Obras Obrigatórias do Vestibular ufsc 2013 – Colégio Objetivo



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Obras Obrigatórias do Vestibular UFSC 2013 – Colégio Objetivo

A Comissão Permanente do Vestibular (Coperve) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) divulgou a lista das obras literárias para o Vestibular 2013:

1. Amar, verbo intransitivo - Mário de Andrade (Editora Agir)

2. Beijo no Asfalto - Nelson Rodrigues (Nova Fronteira)

3. Capitães de Areia - Jorge Amado (Companhia das Letras)

4. Ecos no Porão, Volume 2 - Silveira de Souza (Editora da UFSC)

5. Geração do Deserto - Guido Wilmar Sassi (Editora Movimento)

6. Memórias de um sargento de Milícias - Manoel Antônio de Almeida (NUPILL/UFSC e diversas editoras / Literatura Digital/UFSC / Biblioteca Nacional Digital)

7. Memórias Sentimentais de João Miramar - Oswald de Andrade (Editora Globo)

8. Poesia Marginal - Diversos autores (Editora Ática)

FONTE: http://coperve.ufsc.br/proximos-vestibulares/
O beijo no asfalto, de Nelson Rodrigues

Análise da Obra

Escrita em apenas 21 dias, a peça O Beijo no Asfalto foi inspirada na história de um repórter do jornal "O Globo", Pereira Rego, que foi atropelado por um arrasta-sandália, espécie de ônibus antigo. No chão o velho jornalista percebeu que estava perto da morte e pediu um beijo a uma jovem que tentava socorrê-lo. Nelson Rodrigues mudou "um pouquinho" da história. Na trama do dramaturgo, o atropelado da praça da Bandeira pede um beijo a Arandir, figura jovem e de coração puro e atormentado. Amado Ribeiro, repórter do jornal "Última Hora" retratado por Nelson no folhetim Asfalto Selvagem, presencia o beijo na boca entre os dois homens e, junto com o delegado corrupto Cunha, transforma a história do último desejo de um agonizante em manchete principal. O sensacionalismo da "Última Hora" muda completamente a história, retratando Arandir como um criminoso que empurrou o amante e depois o beijou. A vida do jovem se transforma num inferno e nem mesmo sua mulher acredita que ele é inocente.

Por trás de uma história aparentemente simples, O Beijo no Asfalto discute questões fundamentais à condição humana. Nelson Rodrigues aproveitou o beijo espontâneo dado por Arandir, homem de coração puro, no atropelado, para fazer um libelo contra a falsidade, o juízo baseado na aparência e as convicções erradas de parte da sociedade.



O Beijo no Asfalto é uma obra aberta a vários significados. Uma interpretação pertinente é que a peça fala, essencialmente, sobre a dúvida. O beijo de Arandir no atropelado é a substância dessa dúvida. É este ato espontâneo de caridade que vai desencadear o lado tenebroso da alma de cada uma das personagens. Todos se infeccionam, inclusive o próprio Arandir, que passa a duvidar de si mesmo. A carga da maldição do beijo no asfalto - beijar a boca de quem morre - representa o núcleo dramático.

Seguindo esta interpretação, O Beijo no Asfalto acaba sendo uma meditação dramática sobre o problema da morte: um aprofundamento do tema da mortalidade radical do homem, afinal é só assim que o ser humano ganha a sua significação decisiva. Nelson Rodrigues mostra a sua plateia que o ser humano só consegue se salvar na medida em que aceita a sua sombra, o seu lado perecível e corruptível. Só pela descida aos infernos é que se consegue chegar ao céu.

A fragilidade humana também é uma das certezas de Nelson Rodrigues nesta peça. Não foi necessário muito esforço para que se mudasse completamente a imagem pública de Arandir: de marido devotado ele passou, num passe de mágica, a homossexual enrustido. Para se conseguir a deterioração pública do jovem marido de Selminha, arma-se uma verdadeira conspiração onde todas as pessoas, desde as mais próximas até as mais distantes, mobilizam-se. Como ferrenho pessimista que é, Nelson Rodrigues pintou um quadro onde apenas algumas pessoas conseguem destruir a vida inteira de um homem inocente. E, ainda por cima, sem muito esforço.

