“obrages & companhias colonizadoras” Santa Helena na História do Oeste Paranaense até 1960



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OBRAGES & COMPANHIAS COLONIZADORAS” Santa Helena na História do Oeste Paranaense até 1960.

Nilva Formulo, Patrícia Roesler e Sandra Inês Lindner - acadêmicas da terceira e da segunda séries do Curso de Pedagogia da Unioete – extensão Santa Helena-PR e integrantes do grupo de pesquisa HISTEDBROPR.



RESUMO



COLODEL, José Augusto. OBRAGES & COMPANHIAS COLONIZADORAS, Santa Helena na História do Oeste Paranaense até 1960. Santa Helena / PRP: Assoeste, Ed. Educativa, 1988.

INTRODUÇÃO


A Região Oeste do Paraná é muita rica em realizações, sendo que, sua história não acontece isoladamente, desligada de outros fatores. Esta história é resultado de uma série de realizações pessoais e coletivas.

Integrante da Região do Oeste do Paraná, de Santa Helena, foco de que procuramos compreender um pouco das manifestações histórico-culturais desde o final do século XIX até 1960, pretendemos resgatar e compreender um pouco mais da história da região oeste em sua forma mais geral.

É objetivo desse trabalho de pesquisa, que faz parte de um projeto maior, levantar e catalogar fontes históricas a respeito desse município em um primeiro plano, bem como compreender o contexto sócio-econômico e político. A fundação do Porto de Santa Helena em 1858, até finais dos anos de 1950, com a chegada das primeiras famílias de colonos trazidos pela Imobiliária Agrícola Madalozzo LTDA.

CAPÍTULO I

Portugueses, espanhóis e indígenas: os conflitos pela posse da Região Oeste manifestam-se desde cedo.

No século XV, Espanha e Portugal decidem dividir entre si a América, celebrando então o acordo do Tratado de Tordesilhas, em 7 de Junho de 1494, em uma cidade da Espanha.

Com o mediterrâneo traçado, o rei da Espanha ficou com praticamente toda a região do atual território paranaense, toda a Região Oeste. No início do século XVI a Espanha realiza suas primeiras viajes de exploração. Assim João de Solís em fins de 1.515 desembarca na costa do que conhecemos como República do Uruguai. Solís morre em um ataque dos índios Guaranis, assim como boa parte dos seus homens.

A armada decide retornar sobre território de domínio português, umas das caravelas espanholas naufraga na costa de Santa Catarina, alguns dos tripulantes são capturados pelos portugueses, outros liderados por Aleixo García deram em terras mais distantes, coletaram informações dos indígenas destas terras catarinenses a respeito de um grande império no oeste, com grande quantidade de prata naquelas margens. Aleixo García, seus homens e centenas de indígenas marcharam em direção do Império de Prata, no ano de 1521e acaba chegando nos Andes, na Serra da Prata, onde receberam grande quantidade de ouro e prata das tribos indígenas nativas. A noticia da expedição de García logo chegou aos ouvidos de outros aventureiros espanhóis que estavam na região litorânea de Pernambuco e atraiu o aventureiro Sebastião Caboto, que partiu em direção a Santa Catarina, e em 1527, seguiu em direção ao rio Prata, aportando no rio Carcanhará onde fundou um porto.

O rei de Portugal não conseguia se acomodar sabendo dessa conjuntura exploratória, e ainda das riquezas que poderiam ser conquistadas na região do Prata. Em 1530 mandou grupos de portugueses partindo do rio Amazonas ao rio da Prata.

O Reino da Espanha começa a preocupar-se com as investidas portuguesas, pois não queria dividir o ouro e a prata que poderia rebanhar naqueles territórios que eram de sua posse pelo Tratado de Tordesilhas. O governo de Portugal manda uma armada ao Prata, comandada por Pedro Mendonza.

Pedro de Mendonza faleceu voltando para a Espanha deixando como substituto João de Ayola, que também morre num dos ataques indígenas. Domingos Martinez de Irala consegui escapar e mais tarde encontrou-se com outras expedições. Formando novos acampamentos recebendo novos aventureiros dando origem à cidade de Assunção.

Ao saber da morte de Mendonza o imperador Carlos V manda outro Adelantado para governar Assunção; Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, que inicia sua viagem à terra do rio Prata. Em 1544 Cabeza de Vaca enfrenta a revolta do outro grupo, sendo derrotado e obrigado a voltar para a Espanha. A coroa espanhola tinha como necessidade urgente a segurar o domínio dessa região já que os portugueses haviam tentado pelo litoral atlântico.

Desconhecidos.

No processo de exploração e povoamento na região de Guairá, a Igreja Católica através da Companhia de Jesus objetiva a conquista espiritual dos nativos pregando a fé cristã ocidental. As autoridades espanholas em Assunção transformam a Ciudad Real em província de Guairá, isto no ano de 1600. Os Jesuítas a partir de 1610 iniciam a tarefa de catequizar os nativos e os espanhóis que ali residiam assim como os da vila rica do Espírito Santo.

