O surgimento da sociologia



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IDESA - Instituto de Ensino “Santo Antônio”





O SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA
Não é nosso objetivo realizar uma análise da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. Apenas estabeleceremos alguns pontos que possam esclarecer as relações que elas têm com o surgimento da Sociologia

O século XVIII tornou—se um marco importante para a história do pensamento ocidental tal, dadas às transformações econômicas, políticas e culturais que se aceleraram nesse período e que apresentaram problemas inéditos para as sociedades. A dupla revolução que esse século testemunhou constitui ti dois lados de um mesmo processo: a instalação definitiva da sociedade capitalista.

A partir do século XVIII, a economia mundial foi constituída sob a influência da Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra, enquanto a política e a ideologia foram constituídas pela Revolução Francesa. O modelo econômico que rompeu com as estruturas tradicionais foi fornecido pela Inglaterra, mas a França forneceu as idéias, o vocabulário do nacionalismo e os tem as da política liberal para a maior parte do mundo. Na França revolucionária, começaram a circular expressão como constituição, nação, eleição, Estado moderno, poder executivo, poder legislativo, poder judiciário, direitos humanos universais.

Revolução Industrial
A Revolução Industrial não se restringiu à introdução da máquina a vapor e ao aperfeiçoamento dos modos de produção. Ela representou muito mais. Representou o triunfo da indústria, comandada pelo empresário capitalista que, pouco a pouco, concentrou a propriedade das máquinas, das ferramentas e das terras, transformando populações inteiras em trabalhadores despossuídos.

A Revolução Industrial trouxe reformas no campo da economia, na forma de trabalho, na organização social, que se iniciaram na Inglaterra e se estenderam para o mundo todo. Um dos fatores de maior significado relacionado com a Revolução Industrial foi, sem dúvida, o aparecimento do proletariado e o papel que ele desempenhava na sociedade capitalista.

Num período de aproximadamente cem anos ( 780 a 1880), deu-se a formação de uma sociedade industrializada e urbanizada. Em decorrência dessas transformações, houve uma reordenação na sociedade rural, em ritmo crescente. Desapareceram os pequenos proprietários rurais, os artesãos independentes, e houve a imposição de prolongadas horas de trabalho, o que modificou radicalmente as formas habituais de vida de milhões de seres humanos.

Foi a transformação da atividade artesanal em atividade manufatureira e depois em atividade fabril que desencadeou a emigração maciça do campo para a cidade e que engajou mulheres e crianças em longas jornadas de trabalho, sem férias, com um salário de subsistência.

Mas, ao lado das novas situações colocadas pela Revolução Industrial, outra circunstância vinha ocorrendo e provocando mudanças nas formas de pensamento: a Revolução Francesa.
Revolução Francesa
Convidamos você a caminhar um pouco mais com nossas reflexões, porém não se esqueça de que, se a economia mundial a partir do século XVJJI foi constituída sob a influência da Revolução Industrial, a política e a ideologia foram constituídas pela Revolução Francesa. É importante que você saiba que foi a França que forneceu as idéias, o vocabulário do nacionalismo e os temas da política liberal para a maior parte do mundo.

Diferentemente da Revolução Industrial, ela foi uma revolução social de massa, radical.

A Revolução Francesa aconteceu no mais populoso e poderoso país da Europa da época. Ao final do século XVIII, a França contava com uma população de 23 milhões de habitantes, dos quais cerca de 400 mil pessoas pertenciam à monarquia absolutista e usufruíam de muitos privilégios. Em 1789, de cada cinco habitantes europeus, um era francês. A Revolução Francesa não se realizou liderada por homens que desejavam levar adiante um programa nem por um partido ou por um movimento organizado, no sentido moderno; entretanto, apresentou um consenso de idéias gerais de um grupo que lhe deu unidade: esse grupo era a burguesia.

As exigências da burguesia foram delineadas na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. Tratava-se de um manifesto contra a sociedade hierárquica de privilégios da nobreza, mas não um manifesto a favor da sociedade democrática e igualitária. Embora seu primeiro artigo dite que “Os homens nascem e vivem livres e iguais perante as leis”, ele também prevê a existência de distinções sociais quando defende a propriedade privada e uma assembléia representativa que não era democraticamente eleita.

Foram os princípios dessa Declaração que inspiraram a organização da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela resolução 217 da Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

Uma leitura que não podemos deixar de fazer é que, ao final da Revolução Francesa, os anseios de igualdade social viram-se frustrados, pois a burguesia conservava a hegemonia política e, por esse motivo, impunha os interesses de sua classe social. A igualdade política ficou comprometida, pois os direitos de votar e ser votado ficaram, de fato, restritos à elite econômica.

