O trabalho e a Festa: ideais, perspectivas e ações que envolveram os festejos dos 50 anos do município de Chapecó



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O Trabalho e a Festa: ideais, perspectivas e ações que envolveram os festejos dos 50 anos do município de Chapecó

Fernanda Bem

Mestranda em História – UFSC

Bolsista CAPES.


Os momentos de comemoração são geralmente ocasiões extraordinárias na vida das pessoas e podem apresentar ações e ideais que expressam formas de agir e pensar de uma sociedade ou grupo social. A comemoração dos 50 anos do município de Chapecó tem sido lembrada como o momento onde buscou-se demonstrar, os rumos econômicos que o campo e a cidade deveriam seguir para ascender a “centelha do progresso”. De certa forma, foi a ocasião adequada para firmar às iniciativas de desenvolvimento econômico que estavam sendo traçadas pelo Estado e pelo capital agroindustrial da região. Por isso, dizeres como o ‘ano da esperança’, a ‘possibilidade de concretizar sonhos’, os ‘panoramas que poderão surgir’ precisavam ser dinamizados nos eventos da festa. Como destacou o Jornal Folha d’Oeste:

1967! Chegou o ano da esperança.

Uma sucessão de fatos e acontecimentos devem credenciar 1967 como Ano da Esperança.


Para o chapecoense a passagem do cinqüentenário é razão para muita alegria e muitas realizações.

As tintas com as quais se pintam os panoramas que poderão surgir em 1967 são de um colorido ímpar e conforta a quem espera neste ano a possibilidade de concretizar os sonhos mais luminosos.1


As atividades festivas ocorreram principalmente de junho a setembro de 1967 e apresentaram como atrações, bailes, shows com artistas locais, escolha da rainha do Oeste e do Cinqüentenário, além de uma Exposição Feira Agropecuária e Industrial – a EFAPI. Os preparativos que antecederam a “festa”: cronograma da programação, a mobilização das pessoas envolvidas com os preparativos, a ornamentação da cidade2; confirmaram o quanto seria importante destacar a imagem de “cidade promissora”, já que naquela época, a cidade era uma das três primeiras do país, com o traçado das ruas delineados no estilo de cidades planejadas como Brasília e Belo Horizonte. Nesse sentido, de acordo com a sugestão de Maria Clementina Pereira Cunha, analisamos a festa para “espiar uma rica miríade de práticas, linguagens e costumes, desvendar disputas em torno de seus limites e legitimidade, ou da atribuição de significados e sentir as tensões latentes sob as formas lúdicas”3.

O evento que teve maior destaque nos festejos cinquentenais de Chapecó, foi a 1ª Exposição Feira Agropecuária e Industrial – EFAPI – que contou com a presença do governador Ivo Silveira4 e sua comitiva no ato inaugural. Nos pavilhões construídos para a ocasião havia stands onde poderia-se apreciar vários gêneros agrícolas e industriais, bem como máquinas, acessórios implementos para uso industrial e agrícola, além da exposições de animais que eram produzidos em Chapecó e região. O discurso de políticos e empresários que visitaram Chapecó ou contemplaram a Exposição Feira, não deixava de enfatizar o “ progresso”, o “desenvolvimento” e o “potencial de trabalho dos oestinos”. Como relatou o Secretário da Agricultura do Estado “tudo que se vê no município que povoou a toda zona Oeste, é potencial em desenvolvimento e crescendo em progresso constante na fibra da gente que opera a civilização catarinense no Vale do Uruguai”5.