As Reduções administradas pelos padres alcançaram um razoável domínio material e espiritual, os jesuítas sempre procuravam domesticar a mão-de-obra indígena que se tornava produtiva rapidamente, passando a produzir todos os meios essenciais para sua subsistência, assim como extraíam grande quantidade de erva-mate nativa, que era negociada em outras regiões. Tanto homens como mulheres desenvolviam tarefas determinadas, os homens agricultura e pecuário, as mulheres artesanato peças de vestiários com produção de tecido de lã e de algodão.

Na educação as instruções eram dadas pelos padres. As reduções tinham escolas para crianças onde os adultos também participavam das tarefas cotidianas nos horários livres. É no século XIX, porém, que se volta o interesse pela região oeste, devido a procura de minerais preciosos e outros produtos que serão à base da economia Paranaense, como a erva-mate e a madeira. É com esses novos objetivos que ocorre a retomada ao território paranaense de maneira mais organizada. A presença de estrangeiros, no Oeste do Paraná é motivo para estruturação de um novo universo social como expansão e dominação específica, tendo como centro verdadeiros impérios agrícolas as Obrages.




CAPÍTULO II


Fragmento do processo conjuntural de povoamento da Região Oeste: organização e atuação da Comissão Estratégica.

Na última década do século XIX, é que acontece a descoberta e o povoamento da região brasileira de Foz de Iguaçu, isto é, após o termino da Guerra do Paraguai, entre os anos de 1865-1870. Sendo que o ministério da Guerra pressiona no sentido de instalação de uma Colônia Militar mais a oeste do território do império, sendo assim, juntamente com o governo são tomadas medidas para agilizar a fundação de uma colônia militar, e a construção de um forte suficientemente aparelhado para se opor a qualquer tipo de intervenção dos vizinhos do Prata.

Nesse momento, o principal tema de debates no Brasil era a abolição total da escravidão negra. O exército servia aos interesses da classe hegemônica, mas os soltados viviam em permanente miséria. Somente na Guerra do Paraguai que, pela primeira vez criou-se à necessidade de ter um exército numeroso e aparelhado. A Guerra do Paraguai termina em 1870, quando este país é completamente arrasado.

O positivismo se introduz no Brasil e cai como uma luva para alguns setores militares do Exército. Os positivistas eram pequenos grupos formados pelas elites científicas, que eram contra o Regime Monárquico, mas não tomavam nenhuma medida contra esse regime, considerando que a ordem já estava estabelecida. Thomaz José Coelho de Almeida, que assume o posto do Ministério da Guerra (1888) criou uma Comissão Estratégica visando defender e retomar os interesses pela Região de Foz do Iguaçu.

O Capitão Belarmino Augusto de Mendonza Lobo chefe da comissão estratégica, ao chegar na cidade de Guarapuava faz dela o centro de operações e sede dos trabalhos. A comissão contava com grande estoque de mantimentos, um corpo de oficial-especialistas formados por 14 homens. Na tentava da descoberta de Foz do Iguaçu ficou encarregado José Joaquim Fermino, o oficial mais novo. Em fim de novembro de 1888, inicia-se a exploração e os trabalhos de aberturas das picadas em direção em foz do Iguaçu, atingindo-se o objetivo em 15 de junho de 1889.

José Joaquim Fermino ao encontrar a região onde a Colônia Militar deveria ser fundada, retorna em agosto de 1889 para Guarapuava, para entregar o relatório detalhado sobre sua expedição. Ao chegar encontra quase que formada uma segunda expedição que rumaria a foz do Iguaçu.

Na primeira, bem como na segunda viagem, a expedição se deparou com ervateiros paraguaios, os quais foram barrados por ordem do comandante da expedição, pois estes não possuiam autorização do governo brasileiro para a exploração intensiva da erva-mate.

O domínio da comissão estratégica sobre a Colônia Militar do Iguaçu deixa de fazer sentido em 1882 quando o ministério da guerra resolve desmembrá-la. Mas a comissão continua exercendo suas atividades na estrada que liga Colônia a Guarapuava.


CAPITULO III

A Companhia Domingos Barthe: um exemplo da organização do trabalho obragero em Santa Helena.

O processo de exploração da erva-mate e da madeira do Oeste do Paraná era feito quase que de forma absoluta por mão-de-obra de companhias estrangeiras, paraguaios ou mensus. Entretanto, para compreendermos sobre a vida dos peões nesses sertões, é preciso conhecer a organização dos domínios rurais nas margens do rio Paraná que apresentavam características distintas, chamadas Obrages.

Para o funcionamento das obrages do Paraná, o capital empregado vinha de empresários residentes nas províncias de Corrientes e Missiones na Argentina. Esta região era bem conhecida, devido o complexo exploratório das obrages. Ao esgotar a erva-mate, os obrageros argentinos ampliavam sua atuação em outros espaços geográficos mais conveniente.