A igualdade política pregada pela Revolução Francesa teve comprometimentos quando o direito de votar e ser votado ficou restrito mediante um modelo que tinha variantes de classificação censitária. Esse modelo de voto censitário se disseminou pelo mundo, inclusive no Brasil, onde o direito de voto não era universal simplesmente porque uma parte enorme da população continuaria por muito tempo atrelado à escravidão, ao analfabetismo ou era representada pelo gênero feminino.

O objetivo da Revolução de 1789 foi abolir a antiga forma de sociedade e promover profundas modificações na economia, na política, na vida cultural. Confiscou propriedades da igreja e transferiu para o Estado as funções da educação, que até então eram atribuições da Igreja e da família. Destruiu os privilégios da nobreza e promoveu o incentivo aos empresários.

A Revolução Francesa inaugurou uma realidade que provocou impacto e espanto compartilhado entre pensa dores franceses. Émile Durkheim foi um desses pensadores. Como um dos intelectuais fundadores e organizador da sociologia como ciência, identificou na “tempestade revolucionária” a noção de ciência social.
A consolidação do capitalismo
Para tratar de algumas questões que envolvem a consolidação do sistema capitalista, é interessante relembrar que, a partir de meados do século XlV várias transformações sociais, políticas e econômicas ocorreram para marcar a transição da sociedade feudal para a sociedade capitalista. Houve um deslocamento do foco da visão de mundo, que deixou de ser teocêntrica Deus como centro do Universo — e passa a ser antropocêntrica — o ser humano como centro do Universo. A partir dessa visão, a razão e a experimentação passaram a determinar a forma de conhecimento.

O século das luzes
Essa transformação promoveu uma progressiva substituição das crenças pela indagação racional como explicação para os fenômenos sociais. Por este motivo, o século XVIII é reconhecido como o século das luzes, ou o século da ilustração, momento em que vigora o otimismo no poder da razão e a sociedade começa a conhecer o progresso por meio da observação e da experimentação racional.

Ao lado de outros movimentos de transformação que ocorreram na Europa ocidental a partir de meados do século XIV com o iluminismo, não apenas o ser humano passa a ser o centro da sua própria história e da sua humanidade, como também o conhecimento científico aproxima-se cada vez mais do cotidiano da sociedade, pois os seres humanos apropriam-se da linguagem científica, das teorias e das descobertas delas decorrentes.

Essas idéias eram revolucionárias, pois se tratava de uma época na qual todas as explicações eram dadas como se tudo dependesse da vontade de Deus.

O emprego sistemático da razão propiciou o desenvolvimento de uma corrente de pensamento chamada de iluminismo, que pregava a idéia de que a razão iluminaria o mundo.

Os iluministas, pensadores dessa corrente, acreditavam que o uso sistemático da razão levaria o ser humano à compreensão de todas as áreas do conhecimento e, por esse motivo, pregavam o uso da razão pura que será contestado com o positivismo, outra corrente de pensamento que reforça a crença na materialidade da vida e no poder da ciência. Apresentando como forma de conhecimento válido o conhecimento científico razão, observação e mensuração —, o positivismo orientou a formação da primeira escola científica do pensamento sociológico.

Iluminismo: otimismo no poder da razão de reorganizar o mundo humano. O iluminisrno deve a Descartes o gosto pelo raciocínio, a busca da evidência intelectual e, sobretudo, a possibilidade de exercer livremente o juízo e o espírito da dúvida metódica. Outra influência importante para essa corrente de pensamento foi a da produção científica de Galileu Galilei, com uso do método experimental. A idéia da natureza dessacralizada, isto é, desvinculada da religião, também está presente neste campo de pensamento.
Positivismo: propõe a infalibilidade, a objetividade e a exatidão da ciência. O positivismo estabeleceu critérios rígidos para a ciência e propõe que toda afirmação e toda lei científica deve apoiar-se na observação dos fatos, nas provas recolhidas pelos pesquisadores. Quando o pensamento sociológico se organizou, adotou o positivismo para definir o objeto, estabelecer conceitos e uma metodologia de investigação para a sociologia. Comte foi seu principal representante e é considerado o fundador da sociologia como ciência. Os positivistas apresentaram um esforço concreto de análise científica da sociedade.

Com o iluminismo, ao lado de outros movimentos de transformação que ocorreram na Europa ocidental a partir de meados do século XIV o ser humano passa a ser o centro da sua própria história e da sua humanidade, enquanto o conhecimento científico se aproxima cada vez mais do cotidiano da sociedade, pois os seres humanos apropriam-se da linguagem científica, das teorias e das descobertas dela decorrentes. O pensamento iluminista foi adotado pela burguesia que, em plena ascensão, estava interessada em assumir o poder político para, assim, expandir seu poder comercial.

