O ranking das 600 maiores empresas do Sul elaborado pela Fundação Getulio Vargas



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O ranking das 600 maiores empresas do Sul elaborado pela Fundação Getulio Vargas.

Empresa

Receita Oper. Líquida

(R$ mil)


Ativo Total

(R$ mil)


Lucro Líquido (R$ mil)

Cresc. Real das vendas (R$ mil)

Crecisa

336.547

720.375

-10.222

-1,82

Eliane

372.945

573.018

-1.056

-0,71

Portobello

325.685

292.941

-20.459

-8,18

Imbralit

77.225

84.364

328

-13,50

Ceusa

58.230

104.587

-1.745

10,52

Oxford

61.252

77.235

2.052

-9,10

Itagres

66.70

56.798

499

0,05
Fonte: FGV/Expressão/Setembro 2006
O ranking das 600 maiores empresas do Sul elaborado pela Fundação Getulio Vargas e publicado pela revista Expressão mostra que Santa Catarina possui domínio absoluto num setor industrial: o cerâmico. Todas as sete empresas listadas têm sede no Estado: Cecrisa, Eliane, Portobello, Imbralit, Ceusa, Oxford e Itagres. Cruzamento de dados elaborado pelo Noticenter revela que elas faturam um total de R$ 1,3 bilhão e somam ativos totais de R$ 1,9 bilhão.

Santa Catarina constitui-se num importante Estado produtor de cerâmica de revestimento

do Brasil: responde por cerca de 30% da produção brasileira, a quarta maior do mundo, e por

cerca de 70% das exportações. Estão no Estado as maiores e mais modernas cerâmicas do país. A indústria de cerâmica de revestimento catarinense concentra-se na região sul do Estado, no eixo formado pelos vizinhos Municípios de Içara-Criciúma-Cocal do Sul-Urussanga, mais os Municípios de Tubarão e Imbituba.

Essa região era tradicionalmente dominada pela indústria extrativa de carvão mineral, mas, desde os anos 1970, sua estrutura industrial evoluiu para a extração e industrialização de outros minerais não metálicos, também abundantes no local (argilas), para uso na construção civil. Leia a seguir, texto publicado pela revista Expressão sobre a situação atual do setor cerâmico em SC:

O dólar continua desvalorizado e o consumo interno fraco. Mas as fabricantes de revestimentos cerâmicos têm conseguido este ano resultados financeiros melhores do que os de 2005. A Cecrisa, por exemplo, elevou a receita bruta do primeiro semestre em 10,9% em relação ao mesmo período do ano passado: de R$ 218,9 milhões para R$ 242,7 milhões. Já a Eliane aumentou em 28% o lucro operacional bruto no segundo trimestre de 2006 na comparação com o mesmo período de 2005. São resultados animadores, considerando-se que a tônica que prevaleceu no ano passado entre as maiores empresas do setor foi de decréscimo nas receitas e vermelho no balanço final.

Em ambos os casos, as empresas tiveram que passar por uma profunda reformulação a fim de compensar o quadro cambial negativo, já que são grandes exportadoras. Foi necessário aumentar a produtividade, reduzir custos, negociar preços, buscar novos mercados e melhorar o mix de produtos para o mercado internacional. Enfim, toda uma engenharia para equilibrar as contas de um dólar tão desvalorizado. A moeda americana, que começou o ano em R$ 2,72, hoje está em R$ 2,14. Isto sem levar em conta que muitos contratos de exportação foram fechados no ano passado ou antes, quando o dólar estava ainda mais alto

O caso da Cecrisa é uma amostra da perda financeira com as exportações. No primeiro semestre a companhia até conseguiu aumentar em 2,8% a receita com exportações. Mas ao fazer o câmbio teve uma queda de 12% em reais. O presidente da empresa, Rogério Sampaio, explica que a situação só não é pior porque a Cecrisa conseguiu elevar os preços em dólar. “Reajustamos os valores em torno de 18%”, diz.