Nas primeiras décadas do século XX, os desenvolvimentos crescentes da política e do comércio dos portos de Corrientes e Pousadas eram observados por viajantes brasileiros. Os problemas de fiscalização do território brasileiro eram os mais graves obstáculos enfrentados pelas autoridades governamentais. Sendo apenas no ano de 1913 que o Governo do Estado do Paraná estabelece o Serviço Fiscal Estadual na zona de fronteiras.

Com a precariedade que ocorria em Foz do Iguaçu, do centro da fiscalização alfandegária e de policial, esta região torna-se um mundo governado por leis próprias a mando e desmando de quem tinha em suas mãos o poder econômico.

Os peões que trabalhavam nas obrages deviam obediências aos obrageros, que tinham o poder de vida de morte sobre seus trabalhadores. Havia constantemente o uso de violência pelos obrageros e capatazes contra os peões, até mesmo as autoridades policiais usavam procedimentos abusivos ultrapassando os limites estritamente legais.

No século XIX os Argentinos penetram nos territórios brasileiros em busca de riquezas nativas da Região Oeste. Santa Helena que fica a margem do Rio Paraná tem a Companhia Domingos Barthe, instalada em 1858. Na época da fundação do Porto de Santa Helena as atividades obragera ainda estavam se iniciando no Paraná.

As reservas nativas de madeira e de erva-mate sofriam um processo de exploração bastante acelerado, as obrages cresciam dia a dia, ficando claro que em poucos anos as riquezas em abundância deixariam de existir.

Os primeiros colonos gaúchos começaram a chegar na Região de Santa Helena no inicio de 1920, a presença de Argentinos nessa região era marcante, entre eles a Companhia de Domingos Barthe, desenvolvendo aqui suas atividades. Em 1901 Barthe se alia a Manoel José da Costa Liboa, adquirindo provisoriamente 10.000 hectares de terra, este título tinham prazo de validade de um ano, findo o prazo os compradores eram obrigados a substituí-lo por outro. Em 1902 Manoel José da Costa Liboa transfere todos os direitos a Domingos Barthe.

Os primeiros colonos gaúchos foram trazidos pela Colonizadora Alegretti. Em Santa Helena estava localizado o escritório de Barthe. O Porto era controlado por um administrador indicado pela companhia.

A violência cometida pelos capatazes ou capangas, era um fato corriqueiro dentro das obrages. Isto acontecia principalmente pela inexistência da atuação das autoridades policiais da região, sendo que a violência contra os mensus aumentavam quando chegava à hora do acerto de contas com seus patrões. Na obrage de Santa Helena, os mensus solteiros viviam em alojamentos e dormiam em beliches, já os casados tinham família e moravam em barracos construídos de pau-a-piqui.

Devido à grande quantidade de mão-de-obra que aguardava ser contratada, os salários eram baixos. Além disso, nas obrages havia armazém ou barracón, que pertenciam à companhia onde os mensus obrigavam-se abastecer do gênero das primeiras necessidades. Quando os mensus chegavam nas obrages imediatamente eram obrigados a abrir uma conta corrente no barracón onde poderiam movimentá-la quando houvesse necessidade.

No Porto em Santa Helena, Porto de Domingos Barthe era proibido o consumo de qualquer tipo de bebida alcoólica. Já a presença das mulheres era permitido dentro da obragens de Domingos Barthe, entretanto, não desempenhavam atividades produtivas importantes. No porto de Santa Helena suas atividades estavam ligadas a tarefas como lavadeiras, empregadas domésticas dos administradores da companhia, cozinheiras, costureiras etc.

Tudo o que se ganhavam tinha que ser gasto na própria obrage. Quando um mensu ousava romper com um único vinculo que o ligava ao seu patrão, concretizavam todas as manifestações de violência que regiam em seus cotidianos. Pistoleiros eram contratados pela companhia de Domingos Barthe para coagir os peões.

As atividades da companhia de Domingos Barthe estenderam-se até a década de 30, quando Getúlio Vargas inicia a marcha para o oeste. Com a passagem de tropas revolucionárias no oeste paranaense, as obrages sofrem grandes prejuízos, com bens tomados pelos revolucionários, além de muitos mensus serem libertados.


CAPITULO IV
O Porto Santa Helena e a Navegação a vapor no Alto Paraná.

No século XIX o Brasil e a Argentina selam um acordo diplomático de usufruto. Assim os espanhóis aproveitam o potencial navegável e monopolizaram a navegação comercial e turística no Rio Paraná. Baseados na percepção econômica de que o Paraná não estava explorando suas riquezas naturais, em 1891, os industriais residentes em Curitiba requereram do Ministério da Agricultura o privilégio da navegação na margem esquerda do rio Paraná. Contudo, o Congresso Federal manifestou-se contra o pedido dos empresários curitibanos e o Rio Paraná continuou sendo livremente explorado por embarcações paraguaias e argentinas. Assim os obrageros continuaram controlando a navegação e transporte fluvial por este rio.

