Octavio mendes cajado editora pensamento



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Física Newtoniana


Até recentemente, quando as religiões orientais principiaram a ter um impacto maior sobre a nossa cultura, grande parte da nossa autodefinição (largamente inconsciente) se baseava na física de umas poucas centenas de anos atrás. Refiro-me aqui à nossa insistência em ver-nos como objetos sólidos. Essa definição do Universo, como feito de objetos sólidos, era advogada principalmente por Isaac Newton e seus colegas, no fim do século XVII e no começo do século XVIII. A física newtoniana estendeu-se ao século XIX para descrever um universo composto d’e blocos fundamentais de construção, denominados átomos. Acreditava-se que os átomos newtonianos se compunham de objetos sólidos — um núcleo de prótons e nêutrons com elétrons girando em torno do núcleo de maneira muito parecida com a terra viajando ao redor do sol.

A mecânica newtoniana descreveu com êxito os movimentos dos planetas, das máquinas mecânicas e dos fluidos em movimento contínuo. O enorme sucesso do modelo mecanístico levou os físicos do início do século XIX a acreditarem que o universo, com efeito, era um imenso sistema mecânico que funcionava de acordo com as leis do movimento de Newton, encaradas como as leis básicas da natureza, e considerava-se a mecânica newtoniana a teoria definitiva dos fenômenos naturais. Essas leis sustentavam firmemente as idéias do tempo e do espaço absolutos e dos fenômenos físicos rigorosamente causais da natureza. Tudo podia ser descrito objetivamente. Todas as reações físicas tinham uma causa física, como bolas que se chocam numa mesa de bilhar. Ainda não se conheciam as interações da energia e da matéria, como o rádio que toca música em respostas a ondas invisíveis. Nem ocorria a ninguém que o próprio experimentador influi nos resultados experimentais, não só em experiências psicológicas mas também em experiências físicas, como os físicos conseguiram demonstrar agora.

Essa maneira de ver as coisas era muito confortadora e ainda o é para aqueles dentre nós que preferem ver o mundo sólido e em grande parte imutável, com conjuntos de regras muito claras e definidas governando o seu funcionamento. Grande parte da nossa vida de todos os dias ainda flui de acordo com a mecânica newtoniana. Pondo de lado os sistemas elétricos, nossos lares são, em grande extensão, newtonianos. Experimentamos nossos corpos de maneira mecânica. Definimos grande parte da nossa experiência em função do espaço tridimensional e do tempo linear absolutos. Todos possuímos relógios. Precisamos deles para continuar vivendo a nossa vida como a estruturamos principalmente de modo linear.

Quando corremos de um lado para outro em nossa vida de todos os dias, num esforço para chegar sempre “a tempo”, é fácil ver-nos como mecânicos e perder de vista a experiência humana mais profunda dentro de nós. Pergunte a qualquer pessoa de que é feito o universo e ela, muito provavelmente, descreverá o modelo newtoniano do átomo (elétrons girando à volta de um núcleo de prótons e de nêutrons). Entretanto, se for levada à sua extensão literal, essa teoria nos coloca na posição um tanto ou quanto incômoda de pensar em nós como compostos de bolas minúsculas de pingue-pongue que rodopiam em volta umas das outras.


Teoria de Campo


No alvorecer do século XIX, descobriram-se novos fenômenos físicos, que não podiam ser descritos pela física de Newton. O descobrimento e a investigação de fenômenos eletromagnéticos levaram ao conceito de um campo Definia-se o campo como uma condição do espaço capaz de produzir uma força. A antiga mecânica newtoniana interpretava a interação das partículas, carregadas positiva e negativamente, como prótons e elétrons, dizendo simplesmente que os dois tipos de partículas se atraem como duas massas. Entretanto, Michael Faraday e James Clerk Maxwell entenderam mais apropriado usar um conceito de campo e dizer que cada carga cria uma “perturbação” ou uma “condição” no espaço à sua volta, de modo que a outra carga, quando presente, sente uma força. Nasceu, assim, o conceito de um universo cheio de campos criadores de forças, que interagem umas com as outras. Surgia, afinal, uma estrutura científica com a qual podíamos começar a explicar nossa capacidade de influir uns nos outros à distância, através de meios que não a fala e a visão. Todos temos passado pela experiência de pegar no fone e saber quem está do outro lado antes de se pronunciarem quaisquer palavras. As mães sabem amiúde quando os filhos estão em dificuldade, não importa onde se encontrem. Isso pode ser explicado pela teoria de campo.

