O sufrágio pelos defuntos



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O SUFRÁGIO PELOS DEFUNTOS

O Directório sobre a piedade popular e a Liturgia, publicado pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos com a data de 17 de Dezembro de 2001, dedica o seu capítulo VII ao tema do "sufrágio pelos defuntos".O ponto de partida da reflexão é fé na ressurreição dos mortos, "elemento essencial da revelação cristã", que "implica uma visão peculiar do inelutável e misterioso evento da morte" (n. 249). "A morte é a passagem à plenitude da verdadeira vida, pelo que a Igreja, subvertendo a lógica e as perspectivas deste mundo, chama ao dia da morte do cristão dies natalis, dia do seu nascimento para o céu" (Ibid.). "Segundo a fé da Igreja, já começámos no nosso baptismo a "morrer com Cristo": nele, o discípulo do Senhor já está sacramentalmente "morto com Cristo", para viver uma vida nova; e, se ele morrer na graça de Cristo, a morte física selará aquele "morrer com Cristo" e fá-lo-á chegar à consumação, incorporando-o plenamente para sempre em Cristo Redentor" (n. 250).


"Os sufrágios são uma expressão cultual da fé na comunhão dos Santos" (n. 251). Esta fé encontra a ocasião de se exprimir na celebração do sacrifício eucarístico e em muitas outras expressões de piedade como orações, esmolas, obras de misericórdia. Ocasião privilegiada para estes sufrágios são as celebrações exequiais que têm na celebração eucarística o seu momento culminante (n. 252). Mas a Igreja oferece o sacrifício eucarístico pelos defuntos em muitas outras ocasiões: "a celebração da Missa em sufrágio das almas dos defuntos é o modo cristão de recordar e de prolongar, no Senhor, a comunhão com todos os que passaram o limiar da morte" (n. 255). Neste contexto é particularmente sentida pela piedade cristã a comemoração de todos os Fiéis Defuntos, no dia 2 de Novembro. Entretanto, na Liturgia quotidiana a Igreja sempre recorda e intercede pelos seus filhos que já partiram deste mundo "marcados com o sinal da fé", tanto na celebração da Eucaristia, como nas preces de Vésperas (Ibid.).
O Directório recorda a conveniência de "educar o sentir dos fiéis à luz da celebração eucarística, na qual a Igreja ora para que sejam associados à glória do Senhor ressuscitado todos os fiéis defuntos, de todos os tempos e lugares, evitando o perigo de uma visão possessiva ou particularista da Missa pelo "seu" defunto" (n. 255).
Na memória dos defuntos, sublinha o Directório, "a questão da relação entre liturgia e piedade popular deve enfrentar-se com muita prudência e tacto pastoral, quer no que se refere aos aspectos doutrinais quer quanto à harmonização entre acções litúrgicas e exercícios de piedade" (n. 256). "Antes de mais, é preciso que a piedade popular seja iluminada pelos princípios da fé cristã" (n. 257): o sentido pascal da morte dos baptizados; a imortalidade da alma; a comunhão dos Santos; a ressurreição da carne; a manifestação gloriosa de Cristo "que há-de vir para julgar os vivos e os mortos"; a retribuição segundo as obras de cada um; e a vida eterna (Ibid.).
No n. 258, o Directório enumera concretamente, alguns desvios que importa evitar:
- o perigo da sobrevivência na piedade popular para com os defuntos de elementos ou aspectos inaceitáveis do culto pagão dos antepassados;
- a invocação dos mortos para práticas divinatórias;
- a atribuição aos sonhos sobre pessoas defuntas de significados e de efeitos imaginários, cujo receio, frequentemente, condiciona o agir dos fiéis;
- o risco de que se insinuem formas de crença na reincarnação;
- o perigo de negar a imortalidade da alma e de separar o evento morte da perspectiva da ressurreição, de tal forma que a religião cristã apareça, por assim dizer, como uma religião dos mortos;
- a aplicação das categorias espácio-temporais à condição dos defuntos.
A prática pastoral procurará prevenir tudo isso estando, porém, muito atenta a não cair no erro doutrinal e pastoral mais difundido na sociedade moderna que consiste no "ocultamento da morte e dos seus sinais" (n. 259).


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