A viagem por água era feita via Montevidéu. Essas navegações transformavam-se em verdadeiras casas comerciais, comprava-se desde carne, roupas, sapados, moveis, bebidas, revistas, combustível etc. Todas essas mercadorias eram trazidas da Argentina, com um preço exorbitaste.

Trafegar pelo rio Paraná não era uma atividade fácil, havia os perigos oferecidos pela própria natureza rebelde do rio Paraná. As jangadas, feitas por torras colocadas na água e depois amaradas formando um assoalho gradeado, conduzidas por jangadeiros.

As primeiras famílias de colonos instalaram-se em Santa Helena Velha e, através do Rio Paraná, comunicavam-se com centros urbanos e com suas terras de origem. Muitas destas famílias eram de origem italiana, alemã e polonesa formando regime de pequenas propriedades. Com a falta de um estabelecimento comercial que suprisse boa parte das necessidades básicas dos colonos, foram obrigados a procurar grandes centros comerciais como Foz do Iguaçu. Para chegar a essa cidade era preciso viajar a cavalo por picadas que acompanhavam o Rio Paraná, demorando cerca de dois dias e meio. Então, a comercialização dos produtos começa a ser feitos as margens do rio Paraná, quando as embarcações, que percorriam o rio desde Foz do Iguaçu até Porto Mendes, paravam no porto de Santa Helena.

O excedente das produções dos colonos, eram carregados por meio de carroças até a margem do rio, onde esperavam as embarcações, que nem sempre paravam no porto de Santa Helena.

Existiam diversas embarcações que percorriam o rio Paraná, que eram utilizados para transporte de erva-mate de madeiras beneficiadas. Um dos principais vapores, o Salto, que trafegou até o ano de 1949, fazia o percurso desde Pousada ate Porto Mendes, passando por Santa Helena, era movido por duas grandes rodas laterais e servia para transporte erva-mate e passageiro.

Do porto de Santa Helena até a cidade de Foz do Iguaçu, a viagem a vapor demorava aproximadamente quatro horas com a ajuda da correnteza. Já no sentido contrário demorava o dobro do tempo.

Em 1921, Valentin Agostini chega em Santa Helena vindo do Rio Grande do Sul. Alguns anos depois começa a ganhar impulso com um barco, lançado nas águas em 1944, batizado como VAMA. Quando Valentin faleceu no ano de 1945 em Foz do Iguaçu, a carreira do VAMA praticamente acabou.

CAPITULO VI


Em 1920, em Santa Helena, iniciaram as transações comercias em torno das terras pertencentes a Meier Annes e Alegretti e cia. O governo do Estado promulgou leis que concediam áreas de terra aos colonizadores da margem esquerda do Rio Paraná. Meier Annes vende parte de suas propriedades para Alegretti e Cia, que agilizou a venda de futuros lotes coloniais.

Pedro Ferri foi um desses compradores que adquiriu 14 lotes em Santa Helenas, tornando–se o maior proprietário depois de Alegretti, sendo mais tarde contratado para ser corretor de vendas de lotes para Alegretti e cia. Estes lotes eram oferecidos por preços bem baixos, onde o corretor oferecia muitas vantagens que nem sempre eram verdadeiras. Os preços baixos dos lotes se justificavam, pois o governo Estadual tinha grande interesse em colonizar-los o mais breve possível.

A companhia Alegretti conseguiu atrair para suas terras um número razoável de colonizados. Na época as condições em Santa Helena não eram as melhores: as vias de comunicação existentes não passavam de picadas em péssimo estado de conservação.

Este momento coincidiu com a passagem da coluna Prestes no Oeste Paranaense, interrompendo o fluxo dos colonos.

Em 1926 a companhia Paranaense de colonização Espéria entra em cena, sendo financiada por capitais Italianos e recebendo das autoridades Paranaenses três anos para colonizar a área, mas o maior interesse desta companhia era a extração de madeira. Nesta época havia o porto de Santa Helena e o Porto Sol de Maio, onde a companhia montou uma cerraria que fazia a exportação pelo Rio Paraná. A companhia Espéria queria trazer para Santa Helena, imigrantes Italianos e então fazia propaganda enganosa da região e das melhores condições de vida existentes para atrair os imigrantes.

Para o trabalho utilizavam a mão de obra Paraguaia


Nesse momento, a companhia Espéria fez um pedido as autoridades Paranaenses para que prorrogasse o seu tempo de colonização para mais de três anos. As autoridades Estaduais aceitaram e prolongaram por mais oito anos.

Em meio a este contexto a vida política Brasileira sofre importantes mudanças principalmente devido a revolução de 1930 que afetaria principalmente as companhias e toda a região do Oeste Paranaense. A revolução de 1930 tinha o objetivo de reforçar a brasilidade dos habitantes da terra, começando com a marcha para o Oeste.

De agora em diante caberia tomar toda a terra que estivesse investida sob monopólios estrangeiros. Iniciou–se assim uma série de medida no Paraná, sendo foz do Iguaçu o alvo imediato. Foi imposto a obrigatoriedade da língua portuguesa, a moeda nacional deveria reger em todas as transações comerciais, as terras que estavam sob a posse de mãos estrangeiras deveriam ser nacionalizadas.