No período compreendido entre os últimos quinze e vinte anos (cem anos antes dos físicos), quase todos estávamos começando a usar tais conceitos na descrição de nossas interações pessoais. Estamos começando a admitir que nós mesmos somos compostos de campos. Sentimos outra presença na sala sem ver nem ouvir ninguém (interação de campo); falamos em boas ou más vibrações, em mandar energia para os outros, ou em ler os pensamentos dos outros. Sabemos imediatamente se gostamos ou não de alguém, se nos daremos bem ou mal com esse alguém. Esse “saber” pode ser explicado pela harmonia ou desarmonia de nossas interações de campo.


Relatividade


Em 1905, Albert Einstein publicou a sua Teoria Especial da Relatividade e fez em pedaços todos os conceitos principais da maneira newtoniana de encarar o mundo. De acordo com a teoria da relatividade, o espaço não é tridimensional e o tempo não é uma entidade separada. Intimamente ligados entre si, formam ambos um contínuo tetradimensional, o “espaço-tempo”. Assim sendo, nunca podemos falar em espaço sem falar em tempo, e vice-versa. Ademais, não existe um fluxo universal de tempo; ou seja, o tempo não é linear, nem absoluto. O tempo é relativo. A saber, dois observadores ordenarão diferentemente no tempo uma série de eventos se moverem a velocidades diferentes em relação aos eventos observados. Por conseguinte, todas as mensurações que envolvem o espaço e o tempo perdem sua significação absoluta. Assim o tempo, como o espaço, se tornam meros elementos para descrever fenômenos.

Conforme a teoria da relatividade de Einstein, em determinadas condições dois observadores poderão até ver dois eventos num tempo invertido; isto é, para o observador 1, o evento A terá ocorrido antes do evento B, ao passo que, para o observador 2, o evento B terá ocorrido antes do evento A.

O tempo e o espaço são tão fundamentais para as nossas descrições dos fenômenos naturais, e de nós mesmos, que sua modificação supõe uma modificação de toda a estrutura que usamos para descrever a natureza e a nós mesmos. Ainda não integramos essa parte da relatividade de Einstein em nossa vida pessoal. Quando temos uma visão psíquica de um amigo em dificuldade, a pique de cair de uma escada, por exemplo, anotamos a hora e telefonamos para o amigo, assim que podemos, para saber se ele está passando bem. Também queremos saber se a queda efetivamente se verificou, a fim de validar a nossa introvisão. Telefonamos e ficamos sabendo que o amigo não passou por nenhuma experiência desse gênero. Concluímos que nossa imaginação nos pregou uma peça, e invalidamos a experiência. A isso chamamos reflexão newtoniana.

Precisamos ponderar, todavia, que estamos experimentando um fenômeno que não pode ser explicado pela mecânica newtoniana, mas nós a usamos para validar a experiência supersensória. Em outras palavras, o que vimos foi uma experiência real. Como o tempo não é linear, ela já pode ter ocorrido, pode estar ocorrendo no momento em que a vemos, e poderá ocorrer no futuro. Pode ser até uma ocorrência provável que nunca se manifestará. O fato de não haver acontecido no momento com o qual tentamos correlacioná-la não prova, de maneira alguma, que a introvisão a respeito da sua possibilidade estava errada. Se, todavia, na nossa introvisão do amigo, víssemos também uma folhinha e um relógio a indicar um tempo newtoniano, a introvisão incluiria essa informação sobre o contínuo espaço-tempo do evento. Seria mais fácil validá-la na realidade física newtoniana.