A pior de todas as personagens é, sem dúvida, o repórter corrupto Amado Ribeiro, resumido por Nelson Rodrigues como um "cafajeste dionisíaco". Cruel, maligno, inescrupuloso e sensacionalista, ele compensa seu vazio interior com abuso de poder. Compra provas, inventa testemunhas, se aproveita de situações e ingenuidades, planta informações, enfim, é uma escola sobre como o Jornalismo não deve ser exercido. Não deixa de ser mais uma personagem frustrada das tragédias rodrigueanas. Figura real, Amado Ribeiro esteve presente também no folhetim Asfalto Selvagem, e foi retratado desta mesma forma. Em vez de se incomodar, o colega do dramaturgo dizia sempre que era ainda muito pior.

A peça tem um clima de pesadelo. Todas as pessoas que envolvem Arandir voltam-se contra ele depois da publicação da foto do beijo no jornal. Werneck, colega de escritório, lidera o coro dos detratores e começa a constranger Arandir no dia seguinte à manchete do Última Hora. Dona Judith, a datilógrafa, acha que um dia um homem parecido com o atropelado foi até o jornal e transforma sua dúvida em certeza absoluta. A posição da viúva é ainda pior: com medo de ver publicado no jornal o fato de ter um amante, testemunha contra Arandir, chegando até mesmo a forjar um banho dele junto com seu ex-marido. É justamente através de seu falso testemunho sobre a ligação dos dois homens que a polícia consegue a prova que necessitava para dar verossimilhança à farsa. O detetive Aruba representa o policial burro, que não consegue acertar uma única vez. E dona Matilde, vizinha, simboliza o coro dos fofoqueiros, típicas figuras que adoram bisbilhotar a tragédia alheia.

No meio desta confusão, a única pessoa que poderia lutar contra os fatos e acreditar em Arandir é sua mulher, Selminha. Frágil e bastante feminina, ela ama Arandir desde garotinha e sempre confiou muito nele. Porém sua fragilidade acaba se mostrando fraqueza e já na primeira notícia ela acaba duvidando da heterossexualidade do marido. Recusa beijos e, quando inevitável, limpa a boca com as costas da mão. Não aceita visitar o marido no hotel e defende a hipótese de que ele é "gilete" (bissexual). Sua irmã, Dália, tem verdadeira adoração por Arandir. Morando na mesma casa que o casal, a menina aproveita que Selminha abandonou o marido no hotel e se sente livre para confessar seu amor. Oferece-se a Arandir e diz que aceitaria morrer com ele. Ao contrário de Selminha, Dália coloca-se do lado de Arandir e não acredita nas acusações de seu pai nem de ninguém. Em O Beijo no Asfalto, Nelson Rodrigues abordou mais uma vez a paixão de duas irmãs pelo mesmo homem.

Aprígio é mais uma personagem frustrada da galeria interminável do autor. Homossexual enrustido, ele fez a filha acreditar nas notícias do jornal para poder ficar para sempre com o genro. Quando percebe que a paixão sentida por Dália é ainda maior que a de Selminha, mente para a caçula que o atropelado já estava morto quando foi beijado. Ou seja, Arandir não beijou para satisfazer o último desejo de um agonizante e sim para satisfazer seu próprio desejo homossexual. Aprígio garante ainda que os dois eram amantes. Para completar, atira em Arandir, objeto de seu amor, por causa da impossibilidade de assumir seu sentimento. Mediante um mundo tão preconceituoso, o covarde Aprígio vê no crime a única possibilidade de libertação e paz interior.

No meio de tanta gente cruel e preconceituosa, é inevitável que uma figura pura e espontânea como Arandir acabasse soterrado. Típica vítima inocente, ele beijou o atropelado para realizar seu último desejo. Arandir só aceitou dar o beijo no asfalto por generosidade e piedade. Não tinha nenhuma maldade impulsionando suas atitudes. Sua bondade, entretanto, não poderia ter futuro num ambiente dominado pela degradação moral e ética. Por isso acaba sozinho, sendo o único homem da terra a acreditar na verdade dos fatos.

