O rádio e o despertar das emoçÕES



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Encontro29.07.2016
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O RÁDIO E O DESPERTAR DAS EMOÇÕES

Angela Maria Soares Amaral Bastos - Colégio Santa Rosa de Lima


A comunicação a ser relatada tem por objetivo mostrar a experiência que vem acontecendo com crianças do Integral, do Colégio Santa Rosa de Lima, Rio de Janeiro.

Pela manhã, elas ficam num grupo multisseriado, de 1ª à 4ª série e, à tarde, seguem para as turmas regulares.

De simples idéia-variação de repertórios musicais-surgiu um projeto.

No início do ano letivo, durante as atividades livres, as crianças traziam CDs com letras de músicas cujos conteúdos nada acrescentavam à sua formação como indivíduo. A partir daí, lancei a idéia de uma nova forma de escuta.

Discutimos coletivamente sobre o tipo de música que eles trariam. Depois, liguei o som numa rádio que tocava MPB (Música Popular Brasileira) e Bossa Nova. Trouxe CDs de músicas clássicas para enriquecer ainda mais o leque de opções. Tudo foi feito num ambiente espontâneo para que as atividades acontecessem de maneira bem prazerosa.

No começo, houve reações de desagrado mas, aos poucos, fui percebendo que as crianças estavam ficando envolvidas emocionalmente com as músicas que ouviam. A emoção venceu as resistências e as surpresas do novo. Passaram a não trazer mais CDs de casa. Agora, o som do rádio tomava conta do cenário e, tendo-o como meu parceiro, pude trabalhar outras possibilidades de escuta e de leituras.

Contei a história do rádio e falei da sua importância.

Consciente da diversidade, procurei valorizá-la e despertar para as diferenças, considerando-as como ferramentas de comunicação, procurando tornar mais rico o nosso convívio.

Fui percebendo que algumas crianças começaram a ficar mais pertinho do som; uma pedia para aumentá-lo, outra elogiava uma determinada música. E qual não foi a minha surpresa quando, de propósito, o rádio estava desligado e algumas perguntavam o por quê?

O trabalho tomou um novo rumo e, com insistência, mas sem perder de vista a opinião de cada um, fui ampliando essa experiência. Além de ouvir a música e identificar os instrumentos, passamos a fazer pesquisas sobre os compositores. Paralelamente, fizemos a relação entre as músicas antigas e modernas, estimulando a observação histórica.

Um certo dia, quando no rádio tocava “A Banda”, de Chico Buarque de Hollanda, as crianças mostraram-se empolgadas, depois de ouvi-la. Prometi o CD no dia seguinte e, mais surpresas surgiram. Enquanto ouviam, improvisavam gestos, imitando instrumentos. Fiquei radiante com a criatividade deles. Conversamos e combinamos que na próxima aula de Artes Cênicas elas fariam a dramatização da música. E, dessa vez, quem parou para ver a Banda passar fui eu.

Outra música que chamou muito a atenção delas foi “João e Maria”, de Chico Buarque de Hollanda e Sivuca. Dessa vez, quiseram registrar através de desenho. Mais surpresa.

Garota de Ipanema, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes também foi cotada. Duas meninas desenharam do jeitinho delas.

O ponto alto dessa experiência foi a integração entre eles, que nessa atividade, se fez mais nítida, mais enriquecedora. A naturalidade da troca de saberes dos mais velhos com os mais novos fez o trabalho fluir muito bem.

Os alunos tiveram a oportunidade de exercitar sua criatividade, reconhecendo a importância de uma boa música e, através da magia da canção, desenvolver sua expressão diante da nova escuta.

Sempre fui muito musical e, com essa experiência, sinto-me mais impulsionada a levar adiante essa vontade de ver as pessoas cantando e trabalhando uma boa melodia.

Quando criança, dormia embalada por cantigas de ninar, ou ouvindo histórias. Música e história fazem parte da minha vida. Música é história e, faz parte da minha história - com a atenção voltada para a afetividade - passar um pouco dessa musicalidade que trago comigo.

Na minha comunicação, vou mostrar parte desse trabalho. Trarei o produto final de criações construídas em várias etapas e com muito afeto.



E, assim, atrelada aos meus objetivos, trabalho com novas expectativas, buscando, através de uma idéia simples, entrar em sintonia com os alunos.


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