O sistema corporativo medieval contribuiu especialmente para esta interpenetração.( )



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O NARRADOR (WALTER BENJAMIN) – OBRAS ESCOLHIDAS – IN MAGIA E TÉCNICA – ARTE E POLÍTICA / BRASILIENSE 3ª EDIÇÃO SÃO PAULO 1987



  • (...) por mais familiar que seja seu nome, o narrador não está de fato presente entre nós, em sua atualidade viva, ele é algo distante e que se distancia ainda mais.(...)

  • (...) vistos de uma certa distancia, os traços grandes e simples que caracterizam o narrador se destacam dele (...) esses traços aparecem como um rosto humano ou um corpo de animal aparecem num rochedo, para um observador localizado numa distância apropriada e num ângulo favorável.(...)

  • (...) uma experiência quase cotidiana, nos impõe a exigência dessa distância e desse ângulo de observação.É a experiência de que a arte de narrar está em vias de extinção.(...)

  • é como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos parecia segura e inalienável.A faculdade de intercambiar experiências.(...)

  • (...) uma das causas desse fenômeno é óbvia: as ações da experiência estão em baixa, e tudo indica que continuarão caindo até que seu valor desapareça de todo(...)

  • (...) da noite para o dia não somente a imagem do mundo exterior, mas também a do mundo ético sofreram transformações que antes não julgaríamos possíveis (...)

  • (...) a experiência que passa de pessoa a pessoa é a fonte a que recorreram todos os narradores.E, entre as narrativas escritas, as melhores são as que menos se distinguem das histórias mais contadas pelos inúmeros narradores anônimos.(...)

  • A figura do narrador só se torna plenamente tangível, se temos presentes dois grupos (...) se quisermos concretizar esses dois grupos através dos seus representantes arcaicos, podemos dizer que um é exemplificado pelo camponês (O homem que ganhou a vida honestamente sem sair do seu país) sedentário(acréscimo meu), e o outro pelo marinheiro, comerciante (viajante).(...)

  • (...) O sistema corporativo medieval contribuiu especialmente para esta interpenetração.(...)

  • (...) se os camponeses e os marujos foram os primeiros mestres na arte de narrar, foram os artífices que a aperfeiçoaram.(...)

  • (...) o senso prático é uma das características de muitos narradores natos.

  • (...) a natureza da verdadeira narrativa, ela tem sempre em si, as vezes de forma latente, uma dimensão utilitária.essa utilidade pode consistir seja num ensinamento moral, seja numa sugestão prática, seja num provérbio ou numa norma devida – de qualquer maneira o narrador é um homem que sabe dar conselhos.(...)

  • (...) aconselhar é menos responder a uma pergunta que fazer uma sugestão sobre a continuação de uma história que está sendo narrada (...)

  • (...) o conselho tecido na substância viva da existência tem um nome: sabedoria. (...)

  • (...) a arte de narrar está definhando porque a sabedoria – o lado épico da verdade, está em extinção.(...)

  • (...) esse processo que expulsa gradualmente a narrativa da esfera do discurso vivo e ao mesmo tempo dá uma nova beleza ao que está desaparecendo, tem se desenvolvido concomitantemente com toda uma evolução secular das forças produtivas.(...)

  • (...) o primeiro indício da evolução que vai culminar na morte da narrativa é o surgimento do romance no início do período moderno.(...)

  • (...) o que separa o romance da narrativa (...) é que ele está essencialmente vinculado ao livro.(...)

  • (...) A tradição oral, patrimônio da poesia épica, tem uma natureza fundamentalmente distinta da que caracteriza o romance (...)

  • (...) O que distingue o romance de todas as outras formas de prosa (...) é que ele nem procede da tradição oral, nem a alimenta (...)

  • (...) ele se distingue,especialmente da narrativa.O narrador retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros.E incorpora as coisas narradas á experiência de seus ouvintes.(...)

  • (...) O romance, cujos primórdios remontam à antiguidade,precisou de centenas de anos para encontrar, na burguesia ascendente, os elementos favoráveis a seu florescimento.Quando esses elementos surgiram, a narrativa começou pouco a pouco a tornar-se arcaica. (...)

  • (...)se a arte da narrativa é hoje rara, a difusão da informação é decisivamente responsável por esse declínio (...)