Foi a partir das Revoluções Industrial e Francesa que a burguesia assumiu o poder econômico e político e organizou o Estado moderno, uma instituição abstrata que deveria garantir a liberdade e a ordem social. Com o surgimento do Estado moderno, estava organizada a base para a expansão do capitalismo.

No século XIX, a sociedade européia pós-revolucionária, em franca ascensão, procurava resolver os conflitos sociais por meio da exaltação à coesão e ao bem-estar social. Nesse contexto, o pensamento positivista glorificou a sociedade européia em expansão, por isso quase todos os países economicamente desenvolvidos da Europa o conheceram. Mas foi na França que mais floresceu essa corrente de pensamento que buscava na razão e na experimentação seus horizontes teóricos.

Dentre os pensadores franceses que adotaram as concepções positivistas, destaca-se Auguste

Comte, seu primeiro representante e principal sistematizador.


Sociologia: uma ciência das revoluções
A tentativa de compreender a sociedade e suas relações sociais sempre foi, ao longo da história, uma preocupação de autores, filósofos e pensadores. Não é dificil encontrar obras, em diferentes momentos, que dediquem suas páginas para falar a respeito de como os homens, as organizações e os agrupamentos sociais se comportam.

No entanto, após as revoluções burguesas do século XVIII, essa necessidade tomou-se uma obrigação inevitável. As revoluções Industrial e Francesa abalaram definitivamente as estruturas da Europa, mudando suas concepções e práticas da vida social, econômica, filosófica e política.

A sociologia, como ciência, nasceu da discussão sobre os problemas sociais resultantes das transformações econômicas, políticas e culturais ocorridas no século XVIII, com as revoluções Industrial e Francesa. A sociologia surgiu no século XIX como forma de entender esses problemas e explicá-los.

O nascimento da sociologia ocorreu numa época em que a industrialização e a urbanização estavam transformando as próprias bases da sociedade. Dentre os séculos XVII e XVIII, o aperfeiçoamento das técnicas de produção, visando a produzir cada vez mais com menos gente, possibilitou a invenção de máquinas que aumentassem significativamente os lucros, substituindo gradativamente a produção manufatureira pela maquino fatura.

Desse modo, apareceram as máquinas de tecer, a máquina de descaroçar algodão, bem como se iniciou um processo de aplicação industrial da máquina a vapor e de tantos outros inventos destinados a aumentar a produtividade do trabalho. Aqueles trabalhos, antes realizados por homens, passaram a ser feitos por meios de máquinas, e tal fato elevou em muito a quantidade de mercadorias produzidas.

No entanto, a Revolução Industrial significou mais do que a utilização da máquina a vapor no processo de produção das mercadorias. Ela representou a ascensão do capital industrial, controlado pelo empresariado industrial, que foi paulatinamente concentrando as máquinas, as terras, as ferramentas e as mentes sob o seu controle, convertendo grandes massas humanas em simples trabalhadores despossuidos e explorados. Esse momento histórico correspondeu à consolidação da sociedade capitalista, caracterizada essencialmente pela divisão de seus membros em classes sociais: a burguesia (donos dos meios de produção), o proletariado (possuidores apenas de sua força de trabalho), e funcionários do Estado e uma classe média (profissionais liberais e pequenos produtores rurais).

O desenvolvimento do capitalismo industrial trouxe conseqüências imensas aos pequenos proprietários rurais e aos artesãos independentes, levando ao seu quase desaparecimento e impondo uma carga intensiva de trabalho Tais modificações trouxeram uma nova realidade social, econômica e política para o homem da época, rompendo radicalmente as formas tradicionais de vida de milhões de pessoas.

A Revolução Francesa também provocou algumas alterações significativas no modo de a sociedade se organizar e se compreender. Os ideais iluministas surgidos ao longo do século XVII ganhavam espaço na forma & o homem conceber o mundo e sua existência, resultando em uma nova concepção de desenvolvimento humano.

Como conseqüência da forte participação popular e das massas no processo revolucionário de 1789, o indivíduo foi trazido para o centro da discussão política, e sua participação nas decisões da nação ganhou outra dimensão. Isso porque as lutas que precederam e desencadearam a Revolução Francesa envolveram muita gente; as guerras napoleônicas mobilizaram as massas populares, e os homens do povo foram obrigados a pensar sobre questões políticas que antes eram discutidas apenas por uma elite, mas que naquele período estavam invadindo a esfera da vida cotidiana de quase todo o mundo.

Assim, a idéia de existência de uma liberdade e de uma igualdade (lema da Revolução Francesa) permitiu ao homem questionar os antigos valores e modelos da sociedade e exigir o estabelecimento & uma nova concepção de vida social.