A surpresa é um elemento bastante explorado por Nelson Rodrigues em O Beijo no Asfalto. Desde o início está sugerido que Aprígio nutre um amor incestuoso pela filha. Os motivos mostrados à plateia não são poucos: ele nunca chama Arandir pelo nome, ele evita visitar a filha depois que ela se casou, ele faz Selminha acreditar nas manchetes do jornal. Quando ele diz que sua verdadeira paixão é o genro, a plateia toda fica surpresa. A revelação é quase uma brincadeira de Nelson Rodrigues, um deboche à sua própria norma de vínculos familiares. Como se ele quisesse mostrar ao público que não é tão simples assim ser Nelson Rodrigues: para se ter o seu talento, é preciso ter sempre uma carta escondida na manga.

O crítico Sábato Magaldi não gostou nenhum pouco do final. Ao fazer a revelação de amor de Aprígio por Arandir, a surpresa do espectador não remete aos cânones da melhor literatura. Dificilmente se deixa de

pensar em golpe de melodrama. Apenas em termos de estética popular, diversa do método empregado em toda a construção da peça, se aceita o desfecho surpreendente. Ele conclui dizendo que os elementos positivos superam as deficiências. Não é, porém, uma das obras-primas do autor.

Além da paixão de duas irmãs pelo mesmo homem, tema sempre recorrente em sua obra, Nelson Rodrigues retratou mais uma vez a imprensa. Criticando o Jornalismo onde ele próprio se criou, o autor pinta o retrato de uma imprensa sem um mínimo de qualidade e ética. O que há em comum entre a imprensa de O Beijo no Asfalto, Viúva, porém honesta e Boca de Ouro é a presença de jornais que prestigiam o sensacionalismo criminoso dos seus repórteres, abrindo vastas manchetes a "acontecimentos" não raramente forjados. A imprensa criada por Nelson Rodrigues não tem limites no exercício ilegal de seu poder.

Em O Beijo no Asfalto, Nelson Rodrigues inaugura o diálogo sincopado, bruscamente interrompido por um ponto final. A precisão com que ele faz os cortes, apontada por alguns críticos como digna da mais alta cirurgia, acaba dando ainda mais espontaneidade ao texto. Num momento, o delegado Cunha diz: "Peço-lhe, creia que". Corta-se para a interrupção de Aruba: "Mas doutor". Werneck, colega de escritório de Arandir, interpela a datilógrafa: "Dona Judith, é verdade que". É interrompido por Arandir. Outras frases como "Diz que. Olhe que ele diz", "Ainda não acabei. Estou que", "Eu devia, escuta. Devia, bom", "Ou o senhor acha que" passeiam por todo o desenrolar do beijo no asfalto. Estes cortes sucessivos dão agilidade ao texto e aproximam ainda mais as personagens do universo de frases incompletas e pensamentos não concluídos da plateia.

O diálogo é nervoso, completamente distante do trivial pergunta-resposta. As repetições criam uma dinâmica ágil para as réplicas, abrindo para as personagens e o público o campo de infindáveis sugestões. As falas, interligadas, dão naturalidade e, ao mesmo tempo, facilitam o clima de mistério tão comum nas obras do dramaturgo.



O Beijo no Asfalto é uma tragédia carioca de três atos e treze quadros. Enxutos e eletrizantes, os atos são bem pesados e equilibram perfeitamente as culminâncias e as surpresas sempre presentes na obra de Nelson Rodrigues.

A primeira cena começa na delegacia, com o delegado Cunha conversando com seu colega sobre o atropelamento na praça da Bandeira. Termina com Arandir contando à Selminha e à cunhada Dália o interrogatório que sofreu na delegacia. A esta altura, Selminha ainda acredita piamente na inocência do marido. O pano baixa e deixa no espectador a primeira dúvida: ela vai continuar acreditando no marido ou vai se juntar ao mundo que o incrimina?