  • (...)a razão é que os fatos já nos chegam acompanhados de explicações (...) quase nada do que acontece está a serviço da informação (...) metade da arte narrativa está em evitar explicações.(...)

  • (...) o extraordinário e o miraculoso são narrados com a maior exatidão, mas o contexto psicológico da ação não é imposto ao leitor. Ele é livre para interpretar a história como quiser, e com isso o episódio narrado atinge uma amplitude que não existe na informação. (...)

  • (...) a informação só tem valor no momento em que é nova (...) muito diferente é a narrativa (...) ela conserva suas forças e depois de muito tempo ainda é capaz de se desenvolver (...)

  • (...) nada facilita mais a memorização das narrativas que aquela sóbria concisão que as salva da análise psicológica.Quanto maior a naturalidade com que o narrador renuncia as sutilezas psicológicas, mais facilmente a história se gravará na memória dos ouvintes (...) ela se assimilará à sua própria experiência, e ,mais irresistivelmente ela cederá à inclinação de reconta-las um dia.

  • (...) contar história sempre foi a arte de contá-las de novo e ela se perde quando as histórias não são mais conservadas.(...)

  • (...) a narrativa (...) é ela própria, num certo sentido, uma forma artesanal de comunicação, ela não está interessada em transmitir o “o puro em si” da coisa narrada como uma informação ou um relatório.(...)

  • (...) os narradores gostam de começar sua história com uma descrição das circunstâncias em que forma informados dos fatos que vão contar a seguir, a menos que prefiram atribuir essa história a uma experiência auto biográfica. (...)

  • (...) podemos ir mais longe e perguntar se a historiografia não representa uma zona de indiferenciação criadora com relação a todas as formas épicas. (...)

  • (...) nesse caso, a história escrita se relacionaria com as formas épicas como a luz branca com as cores do espectro. (...)

  • (...) entre todas as formas épicas, a crônica é aquelas cuja inclusão na luz pura e incolor da história escrita é mais incontestável.(...)

  • (...) no amplo espectro da crônica, todas as maneiras com que uma história pode ser narrada se estratificam como se fossem variações da mesma cor.O cronista é o narrador da história. (...)]

  • (...) o historiador é obrigado a explicar de uma ou de outra maneira os episódios com que lida, e não pode absolutamente contentar-se em representá-los como modelos da história do mundo. (...)

  • (...) É (...) o que faz o cronista (...) através dos seus representantes clássicos, os cronistas medievais, precursores da historiografia moderna.Na base de sua historiografia está o plano da salvação, de origem divina, indevassável em seus desígnios, e com isso desde o início se libertaram do ônus da explicação verificável.(...)

  • (...) é substituída pela exegese, que não se preocupa com o encadeamento exato de fatos determinados, mas com a maneira de sua inserção no fluxo insondável das coisas. (...)

  • (...) no narrador o cronista conservou-se, transformado e por assim dizer, secularizado (...) tanto o cronista, vinculado à história sagrada como o narrador vinculado a história profana, participam igualmente da natureza dessa obra, a tal ponto que, em muitas de suas narrativas, é difícil decidir se o fundo sobre o qual elas se destacam é a trama dourada de uma concepção religiosa da história ou a trama colorida de uma concepção profana. (...)

  • (...) não se percebeu (...) até agora que a relação ingênua entre o ouvinte e o narrador é dominada pelo interesse em conservar o que foi narrado. (...)

  • (...) para o ouvinte imparcial, o importante é assegurar a possibilidade da reprodução. A memória é a mais épica de todas as faculdades. (...)

  • (...) a reminiscência funda a cadeia da tradição, que transmite os acontecimentos de geração em geração.(...)

  • (...) quem escuta uma história está em companhia do narrador; mesmo quem a lê (...)

  • (...) o narrador figura entre os mestres e os sábios. Ele sabe dar conselhos: não para alguns casos, como o provérbio, mas para muitos casos, como o sábio (...) pode recorrer ao acervo de toda uma vida (...) seu dom é poder contar sua vida, sua dignidade é contá-la inteira (...)

  • (...) o narrador é o homem que poderia deixar a luz tênue de sua narração consumir completamente a mecha de sua vida. (...)

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