A alteração nos preços, porém, não foi fruto de negociações com os clientes. “O mercado não é aberto a esse tipo de mudança. Pouca coisa se consegue alterar”, afirma. Como não era possível aumentar o preço dos produtos, a empresa alterou o mix de itens exportados. Com isso, passou a dar mais ênfase às linhas de melhor design e preços mais altos. Com essa estratégia, a Cecrisa teve que puxar o freio de mão dos negócios em destinos pouco lucrativos, como África, Caribe, América Latina e América do Sul. Os esforços voltaram-se para o mercado consumidor norte-americano. “Os Estados Unidos pagam pela qualidade”, diz Sampaio. É um mercado, segundo ele, em expansão, cujo crescimento anual gira em torno de 8% a 9%.
Sobre o risco de apostar as fichas num único e grande cliente como os Estados Unidos – onde a possibilidade de uma crise não está descartada – o empresário diz que a participação ainda é tão pequena que mesmo no caso de uma crise as vendas para lá continuariam crescendo. “Os Estados Unidos importam 80% da cerâmica que consomem e isso não muda da noite para o dia”, lembra. Uma prova de que o mercado americano ainda tem muito que crescer está no fato de o consumo dos produtos ser bem menor do que no Brasil: 300 milhões de metros quadrados por ano, contra 500 milhões de metros quadrados por ano no Brasil, segundo maior consumidor mundial.
A Eliane também fez uma forte reformulação para enfrentar as adversidades do segmento. Segundo o diretor-presidente, Edson Gaidzinski Jr., os bons resultados vêm sendo alcançados com a execução de um plano consistente para aumento da produtividade. “Realizamos um reposicionamento de produtos, otimizamos custos e despesas, na busca do melhor desempenho”, diz.

O diretor comercial da Eliane, Antônio Carlos Loução, explica que para reverter as perdas com o câmbio a empresa tomou uma série de medidas a partir do segundo semestre de 2005. Renegociou contratos para aumentar os preços em dólar – os reajustes ficaram em torno de 25% –, reformulou o mix e foi em busca de clientes nos mercados que possibilitassem uma margem de lucro mais atraente. “São medidas que estão nos permitindo uma boa recuperação, mas que demoram um pouco a dar resultados. Os reflexos serão sentidos de maneira mais contundente a partir do terceiro trimestre”, explica Loução. No primeiro semestre de 2006 as vendas tiveram um crescimento de 1,5% em volume.


Com essa fórmula a empresa alcançou vendas líquidas no segundo trimestre de R$ 118,3 milhões em comparação com os R$ 116,5 milhões do mesmo trimestre de 2005. O lucro operacional do segundo trimestre de 2006 foi de R$ 32,3 milhões, enquanto no segundo trimestre de 2005 foi registrado lucro de R$ 25,3 milhões. Um resultado expressivo, considerando que a empresa exporta cerca de 40% da produção.
Além das mudanças na área de exportações, as cerâmicas estão trabalhando também para melhorar o desempenho doméstico. De acordo com Sampaio, nos últimos quatro anos a Cecrisa adotou uma série de mudanças nas áreas de produto e canais de distribuição, cujos frutos estão sendo colhidos agora. Uma delas foi o marketing mais agressivo. “Estávamos fora da mídia há muitos anos e passamos a anunciar nas melhores revistas do ramo”, diz. Além disso, houve uma renovação na linha de produtos e o fortalecimento dos canais de distribuição: as lojas revendedoras e as construtoras. “A maior mudança é que passamos a fornecer produtos e serviços específicos para a necessidade de cada um desses canais”, afirma.
Sampaio confessa, porém, que está preocupado com o fraco desempenho do mercado interno. Segundo ele, os meses de junho e julho foram ruins, sendo que a expectativa era de uma reação já no final do primeiro semestre. “Apesar de o governo ter criado linhas de crédito para a habitação, o que notamos foi uma perda da força da construção civil ao longo dos últimos meses”, afirma. Para ele a explicação está na perda do poder aquisitivo da população. “A oferta de crédito ao consumidor nos últimos meses cresceu muito, muito além da sua capacidade de pagamento e da expansão da renda. O resultado é que as pessoas estão endividadas, sem condições de fazer novas compras”, analisa.
Loução também não está satisfeito com o fraco desempenho do mercado interno. Segundo ele, os resultados do primeiro semestre até registraram crescimento em relação ao ano passado, 2%, um índice muito aquém do esperado (entre 6% e 8%). “Abril e maio tiveram poucos dias úteis e em junho houve a Copa do Mundo, que prejudicou muito o nosso setor”, diz.

A partir de julho a situação começou a melhorar, segundo Loução, que tem boa expectativa para o segundo semestre. Ele acredita que nos próximos meses o mercado vai finalmente reagir às várias medidas em prol do setor que foram anunciadas ao longo deste ano, como a redução de impostos e dos juros. Ele destaca que um dos sinais do reaquecimento do mercado já pode ser percebido: o grande número de lançamentos de novos empreendimentos pelas construtoras e incorporadoras. “Isso vem ocorrendo em todo o país, principalmente nas capitais”, garante.


Apesar do momento desfavorável, o presidente da Cecrisa está otimista e aposta numa reação do mercado no segundo semestre. “Tradicionalmente o segundo semestre do ano é sempre melhor”, lembra. Seu otimismo, porém, é maior quando avalia o desempenho do setor num longo prazo. “Muito se está falando que o Brasil será o próximo país a ter uma explosão na construção civil, o que deve ocorrer até 2010. Isso seria possível através do financiamento para as classes mais populares, com crédito longo e juro acessível”, diz.
Fonte: www.noticenter.com.br





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