Octavio mendes cajado editora pensamento



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Paradoxo


Na década de 1920, a física ingressou na estranha e inesperada realidade do mundo subatômico. Todas as vezes que os físicos faziam uma pergunta à natureza numa experiência, a natureza lhes respondia com um paradoxo. Quanto mais tentavam esclarecer a situação, tanto mais fortes se tornavam os paradoxos. Finalmente, os físicos compreenderam que o paradoxo faz parte da natureza intrínseca do mundo subatômico sobre o qual se assenta toda a nossa realidade física.

Pode-se, por exemplo, levar a cabo uma experiência para provar que a luz é uma partícula. Uma alteraçãozinha nessa experiência provará que a luz é uma onda. Por conseguinte, para descrever o fenômeno da luz terão de ser usados tanto o conceito de partícula quanto o de onda. Portanto, estamos entrando agora num universo baseado no conceito a que os físicos deram o nome de complementaridade. Vale dizer, para descrever um fenômeno (se continuarmos a pensar em partículas e ondas), precisamos empregar os dois tipos de descrição. Esses tipos se completam, em lugar de se oporem uns aos outros.

Max Planck, por exemplo, descobriu que a energia da radiação do calor (como a do aparelho de aquecimento da sua casa) não é emitida continuamente, mas assume a forma de discretos “pacotes de energia”, chamados quanta. Para Einstein, todas as formas de irradiação eletromagnética aparecem não só como ondas, mas também como quanta. Esses quanta de luz, ou pacotes de energia, foram aceitos como partículas genuínas. Nesta fase do jogo, a partícula, que é a definição mais próxima de “coisa”, é um pacote de energia!

à maneira que penetramos mais profundamente na matéria, a natureza não nos mostra “blocos básicos de construção” isolados, como dava a entender a física de Newton. A busca de blocos básicos de construção teve de ser abandonada quando os físicos encontraram tantas partículas elementares que dificilmente poderiam chamar-se elementares. Por meio de experiências realizadas nos últimos decênios, verificaram os físicos que a matéria é completamente mutável e que, no nível subatômico, ela não existe em lugares definidos, mas mostra “tendências” para existir. Todas as partículas podem ser transmutadas em outras partículas. Podem ser criadas a partir da energia e transmutadas em outras partículas. Elas podem ser criadas a partir da energia e dissipar-se em energia. Não podemos determinar com exatidão onde e quando isso acontece, mas sabemos que acontece continuamente.

No nível pessoal, à proporção que penetramos cada vez mais no mundo da psicologia moderna e do desenvolvimento espiritual, descobrimos que as velhas formas do ou/ou também se dissolvem na forma do ambos/e. Já não somos maus ou bons; já não só amamos ou só odiamos alguém. Encontramos, dentro de nós, capacidades muito mais amplas. Podemos sentir tanto o amor como o ódio, e todas as emoções intermediárias, pela mesma pessoa. Agimos de maneira responsável. Vemos o velho dualismo de Deus/Diabo dissolvendo-se num todo em que encontramos o Deusa/Deus de dentro fundindo-se no Deus/Deusa de fora. Nada do que é mau se opõe a Deusa/Deus, mas resiste à força de Deus/Deusa. Tudo é composto da mesma energia. A força Deusa/Deus é, ao mesmo tempo, preta e branca, masculina e feminina. Contêm ambos tanto a luz branca como o vazio negro de veludo.

Como o leitor pode ver, estamos empregando ainda conceitos saturados de dualismo, mas este é um mundo de opostos “aparentes” que se completam, e não de opostos “verdadeiros”. Neste sistema, o dualismo está sendo utilizado a fim de empurrar-nos para a frente, para a unidade.


Além do Dualismo — o Holograma


Descobriram os físicos que as partículas também podem ser ondas, porque não são ondas físicas reais, como as do som ou da água, senão, pelo contrário, ondas de probabilidade. As ondas de probabilidade não representam probabilidades de coisas, mas antes probabilidades de interconexões. Eis ai um conceito difícil de compreender mas, essencialmente, os físicos estão dizendo que não existe nada parecido com uma “coisa”. O que costumávamos chamar de “coisas” são, na realidade, “eventos” ou caminhos, que podem tornar-se eventos.

Nosso velho mundo de objetos sólidos e leis deterministas da natureza está dissolvido agora num mundo de modelos de interconexões em forma de ondas. Conceitos como o de “partícula elementar”, “substância material” ou “objeto isolado” perderam o significado. O universo inteiro parece uma teia dinâmica de modelos inseparáveis de energia. Nessas condições, define-se como um todo dinâmico inseparável, que sempre inclui o observador de modo essencial.

A ser o universo composto, de fato, de uma teia dessa natureza, nada existe (logicamente) parecido com uma parte. Assim sendo, não somos partes separadas de um todo. Somos um Todo.

Recentemente, o físico Dr. David Bohm, em seu livro The Implicate Order, disse que as leis físicas principais não podem ser descobertas por uma ciência que tenta dividir o mundo em partes. Ele fala numa “ordem envolvida implícita” que existe num estado não-manifesto e é o fundamento sobre o qual repousa toda a realidade manifesta. À realidade manifesta ele chama “a ordem desenvolvida explícita”. “Vê-se que as partes estão em conexão imediata, na qual suas relações dinâmicas dependem, de maneira irredutível, do estado de todo o sistema . . . Desse modo, somos levados a uma nova noção de completitude indivisa, que nega a idéia clássica de que o mundo é analisável em partes que existem separada e independentemente.”