As atividades desenvolvidas pela companhia Espéria mostraram–se contrárias a política seguida e o governo do Estado cassou os direitos que lhe havia concebido, apreendendo todos os bens da companhia.

Em 1942 o Brasil declara Estado de Guerra aos países do Eixo, devido a pressões de países aliados e o afundamento de navios por submarinos estrangeiros. A entrada do Brasil na Guerra resultou em represálias contra os súditos do Eixo em território nacional. A presença de estrangeiros era tida como inconveniente. Havia várias áreas de concentração e por ordem do ministério da Guerra quem não soubesse falar o português corretamente deveria se reunir em territórios determinados até o término da Guerra. Entretanto, após a Guerra tiveram permissão para retornar, porém a maioria imigrou para outros lugares.

Os anos 50 foram marcados por uma interrupção da colonização em Santa Helena. As companhias Espéria e Alegretti saíram por não cumprir as exigências de colonização exigidas pelo governo. Enquanto isso o Norte do Estado estava sendo colonizado rapidamente, devido a cafeicultura, liderada pela agrícola Madalozzo. A colonização de Santa de Helena iniciou–se em 1952 pela companhia Madalozzo. A região se encontrava praticamente despovoada, a passagem do Rio Paraná estava em decadência.

Somente em 1957 depois de muitas dificuldades superadas pela companhia para reestruturar os lotes é que começaram a se deslocar as primeiras famílias para Santa Helena. Foi construído um núcleo de colonização que estava com bom ritmo de andamento na colonização. As famílias vinham para Santa Helena com o propósito de reconstruir suas vidas. A imigração para o Oeste Paranaense e para Santa Helena foi de fundamental importância, pois sem dúvida abriu a possibilidade do recomeço!


CAPITULO V


Com o término da Guerra do Paraguai, os militares começaram a ter influência na vida política do Brasil, principalmente com a proclamação da república em 1989. Eles defendiam e tentavam colocar o pensamento positivista. A proclamação ocorreu devido ao regime imperial não ter soluções e estar desgastado para resolver as crises com os militares e a igreja.

A marinha mantinha uma tradição aristocrática, onde havia uma disciplina muito rígida e impunha uma série de castigos para com os marujos. Em 1910 houve a revolta da Chibata, liderada pelo marinheiro João Cândido, contra o sistema de comandantes, mas as tropas leais do governo combateram os revoltosos com muita violência, morte e exílio.

A partir do século XIX devido ao aumento das cotações de café no mercado exterior há uma acumulação interna de capitais, sem esquecer da substituição da mão de obra escrava pela assalariada.

O café desde 1840 era o principal produto de exportação e devido a sua grande expansão houve a escassez da mão de obra, provocando a necessidade de trazer mão de obra imigrante para o Brasil.

Nota–se que a relação existente entre os fazendeiros e os imigrantes responsáveis pelo trabalho eram muito desiguais e cheios de conflitos. Observa-se também pequenas unidades econômicas como a erva-mate, charque, extração da borracha na Amazônia, o fumo, o cacau na Bahia, pecuária no Norte do Estado de Minas Gerais e Mato Grosso.

Na Segunda década do século XX, Rio Grande do Sul e São Paulo eram os maiores centros urbanos do país, destacando–se por suas atividades industriais. Nesse sentido observa–se um aumento do custo de vida no qual as camadas médias e o proletariado eram as classes mais prejudicadas.

O processo industrial dá um impulso muito rápido e o café passa a gerar um excedente de capital que é investido na indústria. Os centros mais populosos do país passam por intensas manifestações por parte das classes médias e do proletariado, onde o setor operário exige melhorias nas condições de trabalho.

O cotidiano não era valorizado, então organizaram greves e protestos contra as condições atuais, sendo que estas greves se transformam nas principais armas usadas pelo proletariado como forma de contestação do trabalho capitalista e suas condições.

Com a proclamação da república o plano político assumiu um sistema de governo presidencialista, sendo que no império era o parlamentarismo e voto era censitário.

Os estados de Minas Gerais e São Paulo se revezavam no poder com o apoio das demais regiões que não tinham tanto poder econômico e potencial para eleger um representante, exceto o estado do Rio Grande do Sul. Mas São Paulo e Minas Gerais possuindo as oligarquias mais poderosas fizeram a política café com leite repartindo o poder durante toda a república velha.

Neste contexto o exército começa a tomar consciência do poder que tem nas mãos, pacificando muitas revoltas como a de Canudos, Farroupilha, etc.

Neste momento o mandato de Epitácio Pessoa estava no fim, e instalava–se uma nova crise sucessória, quando foi indicado para sucessão o mineiro Arthur Bernardes. Os militares se pronunciaram contra a posse do candidato eleito.