Os “acordes do progresso” repercutiam devido às perspectivas de desenvolvimento que estavam sendo legitimadas pela política-econômica do país,6 a qual estimulava com os incentivos financeiros os setores agrícola e industrial. Nesse sentido, em Chapecó e Oeste Catarinense7 o impulso econômico favoreceu o desenvolvimento das agroindústrias, uma modalidade de empresa que participa desde a produção da matéria-prima até o seu beneficiamento. Para José Carlos Espíndola
A agroindustrialização do campo estabeleceu-se através da criação em 1965, do Sistema Nacional de Crédito Rural, criação do Fundo Geral para indústria e Agricultura (FUNAGRI), implantação de fundos de financiamentos às indústrias como o Financiamento às Pequenas e Médias Empresas (FIPEME), o Programa Agroindústria (PAGRI), o Fundo de Democratização do Capital das Empresas (FUNDECE), entre outros.8
Em vista disso, o ano de comemoração foi também um momento vivido com incerteza pelos trabalhadores rurais, diante das novas formas de produzir e utilizar os recursos que estavam sendo sugeridos. O processo de adaptação dos agricultores às novas técnicas agrícolas promovidas pelo Estado e o sistema de produção preconizado pelas agroindústrias foram os principais enfoques que, além de motivar os preparativos da festa cinqüentenária, representava para os trabalhadores rurais, perspectivas de melhoria de vida – do ponto de vista de político-econômico – ou de busca de novas formas de trabalho. Em Chapecó, a ocorrência de “jovens a procura de emprego”9 na cidade se acentuava a cada dia e uma forma de solucionar esses problemas seria
Manufaturar e industrializar o produto para entregar ao consumidor, constitui fonte de renda promissora. Focalizando nossa região, Oeste Catarinense, deduz-se exatamente o estado de insegurança econômico-financeiro com que se deparam os oestinos. Se nossa gente se obrigar a sair de Chapecó, em busca de emprego, com que elementos pretende Chapecó, tornar-se rico e desenvolver-se?10
As iniciativas de desenvolvimento agrícola começaram a ser percebidas no meio rural de Chapecó e região com a regulamentação do sistema de Crédito Rural11 difundida pelo país através do Banco Central, a pedido do Ministério da Agricultura. Essa iniciativa pretendia “utilizar a concessão de empréstimos como eficaz instrumento de prosperidade do meio rural, mediante a provocação de modificações necessárias ao progresso econômico e bem estar das populações do campo”12. Dessa forma, gostaríamos de demonstrar que as circunstâncias presenciadas pelos trabalhadores rurais em 1967, era de mudanças econômicas e de adaptação nas formas de trabalho, pois, as alterações no modo de cultivo dos gêneros agrícolas implicavam também adaptações das tradições sócio-culturais herdadas.

Em Chapecó e região, desde os anos trinta – quando se intensificou a colonização13 da região por migrantes riograndenses – a economia baseava-se no cultivo de gêneros agrícolas para subsistência14 e comercialização. As famílias camponesas estavam organizadas de modo geral, em pequenas propriedades rurais onde as formas de produzir implicavam também relações de solidariedade entre vizinhos, parentes e amigos. Era muito comum nesse período, a ajuda mútua, a troca de sementes e o trabalho coletivo, entre os agricultores. Como exemplo rotineiro das relações de vizinhança, mencionamos o preparo da semente para o plantio; Segundo Genes F. da Rosa, “[...] nós em dia de chuva tirávamos aquele tempo para ir preparar a semente na casa do vizinho, ou então, era muito comum um vizinho ajudar o outro para fazer a roça”15.

Práticas como estas foram desconsideradas no plano de desenvolvimento agrícola que as autoridades públicas e as agroindústrias elaboraram para o campo, tendo em vista, que a forma como eram produzidos os gêneros agrícolas foi relegada a condição de “[...] antiquada [...] tornava-se necessário romper com os procedimentos tradicionais promover a revolução tecnológica, abrir os horizontes das empresas rurais criando possibilidades as novas combinações de fatores que resultem na maior remuneração do trabalho do homem.16