Já é tempo de parar de invalidar a experiência que extrapola a maneira newtoniana de pensar e alargar a estrutura da realidade. Todos temos tido experiências de aceleração do tempo ou de perda da pista do tempo. Quando aprendemos a observar nossos estados de espírito, vemos que o nosso tempo pessoal varia com o nosso estado de espírito do momento e com as experiências que estamos tendo. Por exemplo, percebemos que o tempo é relativo quando vivemos um período muito longo, assustador, logo antes de nosso automóvel colidir com outro ou desviar-se dele na hora H. Esse tempo, medido pelo relógio, não passa de poucos segundos, para nós, entretanto, ele parece ter-se desacelerado. O tempo experimentado não se mede pelo relógio porque o relógio é um aparelho newtoniano destinado a medir o tempo linear, definido pela mecânica de Newton.

Nossa experiência existe fora do sistema newtoniano. Já experimentamos, muitas vezes, encontrar-nos com alguém depois de vários anos de separação; mas é como se tivéssemos acabado de vê-lo na véspera. Na terapia de regressão, muitas pessoas experimentam eventos da infância como se estivessem ocorrendo no presente. Descobrimos também que nossa memória ordenou os eventos numa seqüência diversa da ordenada por outra pessoa que experimentou os mesmos sucessos. (Tente comparar as lembranças de infância com seus irmãos.)

A cultura americana nativa, que não tinha relógios para criar o tempo linear, dividia-o em dois aspectos: o agora e todos os outros tempos. Os aborígines australianos também têm duas espécies de tempo: o que está passando e o Tempo Grande. O que acontece no Tempo Grande tem seqüência, mas não pode ser datado.

Com sua experiência de pôr à prova clarividentes, Lawrence Le Shan definiu dois tempos: o tempo comum linear e o Tempo Clarividente. O Tempo Clarividente é a qualidade de tempo experimentada por clarividentes quando utilizam os seus talentos. Parece-se com o Tempo Grande. O que acontece tem seqüência, mas só pode ser percebido do ponto de vista de ser ou experimentar o fluxo seqüencial. Assim que o clarividente tenta interferir ativamente na seqüência de eventos que está presenciando, é imediatamente atirado de volta ao tempo linear e não mais estará presenciando eventos fora da estrutura normal do aqui-e-agora. E mister, então, que torne a concentrar a atenção do Tempo Clarividente. As regras que governam esse movimento da estrutura de um tempo para a estrutura de outro não são bem compreendidas. A maioria dos clarividentes será levada a “ler” determinada estrutura de tempo da vida ou da vida passada de uma pessoa de acordo com as necessidades dela. Alguns clarividentes limitam-se a focalizar a estrutura de tempo solicitada, seja ela qual for.

O continuo espaço-tempo de Einstein proclama que a aparente linearidade dos acontecimentos depende do observador. Todos estamos mais do que prontos para aceitar as vidas passadas como vidas físicas literais, que aconteceram no passado, num cenário físico igual a este. Nossas vidas passadas podem estar acontecendo neste exato momento num continuo espaço-tempo diferente. Muitos de nós experimentamos “vidas passadas” e sentimos os seus efeitos como se elas tivessem ocorrido pouco tempo antes. Mas raro falamos no modo com que nossas vidas futuras influem na que estamos vivendo aqui e agora. Enquanto vivemos nossa vida AGORA, o mais provável é que estejamos reescrevendo nossa história pessoal, não só a passada mas também a futura.

Outra conseqüência importante da relatividade de Einstein é a compreensão de que matéria e energia são intercambiáveis. A massa nada mais é do que uma forma de energia. A matéria é simplesmente a energia desacelerada ou cristalizada. Nossos corpos são energia. Eis ai sobre o que versa todo este livro! Nele apresentei o conceito de corpos de energia, mas não dei ênfase ao fato de que o nosso corpo físico também é energia.


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