O sr. Elimar máximo damasceno (prona-sp) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras e Srs. Deputados, é num misto de alegria e gratidão que o prona participa desta homenagem



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Encontro31.07.2016
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O SR. ELIMAR MÁXIMO DAMASCENO (PRONA-SP) pronuncia o seguinte discurso: Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é num misto de alegria e gratidão que o PRONA participa desta homenagem. Brasília, a bela Capital da República, sede do Governo Federal, orgulho da Nação brasileira, pólo de convergência de todas as regiões desta Pátria continente, tem sido pródiga para nós, chegados há pouco mais de um ano. Acolheu-nos como se acolhem hóspedes bem-vindos: cheia de gentilezas e ávida por mostrar as prendas da casa, muito bem representadas, tanto pela história pujante como pelo povo alegre, vigoroso, entusiasmado e participativo.

Nesta Cidade, nobres Colegas, tem-se a prova cabal da capacidade do povo brasileiro, que, como poucos, sabe juntar talento criador, arrojo e fé na consecução de um objetivo.

Em 1955, a idéia da transferência da Capital Federal não era mais do que isso: uma idéia, na cabeça de um sonhador. Naquele ano, no histórico comício de Jataí, Juscelino Kubitschek, então candidato à Presidência da República, lançava a promessa de construir o novo centro das decisões nacionais, no Planalto Central.

JK eleito, o sonho começaria a sua saga de realizações e transformações. Primeiramente, uns poucos traços, nas pranchetas de Oscar Niemeyer e de Lúcio Costa. Traços incapazes, ainda, de descortinar o futuro pujante, que haveria de superar qualquer projeto, qualquer previsão. Tratava-se, entretanto, de traços geniais, produzidos por mentes geniais, que encontrariam na vontade política de Juscelino, outro brasileiro genial, a força indômita para que logo pudessem ganhar a dimensão da realidade.

Na etapa que se seguiria, era preciso interpretar o arrebatamento ousado daqueles visionários. Chega-se, então, aos anos loucos da construção da nova Capital. Trabalha-se freneticamente, Joaquim Cardozo à frente das obras que aos poucos vão se erguendo. No limite do enorme talento e conhecimento técnico, o grande engenheiro calculista coloca-se a serviço da arte, para dar forma ao que parecia impossível ser formatado – os palácios modernistas, as colunas do Alvorada, a curvatura da Catedral, a laje suspensa do Itamaraty, as cúpulas côncava e convexa do Congresso Nacional, além das vias de extensão inusitada, para os padrões da época.

Por justiça, Senhor Presidente, cabe à esta altura, uma ressalva imprescindível: os construtores de Brasília foram, sobretudo, os anônimos cidadãos que para cá vieram, embalados pelo sonho de Juscelino e pelos próprios sonhos. Eram os candangos, chegados de todo o País, dispostos a lutar com fé, suor e lágrimas, a fim de que se erguesse, sob o sol do Planalto Central, a Cidade que se consagraria como monumento permanente à brasilidade.

Em 1960, Brasília está pronta. Sob a égide do novo, do futuro e da esperança, no dia 21 de abril começa a exercer a sua missão, como Distrito Federal, sede dos Poderes da República. Inaugura-se uma nova fase. O País, finalmente, em condições de se interiorizar, exulta diante de alguns pressupostos fundamentais ao desenvolvimento, agora assegurados. E a Nação passa a dispor de uma síntese perfeita de seu pluralismo cultural.

Desde então Brasília viveu a História do Brasil intensamente. Ora surpresa, ora indignada, ora amedrontada, ora regozijada, experimentou o ocaso e a glória da Democracia. Testemunhou a força da vontade popular. Sofreu e vibrou, quando sofreram e vibraram todos os brasileiros, ao longo de décadas de conturbações políticas, assim como em várias conquistas importantes. Ao completar agora 44 anos, vive a plenitude da meia-idade.

Dona de um passado sui generis, Brasília enfrenta, agora, os desafios do presente e as incertezas do futuro. Ela sabe que precisa vencê-los para continuar à altura da história espetacular. E sabe também das dificuldades que se avolumam ao compasso de seu crescimento febril, exigindo políticas eficazes, no que tange à destinação de áreas públicas, à expansão populacional, às relações com o chamado entorno, ao meio ambiente, à segurança e ao emprego. A Cidade clama por um projeto de desenvolvimento, sim, mas compatível com sua destinação original.

Brasília será sempre o centro político-administrativo do País. Mas, depois de quatro décadas, está já muito distante de ser apenas isto. Hoje, tem vida cultural própria, centro que pensa e que pulsa. Aos pioneiros dos anos inaugurais, sucederam-se gerações de brasilienses genuínos, cidadãos e cidadãs que lhe emprestam feições peculiares, hábitos peculiares e – há quem assegure – até um falar peculiar.

O êxtase de que são tomados os que têm a oportunidade de conhecer a Cidade não é, portanto, mais o mesmo. À visão de vanguardismo urbano e modernidade arquitetônica, junta-se a constatação inequívoca de que Brasília mudou, cresceu e enriqueceu-se. Sobretudo pela garra irreprimível de seu povo, amadurecido o bastante, fixado o bastante a esta terra, foi-lhe conferido o toque de humanidade que muitos pensavam incapaz de aqui florescer e que, nesse aspecto está fazendo por torná-la igual a todas as cidades brasileiras de seu porte.

Brasília, porém, permanece singular como a Capital Federal do País. Sua história se confunde com boa parte da História recente. Ela se ergue como o coração da nacionalidade, o ponto de convergência, para onde confluem todos os olhares, onde se fundem todas as aspirações e desencantos, onde a consciência do que representa ser brasileiro se reforça pelo orgulho, mas às vezes, infelizmente, também pela lástima. E a nós, Parlamentares, mandatários que contribuímos para a existência de tais sentimentos, estamos, a nosso modo, incluídos entre aqueles que, dia após dia, participam dessa história.

Como um dos Poderes da República sediados em Brasília, devemos ter para com ela não apenas a visão do forasteiro, mas amor semelhante ao que reservamos à terra natal; não apenas a reverência, mas o compromisso; não apenas o alumbramento de primeira hora, mas a seriedade, sempre. Este, no entendimento do PRONA, o simbolismo desta sessão de homenagem.

Era o que tinha a dizer.



Muito obrigado.


Elimar Máximo Damasceno


PRONA-SP



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