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Encontro18.07.2016
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João Saad e sua contribuição para a Comunicação Social no Brasil

Profª Roselita Lopes de Almeida Freitas Docente/Pesquisadora da Fundação Cásper Líbero - SP


OBJETIVO GERAL


Elaborar um relato biográfico do Sr. João Jorge Saad, utilizando técnicas e metodologia da prática jornalística.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS

- Levantar uma comparação da análise de elementos; o alinhamento de dados e organização de etapas que compõem o fazer biográfico na perspectiva jornalística.

- Traçar um estudo sobre as empresas de comunicação em tempos de globalização.

JUSTIFICATIVA

A experiência de elaborar uma biografia com recursos da prática e técnicas jornalísticas, comparando esses processos, pode resultar numa contribuição na técnica de tratamento do texto biográfico e perfis.

Estudos sobre biografias atualmente, são produtos raros nas universidades brasileiras; tampouco encontra -se à disposição dos interessados no assunto, algo como uma teoria biográfica geral; o que se vê são estudos isolados em diferentes áreas do conhecimento humano que não chegam a cruzar muitas informações.

Sob outro aspecto, quanto ao biografado - João Saad foi o criador da primeira rádio brasileira 24hs no ar em 1950; organizador da padronização de medida de tempo em três minutos para intervalos comerciais, no ano de 1955; empreendedor da famosa “Cadeia Verde e Amarela – Norte /Sul do Brasil” em 1958; co-criador dos programas noticiosos em 1962, chamados “Titulares da Notícia“ e “Primeira Hora” - inaugurando a primeira geração simultânea de programação entre Rio de Janeiro e São Paulo, (aliás, este último programa ainda hoje em atividade). Em 1989, ainda sob a direção do Sr. João, a Rádio Bandeirantes foi a primeira rádio brasileira a gerar sinais via satélite, tendo sua emissora de TV como a primeira a transmitir imagens em cores no Brasil. Com tantas inovações assim, curiosamente, esse empresário, diferente de outros do mesmo segmento, não investiu em empresas de jornais impressos.

Suas empresas nunca foram totalmente líderes de audiência, mas também não sumiram do mercado, nos revezes da instável economia nacional. De uma certa forma estas sempre inovaram, criando alternativas simples e populares manterem-se numa posição regular de audiência.

Com esta dissertação, abre-se também a possibilidade de estudar as modificações que ocorrem nas empresas de comunicação em tempos de globalização e o provável não mais surgimento de idealistas da comunicação.



INTRODUÇÃO

Em meus quase vinte e dois anos de trabalho em empresas de radiodifusão, por mais de onze anos estive dividida entre a TV Bandeirantes de São Paulo e sua filial no Vale do Paraíba. Durante todo este tempo, acompanhei várias ações do Sr. João Jorge Saad e também gravei muitas matérias com ele sobre assuntos diversos; desde a inauguração de uma nova torre de retransmissão em Taubaté, até sua comemoração ao receber o título de Cidadão Joseense, oferecido pela Câmara dos Vereadores de São José dos Campos. Essas e outras matérias que tenho registrado em meu acervo particular, geram quase quatro horas de gravação em vídeo.

Tive também a oportunidade de registrar a palavra do Sr. João em duas edições da revista Vitrine Express, da qual fui editora; e aí, também tenho mais algumas horas de depoimento.

Estudando a história dos meios de comunicação em massa no Brasil, me dei conta da grande importância desse homem que criou grandes ações nos meios de comunicação, e muitas destas, acabaram-se tornando padrão no meio midiático. Interessei-me então por pesquisar e relatar sua vida, e me dei conta de que, sem planejar, estava trabalhando numa perspectiva jornalística de elaboração e análise de dados.

Novamente ampliando o raciocínio, percebi que eu não era a primeira pessoa que assim procedia na produção de uma biografia.

Revendo as grandes biografias lançadas nos últimos anos no Brasil, novamente percebi a prática jornalística na ação de produção dessas obras; resolvi então, utilizar a própria biografia do Sr. João Jorge Saad que proponho escrever, como tubo de ensaio para estudar e comparar a produção do estilo biográfico dentro da ótica jornalística.