Dessa forma, a partir da concepção iluminista de racionalização do mundo para a compreensão de seu funcionamento, fazia-se necessária a criação de uma ciência responsável por sistematizar e entender o funcionamento dessa nova sociedade que se erguia como fruto das revoluções. As transformações ocorridas durante o século XVIII foram importantes para o surgimento da sociologia, pois colocavam a sociedade num plano de análise, ou seja, ela passava a se constituir em “problema”, em “objeto” que deveria ser investigado. Alguns dos primeiros sociólogos viam a industrialização do mesmo modo como viam a ciência: um meio pelo qual os problemas que assolavam a humanidade seriam eliminados. Pobreza, doença, fome, até a guerra, seriam extintas. Nesse sentido, a sociologia no século XIX e início do século XX foi uma tentativa de vários intelectuais para entender e esclarecer essas mudanças profundas.

O filósofo francês Auguste Comte foi o primeiro a mencionar a necessidade de se estabelecer uma ciência responsável pela compreensão da sociedade. Em seu curso de filosofia positiva, em 1839, recorreu à utilização do termo sociologia para se referir ao estudo da sociedade. No entanto, foi apenas no final do século XIX que a sociologia apareceu como disciplina e ganhou status de ciência, como francês Émile Durkheim. Em seu livro

Ás regras do método sociológico, de 1895, entre outras propostas, Durkheim estabeleceu e delimitou quais deveriam ser os objetos de estudo da sociologia na análise da sociedade.

Vale destacar que, inicialmente, a sociologia foi pensada como um instrumento para a promoção “da ordem e do progresso social”, bem como uma ciência aplicada no planejamento e reformulação da vida social. No entanto, o interesse pelo estudo da sociedade também serviu aos interesses das potências imperialistas do século XIX. Como o capital financeiro necessitava de novos mercados para poder crescer, fora dada a largada à corrida para a conquista de novos territórios, que significava a conquista da Ásia e da África. Os europeus depararam-se com civilizações com modelos de organização social totalmente diversos dos seus: o politeísmo, a poligamia, formas de poder tradicionais, castas sociais sem qualquer tipo de mobilidade, economia de subsistência. Nesse sentido, os conquistadores europeus tiveram que moldar essas regiões à imagem e semelhança de suas sociedades para que pudessem viabilizar seus planos de colonização.

A civilização ocidental fora imposta mesmo a contra gosto dos povos dominados, como forma de “elevar” a população dessas regiões e permitir a superação do seu “estado primitivo” para o mesmo estágio de desenvolvimento da Europa. Para isso, os colonizadores europeus lançaram mão da produção teórica de cientistas e pensa dores do século XIX para justificar a atuação das potências colonialistas européias na Ásia e na África.

As idéias de Charles Darwin a respeito da evolução das espécies animais foram as mais proeminentes para a proposta de “civilização” européia. Tais idéias, transpostas para a análise das culturas e das sociedades, deram origem ao chamado darwinismo social, que consistiu numa tentativa de se aplicar os mesmos princípios que regem a evolução das espécies naturais à explicação da origem e evolução das sociedades. Segundo o darwinismo social, as sociedades se modificariam e se desenvolveriam num mesmo sentido, e tais transformações seguiriam a passagem de um estágio inferior para outro superior, em que o organismo social se mostraria mais evoluído, seria também o mais apto e completo. Em linhas gerais, as sociedades mais “desenvolvidas” seriam as mais fortes e evoluídas.



Assim, os primeiros sociólogos inspiraram-se nessas concepções influenciadas pelo darwinismo social. No entanto, essa transposição de conceitos das ciências físicas e biológicas para a compreensão das sociedades e das diferenças entre elas foi alvo de muitas criticas de sociólogos e antropólogos do século XX. A dimensão cultural da vida humana confere princípios diferentes daqueles existentes na natureza. A transposição automática e mecânica da teoria da evolução das espécies serviu como justificativa para a dominação européia, sem levar em consideração uma análise critica daquilo que representaria o “mais forte” ou “mais evoluído”.

Mesmo que a sociologia tenha apresentado essa vinculação inicial com a política imperialista do século XIX, a sociologia foi a primeira ciência a preocupar-se com a complexa rede de instituições sociais e grupos que constituem a sociedade, em vez de estudar-lhes um aspecto particular. Foi a primeira ciência a preocupar-se com a vida social como totalidade. Sua concepção básica é a de estrutura social: família, parentesco, religião, moral, estratificação social, vida urbana, enfim, todos esses aspectos da vida social como objetos da reflexão e pesquisa sociológicas.


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