Em fevereiro de 1922, no teatro municipal de São Paulo, realizou–se a semana da arte moderna, onde foram expostos quadros, músicas artísticas que tinham a tendência de chocar; eram imagens e idéias que se mostravam diferentes do que a sociedade estava acostumada a presenciar. O movimento operário por sua vez passava por um momento de reestruturação, com a criação do partido comunista Brasileiro, tentando coordenar estratégias do proletariado, sendo que em todo o país estava acontecendo greves e protestos. Em julho de 1922 o presidente decretou estado de sítio. Em julho de 1924 acontecia mais uma insurreição desta vez apoiada por participantes de todo o país, com os mesmos princípios dos revoltosos de 1922, insatisfeitos com o governo. Desde o principio os revoltosos foram cercados por forças governistas numericamente superiores, que forçaram a saída dos revolucionários no dia 27 de julho de 1924. Assim, nascia à coluna Paulista, que chegou até as terras do Paraná e tinha como objetivo maior, tomar a cidade de Guaíra, sede da companhia Erva-Mate Laranjeira.

Guaíra era uma posse estratégica, pois desse modo poderiam seguir pelo Rio Paraná atingindo Foz do Iguaçu e controlar toda a atividade comercial. Para chegar a Guaíra os revolucionários tiveram que tomar o porto São João e do porto São José. No momento da chegada dos revolucionários, Guaíra encontrava–se em poder de tropas Legalistas. Quando rumaram a Foz, a cidade estava deserta devido a notícia de que tropas muito violentas estavam por chegar, o que facilitou a tomada da cidade. Após a tomada de Foz do Iguaçu o Oeste Paranaense ficou sob o comando das tropas revolucionárias. Então o comércio Fluvial cessou porque as pessoas tinham muito medo dos revolucionários. Corriam muitos boatos de que os revolucionários eram muito violentos e quase ninguém sabia o real objetivo das tropas. Nenhuma mercadoria entrava ou saia. Assim, a coluna Paulista se redistribui em locais estratégicos e ficou um pouco fragmentada. Com a passagem dos revolucionários no Oeste Paranaense constatou-se a decadência das Obrages que deixaram de existir definitivamente após 1930.

As obrages eram grandes propriedades rurais nas quais os empregados eram tratados com muita violência, más condições de vida, opressão. Os Obrages representavam tudo aquilo que os revolucionários eram contra, sendo que estas propriedades estavam em mãos de estrangeiros que estavam enriquecendo a custo das riquezas nacionais.

General Rondon foi nomeado governante de todas as forças governantes com a responsabilidade de manter a ordem, pois os revolucionários estavam ocupando todo o Oeste Paranaense. Em 25 de julho de 1924 Rondon foi nomeado comandante e chefe das forças Legalistas que deveriam conter os revolucionários. Entre o mês de julho e outubro a Campanha Paulista foi acompanhada pelos gaúchos através do rádio e jornal, sendo que estes apoiavam a Revolução Paulista e queriam fazer um levante no Sul. Em 15 dias essas tropas gaúchas que se levantaram foram liquidadas pelas forças governamentais, no entanto os gaúchos liderados por Prestes tiveram que sair do Rio Grande do Sul, pois não tinham munição e se encontravam em péssimas condições. O objetivo após a saída do Estado era se encontrar com a coluna Paulista. Esta, por sua vez, resolveu investir contra as forças Legalistas, mas o inimigo era muito superior em número e material bélico e conseqüentemente os revolucionários estavam em baixa. Desse modo, a solução era a retirada geral com destino á Foz do Iguaçu.

Quando Prestes se encontrou com a coluna Paulista o estado da tropa era de calamidade. Então, juntos, decidiram continuar a revolução com destino de sua concentração no Porto de Santa Helena.

Em Santa Helena nesta época, o pequeno núcleo que ali vivia, estava em função da exploração da erva-mate colhida comercialmente pela Obrage da Companhia Domingos Barthe. Umas das primeiras atitudes das tropas ao tomarem o porto de Santa Helena foi o de dar liberdade aos trabalhadores maltratados nas Obrages. Enquanto isso corria a notícia alarmante de que os revolucionários vinham assaltando e arrasando tudo nas cidades que passavam.

A companhia Domingos Barthe foi diretamente atingida coma a chegada dos revolucionários; perderam funcionários quando foi queimada a ponte do rio São Francisco falso para atrasar as forças Legalistas que estavam por chegar. Esta ponte servia de passagem para o transporte de erva mate, explorada na região de Cascavel e transportada através do Rio São Francisco falso até Santa Helena que era o seu porto de embarque.

A única casa comercial existente em Santa Helena era a de Valentin Agostini. A partir de Santa de Helena foi aberta uma picada que margeava o rio Paraná e seguia até Porto Mendes. O primeiro objetivo era retomar a cidade de Guaíra que estava novamente sob posse dos Legalistas, logo após penetrar no Estado do Mato Grosso.