Nesta proposta de trabalho existem questões que desejam entender de que modo os biógrafos atuam: que recursos (jornalísticos, historiográficos, sociológicos e psicológicos) aplicam; quais valores estão envolvidos nestas produções e onde começa ou termina o puro relato para dar lugar à interpretação dos fatos?

Enfim, as questões são muitas e sei que mesmo pesquisando muito não conseguirei respondê-las todas; mas acredito que o próprio exercício da pesquisa e narrativa da vida e obra do Sr. João Saad, será fator desencadeante de outras inspirações que busquem esclarecer os encontros e desencontros de uma produção biográfica.

Na primeira parte deste trabalho, a proposta é o levantamento bibliográfico dos conceitos técnicos e métodos praticados por jornalistas e escritores em relação à biografia e suas peculiaridades.

Pretendo dedicar um capítulo inteiro deste projeto ao estudo das técnicas narrativas jornalísticas; outro capítulo se destinará ao estudo do Novo Jornalismo (New Journalism), que tanto influenciou algumas gerações de profissionais e iniciou novas ações narrativas. Um outro capítulo especial ainda, será dedicado ao estudo do livro-reportagem, mostrando como este se aproxima do formato conceitual do universo biográfico.

A segunda fase, será a própria narrativa biográfica do Sr. João Saad; criada a partir da pesquisa em documentos e entrevistas; revisão de material e coleta de dados sobre a vida deste empresário e sua atuação no processo do desenvolvimento da comunicação em massa no Brasil.

A terceira fase, pontuará a análise das empresas de comunicação em massa no Brasil e as mudanças de paradigmas pertinentes à globalização; mostrando que neste formato de economia e padrões atuais, provavelmente nunca mais surgirão “pessoas/heróis” criadores de empresas e padrões de mídia – mas sim, teremos conglomerados de empresas multinacionais e um forte apelo comercial – onde o idealismo dá lugar à uniformização e pasteurização das mensagens.

O capítulo final deste trabalho, apontará as conclusões que se apresentarão durante o desenvolvimento do mesmo.

  1. REFERENCIAL TEÓRICO - BIOGRAFIA E JORNALISMO

A rigor, biografia é uma compilação de uma ou mais vidas. Normalmente, aparece no mercado primeiramente na forma impressa, e às vezes, é absorvida por outras mídias, como cinema, televisão ou teatro.

Biografia é uma modalidade em si, e híbrida por natureza, mistura conhecimentos de várias áreas do saber , como a literatura, historia, antropologia, sociologia e até psicologia.

Nessa mistura de informações, surgem alguns pontos que as tornam mais "jornalísticas", "literárias" ou "científicas", e a frágil linha que tenta definir esses estilos não convence os estudiosos do assunto.

O fato de jornalistas passarem a se dedicar à escrita biográfica sugere não apenas uma resposta às demandas do mercado editorial mas também a construção de um canal avançado e multidisciplinar de comunicação jornalística, que dinamiza um conjunto de técnicas, conceitos e procedimentos apropriados ao caráter híbrido da narrativa biográfica.

Jorge Caldeira (apud Sergio Vilas Boas)1, declara em entrevista:


“A biografia não pode ser acadêmica. Para realizá-la, o historiador precisa abandonar muito do que aprendeu; tem de sacrificar o caráter acadêmico a favor do leitor comum. Biografia não é obra que se destina a especialistas. Trata-se de um trabalho duro, pessoal, subjetivo, literário e híbrido. Não dá para ser científico. Portanto, “biografia acadêmica” não pode existir. Não há no Brasil ou em qualquer lugar do mundo biografias escritas por acadêmicos para acadêmicos. Simplesmente porque a biografia é um gênero antiacadêmico por natureza. Pessoas de qualquer área podem escrever biografias de pessoas de qualquer área. “

No Brasil, a produção de biografias ainda é muito baixa comparando-se aos números da produção européia e americana.

Entre 1995 e 1997, o número de exemplares à venda no Brasil praticamente dobrou (99%), enquanto a variação do total de títulos lançados caiu 11% de 1995 (213 títulos) para 1997 (190). Mas essas estatísticas da Câmara Brasileira do Livro (CBL) só informam valores globais. O gênero biografia aparece agrupado a outros gêneros como memórias, autobiografias e cartas.