A política econômica do país visava exclusivamente o aumento da produtividade, com o incentivo ao uso de novas técnicas e a utilização de recursos modernos. É importante salientar que as mudanças introduzidas pelo novo sistema de produzir no meio rural passaram a definir os agricultores como “empresários rurais”. Isso nos revela, em certa medida, as intenções que a política agrícola almejava ao propor as novas técnicas e o sistema de crédito rural, que foram concedidos aos agricultores. Torná-los empresários, inseri-los num sistema de gerência técnica, de aumento da produtividade, estavam entre os objetivos dessa política econômica. Segundo a iniciativa de trabalho da Extensão Rural17, que se estendeu ao longo da década de 1970 em Santa Catarina, a verificação dos técnicos foi a seguinte: “[...] no campo, os agricultores estavam distantes daquilo que foi necessário para impulsionar o Brasil ao progresso,”18 então, era preciso sugerir práticas de trabalho fundamentadas nas novas técnicas agrícolas com o uso de novos produtos e tecnologias – insumos, fertilizantes, sementes selecionadas, orientação técnica e novas formas de trabalho – que aumentassem a produtividade.

As intenções desenvolvimentistas do Estado manifestaram-se em Santa Catarina e mais especificamente no Oeste Catarinense, com os trabalhos da Extensão Rural através dos clubes ‘4-S’19 dinamizados pela ACARESC – Associação de Crédito e Assistência Rural de Santa Catarina. Esse órgão do Estado visava desenvolver a política, partindo da qualificação dos jovens, filhos de agricultores:
Estes clubes tem como matriz os 4 – H – Clubs norte americanos que desenvolvem seus trabalhos desde o início do século XX, nos Estados Unidos. Este instrumento de trabalho com jovens rurais foi adotado pela Extensão Rural no Brasil a partir da década de 50, pela antiga ACAR (Associação de Crédito e Assistência Rural) e por suas afiliadas em todo o Brasil. No caso catarinense, a implantação destes trabalhos ficou a cargo da ACARESC, que durante sua existência procurou introduzir técnicas e tecnologias ‘modernas’ aos agricultores do Estado. A modernização da agricultura catarinense se daria, segundo o discurso da ACARESC, pela introdução de técnicas (a maneira de lidar com a lavoura e o lar) e tecnologias (adubos químicos, máquinas agrícolas etc.) racionais aos agricultores.20

Desse modo, “é necessário entender que um tipo de agricultor deveria ser formado neste momento: um agricultor moderno”21, que atendesse aos interesses das agroindústrias em franca expansão e que respondesse a demanda por maior produtividade incentivada pelo Estado e pelo capital agro-industrial. A modernização agrícola e industrial que ocorreu em Chapecó e região, não foi um acontecimento isolado, mas uma amostra da política econômica que ritmava todo o país. Os técnicos que realizavam o trabalho de Extensão Rural direcionavam os agricultores a seguir condutas de trabalho racionalizadas através da utilização das novas técnicas e tecnologias agrícolas. “A orientação técnica chegava e dizia assim: quem não fizesse assim tá atrasado. Era uma coisa que quanto mais rápido se fazia melhor [...]. Aí faziam reunião e diziam: olha, é melhor começar a produzir com técnica, é melhor assim...”22

Nesse contexto, o campo e a cidade foram organizados de acordo com os anseios da base industrial e das novas técnicas agrícolas. Amparadas nessa realidade, as famílias agricultoras que não se adaptassem às novas práticas de produzir estavam sujeitas a ficar à margem do processo produtivo. Nesse sentido, o êxodo rural que começou a se acentuar em Chapecó e região, de certa forma “[...] atende aos interesses do desenvolvimento da agroindústria, com a industrialização e urbanização. O que fundamenta as práticas governamentais neste período, é que alguns jovens permaneçam no campo, o suficiente para dirigir tratores, pulverizar as plantações de sementes híbridas com agrotóxicos e criar animais selecionados para as agroindústrias.”23

