há tempo para observar as imagens do dia-a-dia. No entanto, não adianta constatar que somos a sociedade das imagens se não sabemos o que fazer com elas.

Minha intenção, sempre que organizo estas exposições , que costumam acompanhar os simpósios que coordeno, é fazer com que as pessoas encontrem tempo para observar, pensem sobre elas e reflitam sobre o que viram.

Quando surge a fotografia, no século XIX, pareceu, principalmente, para aqueles artistas, que naquela época dedicavam-se a reproduzir o real, que sua função havia sido extinta. Ocorre que o homem é este ser irrequieto, ainda bem! Quando os artistas se enganaram achando que a fotografia havia tirado deles a capacidade de serem artistas, na pintura aparece o impressionismo e na fotografia, que nunca representou o real, desenvolve-se a noção de fotografia arte. Não quero, com esta explicação, comparar as fotos que apresento aqui, como obras de arte. Somente desejo que todo aquele que permaneça olhando estas fotografias, entenda que elas não reproduzem o real e sim o meu real.

As tomadas e as observações registradas por mim mostram o que vi nestas ocasiões. Elas são história? Provavelmente sim, enquanto fontes, para a construção de um argumento, mas não podem nem devem ser vistas como realidade e sim como memórias. Memórias que registram tempos de resistência, minha, sua e de todos que compartilharam daqueles momentos especiais.

XXXII Semana de História e III Encontro de História, Memória e Oralidade

19 a 23 de outubro de 2015

Prof. Dr. Eduardo José Afonso

Departamento de História



FCL - Campus de Assis

UNESP


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