As editoras brasileiras também associam as biografias a outros gêneros. Portanto, não há dados globais disponíveis nem sobre o gênero biografia isoladamente nem sobre quantos títulos são de autores brasileiros ou estrangeiros; ou quantos retratam personalidades estrangeiras ou brasileiras.

No biênio 94/95, três obras surgem no mercado editorial brasileiro criando novo ânimo ao gênero. Até março de 2001, segundo pesquisa de Sergio Villas Boas em sua tese de doutorado na ECA/USP; Chatô - O rei do Brasil (1994), de Fernando Morais havia vendido 205 mil exemplares; Mauá - Empresário do Império (1995), de Jorge Caldeira, vendeu 106 mil exemplares e, finalmente, Estrela Solitária - Um Brasileiro Chamado Garrincha (1995), de Ruy Castro, vendeu 76 mil exemplares.

Esses dados mostram-nos a surpreendente quantia de 387 mil cópias vendidas em um intervalo de seis anos, caso totalmente novo no mercado editorial brasileiro que tem nos livros de auto-ajuda seu maior sucesso de vendas.

A crescente demanda por biografias no Brasil e no mundo, pode ser vista por vários ângulos. Primeiramente o interesse do leitor demonstra que o “indivíduo” tem importância, o que significa restaurar, nesta complexa era tecnológica, o ser humano preso na vasta rede de forças impessoais que estão além de seu controle. As pessoas continuam lendo biografias pelo prazer de se projetarem em outras vidas, outros tempos, outros destinos – e de retornar ao presente após a “viagem”.

A idéia de um leitor em sua busca de si mesmo quando na leitura de uma biografia, confronta outra noção, a de que estas se destinam a um mercado consumidor alienado, fútil e curioso em relação a detalhes sórdidos, pouco edificantes da vida de pessoas famosas, celebridades do mundo das artes, da política e da indústria do entretenimento.

As histórias de vida de pessoas extraordinárias excitam, orientam, alertam, ajudam a vivenciar o que aconteceu como com elas, possibilitando uma certa transferência ao leitor, dando dimensão imaginária às suas vidas.

Em “Código do Ser”, Hillman2 comenta:


“É isso o que procuramos quando compramos uma biografia e lemos sobre as intimidades secretas das pessoas famosas, sua sorte, seus erros, suas fofocas. Não para trazê-las para o nosso nível, mas sim para elevar o nosso, tornando o nosso mundo menos impossível graças à familiaridade com o delas.”

Andando pelo fio do tempo, descobrimos que a história da literatura brasileira é liderada por grandes cronistas e ilustres repórteres.

Daqui se retira que a técnica jornalística serviu de berço literário muito tempo antes de se instalar a controvérsia entre jornalismo e literatura. Atualmente, jornalistas, escritores e estudiosos da mídia vêem na crônica e na reportagem gêneros híbridos - presos ao factual e à atualidade, mas igualmente à visão subjetiva do autor e à sua qualidade narrativa.

Mas a narrativa jornalística agilizada por periodicidades de difusão curtas não é a única possibilidade de contar – em jornal, revista, TV, Rádio, ou websites – o que aconteceu. O jornalismo possui outras modalidades para ajudar os leitores a compreender o passado. Uma delas é não-periódica, cobre faixas de tempo amplas, interage com várias áreas do conhecimento, possui mecanismos sofisticados de captação da realidade longínqua e imediata e de estruturação e redação do texto – o livro reportagem.

Os livros-reportagem - considerados uma alternativa para o jornalista diante da falta de espaço na imprensa escrita para aprofundar um determinado assunto - resultam de fatos reais que, com alguns toques de linguagem literária, dão relatos que podem ser lidos como romances, pela vivacidade das descrições e pelo interesse humano das personagens/pessoas que intervêm na história.

O instrumento básico para o relato jornalístico é a notícia, forma de comunicação que condensa os fatos sociais. Mas como há temas que requerem abordagem mais ampla, o jornalismo desenvolveu, ao longo do tempo, uma forma de mensagem mais rica, cujo teor procura redimensionar a realidade sob um horizonte de perspectivas onde não raro existem várias dimensões dessa mesma realidade. Essa é a forma da reportagem, que nos casos mais felizes oferece, em torno do núcleo frio que marca um acontecimento, todo um contexto embelezado pela dimensão humana, pela tradução viva do ambiente onde ocorreram os fatos, pela explicação de suas causas, pela indicação de rumos que a situação irá tomar.