Assevera o Dr. Bohm que a visão holográfica do universo é uma base avançada para se começar a compreender a ordem envolvida implícita e a ordem desenvolvida explicita. O conceito do holograma sustenta que cada pedaço representa exatamente o todo e pode ser utilizado para reconstruir o holograma inteiro.

Em 1971, Dennis Gabor recebeu um Prêmio Nobel por haver construído o primeiro holograma, uma fotografia sem lente em que um campo de ondas de luz disseminada por um objeto era registrado como padrão de interferência sobre uma chapa. Quando se coloca o holograma ou o registro da fotografia num laser ou num raio de luz coerente, o padrão original de ondas se regenera numa imagem tridimensional. Cada pedaço do holograma é uma exata representação do todo e reconstruirá a imagem inteira.

O Dr. Karl Pribram, renomado investigador do cérebro, durante um decênio acumulou provas de que a estrutura profunda do cérebro é essencialmente holográfica. Afirma ele que a pesquisa de muitos laboratórios, por meio de análises sofisticadas de freqüências temporais e/ou espaciais, demonstra que o cérebro estrutura a vista, a audição, o paladar, o olfato e o tacto holograficamente. A informação é distribuída por todo o sistema, de sorte que cada fragmento produz a informação do conjunto. O Dr. Pribram utiliza o modelo do holograma para descrever não somente o cérebro, mas o universo também. Diz ele que o cérebro emprega um processo holográfico para absorver um domínio holográfico que transcende o tempo e o espaço. Os parapsicólogos têm procurado a energia capaz de transmitir a telepatia, a psicocinese e a cura. Do ponto de vista do universo holográfico, esses eventos emergem de freqüências que transcendem o tempo e o espaço; não precisam ser transmitidos. Potencialmente simultâneos, estão em toda parte.

Quando falarmos dos campos de energia da aura neste livro, estaremos empregando termos muito arcaicos do ponto de vista dos físicos. O fenômeno da aura está claramente e ao mesmo tempo dentro e fora do tempo linear e do espaço tridimensional. Como no caso das anamneses que já apresentei, “vi” os acontecimentos da puberdade de Ed quando ele quebrou o cóccix, porque ele trazia a experiência consigo no campo de energia. A “traição” do amante é percebida no campo de energia atual, e o clarividente, ao que tudo indica, recua no tempo e testemunha o evento ‘tal qual aconteceu. Muitas experiências relatadas neste livro precisam de mais de três dimensões para serem explicadas; muitas parecem instantâneas. A capacidade de ver no interior do corpo, em qualquer nível, com uma resolução variável, implica o uso de dimensões adicionais. A capacidade de perceber acontecimentos do passado pela simples solicitação da informação, ou de ver um acontecimento provável e mudá-lo depois pela intervenção do processo de cura, implica o tempo não-linear. A capacidade de ver um acontecimento que ocorrera no futuro transcende o tempo linear.

Se utilizarmos o conceito dos campos para descrever a aura, estaremos afundando no dualismo; isto é, separaremos o campo de nós e “o” observaremos como fenômeno que existe como “parte” de nós. Usaremos expressões como “o meu campo” e “a aura dela”, etc. Isso é dualístico. Preciso desculpar-me por isso e dizer que, francamente, neste ponto, sou totalmente incapaz de transmitir tais experiências sem utilizar as velhas estruturas.

Da estrutura holográfica da realidade cada pedaço de aura não somente representa, mas também contém o todo. Assim sendo, só podemos descrever nossa experiência com um fenômeno que, ao mesmo tempo, observamos e criamos. Cada observação cria um efeito no modelo observado. Não somos apenas parte do modelo; somos o modelo. Ele é nós e nós somos ele, só que o termo “ele” agora precisa ser abandonado e substituído por outro, mais apropriado, para soltar os bloqueios que experimentamos no cérebro quando tentamos nos comunicar.

Os físicos têm empregado as expressões “probabilidades de interconexões” ou “teia dinâmica de padrões inseparáveis de energia”. Quando começamos a pensar em função de uma teia dinâmica de padrões inseparáveis de energia, todos os fenômenos áuricos descritos neste livro deixam de parecer inusitados ou estranhos

Todas as experiências são interligadas. Portanto, se dermos tento disso e permitirmos que a intercoerência ingresse em nossos processos cognitivos, perceberemos todos os acontecimentos independentemente do tempo. Mas assim que dissermos “nós" teremos caído de volta no dualismo. difícil experimentar essa coerência quando nossa principal experiência de vida é dualista. A percepção holística estará fora do tempo linear e do espaço tridimensional e, por conseguinte, não será reconhecida com facilidade. Precisamos praticar a experiência holística para podermos reconhecê-la.

A meditação é um dos meios de extrapolar os limites da mente linear e permite que a coerência de todas as coisas torne-se uma realidade exponencial. Essa realidade é muito difícil de comunicar por intermédio de palavras, porque fazemos uso delas de um modo linear. Precisamos desenvolver um vocabulário por meio do qual possamos levar-nos uns aos outros a essas experiências. Na meditação zen japonesa, os mestres dão aos discípulos uma frase curta para que se concentrem nela. A frase, chamada koan, destina-se a ajudar os alunos a ultrapassarem o pensamento linear. Eis aqui um dos meus favoritos:

Qual é o som de uma só mão batendo palma?

Minha reação a esse koan, tão conhecido, é ver-me estendida no universo, num modelo de som inaudito, que parece fluir para sempre.

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