O segundo ato começa com a vizinha Dona Matilde trazendo para Selminha o recorte do jornal, onde saiu a notícia do atropelamento e do beijo no asfalto. De malas prontas para morar na casa da avó, Dália desiste de viajar para continuar com a família - irá se saber depois que ela ficou para ajudar a paixão de sua vida, Arandir. Já neste primeiro contato com a versão do jornal sobre o acontecido, Selminha passa a duvidar do marido e a recusar seus beijos. Este segundo ato termina com Selminha evitando Arandir. O espectador já criou sua expectativa: será que ninguém se posicionará do lado de Arandir?

O terceiro ato já deixa claro desde o início que o "beijo no asfalto" condenou Arandir à eterna solidão. Selminha é plenamente convencida pelo delegado que seu marido era amante do atropelado. Arandir sai de casa e vai se esconder num hotel ordinário. Sua mulher se recusa a visitá-lo e quem vai é Dália, a cunhada que se assume apaixonada. Arandir não tem tempo nem de pensar na declaração de amor de Dália, pois seu sogro Aprígio empunha um revólver, fala que sempre o amou, e assassina o genro. Resta à plateia tentar refazer a peça mentalmente, pois o homossexualismo de Aprígio, revelado na última cena, dá a O Beijo no Asfalto um sentido completamente novo à peça.

O modo como a ação é desencadeada, também é bastante inovador. A plateia não vê, em nenhum momento, o acidente nem o beijo que Arandir deu na vítima. O ato principal, que culmina na tragédia do jovem marido de Selminha, não é mostrado à plateia e sim contado pelas outras personagens. O morto, vítima do atropelamento que recebeu o beijo de Arandir, é esquecido e negado. Ele aparece apenas no 2° ato, durante o velório, mas sua presença é esquecida pela atuação abjeta do repórter Amado Ribeiro e do delegado Aruba, que estão lá para envolver a viúva na farsa. O escândalo que fazem, ao afirmarem que sabem do amante da viúva, põe o morto em segundo plano. O morto, na peça de Nelson Rodrigues, é o grande personagem invisível, é aquela que encarna, em si, a morte de cada um e de todos nós.

A peça é extremamente coesa, progredindo em marcha avassaladora. Os três atos estão divididos em treze quadros, dos quais sete se passam na casa de Selminha e Arandir, sendo um deles no quarto do casal. A ação exterior - na sala do delegado, na sala do comissário Barros, no escritório de Arandir etc - intercala-se com os diálogos travados na residência dos protagonistas. Ou seja, tudo é construído para que o cerco se feche sobre o herói Arandir. Como autor maduro, Nelson Rodrigues construiu O Beijo no Asfalto baseado numa ação dramática que se avoluma a cada fala. É uma peça de diálogos, onde o texto adquire papel fundamental, não tendo necessidade de um cenário elaborado.


Enredo

O Beijo no Asfalto tem uma história simples e bem diferente dos enredos intricados e cheios de significados das peças míticas do dramaturgo. É bom lembrar que o enredo é simples, mas nada convencional. Um atropelado, antes de morrer, pede ao desconhecido Arandir um beijo na boca. O jovem Arandir passava casualmente pela praça da Bandeira para empenhar joias na Caixa Econômica Federal e conseguir pagar um aborto para a mulher, Selminha. Viviam em lua de mel, transando todas as noites, e achavam que um filho atrapalharia o idílio. De repente vê o homem ser atropelado e corre para ajudá-lo.

O repórter Amado Ribeiro, do jornal Última Hora, presencia o atropelamento e o beijo e vislumbra naquele acontecimento a notícia do ano. Depois de anotar o nome e o endereço dos dois envolvidos, ele exige que um delegado corrupto ajude-o a transformar "o beijo no asfalto" num caso digno das primeiras páginas. A ideia é criar uma história de parar a cidade. A partir daí, o delegado e o repórter forjam testemunhas, cometem infrações, chantageiam pessoas e se aproveitam do momento de dor da viúva do atropelado. Acabam transformando um beijo de piedade - afinal é regra na cultura ocidental que jamais deve se negar o último pedido de um morto - num caso amoroso e sinistro entre dois homens. O jornal Última Hora estampa o caso em manchetes e na cidade ninguém fala em outro assunto. Arandir vira motivo de chacota no emprego e acaba tendo que se demitir. Aprígio, pai de Selminha e sogro de Arandir, intriga-o com sua mulher e, mesmo apaixonada, Selminha começa a duvidar do marido. Logo toda a cidade está acreditando no homossexualismo de Arandir. Quando a história ameaça esfriar, Amado Ribeiro transforma o caso num crime e reúne indícios para provar que Arandir é criminoso. A versão defendida pelo jornalista corrupto é que Arandir era amante do atropelado e, num ato de loucura, jogou-o contra o ônibus.