Contrária à objetividade do jornalismo, a reportagem busca um certo sentido estético na narração. O texto da reportagem narra o fato mais amplamente, aprofundando-se no tema, buscando, através de uma linguagem mais solta, dar um tratamento envolvente ao fato.

O livro-reportagem é uma prática jornalística e literária capaz de acolher com relativa folga a seguinte hipótese: a biografia é uma modalidade de jornalismo focada na construção do ser humano pela via da escrita impressa; seu compromisso é o mesmo do jornalismo como um todo – o compromisso com os fatos e com a clareza.

Como prática jornalística avançada, a biografia, tal qual o livro-reportagem, pode se inspirar no legado do Novo Jornalismo (New Journalism); aliás, termo esse cunhado ao acaso, talvez informalmente, mas que se propagou mundo afora a partir dos anos 60, no auge do movimento da contracultura, e assim alguém se deu conta de que podia haver excitação artística no modo de se praticar jornalismo. Um biógrafo pode operar princípios e recursos estritamente jornalísticos para realizar sua biografia. Mas, dependendo das circunstâncias, esses princípios e recursos serão insuficientes para se atingir um nível elevado de qualidade e consciência sobre o próprio fazer.

O livro-reportagem é um trabalho autoral, em que o criador procura manter seu leitor provido de meios para compreender o seu tempo, as causas e origens dos fenômenos que presencia, suas conseqüências no futuro, as cadeias de sentidos subjacentes ao tema. Há o evidente esforço de determinar o sentido do fato ou acontecimento através da rede de forças que atuam nele.

Quando se fala em biografia, existem várias expressões que carecem de definição: existe a biografia jornalística? Ou a biografia literária? Ou a histórica? Ou a sociológica? Ou ainda a científica?.

Não sei, preciso estudar mais; mas em princípio, acredito apenas que existem biografias enquanto estilo, e que o sobrenome agregado ao trabalho será definido pelo contexto, ou ainda pela estética do produto final.

O biógrafo tanto guia-se como é guiado pelos fatos.

A rigor, uma biografia é uma compilação de uma ou várias vidas, e obviamente não é só a impressa. O teatro, o rádio, o cinema e a televisão também se valem deste formato de produção que normalmente é sucesso de público. Histórias de vidas célebres sempre despertaram a atenção de grupos heterogêneos de leitores.

Este estilo de narrativa vem crescendo no Brasil, principalmente depois do lançamento dos livros Chatô: O Rei do Brasil (Fernando Morais); Mauá: Um Empresário do Império (Jorge Caldeira) e Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (Ruy Castro); mas encontra-se ainda distante dos números do mercado editorial de outros países, como por exemplo os Estados Unidos.

Pessoas de qualquer área podem escrever boas biografias de qualquer área; mas claro, há que se aprender a pesquisar assim como se aprender a narrar. As dúvidas sobre a narração de biografias envolvem questões que iniciam-se já na própria criação do texto, e em meu ver, não há como ser puramente científico neste tipo de pesquisa, assim como não se pode ser puramente historiador, nem somente jornalista.



1.1. BIOGRAFIAS E SUAS PECULIARIDADES

Segundo Sérgio Vilas Boas em sua tese de doutorado, cada biografia, demanda características diferentes dependendo da proposta contratual escolhida para a produção do projeto. Estes formatos de contrato podem ser de quatro categorias:




  1. Biografias autorizadas – escritas e publicadas com o aval e eventualmente com a cooperação do biografado e/ou de seus familiares e amigos.

  2. Biografias ditadas – situações de produção em que o biógrafo apenas escreve um texto ditado pelo personagem central, fazendo assim o papel de ghostwriter.

  3. Biografias não autorizadas – caracterizam-se por aquelas obras em que o pesquisador investiga sem o consentimento formal do biografado ou de seus familiares.

  4. Biografias encomendadas – são obras literalmente encomendadas pelo biografado, por editores ou por familiares do personagem central; e portanto, nem sempre são o retrato fiel da verdade.