A intervenção da agroindústria no sistema de produção agrícola tradicional rompeu com essa modalidade, impondo a subordinação do agricultor a um padrão exclusivamente voltado a orientação técnica dessas empresas. Assim, percebe-se que as relações de trabalho e a cultura campesina foram alteradas e definidas pelo sistema de produção em evidência. Em virtude das iniciativas econômicas que se apresentavam muitos agricultores, especialmente os membros mais jovens das famílias camponesas, deixaram o campo em busca de melhores condições de vida na cidade de Chapecó, ou em outro espaço urbano do Estado ou país. Como enfatiza Eunice Durhan, a migração para as cidades: “[...] não são fenômenos particulares de nossa época. Mas a amplitude dos movimentos migratórios internos no Brasil durante o século XX, assim como o processo acelerado de urbanização, apontam para transformações econômicas-sociais profundas que como geralmente se reconhece, estão relacionadas ao processo de desenvolvimento do país.”24

O êxodo rural além de representar um sistema de exclusão, daqueles que não se enquadraram às novas técnicas agrícolas, também representou uma reação dos agricultores diante das dificuldades que se apresentavam naquele momento. Essa política aumentou o índice de migrantes de origem rural em busca de oportunidades de trabalho, no setor industrial de cidades como Chapecó, que apresentava uma projeção de desenvolvimento nesse setor. A migração campo-cidade começa a ser percebida a partir da segunda metade da década de sessenta, e intensifica-se nos anos setenta, oitenta e noventa (Ver Tabela1.1 em Anexo). No ano da festa eram recorrentes em reportagens de jornais, comentários como: “Cidade que não emprega seus filhos é cidade fadada a perecer, mais cedo ou mais tarde”25.

Em vista disso, comemorar os 50 anos de ‘existência oficial’ do município segundo os princípios políticos e econômicos dos organizadores da festa, era demonstrar para o Estado e até mesmo para o país o “quão grandiosa é a região oestina”26. Para isso, a imprensa local e estadual encarregou-se de divulgar as ações que estavam sendo determinadas para a programação dos festejos. No segundo semestre de 1966 a administração municipal formou uma comissão que se incumbiu de organizar a programação da festa. A Sociedade Amigos de Chapecó27 – SAC – foi, nesse sentido, uma comissão que reuniu os representantes da municipalidade para preparar o estímulo comemorativo da festa.



A 1ª EFAPI – o principal evento da festa cinqüentenária – foi um acontecimento muito divulgado e esperado pela elite chapecoense, principalmente por aqueles que a organizaram, pois a divulgação do potencial econômico que o município e região dispunham representava novas possibilidades de investimentos, tendo em vista, a constante divulgação para o restante do Estado e até do país do referido evento:
Naquele dia28, sentir-se-á pulsar com mais vigor o coração do Oeste. Nossa querida região será noticiada em todo o país. Indústrias de renome do Brasil estarão expondo seus produtos em nossos stands e seus representantes, ao vir à Chapecó, irão sentir quão grandiosa é a região oestina. Sentirão quanto importante é investir capital em indústrias básicas nesta região. Saberão os homens de negócios, que no Oeste situam-se as terras mais férteis do mundo. Serão informados esses homens de que o Oeste Catarinense 'per capita' é o maior celeiro agrícola do país. Conhecerão todos que aqui vierem, a grandiosidade do povo oestino, por seu trabalho, por sua luta, pela sua dignidade e pela sua vontade de crescer.29

O discurso de que “Chapecó precisava se industrializar para não perecer”30 pois existiam “centenas de jovens a procura de emprego”31, principalmente filhos de agricultores que deixavam o campo, foi o enredo principal dos festejos cinquentenais. Nos eventos comemorativos procurou-se destacar a “expressão econômica” do município e o “potencial de trabalho” dos oestinos que participaram como espectadores da festa.