Nesta história, o único homem honesto é Arandir, justamente a vítima. O delegado aceitou mancomunar-se com o repórter Amado Ribeiro por causa de uma denúncia: Cunha deu um pontapé na barriga de uma grávida, provocando-lhe um aborto. Como num verdadeiro pesadelo, todos se colocam contra Arandir e ajudam a polícia na hora de forjar provas. A datilógrafa do jornal de Arandir declara que o morto parece um homem que esteve no jornal na semana passada, insinuando que havia realmente um envolvimento prévio entre os dois. Nem a viúva escapa das garras de Amado Ribeiro. No velório, o repórter sensacionalista retarda o enterro para chantagear a viúva. Ameaça a mulher dizendo que sabe tudo sobre o amante dela. Depois de vê-la, apavorada, jurar inocência, Amado induz o depoimento da mulher: "Seu marido tinha um amigo, chamado Arandir, amigo esse que a senhora está reconhecendo pela fotografia". Sem amigos, sem a confiança da mulher, desempregado e ridicularizado por todos, Arandir esconde-se da polícia primeiro no quarto da cunhada, Dália, e depois num quarto de "hotel ordinário".

Num último apelo, Arandir pede que Selminha vá até o hotel conversar com ele. Precisa dizer a mulher que é tudo mentira e que seu esconderijo não é uma confissão de culpa. Porém Selminha não quer ouvir o marido e quem vai ao encontro dele é Dália, a irmã mais nova de Selminha. Surpreso com o descaso da mulher, Arandir diz que só a chamou ali porque queria se matar junto com ela. Dália aproveita o momento para se confessar apaixonada. Diz que se mataria com ele e garante que Selminha não o ama tanto quanto ela. Arandir, porém, não corresponde às investidas da cunhada.

Como tiro de misericórdia, o repórter incita Aprígio, pai de Selminha, a dar um tiro no genro. Durante toda a história, a plateia tem a impressão que Aprígio ama a filha como um homem ama uma mulher. Ele nunca pronunciou o nome do genro e quase não visitou a filha após o casamento. Na última cena de O Beijo no Asfalto, porém, ele vai até o quarto do hotel onde Arandir está hospedado e lhe aponta o revólver. Arandir diz que sempre desconfiou do ódio dele e que sempre achou muito exagerado o amor que ele sentia pela filha. Aprígio começa a rir descontroladamente e diz que seu verdadeiro amor é ele, Arandir, e não a filha. O verdadeiro homossexual de O Beijo no Asfalto atira no genro e, com ele nos braços, grita bem alto, pela primeira vez: Arandir! Arandir!

Capitães da Areia- Jorge Amado

Análise da obra A obra Capitães da Areia foi escrita na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e nota-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães da Areia são tachados como heróis no estilo Robin Hood. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transforma em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães da Areia de Salvador.

A grande admiração de Jorge Amado pelos vagabundos ensejou o romance Capitães da Areia. A narrativa se desenrola no Trapiche (hoje Solar do Unhão e o Museu de Arte Moderna); no Terreiro de Jesus (na época era lugar de destaque comercial de Salvador); onde os meninos circulavam na esperança de conseguirem dinheiro e comida devido ao trânsito de pessoas que trabalhavam lá e passavam por lá; no Corredor da Vitória área nobre de Salvador, local visado pelo pelo grupo porque lá habitavam as pessoas da alta sociedade baiana, como o comendador mencionado no início da narrativa.
Tempo

A obra apresenta tempo cronológico demarcado pelos dias, meses, anos e horas conforme exemplificam os fragmentos: "É aqui também que mora o chefe dos Capitães da Areia, Pedro Bala. Desde cedo foi chamado assim, desde seus 5 anos. Hoje tem 15 anos. Há dez anos que vagabundeia nas ruas da Bahia."