Os Legalistas investiam fortemente sobre as forças revolucionárias. Neste momento as tropas rebeldes se encontravam muito enfraquecidas, sem munição, poucos soldados, sofridos, mal alimentados... Não restava nenhuma alternativa para as tropas rebeldes senão atravessar o Rio Paraná e penetrar em território Paraguaio. Enquanto isso as forças Legalistas se fortaleciam e tomavam posse de Foz do Iguaçu, Santa helena, porto Mendes... Desse modo, do dia 27 até o dia 29, os legalistas conseguiram, enfim, fazer recuar os revolucionários que durante oito meses haviam levado o levante militar de cinco de julho de 1924 para a o Oeste Paranaense.

Durante mais de 40 horas de travessia, mais de 1000 soldados foram transportados para o Paraguai, animais, material bélico... Esses revolucionários lutavam bravamente, pois não concordavam com a exploração e violência, que estavam submetidos um grande contingente populacional, as formas de mandonismo existentes que sustentavam a forma de poder dos grupos oligárquicos, impunidades, imoralidades, desvios sem punição. Desse modo não aceitavam a autoridade governamental.

A campanha revolucionária em terras Paranaenses foi de ordem militar com a intenção de inverter a ordem vigente com a substituição do atual presidente Arthur Bernardes.


CAPÍTULO VIII


O universo comunitário: vida religiosa, festas e lazeres.

A religiosidade para os colonos de descendência italiana, no século passado, era muito importante, especialmente os italianos vindos do Rio Grande do Sul e saídos do meio rural, que chegaram em Santa Helena. Basicamente, o papel social ficaria a cargo da Igreja e a inter-relação com os colonos. As missas e celebrações eram realizadas nas casas dos colonos e demoravam a acontecer, pois o padre vinha a cavalo de Foz do Iguaçu. Viagem longa e cansativa, por isso, neste momento, aproveitava-se a ocasião para os casamentos, batismos e crismas. Neste período é importante relatar sobre a congregação do Verbo Divino e a Paróquia de São João Batista, em Foz do Iguaçu, para melhor entender as dificuldades dos colonos e sua religiosidade. A educação e a religião sobreviviam em uma pequena escola e igreja, dedicada a São João Batista. Porém nesta igreja não havia um vigário permanente, pela própria conjuntura existente na Argentina, tendo Rosadas como centro comercial da Região do Prata, sendo que o oeste paranaense era considerado nacionalmente isolado. Sem contar que, neste período, os vigários viajavam, dormiam e comiam mal, na missão de batizar, crismar e realizar matrimônios.

O padre Guilherme Maria Thiletzek, em 1922, foi designado à Foz do Iguaçu, pelo Bispo D. João Francisco Braga, de Curitiba, que levou notícias de Santa Helena para a capital. Então, a partir de 1920, a situação da vida religiosa em Santa Helena passa a melhorar com a chegada do padre Paulo Schneider, da congregação do Verbo Divino. Em três dias, realizaram-se 21 (vinte e um) batismos.

Para os imigrantes descendentes de italianos, a capela e o padre eram indispensáveis e necessários para prosseguir uma vida correta. O designado para a capela em Santa Helena foi o padre José Winggen, vindo de Guarapuava para Foz do Iguaçu e depois para Santa Helena. Os religiosos eram vistos como pessoas com status e eram mais consideradas do que as próprias lideranças da comunidade. Eram considerados pela sua graduação superior e pelo seu papel espiritual na comunidade.

A situação da vida religiosa em Santa Helena passa a se agravar cada vez mais, entre 1941 á 1942. A distância entre Foz do Iguaçu sempre foi um empecilho.

A única capela construída até então passa a ser praticamente abandonada, pela visitas irregulares dos religiosos e começa a construção de outra capela chamada de Sagrado Coração de Jesus na linha Prati, construída pela própria família e seus vizinhos. O local onde foi construída facilitava o acesso de todos os colonos da região, bem como facilitava o encontro entre os próprios colonos e também as visitas do padre Antonio Patui, que passaram a ser mais constantes.

A obra foi finalizada em 1947 e o padre Antonio Patui, com a ajuda do padre Martinho Seitz, realizou os serviços religiosos de 1946 á 1951. A última missa realizada na capela construída pela Companhia Espéria no quilometro 1, no porto de Santa Helena, foi no dia 28 de janeiro de 1951. Por decisão unânime foi transladada para o quilometro 5, tendo como diretoria da capela o Presidente, Líbero Ferri; Vice-Presidente, Paschoal Gallo; Secretário, Adolfo Noro e como Tesoureiro, Antonio Francisco Bortolini.

Esta capela serviu à comunidade até 1960, quando passou á ser construída uma igreja de alvenaria, a primeira da localidade de Santa Helena, com muito sacrifício, com doações dos moradores da região.

Com a vinda de cada vez mais colonos para a região, inicia-se o núcleo de colonização e por isso, João Marcelino Madalozzo, através da Imobiliária Agrícola Madalozzo, constrói outra capela chamada Santo Antonio para que todos os colonos tivessem assistência religiosa e a primeira missa realizada foi no dia 13 de junho de 1959 pelo padre Ângelo Bortolini.