Nesse sentido, no ano de 1967 os valores construídos no passado, a saga dos colonos riograndenses, o empreendedorismo de empresários e comerciantes que ‘desenvolveram’ o campo e a cidade, se consolidavam e indicavam a continuação desse processo, agora, com o aprimoramento das tecnologias e técnicas agrícolas e com a industrialização da cidade. De acordo com os relatos, principalmente da imprensa local e estadual, a organização da primeira EFAPI demonstrou o sentido dos investimentos econômicos na região. A EFAPI “coroava-se plenamente de êxito, incentivando as autoridades e membros da SAC a realizar mais uma exposição dentro de dois anos”32. Nesta exposição-feira, evidenciou-se a tentativa de destacar
[...] a exime expressão econômica agro-industrial [...] e com isso chamar a atenção das autoridades federais e estaduais para a equação dos problemas que ainda entravam grande parte do nosso progresso moral e material, tais como, estradas, escolas de nível superior, maior assistência ao trabalhador do campo e da cidade e vias de comunicação condignas para o desafogamento de nossa economia.33
Entendemos que existia um projeto de transformar Chapecó em “pólo industrial” da região. Esses ideais são mencionados nos discursos de políticos e empresários que interiorizaram a “noção de progresso” como sinônimo de desenvolvimento industrial, em geral econômico. Nesse meio estavam os agricultores que também esperavam melhorias: garantias de preços estáveis para os produtos e comercialização da safra e uma política agrícola voltada aos interesses das famílias camponesas que estavam inseguras quanto às relações de trabalho e quanto ao futuro do grupo familiar.

A festa34 para a cidade e o restante do município foi um acontecimento que, de certa forma, apresentou uma intenção especial: projetar Chapecó para o Estado e até mesmo para o país. Para isso foi importante a atuação da comissão organizadora da festa, a SAC35 - composta principalmente por representantes políticos, das empresas e do comércio de Chapecó – que tratou de definir a programação festiva enfatizando a organização da Exposição-feira como meio de divulgação das potencialidades locais. De acordo com Silvio Luiz Lofego


O espaço das comemorações, geralmente apresenta-se amplo, abarcando posições heterogêneas em seu interior, com disputas e conflitos nas instituições encarregadas de promover e propagar os festejos. Tais disputas acabam, no entanto, revelando o poder de canalização do evento, pois é também em seu terreno que se ergue o templo da memória.36
Até onde foi possível chegar com a análise dos documentos, percebemos que uma imagem de ‘Chapecó’ estava sendo instituída pelos organizadores da festa e a imprensa dava visibilidade e tom para as tendências que se projetavam para o campo e a cidade. Esta representação, em certo sentido, tentou mostrar os valores de trabalho da população, o potencial de desenvolvimento econômico, assim como, os recursos e a falta de infra-estrutura que o município e região apresentavam naquele momento.
Anexo

Tabela 1.1 - Distribuição da População Rural e Urbana do Município de Chapecó37


Ano

População rural

População urbana

Total




Total

%

Total

%




1960

41150

79

10939

21

52089

1970

29590

60

20275

40

49865

1980

28499

34

55269

66

83768

1991

38200

31

84850

69

123050

2000

12375

8

134592

91

146967

FONTE: IBGE. Censo Demográfico, 1960 (vol.1, p.80); 1970 (vol.1, p.331); 1980 (Tomo 4, p.6,7); 1991 (Tomo4, p.48, 160); 2000 (p.13)

1* Mestranda em História pela UFSC. Bolsista CAPES.

 Jornal Folha d’ Oeste. 1967! Chegou o ano da esperança. 11/01/1967, p.1. Grifos Meus.


2 “Com o pensamento voltado para o desejo de proporcionar uma grande festa a seu povo, o prefeito iniciou a poucos dias a ornamentação dos canteiros centrais da Avenida Getúlio Vargas [...], 500 mil cruzeiros velhos em flores especiais deverão chegar nos próximos dias. Ficou igualmente acertada a vinda do famoso pintor Péricles, de Florianópolis, para ornamentar a cidade para os festejos do Cinqüentenário [...]”. Jornal Folha d’ Oeste. 22/10/1966, p.6.

3 CUNHA, Maria C. P.(org). Apresentação. In: Carnavais e outras f(r)estas. Ensaios de História Social da Cultura. São Paulo: Unicamp, 2002, p.12.