As biografias autorizadas facilitam o acesso aos documentos pessoais, correspondências e diários da persona. O biógrafo tem trânsito livre para entrevistar familiares, amigos, profissionais e quem mais houver e estiver disposto a oferecer um testemunho, se necessário. Porém podem correr o risco de terem que submeter a obra aos pareceres de amigos e familiares, omitindo trechos ou articulando informações.

Quanto as biografias ditadas, normalmente o que se vê são apenas os aspectos que interessam ao biografado, portanto, a manipulação das informações seguirão um percurso com objetivos bem delineados.

Mas é possível que a maioria das melhores e mais bem sucedidas biografias sejam independentes e tratem de personalidades mortas já na época do começo da captação de informações. Acreditamos que dos quatro modelos que o autor nos descreve, talvez a obra que seja mais próxima da história real da vida do personagem focalizado, seja a biografia não autorizada, pois nelas sempre o autor demostra mais ousadia na pesquisa e revelação de fatos por não haver interferência direta dos guardiões do personagem.

Em princípio, as biografias independentes ou não autorizadas sejam mais acuradas por não haver interferência direta dos guardiões do personagem.

A força da imprensa vem crescendo ao longo dos tempos, intimamente associada à multiplicação dos meios de comunicação de massas. E, com esse crescimento, aumentou a possibilidade de uma informação divulgada, que não seja cem por cento fiel aos fatos, enganar todo um público.

Depois do New Journalism, os cuidados dos editores com o que escreviam os jornalistas redobrou. Atualmente, com as regras do Código Deontológico dos Jornalistas bem fixadas, congressos de ética periódicos e a proliferação dos livros de estilo, incorrer no erro de costurar num mesmo texto a opinião com os fatos, a realidade inegável com as aparências enganadoras, é marcar encontro com problemas; mas um processo judicial só tem início se comprovado que a biografia contém mentiras e calúnias sobre o biografado ou outra pessoa mencionada no livro.

A obra de Ruy Castro, sobre Garrincha, é a que melhor exemplifica os riscos da biografia independente ou não autorizada – as filhas do ex-jogador entraram com ação contra Ruy, alegando que o livro arranhava a imagem pública do ídolo; como resultado até que fosse resolvida judicialmente a questão, houve a proibição das vendas da obra.


2. LITERATURA BRASILEIRA E A MODIFICAÇÃO DE PADRÕES
A literatura brasileira nos anos 30 e 40, foi marcada por uma busca da naturalidade na escrita. Os autores, despreocupados em refletir sobre a linguagem literária e, herdeiros da liberdade que os modernistas conquistaram, acabaram - sem querer, construindo uma nova maneira de escrever.

Segundo CÂNDIDO3 (1989, p. 205),


“ A posição politicamente radical de vários desses autores fazia-os procurar soluções antiacadêmicas e acolher os modos populares; mas ao mesmo tempo os tornava mais conscientes de sua contribuição ideológica e menos conscientes daquilo que na verdade traziam como renovação formal. De qualquer maneira, neles ganha ímpeto o movimento ainda em curso de desliterarização, com a quebra de tabus de vocabulário e sintaxe; o gosto pelos termos considerados baixos (segundo a convenção) e a desarticulação estrutural da narrativa, que Mário de Andrade e Oswald de Andrade haviam começado nos anos 20 em nível de estilização, e que de um quase idioleto restrito tendia agora a se tornar linguagem natural da ficção, aberta a todos.”
Posteriormente, na década de 60, no período populista de João Goulart, houve um aumento de interesse pela cultura popular e um grande esforço para exprimir as aspirações e reivindicações do povo. Com o golpe militar em 68, surgiram aos poucos, manifestações de revolta e quebra de padrões, que ainda hoje orientam a produção cultural, com experimentalismo e pluralidade estética.


1 VILAS BOAS, Sergio. Páginas da Vida - A arte Biográfica e Perfis. Tese de Doutorado ECA/USP. São Paulo, 2001.


2 HILLMAN, James. O Código do Ser. Ed. Objetiva. Rio de Janeiro, 1997.


3 CÂNDIDO, Antônio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo, Ática, 1989.



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