O tempo psicológico correspondente às lembranças e recordações constantes na narrativa.

A fala de Zé Fuinha (...) "Quando terminaram, o preto bateu as mãos uma na outra, falou:

- Teu irmão disse que a mãe de você morreu de bexiga...

- Papai também...

- Lá também morreu um...

- Teu pai?

- Não. Foi Almiro um do grupo."
Foco Narrativo

A obra Capitães da Areia é narrada na terceira pessoa, sendo o autor, Jorge Amado, o narrador apenas o expectador. Ele se comporta, durante todo o desenvolvimento do tema, de maneira indiferente, criando e narrando os acontecimentos sem se envolver diretamente com eles.



O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, via uma seqüência de pseudo-reportagens, explica-se que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caçam como os adultos antes do tempo que são.
Personagens

Pedro Bala: Era um jovem loiro de 15 anos, que tinha um corte no rosto. Era o chefe dos Capitães da Areia, ágil, esperto, respeitador e sabia respeitar a todos. Saiu do grupo para comandar e organizar os Índios Maloqueiros em Aracaju, desejando com líder do grupo Barandão. Depois disso ficou muito conhecido por organizar várias greves, como perigoso inimigo da ordem estabelecida.

Professor: Era um garoto magro, inteligente, calmo e o único que sabia ler no grupo. O professor era quem planejava os roubos dos Capitães da Areia. Depois de muito tempo aceitou um convite e foi pintar no Rio de Janeiro.

Gato: Era o mais bonito e mais elegante da turma.Candidato a malandro do bando, tinha em caso com Dalva mulher das noites, que lhe dava dinheiro, por isso, muitas vezes, não dormia no trapiche. Só aparecia ao amanhecer, quando saía com os outros, para as aventuras do dia.Participava dos planos mais arriscados e era muito malandro e esperto. Tempos depois foi embora para Ilheús tentar a sorte.

Volta-Seca: Imitador de pássaros e afilhado de Lampião, era mulato sertanejo de alpargatas.

Sem Pernas: Era um garoto pequeno para sua idade, coxo de uma perna, agressivo, individualista. Era quem penetrava nas casas de família fingindo ser um pobre órfão com o objetivo de descobrir os lugares da casa, onde ficavam os objetos de valor depois fugia e os Capitães da Areia assaltavam a casa. Seu destino foi suicidar-se atirando-se do parapeito do elevador Lacerda, pelo ódio que nutria pela polícia baiana.

João Grande: Negro, mais alto e mais forte do bando. Cabelo crespo e baixo, músculos rígidos. Após a morte de seu pai, João Grande não voltou mais ao morro onde morava, pois estava atraído pela cidade da Bahia. Cidade essa que era negra, religiosa, quase tão misteriosa como o verde mar. Com nove anos entrou no Capitães da Areia. Época em que o Caboclo ainda era o chefe. Cedo, se fez um dos chefes do grupo e nunca deixou de ser convidado para as reuniões que os maiorais faziam para organizar os furtos. Ele não era chamado para as reuniões porque ele era inteligente e sabia planejar os furtos, mas porque ele era temido, devido a sua força muscular. Se fosse para pensar, até lhe doía a cabeça e os olhos ardiam. Os olhos ardiam também quando viam alguém machucando menores. Então seus músculos ficavam duros e ele estava disposto a qualquer briga. Ele era uma pessoa boa e forte, por isso, quando chegavam pequeninos cheios de receio para o grupo, ele era escolhido o protetor deles. O chefe dos Capitães da Areia era amigo de João Grande não por sua força, mas porque Pedro o achava muito bom, até melhor que eles. João Grande aprendeu capoeira com o Querido-de-Deus junto com Pedro Bala e Gato. João Grande tinha um grande pé, fumava e bebia cachaça. Não sabia ler. Era chamado de Grande pelo professor, admirava o professor. O professor achava João Grande um negro macho de verdade.
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