4 Além de participar das atividades festivas do município o governador aproveitou a estada de três dias – de sábado dia 23/09/1967 há segunda-feira dia 26 do mesmo mês e ano – para visitar indústrias, reunir-se com autoridades municipais e inaugurar obras, como o trecho da rodovia Estadual, BR-282 – Fernando Machado. Nessa ocasião Ivo Silveira aproveitou para pronunciar-se enfatizando que a viabilização do sistema de transporte era importante para “corresponder à vigorosa atividade produtora, que se verifica nessa região”. Jornal A Gazeta. Mensagem do Governador no Cinqüentenário de Chapecó. Florianópolis, 24/09/1967, p.1.

5 Jornal A Gazeta. Chapecó é desenvolvimento em progresso. Florianópolis, 30/09/1967, p.2.

6 Para Luiz C. D. Prado e Fábio S. Earp de 1968 a 1973 o país apresentou índices de crescimento econômico, produto de uma confluência histórica, em que condições externas favoráveis reforçaram espaços de crescimento abertos pelas reformas conservadoras no governo Castelo Branco. (PRADO, Luiz C. D. & EARP, Fábio S. O “milagre” brasileiro. In FERREIRA, Jorge & DELGADO, Lucilia de A. N. O Brasil Republicano: o tempo da ditadura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003, p.234.

7 Oeste Catarinense é a área que compreende as microrregiões de São Miguel do Oeste, Chapecó, Xanxerê, Joaçaba e Concórdia”. (ESPINDOLA, , Carlos J. As Agroindústrias do Brasil: o caso Sadia. Chapecó: Grifos 1999, p.17).

8 Idem, p.38.

9 Jornal Folha d’Oeste. Industrializar para não perecer. Chapecó, 24/06/1967, p.3.

10 Idem, Ibidem.

11O sistema de Crédito Rural foi institucionalizado no Brasil, conforme a lei nº4829, de 5/11/1965 pelo Exmo. Sr. Diretor do Banco Central do Brasil, Dr. Auri Buerger”. (Jornal O Estado. Primeira aula de Crédito Rural revela revolução tecnológica. Chapecó, 21/09/1967, p.8.)

12 Idem, Ibidem.

13 Em 1917, foi oficializada a área compreendida pelo município. Desde então, as companhias colonizadoras adentraram na região desconsiderando que naquela área residiam descendentes de caboclos e índios e lotearam o terreno para vender as famílias de migrantes que chegavam do Rio Grande do Sul. De 1920 a 1950, efetiva-se o processo de colonização do município por descendentes de italianos e alemães. Para saber mais sobre o processo de colonização de Chapecó ver: BELLANI, Eli M. Madeiras, balsas e balceiros no Rio Uruguai: o processo de colonização do velho município de Chapecó. Florianópolis, UFSC, 1991. NODARI, Eunice. A Renegociação da Etnicidade no Oeste de Santa Catarina (1917-1954). [Tese Doutorado]. PUC – Porto Alegre, 1999.RENK, Arlene. A luta da erva. Um ofício étnico no Oeste de Santa Catarina. Chapecó: Grifos, 1997.

14 Dentre os produtos cultivados estavam, o milho, o feijão, a soja o trigo, a mandioca e a batata e criavam-se animais como, suínos, aves e bovinos, devido a dificuldades de se adquirir esses produtos no comércio da região.

15 Entrevista com Genes da Fonseca Rosa Agricultor Integrado da Sadia e Presidente da CRESOL (Cooperativa – de Crédito Rural com Integração Solidária de Chapecó), 10/10/2003.

16 Jornal O Estado. Primeira aula de Crédito Rural revela revolução tecnológica. Chapecó, 21/09/1967, p.8. Grifos Meus.

17 “A Extensão Rural surgiu nos Estados Unidos por volta de 1900, com o objetivo de introduzir outras técnicas e tecnologias aos agricultores. Está baseada no princípio de 'apreender a fazer, fazendo' (learning by doing), pois visa ao aumento da produção agrícola e à elevação da renda e nível de vida do produtor rural, entre outros objetivos. Através da técnica, para os extencionistas, são possibilitadas as mudanças desejadas na maneira de produzir dos agricultores”. SILVA, Claiton M. Da. Saber, Sentir, Servir e Saúde: “A construção do novo jovem rural nos clubes 4-S, Santa Catarina (1970-1985). Florianópolis: Dissertação de Mestrado em História, 2002, p.9).