Através da construção desta igreja surgiu a criação da Paróquia de Santa Helena no ano de 1961, na praça Rui Barbosa, chamada de Paróquia Santo Antonio, tendo como pároco Martinho Seitz. Funcionou com regularidade até o ano de 1962 e posteriormente também foi derrubada por um vendaval e, em seguida, foi construída uma nova igreja no terreno da atual matriz da igreja, inaugurada em 25 de outubro de 1981.

Com o empreendimento da Imobiliária Agrícola Madalozzo na década de 50, chegaram as famílias alemães e suas religiões evangélicas e luteranas. Até então, a religião era predominantemente católica, devido à vinda dos colonos gaúchos, nos anos 20.

A Madalozzo ficou incumbida de providenciar um pastor para realizar cultos para as famílias alemãs recém chegadas a região. O primeiro pastor, Jochen Pawelke, vindo da Alemanha era da Paróquia de Marechal Candido do Rondon (antiga General Candido Rondon), pertencente da I.E.C.L.B (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil). Era apoiado pelos colonos evangélicos locais, que se puseram à disposição para a construção de um templo religioso.

As celebrações eram realizadas uma vez por mês e algumas vezes no dia da semana mesmo, conforme as possibilidades do pastor se deslocar de Marechal Candido do Rondon para Santa Helena. O maior empecilho era a estrada ruim. As celebrações eram realizadas nas casas dos colonos, como na casa de Germano Bussler e na oficina da família Fockink e o transporte utilizado pelo pastor era um jeep.

A construção da igreja evangélica iniciou-se no ano de 1962 em um terreno frente a Praça Tiradentes, custeada pelos colonos e tendo como construtor chefe Germano Bussler. A edificação era de madeira, que depois de muitos anos, foi derrubada para a construção no mesmo local uma igreja de alvenaria.


Festas e Lazeres.

Todos trabalhavam muito e isso era necessário devido ás necessidades atuais da colonização, mas as comunicações entre as pessoas das famílias eram constantes, em ocasiões de recreação. O desejo de progredir era muito evidenciado pelas famílias e as aventuras da migração sempre eram lembradas nos encontros entre famílias.

A caça era uma das primeiras atividades de diversão encontrada pelas famílias, além de ser necessária para a própria sobrevivência. A caça mais freqüente era a das aves, que serviam para fazer a passarinhada, acompanhada pela polenta e saladas, apreciada por todos os caçadores e suas famílias nas datas especiais. Era pescado o jaú, pacu, surubim, dourado entre outros peixes existentes neste período nos rios da região.

Os bailes sempre foram realizados em Santa Helena, tradição trazida pelos colonizadores italianos, vindos do Rio Grande do Sul. Eles passaram a ter uma grande importância social também no extremo oeste paranaense. Porém, nos bailes os instrumentos dos paraguaios e dos próprios colonos eram a harpa e o violão; tomava-se a cachaça, jogava-se o carteado; a iluminação era feita pelos lampiões a querosene e as famílias vinham de carroça e á pé. Não existia local específico para a realização dos bailes, ficando reservado o dia de sábado para este lazer.

Os mensus não eram convidados e não faziam questão de se misturar com as famílias nos bailes, tinham a fama de beberrões e brigões. Tinham os seus festejos que eram realizados a sua maneira, cantando e dançando. Os bailes muitas vezes serviam para desabafar e extravagar e como eram acompanhadas de cachaça, terminavam da pior maneira.

As festas mais festejadas em Santa Helena eram no dia 13 de junho, dia de Santo Antonio e 28 de junho, dia de São João. Era permitida, a entrada dos paraguaios, pois as crianças queriam ver as grandes fogueiras feitas para a festa pelos colonos. Os quitutes da festa junina eram variados, entre pinhão e garapa.

O jogo de carta sempre foi muito praticado, pelos colonos italianos, a chamada bisca, eles se reuniam nos casas comerciais (bodegas) e algumas vezes eram feitas apostas em dinheiro. A corrida de cavalo por volta dos anos 40 aparece como outra opção de lazer para os colonos moradores de Santa Helena, com raias improvisadas nas propriedades de alguns deles.

Os casamentos também reuniam muitas pessoas e eram seguidos de uma postura moral que passava pela amizade, namoro e noivado, os noivos se conheciam nos festejos e missas que aconteciam. Os paraguaios não eram bem visto porque trocavam de mulher, isso, não era aceito pelos colonos italianos, que seguiam a moralidade a risca.



CONCLUSÃO


Foi analisado o núcleo populacional de Santa Helena, dento do contexto histórico-existêncial de uma maneira geral, relacionando com a história da Região Oeste nos fins do século XIX. Esta localidade representava uma região de grandes aventuras pelas pessoas que por aqui passavam pelos mais variados motivos. Dessa maneira a situação socioeconômica destacou-se com maior nitidez. Quem destacou de maneira considerável a questão da exploração do trabalho foi Lima Figueredo: O Oeste paranaense, publicado em 1937.

Assim, foi sendo descrita a história fértil em suas movimentações, dentre as localidades de Santa Helena até a área de colonização.


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