18 Idem, p.12.

19 A sigla 4-S significa: Saber, Sentir, Servir, Saúde.

20 SILVA, Claiton M. da. Modernização da agricultura e difusão dos clubes 4-S no Oeste de Santa Catarina (1970-1975). In: Cadernos do Ceom. Chapecó: Grifos, 2001, nº14, p.64.

21 SILVA, 2002, p.71.

22 Entrevista com Genes da Fonseca Rosa, Agricultor e Presidente da CRESOL.

23 SILVA, 2002, p.13.

24 DURHAM, Eunice. A caminho da cidade. São Paulo: Perspectiva, 1984, p.7.

25 Jornal Folha d’Oeste. Industrializar para não perecer. Chapecó, 24/06/1967, p.3.

26 Jornal Folha d’ Oeste. Assopremos juntos as 50 velhinhas. Chapecó, 31/05/1967, p.3.

27 Integravam a comissão central da SAC “os senhores: Prefeito Municipal, Secretário do Oeste, Bispo Diocesano, presidente do Lions e Rotary, representantes do comércio e da indústria, representantes do poder judiciário, representantes da câmara municipal e imprensa escrita e falada”.(Jornal Folha d’ Oeste. Sociedade para o Cinqüentenário. Chapecó, 14/09/1966, p.5.)

28Dia da I EFAPI, discurso proferido 4 meses antes da feira acontecer.

29Jornal Folha d’ Oeste. Assopremos juntos as 50 velhinhas, Chapecó, 31/05/1967, p.3. Grifos Meus.

30 Jornal Folha d’Oeste. Industrializar para não perecer. Chapecó, 24/06/1967, p.3.


31 Idem. Na seqüência a reportagem continua afirmando que: “Visão ampla deve ter o bom administrador para planejar a evolução de uma cidade. Investir em Chapecó deveria ser o lema para as comemorações do cinqüentenário. Investir em Chapecó é o lema ao qual está ligado o progresso econômico e regional, mas também, o bem estar social. Benfeitor chapecoense não é só o político que usa eloqüentemente a tribuna, mas também aquele que dá emprego ao filho de Chapecó industrializando-o”. Idem.

32 Jornal Folha d’ Oeste. Primeira Efapi é sucesso. Chapecó, 7/10/1967, p.1.

33 Idem.

34 De acordo com Rita de Cássia Amaral a festa “pode comemorar acontecimentos, reviver tradições, criar novas formas de expressão, afirmar identidades, preencher espaços da vida dos grupos, dramatizar situações e afirmações populares. Ser o espaço de protesto ou da construção de uma cidadania ‘paralela’ de resistência à opressão econômica ou cultural ou, ainda, de catarse”. (AMARAL, Rita de Cássia. Cidade em Festa. In: MAGNANI, José Guilerme C. & TORRES, Liliam de L. (Orgs.) Na Metrópole: textos de Antropologia Urbana. São Paulo: Edusp, 2000, p. 257.

35Sonhando com melhores dias para a nossa região, um grupo de idealista, congregados na SAC promoveu a idéia dos festejos comemorativos ao Cinqüentenário do município, simultaneamente com uma Industrial-Agro-Pastoril, que além de ser o marco inaugural de nosso Parque de Exposições, será a demonstração de nossos recursos sócio-econômicos, buscando a valorização dos nossos elementos de produtividade e do nosso ambiente social e cultural”. (Jornal Folha d’ Oeste. Feiras, Exposições e seus resultados. Chapecó, 21/01/1967, p.1.)


36 LOFEGO, Silvio L. 1954 – A cidade aniversariante e a memória coletiva. O IV Centenário da Cidade de São Paulo. Projeto História, nº20, abril de 2000, p.301.

37 Incluindo os distritos.






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